Às onze da manhã de mil novecentos e sessenta e dois
quebrou-se o meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo.
E desde então o tempo é um ditongo
entre não haver ontem e não haver depois
no meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo.
Não sei se riam se choravam se gritavam
eu não sei que palavras se diziam.
Estão ali estão ali. E disparavam.
E de súbito um berro. E de súbito um estrondo.
E não sei que diziam: se choravam se riam.
Estão ali estão ali. E disparavam.
Às onze da manhã entre Quipedro e Nambuangongo.
E nunca mais houve ontem nem depois.
São onze da manhã de mil novecentos e sessenta e dois
no meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo.
Manuel Alegre, in Nambuangongo, Meu Amor
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