Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

sábado, 28 de março de 2026

Relógios Cortébert, 1956


 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

A falar sobre o Tempo, na RTP2


Na próxima terça-feira, 31 de Março, vamos estar no programa Sociedade Civil, da RTP2, entre as 14h00 e as 15h00, para falar sobre o Tempo com o jornalista Luís Castro.

Além da mudança da hora... Portugal continua sem saber a quantas anda

Em Portugal e o Tempo, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2025, escrevemos:

VII – O atraso endémico e perene do Tempo português

Existe um “tempo português”? Recordamos como começámos: há línguas que têm palavras próprias para designar o tempo cronológico e o tempo meteorológico (time e weather, em inglês, por exemplo). Em português, há uma única palavra para as duas realidades. Os ingleses têm clock para relógios grandes e watch para relógios de bolso ou de pulso. Os franceses usam, respectivamente, horloge ou montre. Em português, mais uma vez, uma única palavra para abarcar conceitos tão diferentes. A pobreza linguística reflecte, quanto a nós, a deficiente relação que Portugal tem mantido com o Tempo.

Em A Coisa mais Preciosa que Temos, de 2002, diz o físico e divulgador de ciência Carlos Fiolhais:

“A história dos relógios é parte importante da história da ciência e, por consequência, da história da economia e da civilização. Esta verificação está bem enfatizada no livro de David Landes, A Riqueza e a Pobreza das Nações (Gradiva, 2001). Landes explica-nos com erudição inaudita como Portugal passou de um dos países mais ricos do mundo para um país do meio da tabela (enfim, mais perto do fim que do fundo). Ficámos decadentes logo que perdemos as ciências e as tecnologias. Incluindo as dos relógios. Perdemos não só o conhecimento da longitude em primeira mão, como também a economia dos mares em favor dos grandes fabricantes dos relógios, os Ingleses e os Holandeses. […]

“Nós empobrecemos quando perdemos o comboio da inovação tecnológica. Foram os relógios, além do mais, que permitiram a organização do trabalho na revolução industrial dos séculos XVIII e XIX, algo que entre nós não tivemos com a celeridade necessária […] Perdemos, se algum dia a tivemos, a ideia particularmente europeia, ocidental, de tempo. Perdemos tempo, muito tempo.”

A relojoaria férrea nacional, na sua esmagadora maioria, ou está parada ou foi electrificada. Clero e seus auxiliares (sacristãos) envelhecidos, sem força para subir escadas em locais íngremes ou para dar corda às máquinas, foram o quadro propício à hecatombe. A insensibilidade da Igreja (e do poder local) em preservar peças valiosas de arqueologia industrial fomentaram o desastre. Máquinas velhas de séculos foram, nos anos 1980 e 1990 deitadas para o lixo ou vendidas para o estrangeiro, em troca de circuitos electrónicos que, comandados a partir das sacristias ou dos andares térreos das torres, podem ser accionados, lançando para o ar menus variados de melodias. Mudos os sinos, apareceram em sua substituição os megafones.

Todo o esforço de introduzir no quotidiano nacional hábitos de pontualidade, através de marcadores de tempo públicos ou privados precisos, não surtiu efeito. O relógio foi sempre encarado mais como objecto de aparato, de ostentação, do que como verdadeiro regulador, O paradigma disso, os dois relógios do Convento de Mafra, quase sempre parados.

Uma importante peça de arqueologia industrial, um relógio monumental, assinado José da Silva Mafra, de 1796, na Torre do Galo, junto ao Palácio da Ajuda, mantém-se há décadas ao abandono, em risco de ruir.

O país tem dinheiro para comprar – compra do melhor que há, e não apenas relógios – mas não tem dinheiro nem mentalidade para manter.

Fernando Pessoa no Livro do Desassossego, diz: “E assim arrasto a fazer o que não quero, e a sonhar o que não posso ter, a minha vida, absurda como um relógio público parado.” Quanto ao Tempo e aos seus medidores, Portugal continua a ser um país absurdo.

A mudança de era (1433), a adopção de novo calendário (1583), a adesão ao sistema de fusos horários (1912), a entrada em vigor da Hora de Verão e da Hora de Inverno (1915) são as grandes mudanças estruturais no tempo português. Uma quinta acaba de ocorrer. Em 2023, depois de século e meio a ser o depositário da hora legal, numa tradição mundialmente seguida de relação umbilical entre astronomia, medição e emissão do tempo, o Observatório Astronómico de Lisboa, entretanto passado a espaço museológico, por decisão governamental, deixa de ter esse papel. Que passa para o Instituto Português da Qualidade, até agora apenas o depositário do segundo padrão, como já referimos.

