Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

sábado, 2 de maio de 2026

Memorabilia - caixa de bolachas relógios Hermès


Meditações - garantir que o presente é rico em eventos, novidades e aprendizagens

Quem é que nunca sentiu que o tempo custa a passar quando se está à espera de alguma coisa? Os minutos têm sempre a mesma duração — tal como as horas, os dias e as semanas —, mas a nossa perceção da passagem do tempo, ao contrário do relógio e do calendário, está longe de ser objetiva. Por norma, sentimos que o tempo passa mais depressa quando estamos a fazer algo que nos agrada e mais devagar quando a atividade é desagradável.

Essa diferença entre o tempo do relógio e o tempo que sentimos também muda ao longo da vida — uma criança, um adulto e um idoso têm, em geral, perceções do tempo muito diferentes. Com a idade, acumulam-se experiências e rotinas. Os dias tendem a repetir-se mais e as novidades tornam-se menos frequentes. Isso pode influenciar a forma como sentimos o tempo e a forma como o recordamos..

Do ponto de vista neuropsicológico, não há uma explicação única nem definitiva, mas há algumas teorias. Uma das chaves para compreender esta sensação está no facto de não termos um “sentido do tempo” propriamente dito. “Não termos recetores sensoriais específicos [para medir o tempo], pelo que o cérebro depende de outros mecanismos para construir esta perceção”, diz Maria Vânia Nunes, especialista em Psicogerontologia e em Neuropsicologia e professora do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa, onde faz investigação e leciona na área das Neurociências Cognitivas.

Em vez disso, o cérebro constrói a perceção do tempo a partir de vários mecanismos, como a atenção, a memória e o registo dos acontecimentos, usando “sistemas diferentes para diferentes escalas de tempo”, o que explica que haja sensações contraditórias.  No envelhecimento, a noção de aceleração “parece dizer respeito a escalas de tempo maiores, como meses ou anos, mas, muitas vezes, a perceção é de que os dias ou as horas demoram mais tempo a passar”,  exemplifica a investigadora.

“As pessoas têm a clara noção de que o tempo que lhes resta é mais limitado”, diz Maria Vânia Nunes, professora do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa. “O mais relevante parece ser garantir que o presente é rico em eventos, novidades e aprendizagens”. As novidades e a diversificação de experiências, ajudam a evitar a monotonia e traduzem-se num verdadeiro “ganho de tempo” quando o passado é revisto.

Isso acontece porque, quando falamos de horas ou dias, “a noção de tempo depende da atenção que, por sua vez, depende do registo dos eventos que estão a decorrer. Quando estes eventos são poucos — o que muitas vezes acontece no envelhecimento, em que há a diminuição de compromissos e outras atividades — há a noção de que o tempo demora mais a passar”.  Já considerando intervalos temporais maiores, como meses ou anos, as referências estão mais associadas à memória, “pelo que os períodos com poucos acontecimentos parecem ser compactados”, dando a sensação de que o tempo passou muito rapidamente.

A rotina versus novidade tem um papel central nesta sensação da passagem do tempo, que é familiar para quase toda a gente: “Quando entramos na rotina, corremos durante o dia e, mais tarde, não sabemos para onde foram os anos. Pelo contrário, quando temos dias cheios de eventos e novidades, quando olhamos retrospetivamente a perceção do tempo vai parecer maior.”

Além das mudanças no cérebro e na forma como a memória funciona com a idade, há também fatores psicológicos que ajudam a explicar porque é que o tempo é vivido de maneira diferente. Uma das ideias mais conhecidas é a dos rácios: “Por exemplo, um ano em dez é um décimo da vida. Mas um ano em cinquenta é apenas dois por cento da vida.” Daqui decorre que um ano tende a parecer mais curto quando somos mais velhos, por representar uma fração muito menor de tudo o que já vivemos.

Ainda assim, a investigadora refere que aquilo que parece ser mais relevante na perceção de tempo acelerado na velhice é sentir que a vida se está a aproximar do fim.  “As pessoas têm a clara noção de que o tempo que lhes resta é mais limitado”.

Apesar de o tempo em si ser irreversível, é possível influenciar a forma como o sentimos. “O mais relevante parece ser garantir que o presente é rico em eventos, novidades e aprendizagens”. As novidades e a diversificação de experiências, ajudam a evitar a monotonia e traduzem-se, como diz Maria Vânia Nunes, num verdadeiro “ganho de tempo” quando o passado é revisto.

