sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Grande Prémio de Relojoaria 2026 - o júri
Os relógios Chopard no Relógios & Canetas online
quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Relógios & Canetas online Novembro - com a Patek Philippe, em Milão
Meditações . tempo para não pensar
Eu queria ter o tempo
e o sossego suficientes
Para não pensar em coisa nenhuma,
Para nem me sentir viver,
Para só saber de mim
nos olhos dos outros, reflectido.
Alberto Caeiro
Os relógios Chanel no Relógios & Canetas online
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Relógios e Canetas online Novembro - o fim da gama média?
Editorial
Zenith entra em profunda reestruturação
Sinal dos tempos – o CEO da Zenith desde 2024, Benoit de Clerck anunciou interna e externamente um profundo programa de restruturação, que implicará redução de produção e despedimentos.
Quando esse programa estiver complete, em 2029, produzirá menos relógios (atualmente, 8.500 por ano), reduzirá linhas e aumentará preços. Ou seja, faz aquilo que outras manufaturas já fizeram – trabalhar apenas no topo de gama, com edições reduzidas, garantindo exclusividade.
O responsável disse que o grupo dono da Zenith, o LVMH, irá procurar empregar os dispensados em outras marcas, como sejam Louis Vuitton, TAG Heuer, Hublot ou Bulgari (para as quais a Zenith fornece calibres). Calculam-se 200 despedimentos na sede, em Le Locle, e outros 100 espalhados pelo mundo. “A Zenith não pode continuar a perder dinheiro indefinidamente”, afirmou.
A competição no setor de gama média é onde se faz sentir mais a crise, com muitas marcas tradicionais a tentarem sobreviver aos smartwatches e às marcas de moda. Ao passar a definir-se como Alta Relojoaria, a Zenith passará a competir num mundo mais restrito – tipo Rolex, Audemars Piguet, Patek Philippe ou a miríade de marcas independentes que foram aparecendo nas últimas três décadas colocando-se, logo de início nesse extrato de baixa produção e preços muito elevados.
A indústria tem beneficiado de um programa do Estado, o RHT — Réduction de l’horaire de travail (redução das horas de trabalho), que compensa em 80 por cento o patrão pelos lucros perdidos em resultado dessa redução.
Um franco forte, as tarifas dos Estados Unidos, a redução de mercados no Médio Oriente e Ásia, as incertezas políticas globais, segundo observadores do setor citados por Rob Corder, do Watchpro, não são problemas temporários, mas antes uma mudança permanente do mercado mundial de relojoaria.
Meditações - metáfora relojoeira
É preciso prestar atenção à diferença muito grande que existe entre dizer que uma certa qualidade, modificação da alma, ou virtude, não é o motor que faz agir um governo e dizer que ela não se encontra neste governo. Se eu dissesse: tal roda, tal pino não são o motor deste relógio, se concluiria que eles não estão no relógio? Da mesma forma, as virtudes morais e cristãs estão tanto menos excluídas da monarquia quanto a própria virtude política não o está.
Montesquieu, O Espírito das Leis
Os relógios Cartier no Relógios & Canetas online
terça-feira, 3 de novembro de 2026
Relógios & Canetas online Novembro
Meditações - no meio do relógio...
Romance XIV ou da Chica da Silva
Que andor se atavia
naquela varanda?
É a Chica da Silva:
é a Chica-que-manda!
Cara cor da noite
olhos cor de estrela.
Vem gente de longe
para conhecê-la.
(Por baixo da cabeleira,
tinha a cabeça rapada
e até dizem que era feia.)
Vestida de tisso,
de raso e de holanda
- é a Chica da Silva:
- é a Chica-que-manda!
Escravas, mordomos
seguem, como um rio,
a dona do dono
do Serro do Frio.
(Doze negras em redor,
- como as horas, nos relógios.
Ela, no meio, era o sol!)
Um rio que, altiva,
dirige e comanda
a Chica da Silva,
a Chica-que-manda.
Esplendem as pedras
por todos os lados:
são flechas em selvas
de leões marchetados.
(Diamantes eram, sem jaça,
por mais que muitos quisessem
dizer que eram pedras falsas.)
Mil luzeiros chispam,
à flexão mais branda
da Chica da Silva
da Chica-que-manda!
E curvam-se, humildes,
fidalgos farfantes,
à luz dessa incrível
festa de diamantes.
(Olhava para os reinóis
e chamava-os “marotinhos”!
Que viu desprezo maior?)
Gira a noite gira,
dourada ciranda
da Chica da Silva,
da Chica-que-manda!
E em tanque de assombro
veleja o navio
da dona do dono
do Serro do Frio.
(Dez homens o tripulavam,
para que a negra entendesse
como andam barcos nas águas.)
Aonde o leva a brisa
sobre a vela panda?
- A Chica da Silva:
à Chica-que-manda.
A Vênus que afaga,
soberba e risonha
as luzentes vagas
do Jequitinhonha.
(À Rainha de Sabá,
num vinhedo de diamantes
poder-se-ia comparar.)
Nem Santa Ifigênia,
toda em festa acesa,
brilha mais que a negra,
na sua riqueza.
Contemplai, branquinhas,
na sua varanda,
a Chica da Silva,
a Chica-que-manda!
(Coisa igual nunca se viu.
Dom João Quinto, rei famoso,
não teve mulher assim!)
Cecília Meirelles - Romanceiro da Inconfidência
Os relógios Bulgari no Relógios & Canetas online
segunda-feira, 2 de novembro de 2026
Um colecionador de relógios de todas as espécies, épocas e procedências...
