Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

terça-feira, 2 de junho de 2026

Iconografia do Tempo


 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Janela para o passado - candeeiros e lanternas, 1908

Os relógios Reservoir no Relógios & Canetas online


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Memorabilia - caixa de bombons, relógios Breitling

A polémica colaboração entre a Swatch e a Audemars Piguet

Royal Pop ou Royal poop?

As críticas ao Royal Pop — a mediática colaboração de relógios de bolso biocerâmicos entre a Swatch e a Audemars Piguet — dividem-se entre a fúria dos puristas da alta relojoaria, o entusiasmo dos fãs de cultura pop e a indignação com a logística caótica do seu lançamento.

Os prós

Design disruptivo e divertido: a imprensa de life style elogiou a coragem em trazer cores vibrantes e uma abordagem lúdica a um mercado habitualmente cinzento, formal e excessivamente sério.

Mecanismo novo: o relógio utiliza o SISTEM50, uma versão modificada de corda manual do calibre SISTEM51 automático. O facto de incluir vidro de safira na frente e no verso (permitindo ver o mecanismo colorido) e uma autonomia de 90 horas foi o que chamou mais a atenção da imprensa especializada.

Democratização emocional: para muitos analistas, o Royal Pop funciona como uma porta de entrada brilhante para introduzir a história da alta relojoaria e marcas de luxo tradicionais a gerações mais jovens, que nunca consideraram colecionar relógios.

Os contras

Caos e falta de organização: a Swatch foi duramente criticada por não conter as multidões no lançamento. Registaram-se tumultos, agressões e o uso de gás lacrimogéneo pela polícia em cidades como Paris, Milão e Nova Iorque. O encerramento forçado de várias lojas gerou frustração generalizada.

Domínio de revendedores (flippers): muitos entusiastas, que esperaram dias em filas, saíram de mãos vazias. Em muitos casos, a maioria das filas era composta por revendedores focados no lucro imediato.

Especulação absurda de preços: com o preço de venda original fixado por volta dos 350€ a 420$, os relógios esgotaram instantaneamente e passaram a ser listados em plataformas de revenda por milhares de euros. Como não se trata de uma edição limitada, daqui a uns tempos haverá quem pagou 4 ou 5 vezes mais, para nada.

"Desvalorização" da Audemars Piguet: os mais puristas argumentam que transformar o icónico e luxuoso formato octogonal do Royal Oak num "brinquedo de plástico" colorido prejudica a perceção de exclusividade da marca de alta relojoaria.

Formato pouco prático: Por ser um relógio de bolso/pescoço e não um relógio de pulso tradicional, alguns críticos consideram-no um acessório de moda pouco funcional e feito apenas para "gerar fotos no Instagram".

O Calibre SISTEM50 não tem manutenção. Dentro da garantia, o relógio é substituído por outro. Depois disso, quando avariar, relógio não será. Acessório de moda, pouco provável. Memória de um grande êxito de marketing? Seguramente. Mais do que isso?

A Swatch fez anteriormente edições conjuntas com duas marcas do grupo – o MoonSwatch, com a Omega, em 2022; o Swatch Scuba Fifty Fathoms, com a Blancpain, em 2023. Vendeu 2 milhões de unidades do primeiro e 1 milhão no segundo. A Omega terá duplicado no primeiro ano a venda do seu modelo Speedmaster igual ao que esteve na Lua. O impacto do Scuba teve muito menor impacto em qualquer das marcas envolvidas. Mesmo que o Royal Pop seja um êxito para a Swatch, duvidamos que o Royal Oak da Audemars Piguet venha a beneficiar da parceria. Apesar da notoriedade que atingiu. Até pelos piores motivos.

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Quebra acentuada nas exportações relojoeiras suíças em Abril

As exportações relojoeiras suíças sofreram em Abril uma quebra de 16,6 por cento, para uma perda acumulada de 3,9 por cento nos primeiros quatro meses do ano, face a 2025. Em quantidades, foram exportados em Abril menos 129 mil relógios.

A quebra deve-se sobretudo ao comportamento do principal mercado de destino, os Estados Unidos, com 56,4 por cento de quebra no mês, comparado com Abril do ano passado.

Diz a Federação Relojoeira:

Once again, the performance of the United States set the tone. The decrease of 56.4%, due to an unfavourable base effect following the sharp rise in exports seen last year in response to the announcement of an increase in US tariffs, had a strongly negative impact on the overall result. Over the longer term, however, the US market has grown by 8.9% compared with April 2024. Among the main markets, growth was strong in France (+46.3%) – although this does not reflect the real trend in the market – followed by Singapore (+17.3%), China (+17.1%) and Hong Kong (+13.5%), which benefited from a positive base effect. Conversely, Japan (-12.1%), the United Kingdom (-9.7%), Germany (-6.4%) and the United Arab Emirates (-9.5%) recorded significant falls.

