O tempo
não passa.
É a água
que aprende
o nome das pedras.
É a luz
que demora
sobre o fruto
antes de o deixar cair.
As mãos
não guardam os dias.
Apenas
o calor
de um gesto,
o perfume breve
da terra
depois da chuva.
Tudo o resto
é vento.
E, no entanto,
há uma folha
que insiste
em ficar presa
ao ramo.
Talvez seja isso
o tempo:
não a queda,
mas o instante
em que o mundo
ainda respira
antes de partir.
Vítor Rodrigues
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