sábado, 7 de novembro de 2026
Portugal com eleições com horários antes e depois do sol posto...
O diploma é publicado na íntegra do Almanaque de O Mundo para 1914, de França Borges (arquivo Fernando Correia de Oliveira)
A Lei n.º 3, de 3 de julho de 1913 foi a principal norma da Primeira República para regular as eleições do Congresso (deputados e senadores) e dos corpos administrativos. Só os homens podiam votar. Alienados, falidos, vadios, indigentes, privados de direitos políticos, os que conspiraram contra a República ou os estrangeiros, ainda que naturalizados, estavam impedidos de o fazer.
Para uma História do Tempo em Portugal, o que nos interessa é que os horários do regulamento ainda referiam, para além da hora do relógio (as mesas de voto abriam às 09h00), "antes do sol posto" e "depois do sol posto" como parâmetros. No início do século XX, Portugal continuava a ser um país atavicamente rural, atrasado, com uma relação subjetiva e fluída com o Tempo. Tal como hoje...
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Os relógios Corum no Relógios & Canetas online
Meditações - relógio de sombra
Ao relógio de sol devia antes chamar-se relógio de sombra.
José Sesinando (Palla e Carmo)
sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Grande Prémio de Relojoaria 2026 - o júri
Os relógios Chopard no Relógios & Canetas online
quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Relógios & Canetas online Novembro - com a Patek Philippe, em Milão
Meditações . tempo para não pensar
Eu queria ter o tempo
e o sossego suficientes
Para não pensar em coisa nenhuma,
Para nem me sentir viver,
Para só saber de mim
nos olhos dos outros, reflectido.
Alberto Caeiro
Os relógios Chanel no Relógios & Canetas online
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Relógios e Canetas online Novembro - o fim da gama média?
Editorial
Zenith entra em profunda reestruturação
Sinal dos tempos – o CEO da Zenith desde 2024, Benoit de Clerck anunciou interna e externamente um profundo programa de restruturação, que implicará redução de produção e despedimentos.
Quando esse programa estiver complete, em 2029, produzirá menos relógios (atualmente, 8.500 por ano), reduzirá linhas e aumentará preços. Ou seja, faz aquilo que outras manufaturas já fizeram – trabalhar apenas no topo de gama, com edições reduzidas, garantindo exclusividade.
O responsável disse que o grupo dono da Zenith, o LVMH, irá procurar empregar os dispensados em outras marcas, como sejam Louis Vuitton, TAG Heuer, Hublot ou Bulgari (para as quais a Zenith fornece calibres). Calculam-se 200 despedimentos na sede, em Le Locle, e outros 100 espalhados pelo mundo. “A Zenith não pode continuar a perder dinheiro indefinidamente”, afirmou.
A competição no setor de gama média é onde se faz sentir mais a crise, com muitas marcas tradicionais a tentarem sobreviver aos smartwatches e às marcas de moda. Ao passar a definir-se como Alta Relojoaria, a Zenith passará a competir num mundo mais restrito – tipo Rolex, Audemars Piguet, Patek Philippe ou a miríade de marcas independentes que foram aparecendo nas últimas três décadas colocando-se, logo de início nesse extrato de baixa produção e preços muito elevados.
A indústria tem beneficiado de um programa do Estado, o RHT — Réduction de l’horaire de travail (redução das horas de trabalho), que compensa em 80 por cento o patrão pelos lucros perdidos em resultado dessa redução.
Um franco forte, as tarifas dos Estados Unidos, a redução de mercados no Médio Oriente e Ásia, as incertezas políticas globais, segundo observadores do setor citados por Rob Corder, do Watchpro, não são problemas temporários, mas antes uma mudança permanente do mercado mundial de relojoaria.
Meditações - metáfora relojoeira
É preciso prestar atenção à diferença muito grande que existe entre dizer que uma certa qualidade, modificação da alma, ou virtude, não é o motor que faz agir um governo e dizer que ela não se encontra neste governo. Se eu dissesse: tal roda, tal pino não são o motor deste relógio, se concluiria que eles não estão no relógio? Da mesma forma, as virtudes morais e cristãs estão tanto menos excluídas da monarquia quanto a própria virtude política não o está.
Montesquieu, O Espírito das Leis
Os relógios Cartier no Relógios & Canetas online
terça-feira, 3 de novembro de 2026
Relógios & Canetas online Novembro
Meditações - no meio do relógio...