Já quanto a Portugal, ficou afastado entre os 30 principais mercados de destino em Abril, com o Brasil a aparecer na 29ª posição e 54,1 por cento de aumento. No acumulado dos primeiros 4 meses, o Brasil ainda não aparece, e Portugal está em 30º, com uma quebra de 35,3 por cento.

Meditações - tarde de Junho


António Correia de Oliveira

domingo, 31 de maio de 2026

sábado, 30 de maio de 2026

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Fusos horários


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Os relógios Rudis Sylva no Relógios & Canetas online


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Janela para o passado - Pré-Natal, 1958

Meditações - na bruma do tempo

Esquecer é um tipo estranho de liberdade. No começo, é um esforço, um imenso empurrão contra a maré das lembranças, como quem tenta caminhar sobre areia movediça. Mas, a pouco e pouco, o esquecimento aprende a respirar dentro de nós, encontra o seu espaço entre as lacunas da memória e infiltra-se nas entrelinhas do cotidiano.

Esquecer não é apagar. Não é um estalo, uma chave que vira. É uma névoa lenta, um sol que se põe devagar sobre o que um dia foi muito vivo. As vozes tornam-se ecos, os rostos perdem os contornos nítidos, as palavras antes tão carregadas de sentido agora soam vazias, como folhas secas levadas pelo vento.

No entanto, há um certo medo em esquecer. Como se, ao deixar ir, estivéssemos traindo a importância daquilo que um dia segurámos tão forte. Mas a verdade é que a vida exige espaço para o novo e, às vezes, para seguir em frente, é preciso deixar algumas partes de nós dissolverem-se na bruma do tempo.

Esquecer não é fraqueza. É um ato de sobrevivência. E, talvez também, um pouco de amor-próprio!

 

Helena Sacadura Cabral

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Humor relojoeiro


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Os relógios Seiko no Relógios & Canetas online


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Janela para o passado - Nivea, 1958

Meditações - telescópios, máquinas do tempo

As imensas distâncias até as estrelas e as galáxias significam que todos os corpos que vemos no espaço estão no passado – alguns deles tal como eram antes que a Terra viesse a existir. Os telescópios são máquinas do tempo. Há muitas eras, quando uma galáxia primitiva começou a derramar luz na escuridão circundante, nenhuma testemunha poderia ter adivinhado que bilhões de anos mais tarde alguns blocos remotos de rocha e metal, gelo e moléculas orgânicas se juntariam para formar um lugar chamado Terra; nem que surgiria a vida, nem que seres pensantes evoluiriam e um dia captariam um ponto dessa luz galáctica, tentando decifrar o que a enviara em sua trajetória. E depois que a Terra morrer, daqui a uns 5 bilhões de anos, depois que ela for calcinada ou até tragada pelo Sol, surgirão outros mundos, estrelas e galáxias – e eles nada saberão de um lugar outrora chamado Terra.

Carl Sagan

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Uma amizade da popa à proa - José António Rita Raposo (1954 - 2026)

Durante quatro anos, o Raposo e eu fizemos juntos, a pé, o caminho de e para a Escola Primária Nossa Senhora da Conceição, pertencente à Paróquia dos Mártires, ao Chiado. Ele morava na Vítor Cordon e eu na Serpa Pinto. Na foto, além de nós, o Pepe e o "Cenoura". Quatro companheiros da vida airada, nos tempos em que ainda era possível brincar aos índios e cowboys e jogar à bola no Ferragial. Aquilo era tudo nosso. Mantivemos até hoje uma amizade que se materalizava em almoços ou jantares. 


A meio da Primária, apareceu o Hernani e o Vítor. Que se juntaram ao grupo


O José António Rita Raposo sempre foi o mais bem disposto de todos nós, com um repertório inesgotável de anedotas. O irmão, António José Rita Raposo, aparecia algumas vezes.


Muitos dos encontros foram no Tabernáculo, do Hernani Miguel, figura lendária da noite lisboeta, responsável pelo início da "movida" no Bairro Alto.


O Raposo foi responsável pela minha entrada no Clube Naval de Lisboa. O irmão António José já andava por lá e aliciou-nos a aparecer.


Assim, eu e o Raposo fizemos parte de mais um grupo, o do Remo, com o Palma e o Nogueira. Fomos vice-campeões nacionais juvenis de yolle e campeões nacionais júniores, na mesma classe (embora eu tenha participado apenas na primeira regata da época, em rotura com a Direção do CNL, mas isso são outras histórias).

Além do timoneiro, no barco havia o Voga, eu, que marcava a cadência da remada; o Palma, que era o primeiro Sota; depois, vinha o Nogueira, segundo voga; e, por fim, lá estava o Raposo, à proa, segundo Sota.


