Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Janela para o passado - La Flor de Oro, tinta para cabelos, 1927

Jóias Topázio, 1940


(arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Os relógios Vacheron Constantin no Relógios & Canetas online

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Meditações - making the ending — the present — seem the inevitable outcome of the past

"History is just one damned thing after another.” That pithy summary was supposedly coined by Arnold Toynbee, but, as Frans van Lunteren points out, “every story needs a plot.” Faced with these contradictory constraints, historians who wish to do more than simply chronicle a succession of events are forced to impose story lines retrospectively. This can have the unfortunate effect of making the ending  — the present — seem the inevitable outcome of the past.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Janela para o passado - Caldos Maggi, 1927

Humor relojoeiro


in Almanaque d'O Século para 1940 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Os relógios Ulysse Nardin no Relógios & Canetas online

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Relógios & Canetas online Agosto - Leilão Only Watch


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Meditações - mês de esplêndido luar


Fernandes Costa, Editor do Almanaque Bertrand, na edição para o ano de 1917 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

domingo, 1 de agosto de 2021

Janela para o passado - Aspirina, 1927

Relógios Cyma, 1940


(arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Agosto


in Almanaque de Lembranças para 1866 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Os relógios Thomas Mercer no Relógios & Canetas online

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Agosto


in Almanaque Bertrand para 1900 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Há 140 anos - um Valadas numa expedição científica à Serra da Estrela, onde foi usado um cronómetro de Hermenegildo Capelo

Bartolomeu Valadas (Ilustração Portuguesa, 31 de Março de 1913, dando conta do seu falecimento)

Há precisamente 140 anos, a 1 de Agosto de 1881, pelas 20 horas e 15 minutos, partia da Gare do Norte de Lisboa (Santa Apolónia), o Capitão Bartolomeu Valadas. Fazia parte do grupo de expedicionários que ia à Serra da Estrela, numa missão que envolveu algumas das principais instituições do país e alguns dos maiores cientistas nacionais da altura.

Engenheiro formado na Escola Politécnica, maçon, Bartolomeu Valadas, que em 1871 tinha proposto a transferência do Arsenal de Marinha para a zona da Margueira, na margem esquerda do Tejo, trabalhou depois na construção da rede nacional de faróis e colaborou em projectos de túneis na Mina de São Domingos, Mértola. Terminou a carreira como Chefe de Contabilidade dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste. Faleceu em 1917.


Retratos de Bartolomeu Valadas e canudo expedido de França com um deles (espólio Casa do Cabeço)



A família Valadas tem origens na Reconquista, em Serpa, e nos chamados Fossados. Afonso Fernandes Valente, o Azeitado foi um dos seus ilustres membros, sendo seu pai Martim Valente, Alcaide-Mor da localidade. O primeiro registo de propriedade da Casa do Cabeço, em Moreanes, Santana de Cambas, Mértola, está em nome de um “Azeitado”, e na linha dos Valente Valadas Vieira, família sua descendente. Filipa Correia de Oliveira, actual proprietária da Casa do Cabeço, é Valente pelo lado do pai. Bartolomeu Valadas era seu tio-bisavô. Dos Valentes Valadas Vieira já tínhamos falado aqui.

Voltemos à expedição. A dado passo do relatório final, lê-se: “O cronómetro que serviu para marcar a hora nas observações da polar, bem como nas observações da componente horizontal magnética, pertence ao distinto explorador H. Capello, e foi o que ele empregou nas observações que fez em África”. Hermenegildo Capelo foi o chefe da expedição.


Hermenegildo Capelo

A Universidade de Coimbra, no seu site, na entrada Viagens Filosóficas, refere-se nestes termos à expedição:

Na “viagem filosófica”, conceito desenvolvido em Coimbra, o exotismo do destino não era o mais importante: Domingos Vandelli tanto mandava os seus alunos de “Filosofia” (ciências naturais) para o Brasil ou Cabo Verde, como para Góis ou a Figueira da Foz, porque o foco nos resultados da observação científica eram o que mais importava para o sucesso da “viagem”.

Hoje, parece-nos inimaginável que, em 1881, uma enorme “expedição científica” tivesse tido por objetivo a Serra da Estrela. Nesse tempo, o Chiado de Lisboa iluminava-se orgulhosamente com 6 candeeiros elétricos Jablochkoff, o telégrafo tinha chegado à Guarda, o comboio a Celorico da Beira (a linha até Vilar Formoso inauguraria no ano seguinte) e quase todo o país já era percorrido por ocasionais “touristes”.

