O tempo amadurece
em silêncio,
como o figo
que ninguém vê
abrir-se à doçura.
Passa pela água
e a água
fica mais clara.
Passa pelo rosto
e deixa
uma luz mais funda
nos olhos.
Não leva tudo.
Há um nome
que permanece
na boca da manhã.
Há uma ave
que regressa
ao mesmo ramo
sem perguntar porquê.
Aprendo com as árvores:
não contam os dias,
erguem apenas
o coração
contra o vento.
E quando a noite chega,
o tempo
já não é um caminho.
É um punhado de estrelas
aceso nas mãos,
enquanto a terra,
muito devagar,
continua a florir.
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