Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Em Paris, com os relógios Minerva


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Memorabilia - medalha relógios Audemars Piguet


Meditações - Tic-tic, tic-tic... Siempre igual, monótono y aburrido

[… ]Clarea

el reloj arrinconado,

y su tic-tic, olvidado

por repetido, golpea.

Tic-tic, tic-tic... Ya te he oído.

Tic-tic, tic-tic... Siempre igual,

monótono y aburrido.

Tic-tic, tic-tic, el latido

de un corazón de metal.

En estos pueblos, ¿se escucha

el latir del tiempo? No.

 

En estos pueblos se lucha

sin tregua con el reló,

con esa monotonía

que mide un tiempo vacío.

Pero ¿tu hora es la mía?

¿Tu tiempo, reloj, el mío?

(Tic-tic, tic-tic...) Era un día

(Tic-tic, tic-tic) que pasó,

y lo que yo más quería

la muerte se lo llevó.

Lejos suena un clamoreo

de campanas...

Arrecia el repiqueteo

de la lluvia en las ventanas.

Fantástico labrador,

vuelvo a mis campos. ¡Señor,

cuánto te bendecirán

los sembradores del pan!

Señor, ¿no es tu lluvia ley,

en los campos que ara el buey,

y en los palacios del rey?

¡Oh, agua buena, deja vida

en tu huida!

¡Oh, tú, que vas gota a gota,

fuente a fuente y río a río,

como este tiempo de hastío

corriendo a la mar remota,

con cuanto quiere nacer,

cuanto espera

florecer

al sol de la primavera,

sé piadosa,

que mañana

serás espiga temprana,

prado verde, carne rosa,

y más: razón y locura

y amargura

dé querer y no poder

creer, creer y creer! […]


António Machado

terça-feira, 5 de maio de 2026

Iconografia do tempo


 Charles Spencelayh Inglaterra, 1865-1958

Os relógios Ressence no Relógios & Canetas online


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Janela para o passado - Academia dos Amadores de Música, 1958

Relógios & Canetas online Maio - Rolex e... o resto

Rolex e… o resto

Rolex aumenta preponderância no setor relojoeiro suíço e a tendência tem vindo a acentuar-se nos últimos anos. A companhia, que não tem um dono privado nem está cotada em bolsa – pertence a uma fundação, vai asfixiando tudo em redor. E são pouco os que resistem.

Os quadros que aqui apresentamos traduzem o volume de vendas e os lucros, comparando a situação em 2019 e em 2025.

São baseados no relatório anual sobre o sector, elaborado pelo Bank Vontobel, empresa familiar com sede em Zurique, que presta serviços de investimento a clientes privados e institucionais desde 1924.

Apesar de fatores que a indústria não controla – alta do preço do ouro, moeda forte, instabilidade tarifária, guerra na Europa e agora no Médio Oriente – os relógios suíços continuam a ser um produto altamente desejável e surpreendentemente ainda competitivo (mesmo com os salários altos que se pagam).

Apesar de as exportações terem diminuído em valor 2,8% em 2024 e 1,7% em 2025. Sendo, assim, a manta mais curta, a quem começam a aparecer os pés frios? E quem, no meio disso, consegue ainda ficar com a parte maior da manta?

Os números são evidentes, tanto a nível de valor de vendas como de lucros. As independentes Patek Philippe e Audemars Piguet conseguem sobreviver, mas o Swatch Group, o maior do mundo em termos industriais e de portfolio, parece estar a sofrer.

Como já aqui referimos várias vezes, a estratégia de comunicação do Swatch Group continua ausente dos grandes encontros mundiais do setor. Como a semana relojoeira de Genebra, com especial destaque para o salão Watches & Wonders, de cujas novidades vamos dando conta. E onde a Rolex, a Patek Philippe, a Cartier ou a Audemars Piguet, bem como as marcas LVMH estiveram.


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Memorabilia - boné relógios Tudor

Meditações - la última gota que en la clepsidra tiembla

Del camino


Daba el reloj las doce... y eran doce

golpes de azada en tierra...

... ¡Mi hora! —grité—... El silencio

me respondió: —No temas;

tú no verás caer la última gota

que en la clepsidra tiembla.

Dormirás muchas horas todavía

sobre la orilla vieja,

y encontrarás una mañana pura

amarrada tu barca a otra ribera. [...]


António Machado

segunda-feira, 4 de maio de 2026

domingo, 3 de maio de 2026

Há 50 anos - Omega Speedmaster Mack IV, comprado na Ourivesaria Portugal, Lisboa


   

Janela para o passado - Milo, 1957

Humor relojoeiro - um parafuso a mais...


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Os relógios Louis Moinet no Relógios & Canetas online


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Memorabilia - perfume relógios Chanel

Há 50 anos - a compra de um Omega Speedmaster Mark IV na Ourivesaria Portugal

A 3 de Abril de 1976, um sábado, comprávamos na Ourivesaria Portugal, ao Rossio, em Lisboa, o primeiro relógio com o nosso próprio dinheiro - um Omega Speedmaster Mark IV, cronógrafo automático com data e submostrador de 24 horas, que mantermos. Os 9.600 escudos que nos custou equivaliam a 3 salários líquidos, dos que ganhávamos como jornalista na Agência de Notícias ANOP.


