sábado, 28 de março de 2026
A falar sobre o Tempo, na RTP2
Na próxima terça-feira, 31 de Março, vamos estar no programa Sociedade Civil, da RTP2, entre as 14h00 e as 15h00, para falar sobre o Tempo com o jornalista Luís Castro.
Além da mudança da hora... Portugal continua sem saber a quantas anda
Em Portugal e o Tempo, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2025, escrevemos:
VII – O atraso endémico e perene
do Tempo português
Existe um “tempo português”? Recordamos como começámos: há línguas que têm palavras próprias para designar o tempo cronológico e o tempo meteorológico (time e weather, em inglês, por exemplo). Em português, há uma única palavra para as duas realidades. Os ingleses têm clock para relógios grandes e watch para relógios de bolso ou de pulso. Os franceses usam, respectivamente, horloge ou montre. Em português, mais uma vez, uma única palavra para abarcar conceitos tão diferentes. A pobreza linguística reflecte, quanto a nós, a deficiente relação que Portugal tem mantido com o Tempo.
Em A Coisa mais Preciosa que
Temos, de 2002, diz o físico e divulgador de ciência Carlos Fiolhais:
“A história dos relógios é parte
importante da história da ciência e, por consequência, da história da economia
e da civilização. Esta verificação está bem enfatizada no livro de David
Landes, A Riqueza e a Pobreza das Nações (Gradiva, 2001). Landes
explica-nos com erudição inaudita como Portugal passou de um dos países mais
ricos do mundo para um país do meio da tabela (enfim, mais perto do fim que do
fundo). Ficámos decadentes logo que perdemos as ciências e as tecnologias.
Incluindo as dos relógios. Perdemos não só o conhecimento da longitude em
primeira mão, como também a economia dos mares em favor dos grandes fabricantes
dos relógios, os Ingleses e os Holandeses. […]
“Nós empobrecemos quando perdemos o
comboio da inovação tecnológica. Foram os relógios, além do mais, que
permitiram a organização do trabalho na revolução industrial dos séculos XVIII
e XIX, algo que entre nós não tivemos com a celeridade necessária […] Perdemos,
se algum dia a tivemos, a ideia particularmente europeia, ocidental, de tempo.
Perdemos tempo, muito tempo.”
A relojoaria férrea nacional, na
sua esmagadora maioria, ou está parada ou foi electrificada. Clero e seus
auxiliares (sacristãos) envelhecidos, sem força para subir escadas em locais
íngremes ou para dar corda às máquinas, foram o quadro propício à hecatombe. A
insensibilidade da Igreja (e do poder local) em preservar peças valiosas de
arqueologia industrial fomentaram o desastre. Máquinas velhas de séculos foram,
nos anos 1980 e 1990 deitadas para o lixo ou vendidas para o estrangeiro, em
troca de circuitos electrónicos que, comandados a partir das sacristias ou dos
andares térreos das torres, podem ser accionados, lançando para o ar menus
variados de melodias. Mudos os sinos, apareceram em sua substituição os megafones.
Todo o esforço de introduzir no
quotidiano nacional hábitos de pontualidade, através de marcadores de tempo
públicos ou privados precisos, não surtiu efeito. O relógio foi sempre encarado
mais como objecto de aparato, de ostentação, do que como verdadeiro regulador,
O paradigma disso, os dois relógios do Convento de Mafra, quase sempre parados.
Uma importante peça de arqueologia
industrial, um relógio monumental, assinado José da Silva Mafra, de 1796, na
Torre do Galo, junto ao Palácio da Ajuda, mantém-se há décadas ao abandono, em
risco de ruir.
O país tem dinheiro para comprar –
compra do melhor que há, e não apenas relógios – mas não tem dinheiro nem
mentalidade para manter.
Fernando Pessoa no Livro do
Desassossego, diz: “E assim arrasto a fazer o que não quero, e a sonhar o
que não posso ter, a minha vida, absurda como um relógio público parado.” Quanto
ao Tempo e aos seus medidores, Portugal continua a ser um país absurdo.
A mudança de era (1433), a adopção
de novo calendário (1583), a adesão ao sistema de fusos horários (1912), a
entrada em vigor da Hora de Verão e da Hora de Inverno (1915) são as grandes
mudanças estruturais no tempo português. Uma quinta acaba de ocorrer. Em 2023,
depois de século e meio a ser o depositário da hora legal, numa tradição mundialmente
seguida de relação umbilical entre astronomia, medição e emissão do tempo, o
Observatório Astronómico de Lisboa, entretanto passado a espaço museológico, por
decisão governamental, deixa de ter esse papel. Que passa para o Instituto
Português da Qualidade, até agora apenas o depositário do segundo padrão, como
já referimos.
