quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Os relógios Cartier no Relógios & Canetas online
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terça-feira, 3 de novembro de 2026
Relógios & Canetas online Novembro
Meditações - no meio do relógio...
Romance XIV ou da Chica da Silva
Que andor se atavia
naquela varanda?
É a Chica da Silva:
é a Chica-que-manda!
Cara cor da noite
olhos cor de estrela.
Vem gente de longe
para conhecê-la.
(Por baixo da cabeleira,
tinha a cabeça rapada
e até dizem que era feia.)
Vestida de tisso,
de raso e de holanda
- é a Chica da Silva:
- é a Chica-que-manda!
Escravas, mordomos
seguem, como um rio,
a dona do dono
do Serro do Frio.
(Doze negras em redor,
- como as horas, nos relógios.
Ela, no meio, era o sol!)
Um rio que, altiva,
dirige e comanda
a Chica da Silva,
a Chica-que-manda.
Esplendem as pedras
por todos os lados:
são flechas em selvas
de leões marchetados.
(Diamantes eram, sem jaça,
por mais que muitos quisessem
dizer que eram pedras falsas.)
Mil luzeiros chispam,
à flexão mais branda
da Chica da Silva
da Chica-que-manda!
E curvam-se, humildes,
fidalgos farfantes,
à luz dessa incrível
festa de diamantes.
(Olhava para os reinóis
e chamava-os “marotinhos”!
Que viu desprezo maior?)
Gira a noite gira,
dourada ciranda
da Chica da Silva,
da Chica-que-manda!
E em tanque de assombro
veleja o navio
da dona do dono
do Serro do Frio.
(Dez homens o tripulavam,
para que a negra entendesse
como andam barcos nas águas.)
Aonde o leva a brisa
sobre a vela panda?
- A Chica da Silva:
à Chica-que-manda.
A Vênus que afaga,
soberba e risonha
as luzentes vagas
do Jequitinhonha.
(À Rainha de Sabá,
num vinhedo de diamantes
poder-se-ia comparar.)
Nem Santa Ifigênia,
toda em festa acesa,
brilha mais que a negra,
na sua riqueza.
Contemplai, branquinhas,
na sua varanda,
a Chica da Silva,
a Chica-que-manda!
(Coisa igual nunca se viu.
Dom João Quinto, rei famoso,
não teve mulher assim!)
Cecília Meirelles - Romanceiro da Inconfidência
Os relógios Bulgari no Relógios & Canetas online
segunda-feira, 2 de novembro de 2026
Um colecionador de relógios de todas as espécies, épocas e procedências...
Meditações - horas guardadas pelos ponteiros
Romance LVI ou da arrematação dos bens do Alferes
Arrematai o machinho
castanho rosilho! Custa
10 mil-réis: o que o algebrista
lhe pôs na avaliação.
Ai! corta rios e espinhos,
e já nada mais o assusta:
Só ele sabe o que leva
na sua imaginação.
Arrematai as esporas,
com seu jogo de fivelas!
Pesam 39 oitavas
e uma pequena fração.
E ireis pelo mundo afora
aprumado em qualquer sela,
propalando a sanha brava
dessa história de traição.
Arrematai as navalhas
e a tabaqueira de chifre!
Neste corredor de trevas,
nossos passos aonde irão?
Feliz aquele que leve
um ponteiro que o decifre!
Arrematai-o! - Não falha,
este relógio marcão.
Arrematai, juntamente,
esta bolsinha dos ferros:
por menos de 3 cruzados,
ficareis tendo a ilusão
de, por entre escuma e berro,
arrancar os duros dentes
a qualquer monstro execrando
ou peçonhento dragão!
Arrematai, sobretudo,
este pobre canivete.
São 30 réis, 30, apenas...
E com que satisfação
aparareis vossa pena!
Quem sabe em que papéis mudos
ela, a correr, interprete
esta vã conspiração.
E este espelho, surpreendido
por não sentir mais a cara
de entusiasmo, dor e espanto
daquele homem de paixão?
Arrematai-o! Um gemido,
que antes nunca se escutara,
e turvas gotas de pranto
em sua lâmina estão.
Arrematai a fivela
da volta do pescocinho,
que para sempre recorda
definitiva aflição!
Pois estão marcados nela
o sítio certo e o caminho
por onde cutelo e cordas
cumprem sua obrigação.
Arrematai essas horas
guardadas pelos ponteiros,
arrancadas ao seu dono,
rogando consumação!
Interrogai-as, agora
que os reis tremem nos seus
e os antigos prisioneiros
de cinza e de glória são.
