Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Humor relojoeiro


 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Memorabilia - bases para copos, relógios Blancpain

Janela para o passado - Restaurante Pedra Bela, Gerês, 1995

Livro do dia - Elementos para a História da Ourivesaria Portuguesa, de Joaquim de Vasconcelos, 1904

Biblioteca horológica de Fernando Correia de Oliveira (doação de António Pinheiro)

Relógios & Canetas online Novembro - com a Patek Philippe, em Milão


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Meditações . tempo para não pensar

Eu queria ter o tempo

e o sossego suficientes

Para não pensar em coisa nenhuma,

Para nem me sentir viver,

Para só saber de mim

nos olhos dos outros, reflectido.

 

Alberto Caeiro

Os relógios Chanel no Relógios & Canetas online


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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Memorabilia - ementa, restaurante da Giacomo, Milão, jantar dos relógios Patek Philippe

Humor relojoeiro

(arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Relógios e Canetas online Novembro - o fim da gama média?

Editorial

Zenith entra em profunda reestruturação


Sinal dos tempos – o CEO da Zenith desde 2024, Benoit de Clerck anunciou interna e externamente um profundo programa de restruturação, que implicará redução de produção e despedimentos.

Quando esse programa estiver complete, em 2029, produzirá menos relógios (atualmente, 8.500 por ano), reduzirá linhas e aumentará preços. Ou seja, faz aquilo que outras manufaturas já fizeram – trabalhar apenas no topo de gama, com edições reduzidas, garantindo exclusividade.

O responsável disse que o grupo dono da Zenith, o LVMH, irá procurar empregar os dispensados em outras marcas, como sejam Louis Vuitton, TAG Heuer, Hublot ou Bulgari (para as quais a Zenith fornece calibres). Calculam-se 200 despedimentos na sede, em Le Locle, e outros 100 espalhados pelo mundo. “A Zenith não pode continuar a perder dinheiro indefinidamente”, afirmou.

A competição no setor de gama média é onde se faz sentir mais a crise, com muitas marcas tradicionais a tentarem sobreviver aos smartwatches e às marcas de moda. Ao passar a definir-se como Alta Relojoaria, a Zenith passará a competir num mundo mais restrito – tipo Rolex, Audemars Piguet, Patek Philippe ou a miríade de marcas independentes que foram aparecendo nas últimas três décadas colocando-se, logo de início nesse extrato de baixa produção e preços muito elevados.

A indústria tem beneficiado de um programa do Estado, o RHT — Réduction de l’horaire de travail (redução das horas de trabalho), que compensa em 80 por cento o patrão pelos lucros perdidos em resultado dessa redução.

Um franco forte, as tarifas dos Estados Unidos, a redução de mercados no Médio Oriente e Ásia, as incertezas políticas globais, segundo observadores do setor citados por Rob Corder, do Watchpro, não são problemas temporários, mas antes uma mudança permanente do mercado mundial de relojoaria.



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Janela para o passado - Restaurante Típico O Grilo, Gerês, 1995

Meditações - metáfora relojoeira

É preciso prestar atenção à diferença muito grande que existe entre dizer que uma certa qualidade, modificação da alma, ou virtude, não é o motor que faz agir um governo e dizer que ela não se encontra neste governo. Se eu dissesse: tal roda, tal pino não são o motor deste relógio, se concluiria que eles não estão no relógio? Da mesma forma, as virtudes morais e cristãs estão tanto menos excluídas da monarquia quanto a própria virtude política não o está.

Montesquieu, O Espírito das Leis

Os relógios Cartier no Relógios & Canetas online


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terça-feira, 3 de novembro de 2026

Humor relojoeiro


 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Memorabilia - canetas, relógios Patek Philippe

Janela para o passado - Restaurante Beleza da Serra, Gerês, 1995

Relógios & Canetas online Novembro


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Meditações - no meio do relógio...

Romance XIV ou da Chica da Silva

Que andor se atavia

naquela varanda?

É a Chica da Silva:

é a Chica-que-manda!

Cara cor da noite

olhos cor de estrela.