Amigos do Raposo, da Primária e do Remo estiveram a despedir-se dele hoje. Recordando o caçador, criador de cães, amante do tiro aos pratos e de um bom prato. Mas, sobretudo, um companheiro cuja presença era garantia de boa disposição. Um abraço à Ana. Até sempre, caro amigo. Da voga à sota, da popa à proa, estamos contigo.

Equipa de futebol dos Caixeiros da Rua dos Ourives, Setúbla, 1953


 O Setubalense, 1953 (contribuição de Euprémio Scarpa / Nuno Teixeira)

Os relógios SevenFriday no Relógios & Canetas online


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Janela para o passado - caldos Maggi, 1958

Meditações - costurando o tempo

Assim é a voz do poeta: um fio de silêncio costurando o tempo.

Mia Couto

terça-feira, 26 de maio de 2026

Iconografia do tempo


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Os relógios Singer Reimagined no Relógios & Canetas online


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Janela para o passado - Milo, 1958

Meditações - futuro, extensão de um passado

Uma pessoa é atropelada sem gravidade. Levanta-se e percebe que partiu o braço. Não tem grandes dores, mas adivinha o que lhe vai acontecer: o gesso no braço, as mangas das camisas novas que terá de rasgar, a fisioterapia feroz, e um Verão a nadar à cão, caso se chegue a isso. Ocorrem-lhe também outros pensamentos: o de que cerca de trinta segundos antes estava tudo em perfeita ordem; e o de que caso não tivesse sido atropelada tudo estaria ainda em perfeita ordem. Percebe que aconteceu qualquer coisa, mas o que aconteceu parece-lhe ao mesmo tempo evitável e irreversível. Se não tivesse sido atropelada, conclui com irritação, tudo teria continuado a acontecer.

Ao voltar do hospital comunicam-lhe que perdeu um programa com valor educativo na televisão, sobre animais. Por felicidade o seu serviço de televisão oferece uma caixinha que lhe promete voltar atrás no tempo. Não obstante a vida recente lhe ter já indicado que poderá não ser o caso, procura o programa educativo nessa caixinha, com esperança e método. Não o consegue porém encontrar: nem há dois dias, nem há um dia. Chegado na caixinha ao princípio do próprio dia, carrega com persistência num botão, e as horas do relógio aproximam-se com velocidade crescente da hora actual. Embalada pelos progressos, imagina durante uma fracção de segundo que o botão lhe permitirá continuar indefinidamente a procurar o programa no futuro.

As duas experiências têm ar de filosofia, mas são tempestades mentais. Tudo neste mundo nos confirma que o passado passou, e que a tecnologia tem limitações. A sensação de que as coisas poderiam ter sido diferentes parece não obstante sugestiva; e também nos atrai a ideia de que o futuro é a extensão de um passado a que, caso certos botões fossem mais eficientes, ou o pacote de televisão que assinamos mais capaz, poderíamos aceder. Talvez o tempo, responderemos da próxima vez que nos perguntarem, corresponda não ao conteúdo das nossas tempestades mentais sobre o passado e o futuro mas àquilo que acaba mais tarde ou mais cedo por nos lembrar que essas tempestades são fantasias.

Pedro Tamen

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Fusos horários


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Os relógios Swatch no Relógios & Canetas online


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Janela para o passado - Milo, 1958

Meditações - não adianta saber do tempo

Sabemos muito bem o que é o tempo, informa o Santo, quando não nos perguntam. O problema é quando nos perguntam. Nessa altura, como quem apanha uma doença, passamos nós a querer perguntar. Mas a quem? Os físicos, se nos acontece não saber matemática, respondem-nos como Moisés no princípio do seu livro; os relojoeiros acham que tudo é uma questão de relógios; os historiadores falam só do que já aconteceu há algum tempo, e inclinam-se a achar que o tempo é aquilo que já aconteceu; e os filósofos, quando não nos despacham para os físicos ou para os historiadores, não têm grande coisa a dizer que se perceba. Talvez não seja frequente fazer-se perguntas sobre o que é o tempo porque se pressinta que normalmente não adianta muito fazê-las.

Miguel Tamen

domingo, 24 de maio de 2026

Humor relojoeiro


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Os relógios TAG Heuer no Relógios & Canetas online


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Janela para o passado - Binaca, 1958

Meditações - Horas, horas sem fim

ESPERA

 

Horas, horas sem fim,

pesadas, fundas,

esperarei por ti

até que todas as coisas sejam mudas.

 

Até que uma pedra irrompa

e floresça.

Até que um pássaro me saia da garganta

e no silêncio desapareça.

 

Eugénio de Andrade

sábado, 23 de maio de 2026