Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

A falar do Tempo na Universidade de Coimbra


Na próxima terça-feira, 3 de Março, estaremos na Universidade de Coimbra, para uma conferência sobre o Tempo, no âmbito das XXX Jornadas Transdisciplinares, organizadas pelo Núcleo de Estudantes de Psicologia, Ciências da Educação e Serviço Social.

Temas a abordar na intervenção de dia 3 de Março, a partir das 14h00:

Tempo local, regional, nacional, universal, global
Tempo religioso e laico
Tempo privado e colectivo
Tempo e Ciência – Física, Biologia, Micro-tecnologia
Tempo, Artes e Letras
Sociologia do Tempo – dos ciclos da Natureza ao Global Imediato
O Tempo Português

Coronavírus - cancelado Salão de Alta Relojoaria de Genebra Watches & Wonders


A notícia esperada, mas indesejada por todo um sector: a Fundação de Alta Relojoaria acaba de anunciar o cancelamento do evento Watches & Wonders, que deveria ter início a 25 de Abril, em Genebra.

Já antes, o Swatch Group tinha cancelado o seu evento Time to Move, marcado para o início de Março.

A expectativa está agora no que se vai passar com a Baselworld, que tem previsto abrir portas em Basileia, a 30 de Abril.

O comunicado da Fundação de Alta Relojoaria:

In view of the latest developments concerning the worldwide spread of the COVID-19 coronavirus, it is the Fondation de la Haute Horlogerie’s duty, as organizer of Watches & Wonders Geneva, to anticipate the potential risks that travels and important international gatherings could entail.

Therefore, in order to protect the health and wellbeing of all our guests, press, partners and teams, the decision has been taken to cancel the upcoming edition of Watches & Wonders Geneva (formerly known as the SIHH) and its ‘In the City’ program, initially due to take place in Geneva from April 25th to 29th 2020.

The Fondation de la Haute Horlogerie understands the disappointment this year’s cancelation may cause, and remains at the disposal of its partners and guests for any queries they may have. The FHH is already working on the organization of 2021 edition of Watches & Wonders Geneva.

Meditações - relojoaria nos tempos pós-modernos

Craftsmanship will remain; there will always be collectors, people in search of exceptional timepieces. But young people are more interested in emotions. One possible way forward would be to hybridise the tradition that underpins a brand with something more contemporary. A watch is one of the few objects to be connected to the person, to be in contact with their skin and sensations. It is the ultimate individual experience. The hybridisation of a traditional watch and digital technology opens up a wealth of possibilities. The potential applications are endless: music, health, activity tracking, contactless payment, etc.

Gilles Lipovetsky

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Memorabilia - saco, relógios e jóias Van Cleef & Arpels

Janela para o passado - Burroughs, 1948

Leilão de relógios de algibeira, 1846


in Diário do Governo de 14 de Janeiro de 1846 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Ephemera - a festa de 10 anos aos papéis


(Fotos Rui Serrano, Estação Cronográfica e Teresa Lage)

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou recentemente a Associação Cultural Ephemera, um projecto do historiador José Pacheco Pereira. Isto numa altura em que foi inaugurado no Barreiro um segundo armazém de tratamento dos materiais que vão chegando de todo o país.

Entre os Núcleos já criados, está o dedicado ao Tempo. Somos um dos voluntários a trabalhar no projecto, sendo o Curador dos Núcleos do Tempo e... da Gastronomia.

Quanto ao Tempo, reforçamos o apelo que já aqui fizemos. Não deite nada fora! Doe ao Ephemera.

Sem sermos exaustivos, e quanto ao Núcleo do Tempo, há interesse em:

Agendas
Almanaques
Calendários
Capas de livros, discos, etc (com relógios)
Catálogos e outro material das marcas relojoeiras
Fotos (com relógios)
Horários (de caminhos-de-ferro, barcos, etc., mas também de comunidades laicas ou religiosas)
Livros de gnomónica
Livros de relojoaria
Material sobre Congressos, seminários e outros eventos científicos sobre o Tempo
O Tempo na Biologia
O Tempo na Ficção (tipo A Máquina do Tempo, Volta ao Mundo em 80 Dias, Alice no País das Maravilhas, etc.)
O Tempo na Física
O Tempo na Pintura e Escultura
O Tempo na Poesia
O Tempo na Sociedade (tempos de luto, de jejum, de trabalho, de lazer, das redes sociais, sociologia do Tempo) O Tempo no Cinema
Postais (com relógios)
Publicidade (relacionada directamente com as marcas, mas a que usa também relógios, ampulhetas e outros conceitos de Tempo) Relógios mecânicos, de quartzo, de sol, clepsidras, ampulhetas
Revistas de relojoaria
Toda a documentação e memorabilia de marcas relojoeiras, ourivesarias, joalharias, relojoarias, incluindo material de montra descontinuado.