Sofia Teixeira, Observador

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Janela para o passado - sapataria Lisbonense Infantil, 1956

Iconografia do tempo - hora silenciosa

(arquivo Fernando Correia de Oliveira)



Os relógios Ferdinand Berthoud no Relógios & Canetas online


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Memorabilia - saco relógios Frederique Constant

Meditações - Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz

Portugal futuro


O portugal futuro é um país

aonde o puro pássaro é possível

e sobre o leito negro do asfalto da estrada

as profundas crianças desenharão a giz

esse peixe da infância que vem na enxurrada

e me parece que se chama sável

Mas desenhem elas o que desenharem

é essa a forma do meu país

e chamem elas o que lhe chamarem

portugal será e lá serei feliz

Poderá ser pequeno como este

ter a oeste o mar e a espanha a leste

tudo nele será novo desde os ramos à raiz

À sombra dos plátanos as crianças dançarão

e na avenida que houver à beira-mar

pode o tempo mudar será verão

Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz

mas isso era o passado e podia ser duro

edificar sobre ele o portugal futuro

 

Ruy Belo

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Janela para o passado - Colégio Infanta Joana, 1956

Os relógios Czapek no Relógios & Canetas online


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Memorabilia - saco relógios Tudor

Os fusos horários em 1938


 in Anuário Radiofónico Português 1938 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Meditações - desencontrados como os ponteiros de um relógio velho

Por Todos os Caminhos do Mundo

 

A minha poesia é assim como uma vida que vagueia

pelo mundo, por todos os caminhos do mundo,

desencontrados como os ponteiros de um relógio velho,

que ora tem um mar de espuma, calmo, como o luar

num jardim nocturno, ora um deserto que o simum veio modificar,

ora a miragem de se estar perto do oásis,

ora os pés cansados, sem forças para além.

 

Que ninguém me peça esse andar certo de quem sabe

o rumo e a hora de o atingir,

a tranquilidade de quem tem na mão o profetizado

de que a tempestade não lhe abalará o palácio,

a doçura de quem nada tem a regatear,

o clamor dos que nasceram com o sangue a crepitar.

 

Na minha vida nem sempre a bússola se atrai ao mesmo norte.

Que ninguém me peça nada. Nada.

Deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia,

com a minha noite que nem sempre é noite

como a alma quer.

Não sei caminhos de cor.

 

Fernando Namora, ‘Mar de Sargaços’

terça-feira, 28 de abril de 2026

Relógio Tissot PR 100, 1981

(arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Janela para o passado - Cibalgina, 1956

Os relógios Cyrus no Relógios & Canetas online


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Memorabilia - saco relógios Chopard

Meditações - relógios caros e baratos

Tenho um relógio que custou 50€. Há uns anos saiu uma notícia falsa a dizer que era um Patek Philippe de 20 mil milhões.

Catarina Martins, dirigente do Bloco de Esquerda

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Janela para o passado - farinha láctea Nestlé, 1956

Velocidade e tempo


 do Facebook

Os relógios Arnold & Son no Relógios & Canetas online


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Memorabilia - saco relógios Cyrus

Meditações - mortas horas antigas

Eu pronuncio teu nome

nas noites escuras, 

quando vêm os astros

beber na lua

e dormem nas ramagens

das frondes ocultas.

 

E eu me sinto oco

de paixão e de música.

 

Louco relógio que canta

mortas horas antigas.

 

Eu pronuncio teu nome,

nesta noite escura,

e teu nome me soa

mais distante que nunca.

 

Mais distante que todas as estrelas

e mais dolente que a mansa chuva.

 

Amar-te-ei como então

alguma vez? Que culpa

tem meu coração?

 

Se a névoa se esfuma,

que outra paixão me espera?

Será tranquila e pura?

Se meus dedos pudessem

desfolhar a lua!!


Frederico Garcia Lorca

domingo, 26 de abril de 2026

Janela para o passado - Lar dos Pequeninos, 1956

Relojoeiro na sua bancada


Watchmaker seated at his workbench with a long-case and a bracket clock behind him, diagrams of movements above his head. Engraving. - Wellcome Collection, United Kingdom - CC BY.

Os relógios Armin Strom no Relógios & Canetas online


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Memorabilia - saco relógios Van Cleef & Arpels

Meditações - o meu único relógio

Dormes. Não há no mundo senão teu rosto. O céu sob o tecto espera comigo que despertes. O meu único relógio é a sombra imóvel no chão do quarto. A curva da terra em tua pálpebra desenhada: no teu sono me embalas. Dormes-me. 