Uma equipa de astrónomos, docentes na Faculdade de Ciências de Lisboa, alimentava o site oficial do Observatório. Com a decisão governamental, o site foi desactivado. O sinal de Hora Legal, que podia ser descarregado pelos particulares nos seus computadores, deixou de funcionar. A publicação Dados Astronómicos para Almanaques deixou de se publicar, tanto em papel como na versão online. O noticiário ligado à astronomia e ao tempo cronológico, deixou de ser emitido. A divulgação científica ficou a perder. Muito.

Foi, entretanto, criada uma comissão interministerial para estudar a transição, que à data da publicação deste ensaio ainda não ocorreu. Criando-se um vazio no tempo português que, mais uma vez, demonstra a dificuldade do país em lidar com Cronos. Em 2024, não há um único relógio público que emita a Hora Legal e não há qualquer autoridade que superintenda sobre ela.

Até hoje, nada mudou nesta situação peculiar.

Janela para o passado - Selecção Fotográfica, Lisboa, 1952

As canetas Montblanc no Relógios & Canetas online


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Meditações - ter o tempo todo

Sempre achei que tinha o tempo todo. Que desperdiçando-o ou não ele jamais me faltaria. Estava numa reunião em que as pessoas se repetiam para se ouvirem… E, depois? Nada a opor; eu tinha o tempo todo. Afinal, o encontro das dez será, só, entre as onze e o meio dia?… Nada a opor. Encontrarei uma forma de matar o tempo. Ou, quando muito, um passatempo. Porque eu tinha o tempo todo. E isso não dá lugar ao desperdício.

No entretanto, há alturas em que se ganha tempo. E isso regista-se. E faz diferença, até. Mas são maiores as perdas de tempo do que o tempo que ganhamos ao tempo. Aquelas com que, de desperdício em desperdício, o desbaratamos, o tentamos iludir ou que ele nos foge, simplesmente. Aceitar o tempo talvez seja aquilo que faz com que se comece a viver. Acabamos a perceber o tempo depois de o termos perdido muitas vezes.

Eduardo Sá

quinta-feira, 26 de março de 2026

Iconografia do tempo, anos 1990


 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Janela para o passado - Tesouro das Cozinheiras, 1952

A AORP e as jóias no Relógios & Canetas online


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Meditações - um acordo com o tempo

Eu fiz um acordo com o tempo.

Nem ele me persegue, nem eu fujo dele.

Qualquer dia a gente se encontra e,

Dessa forma, vou vivendo

Intensamente cada momento.

 

Mário Lago

terça-feira, 24 de março de 2026

segunda-feira, 23 de março de 2026

Semana relojoeira de Genebra - relógios Doxa convidam...

Janela para o passado - seguros La Nationale, 1952

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Semana relojoeira de Genebra - relógios ID Genève convidam...

Os relógios Wempe no Relógios & Canetas online


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Ricardo Madeira Romão (... - 2025)

Alertados pelo João Pinheiro de Almeida, ficámos a saber pelo Relatório e Contas da Casa da Imprensa para 2025 que Ricardo Madeira Romão faleceu a 20 de Outubro do ano passado. Quadro da ANI, trabalhou sempre na área da Economia e, depois do Internacional. Foi, a par de Maria Luísa Leone, Domingos Neves e Jorge Heitor, chefes que, ainda na ANI, nos influenciaram. E que fizeram a transição, nas agências noticiosas, do Estado Novo para a Democracia.



Nas fotos, um jantar no David da Buraca, em 1988. Em cima, reconhecem-se ainda Horta Lobo, Fernando Correia de Oliveira e Eduardo Oliveira e Silva. Na de baixo, entre outros, Margarida Moser, Luís Varanda de Castro (já falecido), João Pedro Martins (já falecido), Valdemar Afonso, João Maló (já falecido), Teresa Mendes, Ângela Silva, Jorge Oliveira (já falecido), Anabela Natário.