Foto de grupo, no Armazém 1, com Marcelo Rebelo de Sousa


Na rua onde se encontram os armazéns 1 e 2, no Parque Industrial Baía do Tejo. Com Maria Emília Brederode Santos, uma das doadoras do Ephemera


Depois de uma visita ao armazém 1, Marcelo Rebelo de Sousa dirigiu-se ao armazém 2, para a sua inauguração


Junto do grafitti pintado em frente do novo armazém, com George Orwell e uma citação dele: "Quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado". É tudo uma questão de memória e da sua preservação





Algum do material do Núcleo do Tempo que, à medida que vai chegando ao Barreiro, é separado, catalogado, arrumado e colocado online, disponível para consulta e investigação




Marcelo Rebelo de Sousa troca impressões junto ao Núcleo do Tempo




No meio de corredores carregados de material recolhido pelo Ephemera, José Pacheco Pereira, fundador do projecto, vai explicando tudo ao Presidente da República. Em baixo, Luís Pinheiro de Almeida, especialista em música Pop, é um dos Curadores e explica a Marcelo Rebelo de Sousa, seu colega na Faculdade de Direito, a área que coordena



Poster de Eduardo Aires alusivo aos 10 anos do Ephemera e aspecto dos corredores




Durante a inauguração do armazém 2, que contou também com a presença do General Ramalho Eanes, antigo Presidente da República



A Associaçao Cultiural Ephemera foi condecorada pelo Presidente da República como Membro Honorário da Ordem de Mérito

O Manifesto do Ephemera, de José pacheco Pereira, distribuído a 22 de Fevereiro, no evento de inauguração do armazém 2:

O Arquivo-Biblioteca Ephemera há dez anos que “anda aos papéis”. Tem mais de 200.000 títulos de livros e brochuras, dezenas de milhares de periódicos, vários milhares de cartazes, posters, imagens, faixas, outdoors, panos, cartazes artesanais de manifestações e de protesto, fotografias, milhares de objectos, centenas de milhares de panfletos, folhetos, tarjetas, etc., milhares de emblemas e pins, dezenas de milhares de autocolantes, mais de 6 quilómetros lineares de estantes e armários. Compreende um conjunto de espólios, colecções e acervos único pela sua dimensão e pela importância dos seus fundos, sendo, sem dúvida, o maior arquivo privado em Portugal e um dos maiores da Europa.

É uma colecção nacional e internacional com cerca de 100 países representados, embora este número, nalguns casos, seja pouco mais do que um pin. Mas há boas colecções de Espanha, da Irlanda, do Brasil, dos PALOP, etc. e, dado que não existe paralelo em arquivos nacionais, é o único sítio onde, por exemplo, um estudioso da propaganda política pode encontrar cartazes eleitorais do Irão ou da Colômbia, de Angola ou da Noruega. Tudo isto se encontra em seis casas adaptadas e um armazém na Vila da Marmeleira, dois armazéns no Barreiro e mais depósitos nos nossos locais de recolha. Neste momento, há postos de recolha em Viana do Castelo, Porto, Lamego, Guarda, Coimbra, Figueira da Foz, Santarém, Lisboa, Barreiro, Lagoa, e nos próximos meses abrirão Viseu, Portalegre, Leiria, Braga. Há dois locais de recolha fora de Portugal, no Luxemburgo e em Luanda, em Angola.

