Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Os relógios Cartier no Relógios & Canetas online


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

terça-feira, 3 de novembro de 2026

Humor relojoeiro


 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Memorabilia - canetas, relógios Patek Philippe

Janela para o passado - Restaurante Beleza da Serra, Gerês, 1995

Relógios & Canetas online Novembro


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

Meditações - no meio do relógio...

Romance XIV ou da Chica da Silva

Que andor se atavia

naquela varanda?

É a Chica da Silva:

é a Chica-que-manda!

Cara cor da noite

olhos cor de estrela.

Vem gente de longe

para conhecê-la.

(Por baixo da cabeleira,

tinha a cabeça rapada

e até dizem que era feia.)

Vestida de tisso,

de raso e de holanda

- é a Chica da Silva:

- é a Chica-que-manda!

Escravas, mordomos

seguem, como um rio,

a dona do dono

do Serro do Frio.

(Doze negras em redor,

- como as horas, nos relógios.

Ela, no meio, era o sol!)

Um rio que, altiva,

dirige e comanda

a Chica da Silva,

a Chica-que-manda.

Esplendem as pedras

por todos os lados:

são flechas em selvas

de leões marchetados.

(Diamantes eram, sem jaça,

por mais que muitos quisessem

dizer que eram pedras falsas.)

Mil luzeiros chispam,

à flexão mais branda

da Chica da Silva

da Chica-que-manda!

E curvam-se, humildes,

fidalgos farfantes,

à luz dessa incrível

festa de diamantes.

(Olhava para os reinóis

e chamava-os “marotinhos”!

Que viu desprezo maior?)

Gira a noite gira,

dourada ciranda

da Chica da Silva,

da Chica-que-manda!

E em tanque de assombro

veleja o navio

da dona do dono

do Serro do Frio.

(Dez homens o tripulavam,

para que a negra entendesse

como andam barcos nas águas.)

Aonde o leva a brisa

sobre a vela panda?

- A Chica da Silva:

à Chica-que-manda.

A Vênus que afaga,

soberba e risonha

as luzentes vagas

do Jequitinhonha.

(À Rainha de Sabá,

num vinhedo de diamantes

poder-se-ia comparar.)

Nem Santa Ifigênia,

toda em festa acesa,

brilha mais que a negra,

na sua riqueza.

Contemplai, branquinhas,

na sua varanda,

a Chica da Silva,

a Chica-que-manda!

(Coisa igual nunca se viu.

Dom João Quinto, rei famoso,

não teve mulher assim!)

 

Cecília Meirelles - Romanceiro da Inconfidência

Os relógios Bulgari no Relógios & Canetas online


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Um colecionador de relógios de todas as espécies, épocas e procedências...


in Almanaque do Porto para 1948 (arquivo Fernando Correia de Oliveira) Que será feito desta coleção?

Memorabilia - caderno de apontamentos e imanes, relógios Patek Philippe

 

Janela para o passado - Pastelaria D. Gualdim, Amares, 1995

Meditações - horas guardadas pelos ponteiros

Romance LVI ou da arrematação dos bens do Alferes

Arrematai o machinho

castanho rosilho! Custa

10 mil-réis: o que o algebrista

lhe pôs na avaliação.

Ai! corta rios e espinhos,

e já nada mais o assusta:

Só ele sabe o que leva

na sua imaginação.

Arrematai as esporas,

com seu jogo de fivelas!

Pesam 39 oitavas

e uma pequena fração.

E ireis pelo mundo afora

aprumado em qualquer sela,

propalando a sanha brava

dessa história de traição.

Arrematai as navalhas

e a tabaqueira de chifre!

Neste corredor de trevas,

nossos passos aonde irão?

Feliz aquele que leve

um ponteiro que o decifre!

Arrematai-o! - Não falha,

este relógio marcão.

Arrematai, juntamente,

esta bolsinha dos ferros:

por menos de 3 cruzados,

ficareis tendo a ilusão

de, por entre escuma e berro,

arrancar os duros dentes

a qualquer monstro execrando

ou peçonhento dragão!

Arrematai, sobretudo,

este pobre canivete.

São 30 réis, 30, apenas...

E com que satisfação

aparareis vossa pena!