Mia Couto

sábado, 25 de abril de 2026

Janela para o passado - para a higiene do bebé, 1956

Os relógios Angelus no Relógios & Canetas online


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Iconografia do tempo

Contribuição de Carlos Torres

Memorabilia - lenço relógios Grand Seiko

Meditações - It's five o'clock somewhere

The sun is hot

And that old clock is movin' slow

And so am I

Workday passes like molasses in the wintertime, yeah, but it's July

Gettin' paid by the hour, and older by the minute

Boss just put me over a limit

I'd love to call him somethin'

But I think I'll just call it a day

Pour me somethin' tall and strong

Make it a hurricane before I go insane

It's only half past 12, but I don't care

It's five o'clock somewhere

It's five o'clock in the urban stands, right?

Well, this lunch break

It's gonna take all afternoon and half the night

Tomorrow I know that there will be hell to pay

Hey, but that's all right

I ain't had a day off now in over a year

My Jamaican vacation's gonna start right here

If the phone's for me

You can tell 'em I just sailed away

Pour me somethin' tall and strong

Make it a hurricane before I go insane

It's only half past 12, but I don't care

Hello cowgirl

It's five o'clock somewhere

I could pay off my tab

Pour myself in a cab

And be back to work before two

At a moment like this, you can't help but wonder

What would Jimmy Buffett do?

I'd go to Wrigley and buy you all a drink

Pour me somethin' tall and strong

Make it a hurricane before I go insane

It's only half past 12, but I don't care

Mitchell the cubby bear

Pour me somethin' tall and strong

Make it a hurricane before I go insane (here we go to sweater)

It's only half past 12, but I don't care

The wonder bar

Oh, I don't care

I guess we get it all spars picked out

Thank you, Alan Jackson

This is, this is too much

That's all I got to say

For all of you ladies and gentlemen

Who wore your grass skirt to this event this evening

This song is for you

We're going to the south pacific for a few minutes


It's 5 O'Clock Somewhere. Canção de Jimmy Buffett


sexta-feira, 24 de abril de 2026

Ourivesaria Rilhó, Barreiro


 Ourivesaria Rilhó, Barreiro (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Janela para o passado - tricot Matador, 1956

Os relógios Zenith no Relógios & Canetas online


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Meditações - relógios, cicatrizes do tempo

O tempo tem a força dos espelhos.

O palco é nu, a vida não. Os relógios?

apenas cicatrizes do tempo.

O passado está fixo, não podes mudá-lo,

nem ficar refém do arrependimento

______ou da culpa.

Quando o musgo arde qual é a cor do temporal?

 

Nenhuma chuva vingadora te lavará o rosto,

nenhuma insónia te dirá se a tua face é branca.

Deixa a cortina do palco se abrir

sobre a cor do teu sangue,

deixa os cascos dos cavalos alados soar, enquanto o ar se comove no eco.

 

Recolhe o segredo das marés, o rumo das barcas.

Arde na tua febre, uma audácia explicará o segredo das ondas.

Duas asas na noite te devolverão a inocência,

e espelhos quebrados te devolverão um palco

______nu e seus mistérios.


José Manuel Barroso

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Relógios do centenário do Marquês de Pombal, 1882


Jornal do Comércio, 11 de Maio de 1882, Rio de Janeiro. Relógios do centenário do Marquês de Pombal (contribuição de Carlos Torres)

Janela para o passado - o famoso bacilo búlgaro... 1956

Os relógios Van Cleef & Arpels no Relógios & Canetas online


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Meditações - Events don't unfold from the past; they retroactively reshape it

Neither science or democracy will deliver a coherent future

Slavoj Žižek

(In his new book Quantum History, Žižek argues that incompleteness isn't a failure of knowledge but a property of existence itself. Events don't unfold from the past; they retroactively reshape it.

In conversation with Omari Edwards, he applies this to politics: the collapse of the liberal centre, Trump as symptom, and the quiet rise of authoritarian capitalism… all signs, he argues, that we need not better policy, but an entirely new way of thinking.)

Leia aqui


terça-feira, 21 de abril de 2026

Ultrapassados os 10 milhões de posts consultados


No dia em que Estação Cronográfica ultrapassa os 10 milhões de visualizações, recordamos aqui quando alcançámos o primeiro milhão, em Fevereiro de 2013. Há beira de completar 17 anos (iniciámos o blogue a 12 de Junho de 2009), continuamos a falar do Tempo e dos seus medidores, com completa e rigorosa independência editorial.