Cecília Meirelles - Romanceiro da Inconfidência
Os relógios Jacob & Co. no Relógios & Canetas online
domingo, 1 de novembro de 2026
Os relógios Ball no Relógios & Canetas online
sábado, 31 de outubro de 2026
Os relógios ArtyA no Relógios & Canetas online
Meditações - o futuro do presente
O futuro do presente
O futuro é aquela utopia por nós sonhada que gostaríamos de
ver concretizada. Para nós o presente está no meio de nuvens tão espessas que
não nos deixam ver para além. Eu penso na escola, porque educação é mais
extensa que escola, e penso qual o papel do professor que necessitaremos para
lá deste nevoeiro. O magíster dixit, isto é, o professor disse e está dito, há
muito que acabou; com toda a verdade nunca foi extinto. Teve até hoje a
regência do saber porque não existia quem lho contestasse. O uso da tecnologia
foi-lhe tirando o papel de ator principal e, a pouco e pouco, ele foi-se
retirando da ribalta, sem se dar conta que estava a ser arredado: já não
precisa de ensinar a operar porque a calculadora fá-lo com prontidão e certeza;
já não precisa de ensinar ortografia porque o computador não deixa dar erros;
não precisa da tabela periódica porque o relógio dá-lhe a resposta que
necessita, e assim por diante, sub-repticiamente foi perdendo muitas das sua
valências como mestre indiscutível. Que mais se seguirá? A resposta está para
lá do nevoeiro mas, pelo que se pode perspetivar, o professor terá que ser um
programador de computador. O saber específico ficará a cargo da inteligência
artificial e aí se encontrará todo o saber sobre qualquer assunto. Então há que
fazer um programa, género súmula, desse vasto saber para o apresentar aos
alunos. Apresentar para discutir e até confrontar com as várias visões
plasmadas nos textos da IA. Este “professor”, entre aspas porque já não ensina,
perderá o seu título académico e ganhará o de programador. Na sua seleção de
textos estará a sua subjetividade colocando o aluno novamente na
subalternidade. Este saberá fugir à grilheta comentando na sua peculiaridade os
textos que ficaram de fora da seleção do programador escolar. Será assim?
Pergunto ao eco e ele não responde porque também não sabe, mas há uma certeza
já visível, nunca mais o professor de hoje será o mesmo de amanhã, porque a
tecnologia não o deixará e, no entanto, a sociedade será cada vez mais
tecnológica. Dizia-me há tempos um amigo:” já não vou ao banco há muito tempo;
faço pagamentos, transferências, abertura de contas, consultas de depósitos
apenas com o computador pessoal; já não preciso de nada para encontrar o lugar
para onde quero ir porque o GPS indica-me o caminho e avisa-me quando chego. No
meu relógio recebo mails… Pena é, continuou ele, navegando na espessura do
nevoeiro de hoje, que não tenha vida para ver a futura sociedade porque, pelo
que vejo, não lhe vai faltar tempo de lazer; meu caro, a tecnologia vai
trabalhar por ela”. E quem trabalha nos campos? “A tecnologia produzirá
alimentos, tecidos, sapatos, nos laboratórios, como faz com os medicamentos e
fará de previdência em todos os aspetos da vida humana? E julgo que saberá
produzir água nas suas provetas. Os automóveis terão condução automática, e por
aí adiante.” Sonho, utopia, realidade cabem todos no mesmo cesto. Será capaz de
fazer nascer “meninos proveta”, por conta e medida certa, das necessidades da
vida? Que responda o nevoeiro que nos estorva a vista.
Paulo Fafe, 28 de setembro de 2026, in Diário do Minho
sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Os relógios Arnold & Son no Relógios & Canetas online
Meditações - falta de tempo
Falta de Tempo
Há tantas coisas em que nunca pensámos por falta de tempo! Na esperança, por exemplo. Quem vai perder cinco ou dez minutos a pensar na esperança, quando pode usá-los muito mais proveitosamente a ler um romance ou a falar ao telefone com uma amiga, a ir ao cinema ou a redigir ofícios no emprego? Pensar na esperança, que coisa imbecil! Até dá vontade de rir. Na esperança... Sempre há gente... E ela metida como areia nas pregas e nas bainhas da alma. Passam anos, passam vidas, aí vem o último dia e a última hora e o último minuto e ela então aparece a tornar inesperado aquilo por que esperávamos, a fazer o que já era amargo ainda mais amargo. A tornar mais difíceis as coisas.
Maria Judite de Carvalho, in 'Tanta Gente, Mariana'
quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Os relógios Armin Strom no Relógios & Canetas online
Meditações - quebrou-se o meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo
Às onze da manhã de mil novecentos e sessenta e dois
quebrou-se o meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo.
E desde então o tempo é um ditongo
entre não haver ontem e não haver depois
no meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo.
Não sei se riam se choravam se gritavam
eu não sei que palavras se diziam.
Estão ali estão ali. E disparavam.
E de súbito um berro. E de súbito um estrondo.
E não sei que diziam: se choravam se riam.
Estão ali estão ali. E disparavam.
Às onze da manhã entre Quipedro e Nambuangongo.
E nunca mais houve ontem nem depois.
São onze da manhã de mil novecentos e sessenta e dois
no meu relógio entre Quipedro e Nambuangongo.
Manuel Alegre, in Nambuangongo, Meu Amor
A Medida do Instante
O tempo não caminha: escorre como areia
entre os dedos fechados de um deus distraidamente antigo.
