Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

domingo, 26 de julho de 2026

Joalharia, ourivesaria e relojoaria Barbosa, Esteves & Cª, Lisboa, 1913


 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Os relógios Bulgari no Relógios & Canetas online


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Memorabilia - caderno, canetas Montegrappa


  (doação Judite Torgal Amaral)

Coisas do Ephemera - quando Escoffier usou um mecanismo de relógio num banquete...

O sempre muito ativo Núcleo de Viana do Castelo do Ephemera acaba de recolher uma série de almanaques, portugueses, referentes ao final do século XIX e início do século XX. E que passam a estar à guarda do Núcleo do Tempo do maior arquivo privado do país.

Entre eles, o do jornal O Dia para o ano de 1906. Nele aparece um artigo, não assinado, onde se fala de Escoffier, o "Napoleão dos Cozinheiros".

Num dos parágrafos, faz-se referência a um mecanismo de relojoaria que Escoffier usou num banquete que deu em Inglaterra, em honra dos bombeiros franceses. No miolo de um bolo simulando uma casa tomada pelo fogo, esse mecanismo de relojoaria alimentava um sistema de autómato, e fazia movimentar pequenas figurinhas de bombeiros que, no final, distribuíram miniaturas de garrafas de champanhe pelos comensais.



Georges Auguste Escoffier (1846  1935) foi um chef francês que modernizou os métodos tradicionais da cozinha do seu país, baseando as suas técnicas no seu também famoso antecessor, Marie-Antoine Carême, um dos codificadores da alta cozinha gaulesa.

Escofffier, apelidado do almanaque de "Napoleão dos cozinheiros", era mais conhecido como "o rei dos cozinheiros e o cozinheiro dos reis", conceito que tinha já sido aplicado a Carême e que também foi empregue em relação ao seu contemporâneo Louis-François Cartier, apelidado de "rei dos joalheiros, joalheiro dos reis".

No almanaque, referência ainda para um banquete que Escoffier deu a Santos Dumont, um brasileiro que vivia em Paris por esta altura. Nele, o chef surpreendeu com uma Torre Eiffel feita de creme gelado. Pioneiro da aviação, Santos Dumont era amigo de Louis-François Cartier, que lhe fez um relógio de pulso, facilitando-lhe a consulta em voo, comparado com os relógios de bolso de então. O Santos é uma linha que a Cartier mantém. E provavelmente Cartier estaria nesse banquete...




O brilhantismo de Escoffier como chef foi forjado na guerra. Começou a trabalhar numa cozinha quando tinha apenas 13 anos. Em 1870, durante a Guerra franco-prussiana, foi nomeado Chede de Cozinha para o exército do Reno, em Metz, passando depois seis meses como prisioneiro de guerra, cozinhando para o capturado Marechal MacMahon e o seu Estado-Maior. Daí até "chefe de molhos" no Le Petit Moulin Rouge, foi um percurso feito a pulso, impondo regras e liderando as equipas como se fosse um chefe de brigada no meio de tachos e panelas...

Em 1884, Escoffier começou uma parceria com César Ritz, dono de vários hotéis, incluindo o Grand Hotel de Monte Carlo, Hôtel Ritz em Paris, e o Ritz Hotel em Londres. Inovou, criando um menu a preço fixo.

Inventor de receitas como o Pech Melba, para homenagear a soprano australiana Nellie Melba, ou o tornedó Rossini, em honra do compositor italiano Gioachino Rossini, Escoffier transformou as cozinhas, de espaços barulhentos, sujos e onde os cozinheiros iam bebendo à medida que trabalhavam, em zonas de disciplina, silêncio e limpeza absoluta. Tudo isto, organizado numa hierarquia paramilitar que chegou até hoje.

Le Guide Culinaire, um dos livros que escreveu, continua a ser uma bíblia da gastronomia ocidental e o seu legado é perpetuado através da rede internacional Disciples Escoffier, fundada em 1954. Em Portugal, a organização é presidida por Benoit Sinthon chef executivo do hotel The Cliff Bay, no duas estrelas Michelin Il Gallo D’Ouro.

Como coordenamos o Núcleo do Tempo do Ephemera, mas também o de Gastronomia, esta é uma história que atravessa dois mundos. Isto anda tudo ligado...



Janela para o passado - fábrica de coroas e flores artificiais, 1913

Meditações - há um tempo que não é tempo

Jorge Sousa Braga. Lido aqui.

sábado, 25 de julho de 2026

Um relógio de cristal, 1908


Um relógio de cristal, in Almanaque Ilustrado d'O Século para 1908 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Os relógios Breitling no Relógios & Canetas online


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Relógios Zeppelin - vencedores do Grande Prémio de Relojoaria 2025, os prémios chegaram, finalmente


Como anunciámos atempadamente aqui, o Zeppelin Méditerranée ganhou nas categorias Masculino e Quotidiano (PVP inferior a mil euros) o Grande Prémio de Relojoaria 2025, iniciativa do Anuário Relógios & Canetas. A cerimónia ocorreu a 11 de Dezembro passado, coincidindo com uma greve geral. Isso não permitiu que os prémios tenham chegado a tempo. A pouco e pouco, vão sendo agora entregues. Na foto, Fernando Correia de Oliveira, Editor-Chefe do Anuário, entrega por estes dias os galardões a Jorge Pinheiro, Administrador da Sociedade de Relojoaria Independente, representante da Zeppelin em Portugal.