Vem gente de longe

para conhecê-la.

(Por baixo da cabeleira,

tinha a cabeça rapada

e até dizem que era feia.)

Vestida de tisso,

de raso e de holanda

- é a Chica da Silva:

- é a Chica-que-manda!

Escravas, mordomos

seguem, como um rio,

a dona do dono

do Serro do Frio.

(Doze negras em redor,

- como as horas, nos relógios.

Ela, no meio, era o sol!)

Um rio que, altiva,

dirige e comanda

a Chica da Silva,

a Chica-que-manda.

Esplendem as pedras

por todos os lados:

são flechas em selvas

de leões marchetados.

(Diamantes eram, sem jaça,

por mais que muitos quisessem

dizer que eram pedras falsas.)

Mil luzeiros chispam,

à flexão mais branda

da Chica da Silva

da Chica-que-manda!

E curvam-se, humildes,

fidalgos farfantes,

à luz dessa incrível

festa de diamantes.

(Olhava para os reinóis

e chamava-os “marotinhos”!

Que viu desprezo maior?)

Gira a noite gira,

dourada ciranda

da Chica da Silva,

da Chica-que-manda!

E em tanque de assombro

veleja o navio

da dona do dono

do Serro do Frio.

(Dez homens o tripulavam,

para que a negra entendesse

como andam barcos nas águas.)

Aonde o leva a brisa

sobre a vela panda?

- A Chica da Silva:

à Chica-que-manda.

A Vênus que afaga,

soberba e risonha

as luzentes vagas

do Jequitinhonha.

(À Rainha de Sabá,

num vinhedo de diamantes

poder-se-ia comparar.)

Nem Santa Ifigênia,

toda em festa acesa,

brilha mais que a negra,

na sua riqueza.

Contemplai, branquinhas,

na sua varanda,

a Chica da Silva,

a Chica-que-manda!

(Coisa igual nunca se viu.

Dom João Quinto, rei famoso,

não teve mulher assim!)

 

Cecília Meirelles - Romanceiro da Inconfidência

Os relógios Bulgari no Relógios & Canetas online


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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Um colecionador de relógios de todas as espécies, épocas e procedências...


in Almanaque do Porto para 1948 (arquivo Fernando Correia de Oliveira) Que será feito desta coleção?

Memorabilia - caderno de apontamentos e imanes, relógios Patek Philippe

 

Janela para o passado - Pastelaria D. Gualdim, Amares, 1995

Meditações - horas guardadas pelos ponteiros

Romance LVI ou da arrematação dos bens do Alferes

Arrematai o machinho

castanho rosilho! Custa

10 mil-réis: o que o algebrista

lhe pôs na avaliação.

Ai! corta rios e espinhos,

e já nada mais o assusta:

Só ele sabe o que leva

na sua imaginação.

Arrematai as esporas,

com seu jogo de fivelas!

Pesam 39 oitavas

e uma pequena fração.

E ireis pelo mundo afora

aprumado em qualquer sela,

propalando a sanha brava

dessa história de traição.

Arrematai as navalhas

e a tabaqueira de chifre!

Neste corredor de trevas,

nossos passos aonde irão?

Feliz aquele que leve

um ponteiro que o decifre!

Arrematai-o! - Não falha,

este relógio marcão.

Arrematai, juntamente,

esta bolsinha dos ferros:

por menos de 3 cruzados,

ficareis tendo a ilusão

de, por entre escuma e berro,

arrancar os duros dentes

a qualquer monstro execrando

ou peçonhento dragão!

Arrematai, sobretudo,

este pobre canivete.

São 30 réis, 30, apenas...

E com que satisfação

aparareis vossa pena!

Quem sabe em que papéis mudos

ela, a correr, interprete

esta vã conspiração.

E este espelho, surpreendido

por não sentir mais a cara

de entusiasmo, dor e espanto

daquele homem de paixão?

Arrematai-o! Um gemido,

que antes nunca se escutara,

e turvas gotas de pranto

em sua lâmina estão.

Arrematai a fivela

da volta do pescocinho,

que para sempre recorda

definitiva aflição!