Mas, para a Sociedade de Geographia de Lisboa, coordenada por Luciano Cordeiro, a Serra da Estrela ainda era longínqua e cheia de mistérios: havia quem acreditasse que a Lagoa Escura estava ligada ao mar, velha lenda da qual Melville nos deixou eco em Moby Dick (Cap. 41: "...there was said to be a lake in which the wrecks of ships floated up to the surface...").

Pelas 8 da noite do dia 1 de agosto de 1881, partiam de Santa Apolónia 42 “expedicionários”, comandados pelo próprio Capitão-tenente Hermenegildo Brito Capelo, a que se juntaram em Coimbra Júlio Henriques e 2 funcionários do Jardim Botânico da Universidade. Do Porto, virá Joaquim de Vasconcelos e de Guimarães Martins Sarmento, para integrar a Secção de Arqueologia.

Mais ou menos trajados de exploradores alpinos, espalharam-se pela Serra, Emygdio Navarro, Rodrigo Afonso Pequito, Jules Daveau, Jaime Batalha Reis e dezenas de homens, incluindo um corneteiro de Infantaria n° 12, para acordar o acampamento. O Diário de Notícias ironizava que era "toda a lã de um rebanho em cima de nós! Por sobre isto, revólver para lobos, toucinho para as víboras". Com os homens, seguiram carruagens de material científico, incluindo fotográfico. Entre todos eles, destacou-se o Dr. Sousa Martins (ainda não “santo”) de barrete verde à campino, a atender doentes e a congeminar a construção de sanatórios na Serra, para curar a “tísica” nacional.

Um dos estrangeiros que fez parte da iniciativa foi o botânico francês Jules Daveau. A sua prima-neta, Suzanne Daveau, que foi casada com o geógrafo e historiador português Orlando Ribeiro, e que ainda é viva, fez um artigo sobre a expedição, que aqui deixamos.







Aspectos da expedição (várias fontes)

A historiadora Helena Gonçalves Pinto, no Diário de Notíciasde 13 de Maio de 2012
também escrevia sobre a expedição: 

1 de Agosto de 1881. Pelas 20 horas e 15 minutos, partia da Gare do Norte de Lisboa (Santa Apolónia) um grupo de 42 expedicionários entusiásticos com a expectativa de uma viagem exploratória à serra da Estrela, região ainda desconhecida, selvagem e, em grande parte, desabitada, que encerrava em si mistérios e mitos. Partiram sob a aclamação calorosa de numerosa assistência, de representantes do Conselho de Ministros, do presidente e do primeiro secretário-geral da Sociedade de Geografia de Lisboa, do director e de alguns lentes da Escola Médico-Cirúrgica e de um grande número de membros da imprensa e das escolas superiores. Partiram enérgicos, sabendo que iriam defrontar as forças dos elementos naturais e não as feras de África. As vinte e três carruagens transportavam homens agasalhados com camisolas de flanela, casacos de Inverno, duas mantas inglesas e, ainda, botas de tamanho descomunal. Eduardo Coelho, o correspondente e director do Diário de Notícias, ironizava, escrevendo já a partir da serra, que era "toda a lã de um rebanho em cima de nós! Pôr sobre isto revólver, para lobos, toucinho para as víboras".

28 de Abril de 2012. Da mesma estação ferroviária, parte pela tarde um grupo de expedicionários, com destino à estação da Covilhã, percurso em que saboreámos, em Abrantes, os doces locais que as gentes desta cidade nos brindaram durante a curta paragem do comboio. De Lisboa, partimos imbuídos de um espírito de aventura e de revisitação dos passos dos inesquecíveis Brito Capello, Sousa Martins, Rodrigo Pequito, Mouzinho de Albuquerque, Jayme Batalha Reis, Martins Sarmento, Joaquim Vasconcellos, Júlio Henriques, Jules Daveau e muitos outros que representaram 12 secções e uma auxiliar pertencentes à recente Sociedade de Geografia de Lisboa (1875), promotora dessa expedição, enquanto a de agora teve a sua mobilização nas comemorações do centenário do turismo em Portugal (1911--2011), a fechar o seu ciclo comemorativo. A pernoita, nestes dias de revisitação, foi na Casa das Penhas Douradas, que serviu de quartel-general, a partir da qual se realizaram visitas a sanatórios e se calcorreou sensivelmente os mesmos trilhos do século XIX.