Quem sabe em que papéis mudos

ela, a correr, interprete

esta vã conspiração.

E este espelho, surpreendido

por não sentir mais a cara

de entusiasmo, dor e espanto

daquele homem de paixão?

Arrematai-o! Um gemido,

que antes nunca se escutara,

e turvas gotas de pranto

em sua lâmina estão.

Arrematai a fivela

da volta do pescocinho,

que para sempre recorda

definitiva aflição!

Pois estão marcados nela

o sítio certo e o caminho

por onde cutelo e cordas

cumprem sua obrigação.

Arrematai essas horas

guardadas pelos ponteiros,

arrancadas ao seu dono,

rogando consumação!

Interrogai-as, agora

que os reis tremem nos seus

e os antigos prisioneiros

de cinza e de glória são.


Cecília Meirelles - Romanceiro da Inconfidência

Os relógios Jacob & Co. no Relógios & Canetas online


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

sábado, 31 de outubro de 2026

Memorabilia - programa e passe, relógios Patek Philippe, Watch Art, Milão, 2026



Os relógios ArtyA no Relógios & Canetas online


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

Janela para o passado - Grande Hotel da Bela Vista, Caldelas, 1995

Iconografia do tempo


 Cat that reads "Journal Pour Tous" c.1867 by Wincenty Sleńdziński

Meditações - o futuro do presente

O futuro do presente

O futuro é aquela utopia por nós sonhada que gostaríamos de ver concretizada. Para nós o presente está no meio de nuvens tão espessas que não nos deixam ver para além. Eu penso na escola, porque educação é mais extensa que escola, e penso qual o papel do professor que necessitaremos para lá deste nevoeiro. O magíster dixit, isto é, o professor disse e está dito, há muito que acabou; com toda a verdade nunca foi extinto. Teve até hoje a regência do saber porque não existia quem lho contestasse. O uso da tecnologia foi-lhe tirando o papel de ator principal e, a pouco e pouco, ele foi-se retirando da ribalta, sem se dar conta que estava a ser arredado: já não precisa de ensinar a operar porque a calculadora fá-lo com prontidão e certeza; já não precisa de ensinar ortografia porque o computador não deixa dar erros; não precisa da tabela periódica porque o relógio dá-lhe a resposta que necessita, e assim por diante, sub-repticiamente foi perdendo muitas das sua valências como mestre indiscutível. Que mais se seguirá? A resposta está para lá do nevoeiro mas, pelo que se pode perspetivar, o professor terá que ser um programador de computador. O saber específico ficará a cargo da inteligência artificial e aí se encontrará todo o saber sobre qualquer assunto. Então há que fazer um programa, género súmula, desse vasto saber para o apresentar aos alunos. Apresentar para discutir e até confrontar com as várias visões plasmadas nos textos da IA. Este “professor”, entre aspas porque já não ensina, perderá o seu título académico e ganhará o de programador. Na sua seleção de textos estará a sua subjetividade colocando o aluno novamente na subalternidade. Este saberá fugir à grilheta comentando na sua peculiaridade os textos que ficaram de fora da seleção do programador escolar. Será assim? Pergunto ao eco e ele não responde porque também não sabe, mas há uma certeza já visível, nunca mais o professor de hoje será o mesmo de amanhã, porque a tecnologia não o deixará e, no entanto, a sociedade será cada vez mais tecnológica. Dizia-me há tempos um amigo:” já não vou ao banco há muito tempo; faço pagamentos, transferências, abertura de contas, consultas de depósitos apenas com o computador pessoal; já não preciso de nada para encontrar o lugar para onde quero ir porque o GPS indica-me o caminho e avisa-me quando chego. No meu relógio recebo mails… Pena é, continuou ele, navegando na espessura do nevoeiro de hoje, que não tenha vida para ver a futura sociedade porque, pelo que vejo, não lhe vai faltar tempo de lazer; meu caro, a tecnologia vai trabalhar por ela”. E quem trabalha nos campos? “A tecnologia produzirá alimentos, tecidos, sapatos, nos laboratórios, como faz com os medicamentos e fará de previdência em todos os aspetos da vida humana? E julgo que saberá produzir água nas suas provetas. Os automóveis terão condução automática, e por aí adiante.” Sonho, utopia, realidade cabem todos no mesmo cesto. Será capaz de fazer nascer “meninos proveta”, por conta e medida certa, das necessidades da vida? Que responda o nevoeiro que nos estorva a vista.

