Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Mesa para relojoeiros, revista Hobby, Agosto de 1957


 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Vamos falar da relojoaria pública da capital no Congresso dos 90 anos do Grupo de Amigos de Lisboa

Decorre de 22 a 24 de Outubro o Congresso que assinala os 90 anos do Grupo Amigos de Lisboa. Nele faremos uma comunicação sobre "Tempo e Poder em Lisboa", onde passaremos em revista séculos de relógios públicos na capital. Esta e as outras comunicações sairão em livro.





Os relógios Raymond Weil no Relógios & Canetas online


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

Janela para o passado - tipografia em Vila Verde, Braga, 1901

Meditações - criamos o Tempo

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Relojoaria, ourivesaria de Manuel Ramos Martins d'Almeida, Lisboa, 1897


(arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Revista do dia - Lettres du Brassus, relógios Blancpain


 Biblioteca horológica de Fernando Correia de Oliveira

Janela para o passado - Companhia de Seguros Garantia, 1948

Os relógios Piaget no Relógios & Canetas online


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

Meditações - os supercarros vão seguir o caminho dos relógios mecânicos suíços

 Lido aqui:

Mate Rimac acredita que os supercarros vão seguir o caminho dos relógios mecânicos suíços: enquanto os elétricos dominarão o mercado de massas, os modelos mais exclusivos continuarão a apostar em motores de combustão, artesanato, personalização e emoção

A eletrificação está a transformar profundamente a indústria automóvel, mas Mate Rimac acredita que os supercarros de topo vão escapar, pelo menos durante muitos anos, à tendência de abandonar os motores de combustão. O CEO da Bugatti considera que o mercado está a dividir-se em dois mundos e compara o futuro dos automóveis de luxo ao da relojoaria suíça.

Em declarações à CNBC, o responsável pela Bugatti e pelo Rimac Group defende que a grande maioria dos automóveis destinados ao mercado de massas será elétrica. Nos segmentos mais elevados, contudo, os clientes estarão cada vez mais interessados na mecânica, no trabalho artesanal e na exclusividade.

«Para carros normais, para pessoas normais, a grande maioria será elétrica», afirmou Rimac. «O segmento superior, como os carros desportivos e modelos superiores, vai continuar a usar motores de combustão durante muito tempo, exatamente como acontece com os relógios.»

Rimac compara a evolução do automóvel à transformação da indústria relojoeira. Os relógios digitais e inteligentes oferecem muito mais funcionalidades do que os modelos mecânicos tradicionais e conquistaram a maioria do mercado.

Apesar disso, os relógios mecânicos suíços continuam a representar alguns dos produtos mais desejados e caros do setor. É precisamente esse posicionamento que Rimac pretende para a Bugatti.

O empresário salienta que apenas uma pequena parte dos relógios é produzida na Suíça, mas essa produção concentra uma parcela muito significativa dos lucros da indústria. «Um Apple Watch ou qualquer tipo de relógio inteligente pode fazer muito mais coisas. Mas ninguém pagará 200.000 dólares por isso», explicou.

A mesma lógica poderá aplicar-se aos supercarros. Quando a velocidade e a tecnologia deixam de ser exclusivas, a engenharia mecânica, o design, os materiais e a construção artesanal passam a assumir maior importância.

[…]

Para Rimac, o futuro do automóvel não será, portanto, exclusivamente elétrico nem exclusivamente de combustão. Será um mercado dividido: elétricos eficientes e acessíveis para a maioria e máquinas altamente exclusivas, mecânicas e personalizadas para quem procura algo mais próximo de uma obra de arte.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Escuela Universal de Relojeria, Buenos Aires,1957


 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

No sábado, o mundo comemora mais um Dia do Relógio (para nós, é todos os dias)


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

Os relógios Patek Philippe no Relógios & Canetas online


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

Janela para o passado - sapatos Eva Garbo, canadianas, samarras, safões... Tavira, 1953

Meditações - enfrentar um dia novo com o desejo de travar o tempo

A primeira vez que vi como deve ser um filme não-americano estava no meu 10º ano, portanto com 15, 16 anos. Tínhamos alemão dado por um par de estagiárias encantadoras e elas resolveram fazer a turma ver “As Asas do Desejo” no anfiteatro do Liceu de Queluz. O filme, sendo do Wim Wenders, realizador alemão, proporcionaria àqueles adolescentes duas horinhas de convívio com o idioma que aprendiam.

Quando o filme terminou eu não sabia o que havia de fazer à minha vida. Ainda hoje recordo com gosto essa verdadeira perplexidade como uma das emoções mais valiosas quando nos deparamos com algo para o qual nos falta o alfabeto. Eu não sabia se aquelas duas horas de Wim Wenders tinham sido uma tortura ou uma epifania. Como, ainda por cima, o filme era acerca de anjos, talvez eles me tivessem mesmo visitado.

Aquele filme era maior do que eu, isso eu acho que tinha conseguido intuir. Quando não compreendemos algo, compreendermos que a nossa compreensão é mais curta do que julgávamos não é uma má conclusão. Agora, chegar aí não pressupõe que saibamos distinguir que o que é maior do que nós é bom ou é mau. Genuinamente, eu não sabia se “As Asas do Desejo” era um grande filme ou um filme péssimo: apenas sabia que era maior do que a compreensão do Tiago de 15, 16 anos.