Uma equipa de astrónomos, docentes
na Faculdade de Ciências de Lisboa, alimentava o site oficial do Observatório.
Com a decisão governamental, o site foi desactivado. O sinal de Hora Legal, que
podia ser descarregado pelos particulares nos seus computadores, deixou de
funcionar. A publicação Dados Astronómicos para Almanaques deixou de se
publicar, tanto em papel como na versão online. O noticiário ligado à
astronomia e ao tempo cronológico, deixou de ser emitido. A divulgação
científica ficou a perder. Muito.
Foi, entretanto, criada uma
comissão interministerial para estudar a transição, que à data da publicação
deste ensaio ainda não ocorreu. Criando-se um vazio no tempo português que,
mais uma vez, demonstra a dificuldade do país em lidar com Cronos. Em 2024, não
há um único relógio público que emita a Hora Legal e não há qualquer autoridade
que superintenda sobre ela.
Até hoje, nada mudou nesta situação peculiar.
As canetas Montblanc no Relógios & Canetas online
Meditações - ter o tempo todo
Sempre achei que tinha o tempo todo. Que desperdiçando-o ou não ele jamais me faltaria. Estava numa reunião em que as pessoas se repetiam para se ouvirem… E, depois? Nada a opor; eu tinha o tempo todo. Afinal, o encontro das dez será, só, entre as onze e o meio dia?… Nada a opor. Encontrarei uma forma de matar o tempo. Ou, quando muito, um passatempo. Porque eu tinha o tempo todo. E isso não dá lugar ao desperdício.
No entretanto, há alturas em que se ganha tempo. E isso regista-se. E faz diferença, até. Mas são maiores as perdas de tempo do que o tempo que ganhamos ao tempo. Aquelas com que, de desperdício em desperdício, o desbaratamos, o tentamos iludir ou que ele nos foge, simplesmente. Aceitar o tempo talvez seja aquilo que faz com que se comece a viver. Acabamos a perceber o tempo depois de o termos perdido muitas vezes.
sexta-feira, 27 de março de 2026
As jóias Portugal Jewels no Relógios & Canetas online
Meditações - a selva dos relógios
Entré en la selva
de los relojes.
Frondas de
tic-tac,
racimos de
campanas
y, bajo la hora
múltiple,
constelaciones de
péndulos.
Los lirios negros
de las horas
muertas,
los lirios negros
de las horas
niñas.
¡Todo igual!
¿Y el oro del
amor?
Hay una hora tan
sólo.
¡Una hora tan
sólo!
¡La hora fría!
Federico Gacía Lorca
quinta-feira, 26 de março de 2026
A AORP e as jóias no Relógios & Canetas online
Meditações - um acordo com o tempo
Eu fiz um acordo com o tempo.
Nem ele me persegue, nem eu fujo dele.
Qualquer dia a gente se encontra e,
Dessa forma, vou vivendo
Intensamente cada momento.
Mário Lago
quarta-feira, 25 de março de 2026
O perfume Chanel no Relógios & Canetas online
terça-feira, 24 de março de 2026
Os relógios Zenith no Relógios & Canetas online
Meditações - O tempo é um cão que só morde os pobres
O tempo é um cão que só morde os pobres, observava Léon Bloy. Poppou, no entanto, Ahasvérus o sapateiro de Jerusalém que, por ter recusado um copo de água a Cristo, a caminho do Gólgota, foi condenado a deambular pela terra até ao dia do julgamento final.
Angelo Rinaldi, sobre o mito do Judeu Errante
segunda-feira, 23 de março de 2026
Os relógios Wempe no Relógios & Canetas online
Ricardo Madeira Romão (... - 2025)
Alertados pelo João Pinheiro de Almeida, ficámos a saber pelo Relatório e Contas da Casa da Imprensa para 2025 que Ricardo Madeira Romão faleceu a 20 de Outubro do ano passado. Quadro da ANI, trabalhou sempre na área da Economia e, depois do Internacional. Foi, a par de Maria Luísa Leone, Domingos Neves e Jorge Heitor, chefes que, ainda na ANI, nos influenciaram. E que fizeram a transição, nas agências noticiosas, do Estado Novo para a Democracia.