Paulo Fafe, 28 de setembro de 2026, in Diário do Minho

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Janela para o passado - Tempos Modernos, ou como Charlot via o mundo, 1935


  in Cine-Jornal, de 2 de Dezembro de 1935

Janela para o passado - Tipografia Minerva Alentejana, Ponte de Sor, 1928

Memorabilia - saco, relógios Patek Philippe


 

Os relógios Arnold & Son no Relógios & Canetas online


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

Iconografia do tempo

Meditações - falta de tempo

Falta de Tempo

Há tantas coisas em que nunca pensámos por falta de tempo! Na esperança, por exemplo. Quem vai perder cinco ou dez minutos a pensar na esperança, quando pode usá-los muito mais proveitosamente a ler um romance ou a falar ao telefone com uma amiga, a ir ao cinema ou a redigir ofícios no emprego? Pensar na esperança, que coisa imbecil! Até dá vontade de rir. Na esperança... Sempre há gente... E ela metida como areia nas pregas e nas bainhas da alma. Passam anos, passam vidas, aí vem o último dia e a última hora e o último minuto e ela então aparece a tornar inesperado aquilo por que esperávamos, a fazer o que já era amargo ainda mais amargo. A tornar mais difíceis as coisas.

Maria Judite de Carvalho, in 'Tanta Gente, Mariana'

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Janela para o passado - sarrabulho na Pérola da Avenida, Barcelos, 1961

Os relógios Armin Strom no Relógios & Canetas online

Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

Humor relojoeiro


 do Facebook

Memorabilia - Programa, passe, pin e identificação - Congresso dos 90 anos do Grupo Amigos de Lisboa

Meditações - quebrou-se o meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo

Às onze da manhã de mil novecentos e sessenta e dois

quebrou-se o meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo.

E desde então o tempo é um ditongo

entre não haver ontem e não haver depois

no meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo.

 

Não sei se riam se choravam se gritavam

eu não sei que palavras se diziam.

Estão ali estão ali. E disparavam.

E de súbito um berro. E de súbito um estrondo.

E não sei que diziam: se choravam se riam.

Estão ali estão ali. E disparavam.

Às onze da manhã entre Quipedro e Nambuangongo.

E nunca mais houve ontem nem depois.

São onze da manhã de mil novecentos e sessenta e dois

no meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo.

 

Manuel Alegre, in Nambuangongo, Meu Amor

A Medida do Instante

 

O tempo não caminha: escorre como areia

entre os dedos fechados de um deus distraidamente antigo.

Deixa um rasto de cinza nos relógios de sol

e uma vaga promessa que a tarde desfaz.

 

Medimos a vida em anos, horas, estalos de ferro,

na geometria fria dos ponteiros que se cruzam.

Mas o tempo verdadeiro - esse habita outro lado:

na curva súbita de um sorriso guardado na memória,

no eco de uma voz que o silêncio já não alcança,

no relâmpago de um instante que quis ser eterno.

 

Somos feitos desta matéria frágil e breve,

um sopro de vento que passa pela folha da árvore.

E, contudo, no centro do peito, onde o relógio se cala,

sabemos que o tempo não nos consome por completo:

ele apenas nos atravessa, deixando-nos a luz.


Vítor Rodrigues

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Janela para o passado - Hotel do Pinhal, Ofir, Fão, Esposende, 1988

Os relógios Aerowatch no Relógios & Canetas online


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

Iconografia do tempo


 Enoch Wood Perry, The Clock Doctor, 1871

Meditações - a morte liberta-nos do relógio

Entre as muitas vantagens que a morte concede a quem teve a paciência de a alcançar, uma das mais apreciáveis consiste na libertação do relógio, engenho que os vivos fabricaram para medir o tempo e que, com o costume, acabaram por deixar converter-se em pequeno tirano de pulso, de parede ou de telemóvel. Diante dele consomem a existência a chegar atrasados, a sair cedo, a contar minutos, a lamentar horas e a prometer para terça-feira aquilo que, chegado o sábado, continua piedosamente por fazer.