Talvez por insegurança pessoal, nunca gostei de não gostar de algo de que os outros gostam. Sinto-me insensível ou burro. Como podem calcular, isso tem-me trazido grandes lições pela vida fora. Há assuntos que não me custa nada perceber zero. Não percebo de economia e estou-me nas tintas. Não percebo de física quântica e estou-me nas tintas. Não percebo de desporto e estou-me nas tintas. Mas assuntos que são tradicionalmente associados à alma, passo mal se me sentir burro neles.

A partir do 10º ano comecei a achar que me pertencia ter de perceber de assuntos da alma como o cinema ou a literatura. A música era uma excepção porque um cristão protestante já nasce mergulhado no caldeirão da poção mágica (a rigor, a literatura também porque nascemos de Bíblia na mão). De lá para cá esforço-me. Vejo filmes e tento ter um discurso minimamente articulado sobre eles. Leio livros e tento ter um discurso minimamente articulado sobre eles.

Mas em 1992/93 eu não sabia o que discursar sobre “As Asas do Desejo”. Talvez por isso nunca mais lá regressei, não fosse voltar o saudável incómodo de me sentir ultrapassado. Mas ontem voltei ao Wim Wenders. Ao longo destes mais de 30 anos voltei a ver uma ou outra coisa dele. Mas o filme que vi ontem em família, “Dias Perfeitos”, bateu forte. E o meu pensamento regressou à minha adolescência.

“Dias Perfeitos” é acerca de um humilde trabalhador japonês nas limpezas da hiper-cidade que Tóquio é. É acerca da repetição e é acerca de como tentamos tapar com ela aquilo que no passado ainda nos persegue, mesmo que combatido com uma rotina fixa. É também acerca daquela operação delicada que é enfrentar um dia novo com o desejo de travar o tempo. E isto passa a vida a acontecer-me.

Gosto muito de enfrentar uma dia novo com expectativa mas também o faço impondo-lhe tudo aquilo que repito em jeito de evitar a possibilidade assustadora de que algo me surpreenda. Ter medo da surpresa também é um modo de impedir o tempo de ser o tempo, com a possibilidade de termos de viver o que não queremos. Aceitar o tempo é, por isso, do mais difícil que nos acontece. De certo modo, não há pessoas conciliadas com o tempo porque o tempo pressupõe poder não haver conciliação.

Quando comecei a escrever este texto pensei que seria acerca da repetição. Demorei muito tempo para aí chegar e, se Deus quiser, fica para a semana. Este texto fica acerca de tempo para filmes que nos deixam sem saber o que havemos de fazer à nossa vida. Abençoados sejam.

Tiago de Oliveira Cavaco, in Observador de 30 de Agosto de 2026

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Grande Prémio de Relojoaria 2025 - Escolha do Público, finalmente entregue...


Depois de já termos feito chegar o diploma, aproveitámos a inauguração da Boutique Seiko em Lisboa para entregar, finalmente, o Prémio Escolha do Público, obtido pela marca na edição 2025 do Grande Prémio de Relojoaria, organizado pelo Anuário Relógios & Canetas. Na foto, Miguel Rodrigues, responsável pela Seiko no mercado nacional. (fotos ©Carolina Delgado)


Janela para o passado - casa de pasto "3 Marias", Barcelos

Os prémios Gaïa no Relógios & Canetas online de Outubro


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

Os relógios Omega no Relógios & Canetas online


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

Iconografia do tempo

Meditações - um tempo, nem do relógio, nem dos calendários

Os encontros eram sempre como se nos tivéssemos encontrado na véspera [quando o encontrávamos depois de uma viagem o Ruben ligava à conversa anterior; tudo aquilo tinha uma continuidade num tempo que não era o tempo do relógio nem do calendário] com graças ainda frescas de terem sido inventadas por nós, com chalaças que já vinham de há anos [havia uma espécie de leitmotiv wagneriano quando os dois amigos se encontravam, para reencontrarem palavras de passe, chamemos-lhes assim, do início da sua amizade], com um receber mutuamente sem limites, embora nos conhecêssemos perfeitamente nos nossos defeitos e qualidades. Em Montedor [a casa junto a Viana do Castelo] estava Ruben com amigos, com amigos de sempre.

Raul Rosado Fernandes, In Memoriam Ruben Andresen Leitão, vol. I, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1981, p. 165, sobre o último encontro que teve com o escritor

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Humor relojoeiro


 do Facebook

O Anuário Relógios & Canetas na Portojóia, reportagem na edição online de Outubro


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram



 

Os relógios Panerai no Relógios & Canetas online


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

Janela para o passado - petiscos em Figueiró dos Vinhos, 1976

Meditações - dez horas há que é noite...