Há 25 anos - quando os CEO's das manufaturas relojoeiras eram (quase) eternos
Capa do Tribune des Arts de Março de 2001, suplemento do jornal Tribune de Genève (arquivo Fernando Correia de Oliveira)
Exatamente há 25 anos, a 21 de Março de 2001, tinha início mais uma Feira Internacional de Relojoaria, em Basileia, a maior do mundo na altura. Viria a chamar-se Baselworld e foi com esse nome que a centenária iniciativa, começada em 1917, acabou, em 2019.
Nesses tempos, Baselworld procurava e conseguia um entendimento com a concorrente de Genebra, o Salão Internacional de Alta Relojoaria (SIHH, no acrónimo em francês, e que hoje se chama Watches and Wonders). Iniciado em 1991, o salão tinha surgido por iniciativa da Cartier e de outras marcas, que já na altura pensavam que o certame de Basileia não tinha condições para receber clientes e media.
Numa entente mais ou menos cordial, os eventos de Basileia e Genebra conciliavam datas e um seguia o outro. Ou seja, eram duas semanas de trabalho intenso das marcas expositoras, dos importadores e pontos de venda, dos jornalistas especializados.
Com o fim da Baseworld, o salão de Genebra ganhou cada vez mais importância. Começou com cinco marcas fundadoras e, hoje, está com 66. Como sempre, desde há 30 anos, estamos presentes neste evento, onde só se podia aceder por convite (em Basileia, cobríamos a feira à nossa custa, o que sempre nos agradou mais...)
Aproveitando a boleia da Watches and Wonders, cada vez mais marcas realizam também as suas apresentações nos dias do evento, que decorre no Palexpo, em Genebra, e que tem alguns dias abertos ao público. Vamos estar em Genebra 4 dias, a partir de 14 de Abril. E, como nos anos anteriores, vamos ignorar, por princípios éticos, as centenas de iniciativas que decorrem fora daquele espaço. E, mesmo assim, não conseguiremos cobrir na totalidade as 66 marcas do salão.
Confessamos: temos saudades da Baselworld, onde se respirava o verdadeiro espírito do setor relojoeiro mundial - além dos expositores suíços, havia representações de França, Itália, Alemanha, Hong Kong, entre outros.
Para os nostálgicos como nós, lembramos, com a ajuda do Tribune des Arts, alguns dos responsáveis pelas marcas, há um quarto de século: Nicolas Hayek (já falecido, à frente do Swatch Group, mas sobretudo da Swatch e, depois, da Breguet); Franck Muller (hoje afastado da manufatura que fundou); Raymond Weil (já falecido, fundador da marca com o seu nome); Arlette Emch Ducommun (Calvin Klein e, depois Swartch); Jean Claude Biver (Blancpain, depois Hublot, hoje com marca própria); Phililippe Stern (Patek Philippe, hoje aposentado); Walter von Kaenel (Longines, hoje reformado); Steeve Urquhart (Omega, reformado); Séverin Wundermann (Corum, já falecido); Günter Blümlein (IWC e, depois A. Lange & Söhne, já falecido); Caroline Gruosi-Scheufele e o irmão, Karl-Friedrich Scheufele (Chopard, ainda a dirigirem a empresa familiar); Guillaume de Seynes (Hermès, ainda em actividade); Henri-John Belmont (Jaeger-LeCoultre, reformado); François-Paul Journe (ainda à frente da marca com o seu nome); Luigi Macaluso (Girard-Perregaux, já falecido); Claude Proellochs (Vacheron Constantin, já falecido); Léopol Metzger (Piaget, já falecido); Franco Cologni (Panerai e, depois, líder da Fundação de Alta Relojaria, aposentado); Carlos Dias (o português fundador da Roger Dubuis, hoje afastado do setor); Georges-Henri Meylan (Audemars Piguet e, depois, marca própria, ainda em atividade); Michel Parmigiani (Parmigiani Fleurier, ainda em atividade), François Thiébaud (Tissot e Presidente dos expositores suíços na Baselworld, reformado).
Era numa altura em que os responsáveis ficavam largos anos, muitos deles décadas, à frente das respetivas marcas, numa simbiose de imagem entre uns e outros. Tivemos o privilégio de conhecer estas personagens, a quem a indústria relojoeira helvética muito deve.
Hoje, a rotatividade de CEOs é alucinante e a imagem das marcas passa por influencers e por relógios emprestados nos pulsos de personagens de jet set tão efémeros quanto os primeiros, em galas de duvidoso gosto.






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