Na altura, a Omega era representada pela A. Moura Ltda., empresa que, após 100 anos na Praça da Figueira, encerrou atividade, doando o seu acervo ao Núcleo do Tempo do Arquivo Ephemera, que coordenamos.



Quanto à Ourivesaria Portugal, também ela fechou portas, com algum do seu espólio a ser igualmente oferecido pela família Macedo e Cunha ao maior arquivo privado do país.


Meditações - pronunciar a palavra "relógio"

Relógio

Pronuncia a palavra como quem lentamente a desmontasse – cada sílaba um segundo 

Ela nomeia o pequeno maquinismo do tempo divisível onde um rosto invisível te contempla a cada sílaba 

Até chegar a hora em que te cansas de ver de ouvir e de falar.

João Pedro Mésseder

sábado, 2 de maio de 2026

Janela para o passado - Nido, 1956

Humor relojoeiro - a waist of time


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Os relógios Laurent Ferrier no Relógios & Canetas online


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Memorabilia - caixa de bolachas relógios Hermès


Meditações - garantir que o presente é rico em eventos, novidades e aprendizagens

Quem é que nunca sentiu que o tempo custa a passar quando se está à espera de alguma coisa? Os minutos têm sempre a mesma duração — tal como as horas, os dias e as semanas —, mas a nossa perceção da passagem do tempo, ao contrário do relógio e do calendário, está longe de ser objetiva. Por norma, sentimos que o tempo passa mais depressa quando estamos a fazer algo que nos agrada e mais devagar quando a atividade é desagradável.

Essa diferença entre o tempo do relógio e o tempo que sentimos também muda ao longo da vida — uma criança, um adulto e um idoso têm, em geral, perceções do tempo muito diferentes. Com a idade, acumulam-se experiências e rotinas. Os dias tendem a repetir-se mais e as novidades tornam-se menos frequentes. Isso pode influenciar a forma como sentimos o tempo e a forma como o recordamos..

Do ponto de vista neuropsicológico, não há uma explicação única nem definitiva, mas há algumas teorias. Uma das chaves para compreender esta sensação está no facto de não termos um “sentido do tempo” propriamente dito. “Não termos recetores sensoriais específicos [para medir o tempo], pelo que o cérebro depende de outros mecanismos para construir esta perceção”, diz Maria Vânia Nunes, especialista em Psicogerontologia e em Neuropsicologia e professora do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa, onde faz investigação e leciona na área das Neurociências Cognitivas.

Em vez disso, o cérebro constrói a perceção do tempo a partir de vários mecanismos, como a atenção, a memória e o registo dos acontecimentos, usando “sistemas diferentes para diferentes escalas de tempo”, o que explica que haja sensações contraditórias.  No envelhecimento, a noção de aceleração “parece dizer respeito a escalas de tempo maiores, como meses ou anos, mas, muitas vezes, a perceção é de que os dias ou as horas demoram mais tempo a passar”,  exemplifica a investigadora.

“As pessoas têm a clara noção de que o tempo que lhes resta é mais limitado”, diz Maria Vânia Nunes, professora do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa. “O mais relevante parece ser garantir que o presente é rico em eventos, novidades e aprendizagens”. As novidades e a diversificação de experiências, ajudam a evitar a monotonia e traduzem-se num verdadeiro “ganho de tempo” quando o passado é revisto.

Isso acontece porque, quando falamos de horas ou dias, “a noção de tempo depende da atenção que, por sua vez, depende do registo dos eventos que estão a decorrer. Quando estes eventos são poucos — o que muitas vezes acontece no envelhecimento, em que há a diminuição de compromissos e outras atividades — há a noção de que o tempo demora mais a passar”.  Já considerando intervalos temporais maiores, como meses ou anos, as referências estão mais associadas à memória, “pelo que os períodos com poucos acontecimentos parecem ser compactados”, dando a sensação de que o tempo passou muito rapidamente.

A rotina versus novidade tem um papel central nesta sensação da passagem do tempo, que é familiar para quase toda a gente: “Quando entramos na rotina, corremos durante o dia e, mais tarde, não sabemos para onde foram os anos. Pelo contrário, quando temos dias cheios de eventos e novidades, quando olhamos retrospetivamente a perceção do tempo vai parecer maior.”

Além das mudanças no cérebro e na forma como a memória funciona com a idade, há também fatores psicológicos que ajudam a explicar porque é que o tempo é vivido de maneira diferente. Uma das ideias mais conhecidas é a dos rácios: “Por exemplo, um ano em dez é um décimo da vida. Mas um ano em cinquenta é apenas dois por cento da vida.” Daqui decorre que um ano tende a parecer mais curto quando somos mais velhos, por representar uma fração muito menor de tudo o que já vivemos.

Ainda assim, a investigadora refere que aquilo que parece ser mais relevante na perceção de tempo acelerado na velhice é sentir que a vida se está a aproximar do fim.  “As pessoas têm a clara noção de que o tempo que lhes resta é mais limitado”.

Apesar de o tempo em si ser irreversível, é possível influenciar a forma como o sentimos. “O mais relevante parece ser garantir que o presente é rico em eventos, novidades e aprendizagens”. As novidades e a diversificação de experiências, ajudam a evitar a monotonia e traduzem-se, como diz Maria Vânia Nunes, num verdadeiro “ganho de tempo” quando o passado é revisto.

Sofia Teixeira, Observador