Moretum (prato do tempo do Império Romano, de queijo e ervas), excerto. Atribuído a Virgílio. Sobre o moretum, ver artigo de António Feliciano de Castilho, in Revista Contemporanea de Portugal e Brazil VolII 1860 N08

domingo, 4 de outubro de 2026

Institut de Formation a la Haute Horlogerie / IFHH, curso (2000)


 Biblioteca horológica de Fernando Correia de Oliveira



A nova Boutique dos relógios Seiko na Avenida da Liberdade no Relógios & Canetas online de Outubro


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

Os relógios Montblanc no Relógios & Canetas online


Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

Janela para o passado - restaurante A Tendinha, Figueiró dos Vinhos, 1976


A República e o Tempo

A 22 de Outubro de 1884, foi aprovado na Conferência Internacional do Primeiro Meridiano, em Washington D.C., Estados Unidos, o meridiano de Greenwich como meridiano de referência para todo o mundo.

Foi preciso cair a Monarquia, mudar o regime, para que o país adoptasse a Hora decretada pelo meridiano zero, o de Greenwich. Por Decreto, com força de lei, de 26 de Maio de 1911, assinado por Teófilo Braga, António José de Almeida, Bernardino Machado, José Relvas e Brito Camacho, entre outros, decidia-se que a partir de 1 de Janeiro de 1912, a chamada Hora Legal, em todo o território português, fica subordinada a esse meridiano, segundo o princípio adoptado na Convenção de Washington em 1884. A decisão tinha sido baseada no parecer unânime de uma comissão nomeada em Maio de 1911, e de que fizeram parte o almirante José Nunes da Mata; o tenente-coronel João Maria de Almeida Lima, Director do Observatório Meteorológico de Lisboa; o capitão de engenharia Frederico Oom, astrónomo do Observatório Astronómico da Tapada da Ajuda; o capitão de engenharia Pedro José da Cunha, lente de Astronomia da Escola Politécnica; e o engenheiro civil e de minas Luís da Costa Amorim.

O preâmbulo do Decreto afirmava:

“Considerando que já todos os países cultos, com raras excepções, terem adoptado para base da contagem do tempo o meridiano de Greenwich, segundo o princípio aceito na Convenção de Washington em 1884;

Considerando que a adopção do mesmo princípio no território português oferece incontestáveis e numerosas vantagens, tanto no movimento internacional dos comboios, como nos serviços telegráficos, nas relações marítimas e no convívio científico do país com o estrangeiro;

Considerando que o persistirmos no obsoleto sistema vigente representaria da nossa parte um verdadeiro atraso perante os progressos da civilização e até uma incúria, dada a nossa situação geográfica e os deveres que ela nos impõe, tanto no continente europeu como nas ilhas adjacentes e colónias;

Considerando que tal adopção, tendo indubitáveis e largas vantagens, não oferece nenhum inconveniente prático e não importa a mínima despesa […]”

Determinava-se depois que os relógios nacionais fossem adiantados de 36 minutos e 44,68 segundos a partir das 00h00 de dia 1 de Janeiro de 1912.

“São regulados pela hora legal todos os serviços públicos e particulares da República, devendo todas as repartições, edifícios e estações conservar os seus relógios, tanto internos como externos, sempre certos por essa hora e conceder todas as facilidades ao seu alcance para a tornar exactamente conhecida do público em geral, cumprindo às repartições telegráficas dar a este serviço toda a preferência”.

Além disso, permitiu-se e tornou-se válido para todos os efeitos legais ou jurídicos, que se designassem pelos números 13 a 23 as horas compreendidas entre o meio-dia e a meia-noite, suprimindo-se assim, as designações “Tarde” e “Manhã” ou outras equivalentes, e que a meia-noite se designasse por zero. Pelo mesmo diploma, desapareceu a diferença existente de cinco minutos entre os relógios internos e externos das estações ferroviárias.

Na capa, o relógio de bolso de Mendes Cabeçadas, oficial da Marinha que desempenhou um papel fundamental na Revolução do 5 de Outubro.

O relógio, hoje no Museu da Presidência da República, é um Longines, comprado em 1906 em Lisboa. Mendes Cabeçadas viria a ser, em 1926, o 9º Presidente da República.

Em 1916, Portugal institui pela primeira vez a chamada Hora de Verão. Em pleno conflito mundial, e imitando outros países da Europa, Portugal introduz o conceito de adiantar uma hora ao tempo solar médio, para aproveitar ao máximo a luz solar e poupar combustíveis.

Para compreender o Tempo Republicano, leia O Relógio da República, Âncora, 2000.

Meditações - sempre que se der meia-volta ao presente

Reviver o passado para transformá-lo em memória escrita implica dar meia-volta ao presente e, na linha do tempo que se extinguiu, descobrir momentos recordatórios para uma reconstrução de vivências humanas e profissionais.

De costas viradas para o futuro inicia-se esta viagem memória em 2023, ano de viragem de um tempo marcado pelo tic-tac dos ponteiros do relógio, construtor de rotinas para feitos em compromisso pessoa/ instituição, para o desbravar de um caminho novo, sem tic-tac, sem compromisso, que se fará memória sempre que se der meia-volta ao presente.

Fernando Ribeiro, Universidade dos Açores

sábado, 3 de outubro de 2026