Há 25 anos - quando os CEO's das manufaturas relojoeiras eram (quase) eternos

Capa do Tribune des Arts de Março de 2001, suplemento do jornal Tribune de Genève (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Exatamente há 25 anos, a 21 de Março de 2001, tinha início mais uma Feira Internacional de Relojoaria, em Basileia, a maior do mundo na altura. Viria a chamar-se Baselworld e foi com esse nome que a centenária iniciativa, começada em 1917, acabou, em 2019.

Nesses tempos, Baselworld procurava e conseguia um entendimento com a concorrente de Genebra, o Salão Internacional de Alta Relojoaria (SIHH, no acrónimo em francês, e que hoje se chama Watches and Wonders). Iniciado em 1991, o salão tinha surgido por iniciativa da Cartier e de outras marcas, que já na altura pensavam que o certame de Basileia não tinha condições para receber clientes e media.

Numa entente mais ou menos cordial, os eventos de Basileia e Genebra conciliavam datas e um seguia o outro. Ou seja, eram duas semanas de trabalho intenso das marcas expositoras, dos importadores e pontos de venda, dos jornalistas especializados.

Com o fim da Baseworld, o salão de Genebra ganhou cada vez mais importância. Começou com cinco marcas fundadoras e, hoje, está com 66. Como sempre, desde há 30 anos, estamos presentes neste evento, onde só se podia aceder por convite (em Basileia, cobríamos a feira à nossa custa, o que sempre nos agradou mais...)

Aproveitando a boleia da Watches and Wonders, cada vez mais marcas realizam também as suas apresentações nos dias do evento, que decorre no Palexpo, em Genebra, e que tem alguns dias abertos ao público. Vamos estar em Genebra 4 dias, a partir de 14 de Abril. E, como nos anos anteriores, vamos ignorar, por princípios éticos, as centenas de iniciativas que decorrem fora daquele espaço. E, mesmo assim, não conseguiremos cobrir na totalidade as 66 marcas do salão.

Confessamos: temos saudades da Baselworld, onde se respirava o verdadeiro espírito do setor relojoeiro mundial - além dos expositores suíços, havia representações de França, Itália, Alemanha, Hong Kong, entre outros.

Para os nostálgicos como nós, lembramos, com a ajuda do Tribune des Arts, alguns dos responsáveis pelas marcas, há um quarto de século: Nicolas Hayek (já falecido, à frente do Swatch Group, mas sobretudo da Swatch e, depois, da Breguet); Franck Muller (hoje afastado da manufatura que fundou); Raymond Weil (já falecido, fundador da marca com o seu nome); Arlette Emch Ducommun (Calvin Klein e, depois Swartch); Jean Claude Biver (Blancpain, depois Hublot, hoje com marca própria); Phililippe Stern (Patek Philippe, hoje aposentado); Walter von Kaenel (Longines, hoje reformado); Steeve Urquhart (Omega, reformado); Séverin Wundermann (Corum, já falecido); Günter Blümlein (IWC e, depois A. Lange & Söhne, já falecido); Caroline Gruosi-Scheufele e o irmão, Karl-Friedrich Scheufele (Chopard, ainda a dirigirem a empresa familiar); Guillaume de Seynes (Hermès, ainda em actividade); Henri-John Belmont (Jaeger-LeCoultre, reformado); François-Paul Journe (ainda à frente da marca com o seu nome); Luigi Macaluso (Girard-Perregaux, já falecido); Claude Proellochs (Vacheron Constantin, já falecido); Léopol Metzger (Piaget, já falecido); Franco Cologni (Panerai e, depois, líder da Fundação de Alta Relojaria, aposentado); Carlos Dias (o português fundador da Roger Dubuis, hoje afastado do setor); Georges-Henri Meylan (Audemars Piguet e, depois, marca própria, ainda em atividade); Michel Parmigiani (Parmigiani Fleurier, ainda em atividade), François Thiébaud (Tissot e Presidente dos expositores suíços na Baselworld, reformado).

Era numa altura em que os responsáveis ficavam largos anos, muitos deles décadas, à frente das respetivas marcas, numa simbiose de imagem entre uns e outros. Tivemos o privilégio de conhecer estas personagens, a quem a indústria relojoeira helvética muito deve.

Hoje, a rotatividade de CEOs é alucinante e a imagem das marcas passa por influencers e por relógios emprestados nos pulsos de personagens de jet set tão efémeros quanto os primeiros, em galas de duvidoso gosto.



O SIHH começaria a 27 de Março, permitindo que quem estivera em Basileia, como nós, rumasse depois para sul. (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Meditações - um daqueles dias de Março...