(arquivo Fernando Correia de Oliveira)
Já explicámos aqui a origem do termo "bera". E até já fomos, por isso, citados, aqui. Referindo-se ao Chiado, em Lisboa, dizia-se no artigo do jornal A Capital:
"Foram ali dar os célebres brilhantes Bera, que
deslumbraram o alfacinha, arrancando-lhe o dinheiro à farta e seduzindo-o com o
brilho fulgurante das suas falsas pedrarias e das suas jóias de latão. Os
brilhantes Bera foram, inegavelmente, uma das mais estranhas loucuras da Lisboa
no nosso tempo".
A história dos brilhantes Bera parece ser a seguinte: nos números 2 a 6 da Rua Garrett apareceu por volta de 1900 um estabelecimento de artigos de origem americana. Pertencia à Bera Scientific Diamond Palace e, no espaço sumptuosamente montado, exibiam-se jóias falsas, mas de acabamento elaborado. "Mais reais que as jóias reais", era o seu lema. O êxito foi tremendo, mas o termo "bera" ficou. Para qualificar negativamente algo ou alguém.
Acrescentamos agora um artigo publicado por essa altura, assumindo-se às claras a maneira de fabricar pedras preciosas de forma artificial. Hoje em dia, a indústria diamantífera clássica, baseada na exploração mineira, está ameaçada - de morte, diríamos nós - pelos diamantes sintéticos, feitos em laboratório, sem falhas e praticamente impossíveis de detectar quando comparados com os naturais.


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