Talvez os vivos tenham sido inventados para compensar a indolência dos mortos. Passam metade da existência a correr para arribar a algum lugar e, uma vez chegados, consultam o relógio para saber a que horas poderão sair; compram agendas para anotar aquilo de que se esquecerão; estabelecem prazos para coisas que desconhecem; prometem inaugurações de obras ainda por começar; e acabam, quando desaguam no fim, metidos debaixo da terra, ou lançados em poeira pelos ares, onde descobrem tarde de mais que os séculos não usam sequer calendário.

Em vida, convenhamos, perder o comboio exige um destino; chegar atrasado requer um compromisso; cumprir aquele prazo pressupõe uma esperança, algo presunçosa, de ainda cá estar no dia seguinte. Já a morte, benévola, dissolve tais convenções com uma eficácia administrativa que nenhum programa de simplificação do Estado jamais imitou. Um homem vivo pode passar três anos à espera de uma licença, enquanto um morto resolve para sempre a questão do atendimento. ↓

Daqui talvez venha o divertimento que me causa a ânsia com que os vivos tratam o tempo como propriedade privada, repartindo-o em contratos, agendas de execução, calendários eleitorais, prazos judiciais, mapas de trabalhos e inaugurações, como se Saturno, depois de devorar os próprios filhos, tivesse aceitado um lugar de assessor numa câmara municipal.

Cá por baixo, nessa medida, a relação com a tesouraria beneficia de alterações apreciáveis. Por aqui não circulam euros nem dólares nem libras, e até aquele óbolo que os gregos colocavam junto dos defuntos para pagar a Caronte perdeu utilidade com o abandono das boas tradições funerárias. Caronte, aliás, merece uma nota financeira, porque talvez tenha inaugurado a concessão privada de um serviço público essencial: detinha o monopólio da travessia, não admitia passageiros sem título válido, cobrava por percurso e não consta que alguma autoridade administrativa tenha aberto concurso para explorar a linha entre este mundo e o Hades. [...]

CORREIO MERCANTIL DE BRÁS CUBAS, aqui 

Moedas, arruinado entre ruínas

Brás Cubas|22/09/2026

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Os relógios A. Lange & Söhne no Relógios & Canetas online


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

Iconografia do tempo


 J.F.Kernan, Clockmaker

Janela para o passado - Miudezas, camisaria, gravataria, chapéus e guarda-sóis, Barcelos, 1916

Meditações - despertar o passado

Suponho que sou igual a toda a gente. Acho graça regressar aos lugares onde um dia trabalhei, de observar o que mudou e verificar se a nova realidade ainda guarda alguma coisa capaz de despertar o passado — essa coisa que a memória, sozinha, tantas vezes não consegue. Porque o faço? Por alguma nostalgia? Talvez, mas não necessariamente. Creio que é, sobretudo, por curiosidade.

Embaixador Francisco Seixas da Costa

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Janela para o passado - Mala Real Inglesa, paquetes correios a sair de Lisboa, 1939

Os relógios Omega no Relógios & Canetas online


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram



Iconografia do tempo


 Greg Olsen, Relojoeiro

"Lisboa - Um novo olhar", 31 comunicações sobre olisipografia

"Lisboa Um novo olhar" é o livro editado pela Caleidoscópio e pelo Grupo Amigos de Lisboa, assinalando os 90 anos desta instituição. Recolhe 31 comunicações, sob a coordenação científica de Carlos Boavida, Paulo Batista e Sílvia Ferreira.

São 622 páginas, prefaciadas por Salete Salvado, Presidente da Junta Diretiva do Grupo Amigos de Lisboa, que foi homenageada no Congresso, ocorrido a 22, 23 e 24 de Outubro, na sede da Associação dos Arqueólogos Portugueses, no Convento do Carmo, em Lisboa.

Interviemos no Congresso e a nossa comunicação "Tempo e Poder em Lisboa" está incluída em "Lisboa - Um novo olhar".

Parabéns ao GAL, de que somos sócio, e à organização do Congresso, o maior em décadas sobre olisipografia.

Meditações - o amor e o tempo