Meditações - horas guardadas pelos ponteiros
Romance LVI ou da arrematação dos bens do Alferes
Arrematai o machinho
castanho rosilho! Custa
10 mil-réis: o que o algebrista
lhe pôs na avaliação.
Ai! corta rios e espinhos,
e já nada mais o assusta:
Só ele sabe o que leva
na sua imaginação.
Arrematai as esporas,
com seu jogo de fivelas!
Pesam 39 oitavas
e uma pequena fração.
E ireis pelo mundo afora
aprumado em qualquer sela,
propalando a sanha brava
dessa história de traição.
Arrematai as navalhas
e a tabaqueira de chifre!
Neste corredor de trevas,
nossos passos aonde irão?
Feliz aquele que leve
um ponteiro que o decifre!
Arrematai-o! - Não falha,
este relógio marcão.
Arrematai, juntamente,
esta bolsinha dos ferros:
por menos de 3 cruzados,
ficareis tendo a ilusão
de, por entre escuma e berro,
arrancar os duros dentes
a qualquer monstro execrando
ou peçonhento dragão!
Arrematai, sobretudo,
este pobre canivete.
São 30 réis, 30, apenas...
E com que satisfação
aparareis vossa pena!
Quem sabe em que papéis mudos
ela, a correr, interprete
esta vã conspiração.
E este espelho, surpreendido
por não sentir mais a cara
de entusiasmo, dor e espanto
daquele homem de paixão?
Arrematai-o! Um gemido,
que antes nunca se escutara,
e turvas gotas de pranto
em sua lâmina estão.
Arrematai a fivela
da volta do pescocinho,
que para sempre recorda
definitiva aflição!
Pois estão marcados nela
o sítio certo e o caminho
por onde cutelo e cordas
cumprem sua obrigação.
Arrematai essas horas
guardadas pelos ponteiros,
arrancadas ao seu dono,
rogando consumação!
Interrogai-as, agora
que os reis tremem nos seus
e os antigos prisioneiros
de cinza e de glória são.
Cecília Meirelles - Romanceiro da Inconfidência
Os relógios Jacob & Co. no Relógios & Canetas online
domingo, 1 de novembro de 2026
Os relógios Ball no Relógios & Canetas online
sábado, 31 de outubro de 2026
Os relógios ArtyA no Relógios & Canetas online
Meditações - o futuro do presente
O futuro do presente
O futuro é aquela utopia por nós sonhada que gostaríamos de
ver concretizada. Para nós o presente está no meio de nuvens tão espessas que
não nos deixam ver para além. Eu penso na escola, porque educação é mais
extensa que escola, e penso qual o papel do professor que necessitaremos para
lá deste nevoeiro. O magíster dixit, isto é, o professor disse e está dito, há
muito que acabou; com toda a verdade nunca foi extinto. Teve até hoje a
regência do saber porque não existia quem lho contestasse. O uso da tecnologia
foi-lhe tirando o papel de ator principal e, a pouco e pouco, ele foi-se
retirando da ribalta, sem se dar conta que estava a ser arredado: já não
precisa de ensinar a operar porque a calculadora fá-lo com prontidão e certeza;
já não precisa de ensinar ortografia porque o computador não deixa dar erros;
não precisa da tabela periódica porque o relógio dá-lhe a resposta que
necessita, e assim por diante, sub-repticiamente foi perdendo muitas das sua
valências como mestre indiscutível. Que mais se seguirá? A resposta está para
lá do nevoeiro mas, pelo que se pode perspetivar, o professor terá que ser um
programador de computador. O saber específico ficará a cargo da inteligência
artificial e aí se encontrará todo o saber sobre qualquer assunto. Então há que
fazer um programa, género súmula, desse vasto saber para o apresentar aos
alunos. Apresentar para discutir e até confrontar com as várias visões
plasmadas nos textos da IA. Este “professor”, entre aspas porque já não ensina,
perderá o seu título académico e ganhará o de programador. Na sua seleção de
textos estará a sua subjetividade colocando o aluno novamente na
subalternidade. Este saberá fugir à grilheta comentando na sua peculiaridade os
textos que ficaram de fora da seleção do programador escolar. Será assim?
Pergunto ao eco e ele não responde porque também não sabe, mas há uma certeza
já visível, nunca mais o professor de hoje será o mesmo de amanhã, porque a
tecnologia não o deixará e, no entanto, a sociedade será cada vez mais
tecnológica. Dizia-me há tempos um amigo:” já não vou ao banco há muito tempo;
faço pagamentos, transferências, abertura de contas, consultas de depósitos
apenas com o computador pessoal; já não preciso de nada para encontrar o lugar
para onde quero ir porque o GPS indica-me o caminho e avisa-me quando chego. No
meu relógio recebo mails… Pena é, continuou ele, navegando na espessura do
nevoeiro de hoje, que não tenha vida para ver a futura sociedade porque, pelo
que vejo, não lhe vai faltar tempo de lazer; meu caro, a tecnologia vai
trabalhar por ela”. E quem trabalha nos campos? “A tecnologia produzirá
alimentos, tecidos, sapatos, nos laboratórios, como faz com os medicamentos e
fará de previdência em todos os aspetos da vida humana? E julgo que saberá
produzir água nas suas provetas. Os automóveis terão condução automática, e por
aí adiante.” Sonho, utopia, realidade cabem todos no mesmo cesto. Será capaz de
fazer nascer “meninos proveta”, por conta e medida certa, das necessidades da
vida? Que responda o nevoeiro que nos estorva a vista.
Paulo Fafe, 28 de setembro de 2026, in Diário do Minho

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