O impacto público do Arquivo é considerável. Estão publicadas online mais de 24.000 pastas de documentação, com mais de 100.000 imagens e textos, quer no blogue e no site Ephemera, quer na página do Facebook que divulga as publicações e as actividades do arquivo, quer no canal do YouTube (311 vídeos). Nas redes sociais há quase 15.000 seguidores (cerca de 10.023 no facebook + 4.941 no twitter), e mais de 4.000.000 visitas ao blogue. Os filmes produzidos em colaboração com a TVI24, de que já foram exibidos 45 episódios, têm boas audiências. Exposições organizadas pelo Arquivo tiveram milhares de visitantes, em Viana do Castelo, Porto, Óbidos, Coimbra, Lamego, Ponte de Sor, Torres Vedras, Barreiro, Lagoa, Condeixa, Lisboa, Barreiro, etc. Vários livros, artigos e trabalhos académicos usaram materiais do Arquivo, no qual estão a decorrer actualmente várias investigações. Artigos e reportagens na imprensa portuguesa e espanhola foram feitos sobre o Arquivo e os seus fundos. Em colaboração com a editora Tinta da China existe uma colecção gerida pelo Arquivo com sete livros publicados, e estão editados três Cadernos do Ephemera, com edição da Associação Cultural Ephemera.

O arquivo é gerido pela Associação Cultural Ephemera, uma associação cultural sem fins lucrativos fundada em 2017, à qual foi reconhecida a utilidade pública em 2019. A Associação tem hoje cerca de 300 associados. Foram assinados protocolos de colaboração com o Museu de Lamego, a Câmara Municipal do Barreiro, a Baía do Tejo, a Direção-Geral do Património Cultural (relativamente ao Museu Nacional Resistência e Liberdade), e outros estão em fase de assinatura.

O Arquivo tem uma prioridade: salvar, salvar, salvar tudo o que faz parte da nossa memória colectiva. Depois de salvar há que conservar, organizar, inventariar, disponibilizar, investigar, publicar. Toda esta sequência é importante, mas primeiro há que salvar e, embora não pareça, nem sempre esta é a prioridade noutros arquivos. Acreditamos que, aconteça o que acontecer, salvo a peste, a fome e a guerra, o que cá entra está mais seguro do que o que fica em casa, que o interesse ou a falta dele, os recursos ou a falta deles, a morte, os divórcios, as mudanças de casa, ou os dias de destruição colectiva como as segundas-feiras depois das eleições, ajudam a eliminar. E todos os dias milhares de fragmentos da nossa memória colectiva desparecem, cartas, fotos, papéis, manuscritos, objectos, cartazes. Daí uma política activa de recolhas, assente numa pedagogia da memória (que compreende os programas de televisão, artigos, palestras, exposições, etc.), numa rede fina de recolhas por todo o país e fora dele, e na acção dos voluntários assente no lema “não deite nada fora”. Não se preocupem, nós, se for caso disso, deitamos.

O Arquivo é omnívoro, come de tudo. Compreendemos que tal não possa ser feito pelos grandes arquivos, que têm que ser selectivos, mas a nossa experiência diz-nos que surge sempre alguma coisa de único no que recebemos, mesmo que se perca mais tempo na triagem. Foi assim que encontrámos uma fotografia original de Camilo Pessanha, um diário de uma herança, uma humilde carta de amor, milhares e milhares de “cunhas”, uma gravação feita às escondidas de uma reunião importante, ou uma pilha de manuscritos escondidos da Pide dentro de jornais. Sabemos que seria loucura pensar que podíamos ter tudo, mas tentamos. É, digamos, uma forma mais mansa de loucura. É uma humana forma de lutar contra o esquecimento, ou seja, a morte.

O Arquivo é holístico, não é parcial e disperso, mesmo que pareça sê-lo. Comunica com uma biblioteca e uma espécie de museu, ao estilo da “rapid response collection” do Museu Victoria e Alberto. São coerentes entre si e servem-se um ao outro. Do comunicado à lona de um outdoor, à fotografia de uma acção de rua, ao vídeo de uma intervenção, ao “brinde” eleitoral, podemos construir o contínuo de imagens, textos, acções, de que se faz a intervenção activista na sociedade, a ecologia do protesto ou, mais prosaicamente, e a vida quotidiana das pessoas.

O Arquivo é patrimonial, físico, biológico, analógico. Parte é também digital, mas é a materialidade das coisas que consideramos mais importante, mais conforme com os nossos sentidos e até, em muitos casos, mais duradouro. Vive do papel, do cartão, do tecido, da lona, do barro, do metal, antes, durante e depois dos electrões. O Arquivo faz parte de uma “cultura do papel”, que não vive da nostalgia, nem das saudades do pó dos livros ou do cheiro do papel, nem se afirma melhor do que a cultura digital. Afirma-se diferente. E nas suas diferenças é, às vezes, único e, para certas tarefas humanas, melhor.