Memorabilia - cadernos, canetas Montegrappa


  (doação Judite Torgal Amaral)

Janela para o passado - o mais chic e variado sortido em bilhetes postais ilustrados, 1913

Geneva Watch Days - relógios Bremont convidam...

Geneva Watch Days - relógios Bell & Ross convidam...

Geneva Watch Days - relógios Speake Marin convidam...

Geneva Watch Days - relógios Alto convidam...



Meditações - para os fotões, o tempo não existe


 Visto no SkyMyst

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Pedras preciosas, 1909


Pedras preciosas, in Almanaque Enciclopédico Ilustrado para 1909 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Os relógios Bovet no Relógios & Canetas online


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Memorabilia - agendas para contatos, relógios e jóias Cartier


  (doação Judite Torgal Amaral)

Janela para o passado - casa de ferragens, Porto, 1913

Meditações - the past, present, and future do not actually flow one after another

Lido no SkyMyst:

According to Einstein's theory of relativity, time and space are unified into a single four dimensional structure called spacetime, and within this framework, a controversial but mathematically supported interpretation called the block universe theory suggests that the past, present, and future do not actually flow one after another the way we subjectively experience them. Instead, every moment that has ever happened or will ever happen already exists permanently, fixed within this four dimensional block, and our human perception of time moving forward, of a present moment constantly becoming the past while the future approaches, may simply be a limitation of human consciousness rather than a fundamental feature of reality itself. Under this interpretation, the version of you reading this sentence right now, the version of you as a child, and the version of you on the day you eventually die are all equally real and equally existing right now, at every point in time, simultaneously, with no version being more truly present than any other. Many leading physicists, including supporters of relativity's mathematical implications, take this interpretation seriously, even though it directly contradicts every single intuition human consciousness has ever developed about the nature of time, memory, and free will.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Ourivesaria e Relojoaria do Socorrro, de António de Almeida, Lisboa, 1913


(arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Memorabilia - relógio Inverso (os ponteiros andam no sentido inverso), revista Relógios & Jóias, 2003


  (doação Judite Torgal Amaral)

Janela para o passado - Companhia de Seguros Fidelidade, 1913

Meditações - noite de Verão

Noite de Verão


Es una hermosa noche de verano.

Tienen las altas casas

abiertos los balcones

del viejo pueblo a la anchurosa plaza.

En el amplio rectángulo desierto,

bancos de piedra, evónimos y acacias

simétricos dibujan

sus negras sombras en la arena blanca.

En el cénit, la luna, y en la torre,

la esfera del reloj iluminada.

Yo en este viejo pueblo paseando

solo, como un fantasma.


António Machado

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Ourivesaria e Relojoaria do Socorro, Lisboa, 1914


 ourivesaria e relojoaria do socorro 1914 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Os relógios Baume & Mercier no Relógios & Canetas online


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Memorabilia - puzzle, relógios Baume & Mercier


  (doação Judite Torgal Amaral)

Janela para o passado - pianos, Porto, 1913

Geneva Watch Days - relógios Reservoir convidam...

Geneva Watch Days - relógios Marli convidam...


Meditações - Time is perfectly familiar until we try to say what it is

As I write this piece, I am still discovering where it wants to go, even though it is already written. Wait, what? Is it? No, no, not yet, because I am writing it right now. Then again, that cannot be right, because it is you who are reading it right now. Something is very wrong with the ordinary picture of time.

I am sure you have considered the strangeness of it before the little game above. An hour in a waiting room stretches into something indecent. It thickens. It drags. An hour lost in conversation with a lover disappears before you can even take a breath. The clock on the wall insists that both hours were identical, sixty minutes, three thousand six hundred seconds, a neat little procession of equal units. Your experience insists otherwise, and we simply shrug. “Psychology,” we are told. “Subjective distortion,” we say this as if the clock were stating the actual length, while we are simply wrong. But hold on to that shrug. What exactly is that clock measuring? What gives it the authority to overrule the felt texture of experience?

For most of Western history, time has worn a familiar face: the river. It flows, we are carried, events appear and vanish, childhood recedes, old age approaches. This makes sense. Newton gave this intuition mathematical bones when he described absolute, true, mathematical time as something that flows equably without relation to anything external. There it is, the great cosmic current, the hidden metronome beneath every event. The universe as a billiard table. The balls click and scatter, space holds them, and time passes. The table simply is there. The space it occupies simply extends. Time simply continues, like the river, tick by tick, whether anyone observes it or not. Close your eyes, and the table remains, space holds it, time carries on. This feels so obvious that it barely seems worth saying, which is precisely why it needs to be examined.

Heraclitus gave us the world as flux, the impossibility of stepping into the same river twice. Parmenides stood at the opposite pole, denying change as a trick of mortal minds, insisting that what is, simply is. Augustine perhaps saw the mystery more clearly than either when he asked what time is, and confessed that if no one asks him, he knows, yet if he wants to explain it, he does not. There is the whole problem, naked. Time is perfectly familiar until we try to say what it is. It is the background of every sentence, every memory, every plan, every regret, every promise, yet the moment we turn towards it directly, it seems to dissolve into something unintelligible.

Manuel Delaflor, lido aqui

terça-feira, 21 de julho de 2026

Os maiores diamantes do mundo, em 1914


 Os maiores diamantes do mundo, in Almanaque Ilustrado d'o Século para 1914 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)