sábado, 31 de outubro de 2026
Os relógios ArtyA no Relógios & Canetas online
Meditações - o futuro do presente
O futuro do presente
O futuro é aquela utopia por nós sonhada que gostaríamos de
ver concretizada. Para nós o presente está no meio de nuvens tão espessas que
não nos deixam ver para além. Eu penso na escola, porque educação é mais
extensa que escola, e penso qual o papel do professor que necessitaremos para
lá deste nevoeiro. O magíster dixit, isto é, o professor disse e está dito, há
muito que acabou; com toda a verdade nunca foi extinto. Teve até hoje a
regência do saber porque não existia quem lho contestasse. O uso da tecnologia
foi-lhe tirando o papel de ator principal e, a pouco e pouco, ele foi-se
retirando da ribalta, sem se dar conta que estava a ser arredado: já não
precisa de ensinar a operar porque a calculadora fá-lo com prontidão e certeza;
já não precisa de ensinar ortografia porque o computador não deixa dar erros;
não precisa da tabela periódica porque o relógio dá-lhe a resposta que
necessita, e assim por diante, sub-repticiamente foi perdendo muitas das sua
valências como mestre indiscutível. Que mais se seguirá? A resposta está para
lá do nevoeiro mas, pelo que se pode perspetivar, o professor terá que ser um
programador de computador. O saber específico ficará a cargo da inteligência
artificial e aí se encontrará todo o saber sobre qualquer assunto. Então há que
fazer um programa, género súmula, desse vasto saber para o apresentar aos
alunos. Apresentar para discutir e até confrontar com as várias visões
plasmadas nos textos da IA. Este “professor”, entre aspas porque já não ensina,
perderá o seu título académico e ganhará o de programador. Na sua seleção de
textos estará a sua subjetividade colocando o aluno novamente na
subalternidade. Este saberá fugir à grilheta comentando na sua peculiaridade os
textos que ficaram de fora da seleção do programador escolar. Será assim?
Pergunto ao eco e ele não responde porque também não sabe, mas há uma certeza
já visível, nunca mais o professor de hoje será o mesmo de amanhã, porque a
tecnologia não o deixará e, no entanto, a sociedade será cada vez mais
tecnológica. Dizia-me há tempos um amigo:” já não vou ao banco há muito tempo;
faço pagamentos, transferências, abertura de contas, consultas de depósitos
apenas com o computador pessoal; já não preciso de nada para encontrar o lugar
para onde quero ir porque o GPS indica-me o caminho e avisa-me quando chego. No
meu relógio recebo mails… Pena é, continuou ele, navegando na espessura do
nevoeiro de hoje, que não tenha vida para ver a futura sociedade porque, pelo
que vejo, não lhe vai faltar tempo de lazer; meu caro, a tecnologia vai
trabalhar por ela”. E quem trabalha nos campos? “A tecnologia produzirá
alimentos, tecidos, sapatos, nos laboratórios, como faz com os medicamentos e
fará de previdência em todos os aspetos da vida humana? E julgo que saberá
produzir água nas suas provetas. Os automóveis terão condução automática, e por
aí adiante.” Sonho, utopia, realidade cabem todos no mesmo cesto. Será capaz de
fazer nascer “meninos proveta”, por conta e medida certa, das necessidades da
vida? Que responda o nevoeiro que nos estorva a vista.
Paulo Fafe, 28 de setembro de 2026, in Diário do Minho
sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Os relógios Arnold & Son no Relógios & Canetas online
Meditações - falta de tempo
Falta de Tempo
Há tantas coisas em que nunca pensámos por falta de tempo! Na esperança, por exemplo. Quem vai perder cinco ou dez minutos a pensar na esperança, quando pode usá-los muito mais proveitosamente a ler um romance ou a falar ao telefone com uma amiga, a ir ao cinema ou a redigir ofícios no emprego? Pensar na esperança, que coisa imbecil! Até dá vontade de rir. Na esperança... Sempre há gente... E ela metida como areia nas pregas e nas bainhas da alma. Passam anos, passam vidas, aí vem o último dia e a última hora e o último minuto e ela então aparece a tornar inesperado aquilo por que esperávamos, a fazer o que já era amargo ainda mais amargo. A tornar mais difíceis as coisas.
Maria Judite de Carvalho, in 'Tanta Gente, Mariana'
quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Os relógios Armin Strom no Relógios & Canetas online
Meditações - quebrou-se o meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo
Às onze da manhã de mil novecentos e sessenta e dois
quebrou-se o meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo.
E desde então o tempo é um ditongo
entre não haver ontem e não haver depois
no meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo.
Não sei se riam se choravam se gritavam
eu não sei que palavras se diziam.
Estão ali estão ali. E disparavam.
E de súbito um berro. E de súbito um estrondo.
E não sei que diziam: se choravam se riam.
Estão ali estão ali. E disparavam.
Às onze da manhã entre Quipedro e Nambuangongo.
E nunca mais houve ontem nem depois.
São onze da manhã de mil novecentos e sessenta e dois
no meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo.
Manuel Alegre, in Nambuangongo, Meu Amor
A Medida do Instante
O tempo não caminha: escorre como areia
entre os dedos fechados de um deus distraidamente antigo.
Deixa um rasto de cinza nos relógios de sol
e uma vaga promessa que a tarde desfaz.
Medimos a vida em anos, horas, estalos de ferro,
na geometria fria dos ponteiros que se cruzam.