O Arquivo não compete com outros arquivos, nem com nenhuma outra iniciativa ou instituição do mesmo género. Quando nos perguntam o que fazer a um espólio ou acervo, explicamos as vantagens e inconvenientes de o entregar a um outro arquivo ou ao nosso. Quando temos colecções que completam as de um outro arquivo, estamos sempre disponíveis para as trabalhar ou disponibilizar em conjunto. A tarefa de fazer uma rede da memória é colectiva e ganha com a diversidade de olhares e experiências.

O Arquivo pertence àquilo a que se chama “sociedade civil”. É autónomo, independente, e pertence aos que nele trabalham e à Associação que o gere. Não temos o fetichismo do público como a melhor forma de salvaguardar o património colectivo. Conhecemos bem demais muitas instituições públicas que, por falta de recursos ou de dinamismo, estão efectivamente mortas e que custam muito dinheiro a manter. O Arquivo funciona melhor, salva mais, organiza mais, inventaria mais, publica mais do que muitos arquivos públicos com orçamentos cem vezes maiores. Fazemos coisas que ninguém faz, nem ninguém conseguiria fazer. Um exemplo, foi o acompanhamento das eleições autárquicas de 2017 em que cerca de 1600 campanhas locais foram objecto de recolha a nível nacional. Mesmo assim, é pouco mais de metade.

O Arquivo tem uma identidade própria e, por isso, entendemos que é errada a excessiva centralização de todo o património da memória num só arquivo, perdendo-se muitas vezes a identidade da sua fundação, do seu fundador, dos seus fundos, do estilo dos que nele trabalham, e do olhar que transportam sobre a memória. Não há dois olhares iguais, não se dá a importância às mesmas coisas, não se guardam as mesmas coisas.

O Arquivo vive dos grandes e dos pequenos, dos principais e dos secundários, nada do que é humano nos é alheio. Por isso tem espólios relevantes para a história portuguesa (Sá Carneiro, Sousa e Castro, Vitor Crespo, Nuno Rodrigues dos Santos, Hattenberger Rosa, colecção da Direita Radical, revista Mundo da Canção, José Fonseca e Costa, movimento estudantil, vários sindicatos, Pedro Ramos de Almeida, comandante Covas, etc.) e uma correspondência amorosa entre uma costureira e um empregado de escritório, ou os papéis de personagens secundárias da ditadura. A nossa experiência mostra que muitas personagens tidas como secundárias são muito mais importantes do que o que parecem.

O Arquivo é sustentável. Sustentável para que não nos aconteça o que aconteceu a outros, criando-se uma desconfiança sobre os arquivos privados e o seu papel diferenciado dos arquivos públicos. Vive das contribuições dos seus associados, neste momento cerca de 300, e é uma regra básica para nós nunca gastarmos para além dos recursos que temos, nem termos despesas fixas acima das nossas possibilidades. Por isso, quem quiser ajudar-nos, pode e deve associar-se e pagar uma quota conforme as suas possibilidades.

O Arquivo é o resultado de uma actividade de amadores, com todas as vantagens e inconvenientes dessa circunstância. Por isso é visto com alguma compreensível desconfiança por parte de alguns profissionais, uns de boa-fé, outros que estão à frente de arquivos mais mortos do que uma múmia e que se ressentem do nosso dinamismo. Não cumprimos todos os standards e as melhores práticas, por falta de conhecimento e de recursos. Mas estamos a aprender depressa, e muito do que fazemos já tem em conta as regras arquivísticas. Por exemplo, temos práticas de conservação bastante eficazes, controlo da temperatura e humidade relativa, controle de pragas, etc. Digitalizamos com a resolução recomendada para os arquivos, e as nossas bases de dados são feitas de modo a serem exportadas para software mais profissional, sem se perder o trabalho anterior. Seguimos as regras de prudência, confidencialidade e protecção de dados, quando tal se justifica. Mas não nos consideramos peados pela regulação burocrática europeia, com enormes absurdos, por exemplo, quanto aos direitos de autor, o que está a permitir a algumas firmas rapaces registarem milhares de documentos, anúncios, imagens, etc., como sendo suas, e que assim passam de “órfãos” a terem uns “pais” que fazem negócio com o registo de paternidade. Não as seguimos porque não concordamos com elas e porque prejudicam, e muito, a divulgação pública, por exemplo, na Internet, de informação de interesse público. E vamos evoluir, quer do ponto de vista da organização do que temos e do que vamos recebendo, quer do ponto de vista tecnológico, sempre com a ajuda e contributo dos nossos amigos. Possuímos já uma pequena estrutura administrativa, um embrião de departamento editorial, uma pequena equipa que prepara exposições, voluntários tendencialmente responsáveis por áreas, como a música, a fotografia, a arte, a literatura, o desporto, o “tempo”, a gastronomia, ou espólios concretos, uma eficiente logística que se ocupa das recolhas, das arrumações, das compras, etc, etc