Presidida por Hermenegildo de Brito Capello, experiente explorador nas terras de África, a ideia da primeira expedição (1881) teve origem no ano anterior, a 5 de Julho, como projecto singular multidisciplinar, com orientação científica (pura e aplicada), com o objectivo de auxiliar o progresso das ciências médicas em território português. A proposta foi apresentada à Sociedade por Luciano Cordeiro, sob iniciativa de Luís Feliciano Marrecas Ferreira, contando com a entusiástica e esclarecida argumentação científica de Sousa Martins, "que pretendia instalar sanatórios na serra para tratar os tísicos portugueses".

A serra da Estrela, na época também designada de Hermínio, era uma região cujo fascínio levou a que, algumas vezes, fosse percorrida por pequenos grupos motivados pela aventura e pelas suas singularidades, levando-os a entrar em territórios desconhecidos para observar "as alagoas ou poços, a célebre montanha dos cântaros, o pomar de Judas, e outras celebradas raridades geológicas", muito sugestionados pela expedição que os especialistas em história natural, botânica e mineralogia, Link e Hoffmansegg, realizaram no século anterior, ou mesmo pelas descrições de J. Rivoli, em Die Serra da Estrela.

Um dos objectivos imediatos da expedição de 1881 foi o de estabelecer o posto meteorológico, um dos primeiros da Europa. O programa para esta instalação foi cuidadosamente preparado por Sousa Martins, já que as ciências médicas trabalhavam, inovadoramente, nas áreas prospectivas das patologias das altitudes, climatologia médica, flora aplicada à farmacopeia e meteorologia, as quais certificariam a instalação mais tarde da Estância Sanatorial.

A Comissão Organizadora conseguira o apoio político do Governo, e os municípios seriam decisivos para a concretização da expedição, sem o qual não teria sido possível a Sociedade de Geografia de Lisboa promover um projecto desta envergadura, que duraria 19 dias, com cerca de 100 homens, os especialistas idos de Lisboa, Coimbra, Porto e Guimarães e os das localidades da serra para trabalho auxiliar. Seguiram para aí laboratórios completos, com os equipamentos e intrumentos científicos de cada secção especializada, alguns deles construídos e adquiridos expressamente para a missão. A Estrela foi objecto de estudo, tornou-se laboratório e teve a maior concentração multidisciplinar de cientistas até à actualidade em Portugal.

Os expedicionários apenas transportariam uma diminuta bagagem de mão, podendo incluir alguns objectos pessoais e géneros selectos para consumir nos quinze dias de estada na montanha e, ainda, um bordão para os caminhos difíceis. No abarracamento da cumeada da serra, cada expedicionário encontraria uma maca de bordo e duas mantas, para cama; uma bacia de barro para lavagem; uma marmita para ração de cozinha; um cantil para ração de vinho.

Havia um regime alimentar rigorosamente militar, e todos à partida foram prevenidos: "Que os gastrónomos, se alguns vão, não criem ilusões. Hão-de contentar-se com um singelo rancho e rações. Às horas determinadas, salvo as indicações e conveniências de estudo: há as clássicas marmitas e cantinas. Um cozinheiro foi contratado em Lisboa e três ajudantes na Guarda. Haverá alvorada e silêncio a toque de corneta." Uma agressão violenta para cientistas citadinos, atenuada pelo espírito de missão.

Todos os dias chegavam notícias a Lisboa. O Diário de Notícias fazia um relato pormenorizado passo a passo, com as informações dos telegramas postais e das crónicas de Eduardo Coelho enviados de Seia. Os telegramas recepcionados na Redacção eram colocados à consulta de outros periódicos nacionais.

Os dias sucedem-se, os expedicionários percorrem a pé vários quilómetros, vencendo desfiladeiros e gargantas serranas. Apenas sossegam quando dormem de noite. Num ambiente de alegre camaradagem, as diferentes secções consomem o tempo, pesquisando, recolhendo, medindo e fotografando os elementos. A secção médica destacava-se, pela concorrência de visitantes, pelos instrumentos científicos e pela singularidade de Sousa Martins que, de barrete verde de campino - nasceu em Alhandra -, fazia clínica, observações, experiências e cirurgias aos aldeões que a ele se acercavam.