Mas o tempo verdadeiro - esse habita outro lado:
na curva súbita de um sorriso guardado na memória,
no eco de uma voz que o silêncio já não alcança,
no relâmpago de um instante que quis ser eterno.
Somos feitos desta matéria frágil e breve,
um sopro de vento que passa pela folha da árvore.
E, contudo, no centro do peito, onde o relógio se cala,
sabemos que o tempo não nos consome por completo:
ele apenas nos atravessa, deixando-nos a luz.
Vítor Rodrigues
quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Os relógios Aerowatch no Relógios & Canetas online
Meditações - a morte liberta-nos do relógio
Entre as muitas vantagens que a morte concede a quem teve a paciência de a alcançar, uma das mais apreciáveis consiste na libertação do relógio, engenho que os vivos fabricaram para medir o tempo e que, com o costume, acabaram por deixar converter-se em pequeno tirano de pulso, de parede ou de telemóvel. Diante dele consomem a existência a chegar atrasados, a sair cedo, a contar minutos, a lamentar horas e a prometer para terça-feira aquilo que, chegado o sábado, continua piedosamente por fazer.
Talvez os vivos tenham sido inventados para compensar a indolência dos mortos. Passam metade da existência a correr para arribar a algum lugar e, uma vez chegados, consultam o relógio para saber a que horas poderão sair; compram agendas para anotar aquilo de que se esquecerão; estabelecem prazos para coisas que desconhecem; prometem inaugurações de obras ainda por começar; e acabam, quando desaguam no fim, metidos debaixo da terra, ou lançados em poeira pelos ares, onde descobrem tarde de mais que os séculos não usam sequer calendário.
Em vida, convenhamos, perder o comboio exige um destino; chegar atrasado requer um compromisso; cumprir aquele prazo pressupõe uma esperança, algo presunçosa, de ainda cá estar no dia seguinte. Já a morte, benévola, dissolve tais convenções com uma eficácia administrativa que nenhum programa de simplificação do Estado jamais imitou. Um homem vivo pode passar três anos à espera de uma licença, enquanto um morto resolve para sempre a questão do atendimento. ↓
Daqui talvez venha o divertimento que me causa a ânsia com que os vivos tratam o tempo como propriedade privada, repartindo-o em contratos, agendas de execução, calendários eleitorais, prazos judiciais, mapas de trabalhos e inaugurações, como se Saturno, depois de devorar os próprios filhos, tivesse aceitado um lugar de assessor numa câmara municipal.
Cá por baixo, nessa medida, a relação com a tesouraria beneficia de alterações apreciáveis. Por aqui não circulam euros nem dólares nem libras, e até aquele óbolo que os gregos colocavam junto dos defuntos para pagar a Caronte perdeu utilidade com o abandono das boas tradições funerárias. Caronte, aliás, merece uma nota financeira, porque talvez tenha inaugurado a concessão privada de um serviço público essencial: detinha o monopólio da travessia, não admitia passageiros sem título válido, cobrava por percurso e não consta que alguma autoridade administrativa tenha aberto concurso para explorar a linha entre este mundo e o Hades. [...]
CORREIO MERCANTIL DE BRÁS CUBAS, aqui
Moedas, arruinado entre ruínas
Brás Cubas|22/09/2026
terça-feira, 27 de outubro de 2026
Os relógios A. Lange & Söhne no Relógios & Canetas online
Meditações - despertar o passado
Suponho que sou igual a toda a gente. Acho graça regressar aos lugares onde um dia trabalhei, de observar o que mudou e verificar se a nova realidade ainda guarda alguma coisa capaz de despertar o passado — essa coisa que a memória, sozinha, tantas vezes não consegue. Porque o faço? Por alguma nostalgia? Talvez, mas não necessariamente. Creio que é, sobretudo, por curiosidade.
Embaixador Francisco Seixas da Costa
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Os relógios Omega no Relógios & Canetas online
"Lisboa - Um novo olhar", 31 comunicações sobre olisipografia
"Lisboa Um novo olhar" é o livro editado pela Caleidoscópio e pelo Grupo Amigos de Lisboa, assinalando os 90 anos desta instituição. Recolhe 31 comunicações, sob a coordenação científica de Carlos Boavida, Paulo Batista e Sílvia Ferreira.
São 622 páginas, prefaciadas por Salete Salvado, Presidente da Junta Diretiva do Grupo Amigos de Lisboa, que foi homenageada no Congresso, ocorrido a 22, 23 e 24 de Outubro, na sede da Associação dos Arqueólogos Portugueses, no Convento do Carmo, em Lisboa.
Interviemos no Congresso e a nossa comunicação "Tempo e Poder em Lisboa" está incluída em "Lisboa - Um novo olhar".
Parabéns ao GAL, de que somos sócio, e à organização do Congresso, o maior em décadas sobre olisipografia.
domingo, 25 de outubro de 2026
"Tempo e Poder em Lisboa", comunicação ao Congresso do Grupo Amigos de Lisboa
Ontem, sábado, 24 de Outubro, estivemos na sessão de encerramento do Congresso que assinalou os 90 anos do Grupo Amigos de Lisboa, de que somos associado. Tratou-se do maior encontro de olisipografia em décadas, com três dias de trabalhos, que decorreram na sede da Associação de Arqueólogos Portugueses, no Convento do Carmo, em Lisboa. (fotos Vítor Rodrigues)
A nossa comunicação teve como tema "Tempo e Poder em Lisboa". Está incluída no livro editado com as comunicações ao Congresso.


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