O Arquivo vive dos seus voluntários, a sua força e capacidade de realização vem dos cerca de 150 mulheres e homens, em todo o país e não só, pois temos os nossos fiéis amigos Espanhóis, Irlandeses e portugueses a viverem nos mais diversos países, que dedicam parte do seu tempo e esforço a recolher papéis, a salvar espólios, a fotografar campanhas, a ir a manifestações, a registar tudo, a inventariar documentos, a digitalizar, a fazer trabalho físico, como se diz no cartaz, “se acha que o trabalho intelectual é leve, venha trabalhar connosco”. Nem sempre é fácil, há quem não queira ser fotografado mesmo estando numa manifestação pública, há quem fique desagradado pelo que documentamos do “interior” da acção política, há quem ache que um Arquivo desta natureza deve ter anátemas e censuras, - por exemplo, não recolher elementos sobre a direita radical -, há quem corra riscos para mostrar o que está acontecer. Por exemplo, suportar o gaz lacrimogénio e as cargas da polícia para mostrar como são as manifestações dos Gilets Jaunes em Paris.

O Arquivo não depende das circunstâncias da sua formação, nem da vida do seu fundador. É hoje um trabalho de uma equipa completamente capaz de lhe dar continuidade. E tem plano B. E, se for preciso, tem plano C. No entanto, precisa de ter um enquadramento institucional que em Portugal não existe, nem em muitos países europeus, mas que existe na tradição anglo-saxónica. Precisa de uma nova lei que compatibilize a solidez patrimonial das fundações com a flexibilidade das associações culturais sem fins lucrativos, que permita manter o património seguro e usar a grande força do trabalho voluntário e da dedicação pro bono. Precisa também de uma lei das fundações que não seja feita a pensar no fisco, nem nas grandes fundações, mas seja amigável com as pequenas e médias que estão em extinção. E que efectivamente puna as fundações fraudulentas que estão a ocupar indevidamente o espaço cívico de quem está a dar a todos aquilo que era privado. Precisa, naturalmente, de mais recursos, e, para isso, conta com as contribuições dos associados.

Por tudo isto, mais do que um arquivo e uma biblioteca, o EPHEMERA é um movimento, um movimento pela memória, logo, um movimento pela democracia.

Sejam bem-vindos ao EPHEMERA e obrigado.

Quaresma


(arquivo Fernando Correia de Oliveira)


Meditações - luxo e relojoaria

Let's talk first about how luxury in general has changed, with the advent of "hypermodern luxury". For a long time, luxury centered on an object, a rare and expensive product intended as a badge of social status. Then, parallel to this, a different form of luxury appeared. This "emotional luxury" or "experiential luxury" is no longer about claiming social distinction; it originates in the desire for emotional benefits. Fine watchmaking seems to me to fall outside this logic because of the product's technical focus, through its complications and the high level of technical skills. The emotional dimension is expressed through craftsmanship. Growing demand for emotional experiences on the one hand and the development of new technologies on the other has transformed the status quo, and this should take us down new paths.

Gilles Lipovetsky

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Memorabilia - porta-cartões e porta-chaves, relógios Baume & Mercier

Os relógios Glashütte Original no Relógios & Canetas online


Estes e outros milhares de relógios mostrados e explicados aquiaqui ou aqui, no Relógios & Canetas online, a mais importante plataforma do seu género em língua portuguesa.

Janela para o passado - brilhantina Glostora, 1948

Leilão de relógios e brilhantes, 1846


in Diário do Governo de 13 de Janeiro de 1846 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Conjuntura antes do coronavírus - exportações suíças de relojoaria começam bem o ano


Ainda antes do impacto do coronavírus, mas já assumindo a quebra no seu até há pouco principal mercado de destino, Hong Kong - as exportações relojoeiras helvéticas registaram em Janeiro um aumento de 9,4 por cento em valor, face ao mesmo mês de 2019-

Quanto ao número de relógios, ele continua a diminuir. Neste mês registou-se uma quebra de 4,8 por cento face a Janeiro do ano passado.