As excursões apresentavam-se surpreendentes, sobretudo a das lagoas, com a desmitificação da lagoa Escura, antes imaginada sem fim, a comunicar com o mar. O grupo ficou extasiado pela posição das mesmas, "separadas uma da outra por uma faixa de granito de alguns metros de extensão, contornada por zimbros formosos", num cenário de uma beleza notável, e sem "monstros do abismo e o mouro encantado", figuras que evadiam a imaginação dos cientistas antes desta experiência pioneira. O grupo estava maravilhado: o horizonte parecia infinito.

Houve jantares invulgares e até uma procissão já no final para se proceder à devolução, entre as secções, dos instrumentos científicos, que foram elevados ao lugar de Santos. A população local foi, aliás, um parceiro determinante, aparecendo em massa no acampamento e contribuindo para avaliações médicas e partilhando lendas e histórias, verdadeiras e ficcionadas. Algumas destas perduram, tal como a imaginação de quem ainda se aventura, sob o sonho de querer e saber, acreditando que a serra é, ainda, muito mais que o manancial de informação que essa experiênca científica nos deixou e que, nestes dias, recriámos, também com aventura, festa, foguetes, música, jantares, piquenique, exposições e, sobretudo, com as gentes locais.

Pelas terras de Manteigas, Seia e Guarda, revivemos passos antigos, num palco privilegiado para viver experiências únicas, envoltas da nobreza das paisagens, das encostas vertiginosas, das lagoas e das pedras esculpidas, dos vales glaciares, das águas termais, da pureza do ar e do silêncio cristalino. Discreta, mas contagiante, a serra da Estrela foi uma aventura há mais de um século e, hoje, contém nela o turismo do futuro, onde o científico se revela em toda a extensão do olhar.

Hermenegildo Capelo

Finalmente, a Câmara Municipal de Palmela, de onde a família Capelo era natural, acaba de editar um opúsculo, onde refere a expedição à Serra da Estrela, mas também uma outra, à Serra do Gerês, no ano seguinte, em 1882.






Agosto no Calendário Celebração do Tempo


Relógios & Canetas online Agosto - Há, mas são verdes...

“Há… mas são verdes”

A recente abertura de uma boutique Van Cleef & Arpels na Avenida da Liberdade, em Lisboa, menos de um ano após a inauguração, no mesmo local, de uma boutique Vacheron Constantin, volta a trazer à discussão o tema monomarca versus multimarca.

Na Avenida, e apenas no segmento Relojoaria / Joalharia, há ainda pontos de venda monomarca, e seguindo as datas de abertura, Montblanc, A. Lange & Söhne (terá encerrado, entretanto), Officine Panerai, Rolex e Omega. Todas elas, com excepção da Montblanc, em parcerias com agentes locais.

Naquele que é a artéria do luxo na capital estão presentes as três mais importantes redes de retalho nacionais, todas elas com espaços monomarca em parceria com os fabricantes – Boutique dos Relógios (Omega, Vacheron Constantin e Van Cleef & Arpels); Torres Joalheiros (Rolex); e David Rosas (A. Lange & Shöhne e Officine Panerai).

Um recente estudo da McKinsey analisa as perspectivas do sector Relojoaria / Joalharia até 2025. Calcula-se que, a nível global, 2,4 mil milhões de dólares de receitas sejam transferidos dos retalhistas para as marcas, com a venda directa a ganhar cada vez mais preponderância.

O estudo aponta ainda para o mercado de segunda mão, que será mesmo o segmento de maior crescimento neste período. A McKinsey diz que as marcas devem “posicionar-se urgentemente” quanto a esse negócio.

O mercado de segunda mão vive actualmente uma bolha, com muita especulação. O que dizer do que aconteceu com um Patek Philippe Nautilus, de aço, acabado de sair da fábrica, nunca usado, de série não limitada, mas com anos de espera?

Com um PVP a rondar os 30 mil euros, foi levado à praça pela Antiquorum, com estimativas entre os 50 mil e os 150 mil, mas atingiu uns “pornográficos” 416 mil euros. Tal como o mostrador, é de ficar verde…

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Meditações - Agosto


in Almanaque Ilustrado de Fafe para 1933, assinado Azedo, João Petisco e João Pisco