Romance XIV ou da Chica da Silva
Que andor se atavia
naquela varanda?
É a Chica da Silva:
é a Chica-que-manda!
Cara cor da noite
olhos cor de estrela.
Vem gente de longe
para conhecê-la.
(Por baixo da cabeleira,
tinha a cabeça rapada
e até dizem que era feia.)
Vestida de tisso,
de raso e de holanda
- é a Chica da Silva:
- é a Chica-que-manda!
Escravas, mordomos
seguem, como um rio,
a dona do dono
do Serro do Frio.
(Doze negras em redor,
- como as horas, nos relógios.
Ela, no meio, era o sol!)
Um rio que, altiva,
dirige e comanda
a Chica da Silva,
a Chica-que-manda.
Esplendem as pedras
por todos os lados:
são flechas em selvas
de leões marchetados.
(Diamantes eram, sem jaça,
por mais que muitos quisessem
dizer que eram pedras falsas.)
Mil luzeiros chispam,
à flexão mais branda
da Chica da Silva
da Chica-que-manda!
E curvam-se, humildes,
fidalgos farfantes,
à luz dessa incrível
festa de diamantes.
(Olhava para os reinóis
e chamava-os “marotinhos”!
Que viu desprezo maior?)
Gira a noite gira,
dourada ciranda
da Chica da Silva,
da Chica-que-manda!
E em tanque de assombro
veleja o navio
da dona do dono
do Serro do Frio.
(Dez homens o tripulavam,
para que a negra entendesse
como andam barcos nas águas.)
Aonde o leva a brisa
sobre a vela panda?
- A Chica da Silva:
à Chica-que-manda.
A Vênus que afaga,
soberba e risonha
as luzentes vagas
do Jequitinhonha.
(À Rainha de Sabá,
num vinhedo de diamantes
poder-se-ia comparar.)
Nem Santa Ifigênia,
toda em festa acesa,
brilha mais que a negra,
na sua riqueza.
Contemplai, branquinhas,
na sua varanda,
a Chica da Silva,
a Chica-que-manda!
(Coisa igual nunca se viu.
Dom João Quinto, rei famoso,
não teve mulher assim!)
Cecília Meirelles - Romanceiro da Inconfidência
Os relógios Bulgari no Relógios & Canetas online
segunda-feira, 2 de novembro de 2026
Um colecionador de relógios de todas as espécies, épocas e procedências...
Meditações - horas guardadas pelos ponteiros
Romance LVI ou da arrematação dos bens do Alferes
Arrematai o machinho
castanho rosilho! Custa
10 mil-réis: o que o algebrista
lhe pôs na avaliação.
Ai! corta rios e espinhos,
e já nada mais o assusta:
Só ele sabe o que leva
na sua imaginação.
Arrematai as esporas,
com seu jogo de fivelas!
Pesam 39 oitavas
e uma pequena fração.
E ireis pelo mundo afora
aprumado em qualquer sela,
propalando a sanha brava
dessa história de traição.
Arrematai as navalhas
e a tabaqueira de chifre!
Neste corredor de trevas,
nossos passos aonde irão?
Feliz aquele que leve
um ponteiro que o decifre!
Arrematai-o! - Não falha,
este relógio marcão.
Arrematai, juntamente,
esta bolsinha dos ferros:
por menos de 3 cruzados,
ficareis tendo a ilusão
de, por entre escuma e berro,
arrancar os duros dentes
a qualquer monstro execrando
ou peçonhento dragão!
Arrematai, sobretudo,
este pobre canivete.
São 30 réis, 30, apenas...
E com que satisfação
aparareis vossa pena!
Quem sabe em que papéis mudos
ela, a correr, interprete
esta vã conspiração.
E este espelho, surpreendido
por não sentir mais a cara
de entusiasmo, dor e espanto
daquele homem de paixão?
Arrematai-o! Um gemido,
que antes nunca se escutara,
e turvas gotas de pranto
em sua lâmina estão.
Arrematai a fivela
da volta do pescocinho,
que para sempre recorda
definitiva aflição!
Pois estão marcados nela
o sítio certo e o caminho
por onde cutelo e cordas
cumprem sua obrigação.
Arrematai essas horas
guardadas pelos ponteiros,
arrancadas ao seu dono,
rogando consumação!
Interrogai-as, agora
que os reis tremem nos seus
e os antigos prisioneiros
de cinza e de glória são.
Cecília Meirelles - Romanceiro da Inconfidência




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