Os relógios com preço de exportação superior a 500 francos tiveram forte alta nesse período, tanto em valor como em quantidade. Abaixo disso, as outras categorias continuam a senda da queda, especialmente nos relógios com preço abaixo dos 200 francos.

A maior parte dos mercados teve comportametnto positivo - antes de se fazer sentir o efeito do coronavírus. Em valor, Estados Unidos (+15,2%), China (+6,9%), Japão (+14,9%), Singapura (+23,1%) ou Coreia do Sul (+41,1%) demonstram isso. Quanto a Hong Kong (-25,0%) teve em Janeiro p seu quarto mês consecutivo de quebra acentuada. O Reino Unido (-13,9%), primeiro mercado europeu, também quebrou acentuadamente. Quanto a Portugal, 24º destino dos relógios suíços, quebrou em Janeiro 2 por cento.

Carnaval de há 70 e mais anos em Lisboa


in Revista Almanaque, Março de 1960 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)


Meditações - Carnaval dos tristes


Ramalho Ortigão

Meditações - o escoar da areia

He wiped his forehead, took the ninety-second sandglass from his pack and placed it on the ... then stopped, thinking hard while the sand slowly trickled through the glass. ... who will no more enjoy the simple pleasures of relentless toil, nor the buzz of ... Courtland put down his tea and picked up a stopwatch and clipboard.

Jasper Fforde, in Shades of Grey

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Memorabilia - saco, relógios Chronoswiss

Os relógios Casio no Relógios & Canetas online


Estes e outros milhares de relógios mostrados e explicados aquiaqui ou aqui, no Relógios & Canetas online, a mais importante plataforma do seu género em língua portuguesa.

Janela para o passado - Fábrica mecânica de chapéus de pelo e palha, 1931

Direitos alfandegários de relógios, 1861


Proposta de alteração à Pauta Geral das Alfândegas, in Diário do Governo de 12 de Janeiro de 1861 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Watches & Wonders 2020 - relógios Laurent Ferrier convidam

Citizen ausente da Baselworld 2020 - crise do coronavírus responsável pela decisão


Devido à crise do Coronavírus, a Citizen decidiu não estar presente na Baselworld 2020, que deverá ter início no final de Abril.

Depois da decisão da Seiko e da Casio de abandonarem o salão - por razões diferentes (data demasiado tardia) - a Citizen é a última grande marca nipónica a ausentar-se daquela que já foi a maior feira de relojoaria do mundo.

Além da Citizen, o grupo tem as marcas Bulova (que também estará ausente), e Frederique Constant, Alpina e Ateliers deMonaco (com posiçáo ainda não definida).

Antes da Baselworld, a 25 de Abril, deverá começar o salão de Genebra, agora chamado Watches & Wonders. Mas, com a crise do coronavírus a adensar-se, a situação poderá levar ao seu cancelamento.

O Carnaval de outros tempos


in Ronda da História, 1958 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)


Meditações - The relentlessness of the chronometer versus the sandglass's slow trickle

In an age that urges us to share our lives on social media, we are bombarded by images from all sides. The sheer mass of information, the speed at which content comes and goes, creates pressure to be immediately visible, instantly heard – whether we are an influencer, a brand, even an anonymous individual. Belonging to a category, the more distinct the better, has become a way of proclaiming who we are. A manifesto of the self. And so the world is divided into categories. Distinctive, radical categories. Opposites coexist, the middle ground is shrinking, two sides are emerging. On one, a vision that embraces the flux of modernity, champions militancy, experience at all cost and virtual communities; an outlook that invents new modes of consumption, and thrives on technology and hyperconnectivity. On the other, a longing to slow the hands on the clock, to take a step back and create a context for reflection and introspection, to re-engage with people and rediscover the materiality of things, inviting us to simply switch off for a while. The relentlessness of the chronometer versus the sandglass's slow trickle. What does this new deal tell us? That individuality is no longer a form of marginalisation. That we have the right, the duty even, to stand out from the crowd. We only need dare! Dare! Dare to express your personality, dare to show what sets you apart. Free yourself by daring! Believe in the power of daring to reinvent a changing world. Choose how you want to live your life. And the watch that goes with it, of course...

Gilles Lipovetsky

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Os relógios Carl F. Bucherer no Relógios & Canetas online


Estes e outros milhares de relógios mostrados e explicados aquiaqui ou aqui, no Relógios & Canetas online, a mais importante plataforma do seu género em língua portuguesa.