Pois estão marcados nela

o sítio certo e o caminho

por onde cutelo e cordas

cumprem sua obrigação.

Arrematai essas horas

guardadas pelos ponteiros,

arrancadas ao seu dono,

rogando consumação!

Interrogai-as, agora

que os reis tremem nos seus

e os antigos prisioneiros

de cinza e de glória são.


Cecília Meirelles - Romanceiro da Inconfidência

Os relógios Jacob & Co. no Relógios & Canetas online


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sábado, 31 de outubro de 2026

Memorabilia - programa e passe, relógios Patek Philippe, Watch Art, Milão, 2026



Os relógios ArtyA no Relógios & Canetas online


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Janela para o passado - Grande Hotel da Bela Vista, Caldelas, 1995

Iconografia do tempo


 Cat that reads "Journal Pour Tous" c.1867 by Wincenty Sleńdziński

Meditações - o futuro do presente

O futuro do presente

O futuro é aquela utopia por nós sonhada que gostaríamos de ver concretizada. Para nós o presente está no meio de nuvens tão espessas que não nos deixam ver para além. Eu penso na escola, porque educação é mais extensa que escola, e penso qual o papel do professor que necessitaremos para lá deste nevoeiro. O magíster dixit, isto é, o professor disse e está dito, há muito que acabou; com toda a verdade nunca foi extinto. Teve até hoje a regência do saber porque não existia quem lho contestasse. O uso da tecnologia foi-lhe tirando o papel de ator principal e, a pouco e pouco, ele foi-se retirando da ribalta, sem se dar conta que estava a ser arredado: já não precisa de ensinar a operar porque a calculadora fá-lo com prontidão e certeza; já não precisa de ensinar ortografia porque o computador não deixa dar erros; não precisa da tabela periódica porque o relógio dá-lhe a resposta que necessita, e assim por diante, sub-repticiamente foi perdendo muitas das sua valências como mestre indiscutível. Que mais se seguirá? A resposta está para lá do nevoeiro mas, pelo que se pode perspetivar, o professor terá que ser um programador de computador. O saber específico ficará a cargo da inteligência artificial e aí se encontrará todo o saber sobre qualquer assunto. Então há que fazer um programa, género súmula, desse vasto saber para o apresentar aos alunos. Apresentar para discutir e até confrontar com as várias visões plasmadas nos textos da IA. Este “professor”, entre aspas porque já não ensina, perderá o seu título académico e ganhará o de programador. Na sua seleção de textos estará a sua subjetividade colocando o aluno novamente na subalternidade. Este saberá fugir à grilheta comentando na sua peculiaridade os textos que ficaram de fora da seleção do programador escolar. Será assim? Pergunto ao eco e ele não responde porque também não sabe, mas há uma certeza já visível, nunca mais o professor de hoje será o mesmo de amanhã, porque a tecnologia não o deixará e, no entanto, a sociedade será cada vez mais tecnológica. Dizia-me há tempos um amigo:” já não vou ao banco há muito tempo; faço pagamentos, transferências, abertura de contas, consultas de depósitos apenas com o computador pessoal; já não preciso de nada para encontrar o lugar para onde quero ir porque o GPS indica-me o caminho e avisa-me quando chego. No meu relógio recebo mails… Pena é, continuou ele, navegando na espessura do nevoeiro de hoje, que não tenha vida para ver a futura sociedade porque, pelo que vejo, não lhe vai faltar tempo de lazer; meu caro, a tecnologia vai trabalhar por ela”. E quem trabalha nos campos? “A tecnologia produzirá alimentos, tecidos, sapatos, nos laboratórios, como faz com os medicamentos e fará de previdência em todos os aspetos da vida humana? E julgo que saberá produzir água nas suas provetas. Os automóveis terão condução automática, e por aí adiante.” Sonho, utopia, realidade cabem todos no mesmo cesto. Será capaz de fazer nascer “meninos proveta”, por conta e medida certa, das necessidades da vida? Que responda o nevoeiro que nos estorva a vista.

Paulo Fafe, 28 de setembro de 2026, in Diário do Minho