Deixa um rasto de cinza nos relógios de sol
e uma vaga promessa que a tarde desfaz.
Medimos a vida em anos, horas, estalos de ferro,
na geometria fria dos ponteiros que se cruzam.
Mas o tempo verdadeiro - esse habita outro lado:
na curva súbita de um sorriso guardado na memória,
no eco de uma voz que o silêncio já não alcança,
no relâmpago de um instante que quis ser eterno.
Somos feitos desta matéria frágil e breve,
um sopro de vento que passa pela folha da árvore.
E, contudo, no centro do peito, onde o relógio se cala,
sabemos que o tempo não nos consome por completo:
ele apenas nos atravessa, deixando-nos a luz.
Vítor Rodrigues
quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Os relógios Aerowatch no Relógios & Canetas online
Meditações - a morte liberta-nos do relógio
Entre as muitas vantagens que a morte concede a quem teve a paciência de a alcançar, uma das mais apreciáveis consiste na libertação do relógio, engenho que os vivos fabricaram para medir o tempo e que, com o costume, acabaram por deixar converter-se em pequeno tirano de pulso, de parede ou de telemóvel. Diante dele consomem a existência a chegar atrasados, a sair cedo, a contar minutos, a lamentar horas e a prometer para terça-feira aquilo que, chegado o sábado, continua piedosamente por fazer.
Talvez os vivos tenham sido inventados para compensar a indolência dos mortos. Passam metade da existência a correr para arribar a algum lugar e, uma vez chegados, consultam o relógio para saber a que horas poderão sair; compram agendas para anotar aquilo de que se esquecerão; estabelecem prazos para coisas que desconhecem; prometem inaugurações de obras ainda por começar; e acabam, quando desaguam no fim, metidos debaixo da terra, ou lançados em poeira pelos ares, onde descobrem tarde de mais que os séculos não usam sequer calendário.
Em vida, convenhamos, perder o comboio exige um destino; chegar atrasado requer um compromisso; cumprir aquele prazo pressupõe uma esperança, algo presunçosa, de ainda cá estar no dia seguinte. Já a morte, benévola, dissolve tais convenções com uma eficácia administrativa que nenhum programa de simplificação do Estado jamais imitou. Um homem vivo pode passar três anos à espera de uma licença, enquanto um morto resolve para sempre a questão do atendimento. ↓
Daqui talvez venha o divertimento que me causa a ânsia com que os vivos tratam o tempo como propriedade privada, repartindo-o em contratos, agendas de execução, calendários eleitorais, prazos judiciais, mapas de trabalhos e inaugurações, como se Saturno, depois de devorar os próprios filhos, tivesse aceitado um lugar de assessor numa câmara municipal.
Cá por baixo, nessa medida, a relação com a tesouraria beneficia de alterações apreciáveis. Por aqui não circulam euros nem dólares nem libras, e até aquele óbolo que os gregos colocavam junto dos defuntos para pagar a Caronte perdeu utilidade com o abandono das boas tradições funerárias. Caronte, aliás, merece uma nota financeira, porque talvez tenha inaugurado a concessão privada de um serviço público essencial: detinha o monopólio da travessia, não admitia passageiros sem título válido, cobrava por percurso e não consta que alguma autoridade administrativa tenha aberto concurso para explorar a linha entre este mundo e o Hades. [...]
CORREIO MERCANTIL DE BRÁS CUBAS, aqui
Moedas, arruinado entre ruínas
Brás Cubas|22/09/2026
terça-feira, 27 de outubro de 2026
Os relógios A. Lange & Söhne no Relógios & Canetas online
Meditações - despertar o passado
Suponho que sou igual a toda a gente. Acho graça regressar aos lugares onde um dia trabalhei, de observar o que mudou e verificar se a nova realidade ainda guarda alguma coisa capaz de despertar o passado — essa coisa que a memória, sozinha, tantas vezes não consegue. Porque o faço? Por alguma nostalgia? Talvez, mas não necessariamente. Creio que é, sobretudo, por curiosidade.
Embaixador Francisco Seixas da Costa
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Os relógios Omega no Relógios & Canetas online
"Lisboa - Um novo olhar", 31 comunicações sobre olisipografia
"Lisboa Um novo olhar" é o livro editado pela Caleidoscópio e pelo Grupo Amigos de Lisboa, assinalando os 90 anos desta instituição. Recolhe 31 comunicações, sob a coordenação científica de Carlos Boavida, Paulo Batista e Sílvia Ferreira.
São 622 páginas, prefaciadas por Salete Salvado, Presidente da Junta Diretiva do Grupo Amigos de Lisboa, que foi homenageada no Congresso, ocorrido a 22, 23 e 24 de Outubro, na sede da Associação dos Arqueólogos Portugueses, no Convento do Carmo, em Lisboa.
Interviemos no Congresso e a nossa comunicação "Tempo e Poder em Lisboa" está incluída em "Lisboa - Um novo olhar".
Parabéns ao GAL, de que somos sócio, e à organização do Congresso, o maior em décadas sobre olisipografia.



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