Reportagem na China, sobre os novos tempos (de então) em matéria de costumes. Revista dominical do PÚBLICO, 28 de Maio de 1995
domingo, 6 de julho de 2025
Em Barcelona, com os relógios Garmin e o novo Venu X1
Meditações - o tsunami do tempo
PARADO NO TEMPO
Parado no tempo como um relógio fosse no qual a corda acabou.
Pararam os ponteiros das horas dos minutos e os dos segundos cambalearam um pouco mais até à paragem total.
Assim estava ele, parado no tempo, no tempo de que tinha saudades.
Dum mundo inteiro, do seu mundo inteiro que ainda nada tinha sido quebrado.
Aos poucos os elos da cadeia, da cadeia desse seu mundo foram-se quebrando.
Chorou por cada elo que se quebrou.
Uns com maior dor outros não tanto, não porque não lhe doesse do mesmo modo, apenas porque a sua consciência era ainda infantil quando os elos se começaram a quebrar.
E, à medida que o tempo não parava os elos quebrados doíam-lhe mais, muito mais.
Chorou, chorou alto, verteu lágrimas como elas pudessem ser a soldadura dos elos que se quebraram e a corrente fosse novamente una.
Foi como se lhe tivessem a tirar todos os continentes do seu mundo, um a um, agora restava ele, uma pequena ilha rodeada por um oceano medonho, sem qualquer protecção, nem que restasse uma pequena boia para não se afogar quando fosse levado por uma qualquer onda imensa.
Sabia que os elos não voltarão nunca mais, talvez por isso, decidiu parar no tempo para retomar a lembrança do seu mundo inteiro.
Um mundo inteiro que não foi impresso num Mapa-Múndi apenas no Mapa-Múndii da sua memória.
Um dia também irá navegar para fora da corrente, quando o seu elo se quebrar e sabe que não mais voltará.
E no meio do oceano, a sua ilha desaparecerá engolida pelo tsunami do tempo.
J. Magalhães 05.Junho.2023
sábado, 5 de julho de 2025
Os relógios Reservoir no Relógios & Canetas online
Martinho Rodrigues, relojoeiro em Tomar, 1670
Data de 6 de Outubro de 1670 uma carta de Martinho Rodrigues, relojoeiro da vila de Tomar, para a sua filha.
(Arquivo Nacional da Torre do Tombo)
Janela para o passado - há 210 anos - Procissão do Desacato
Sketches of Portuguese Life, Manners, Costume and Character, assinado "A.P.D.G.", 1826
Após o episódio que ficaria conhecido como o "desacato de Santa Engrácia", ato de profanação da Igreja de Santa Engrácia em Lisboa, que sucedeu na noite de 15 de Janeiro de 1630 com o arrombamento do sacrário, roubo da custódia e hóstias consagradas que aí se conservavam, bem como a vandalização de objetos litúrgicos e cultuais, sucederam-se os atos públicos e particulares de desagravo e reparação pelo sacrilégio cometido, nomeadamente uma procissão anual. Veja aqui. Sobre "desacatos", veja ainda aqui.
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Parabéns, Tenzin Gyatso!
Jetsun Jamphel Ngawang Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso faz
amanhã 90 anos. Anteriormente, chamava-se Lhamo Thondup, e é conhecido como
Gyalwa Rinpoche entre o povo tibetano. Trata-se como já perceberam, do 14.º
Dalai Lama.
Ele é a mais alta
figura espiritual do budismo tibetano e, até 1959, quando liderou uma revolta
fracassada contra o ocupante chinês, era o Chefe do Estado daquele território,
nos Himalaias.
Hoje, o Dalai Lama vive no norte da Índia, em Dharamshala.
Em 2011, abandonou voluntariamente as funções laicas no Governo tibetano no
exílio e apadrinhou uma reforma democrática, desde então sob a liderança da Administração
Central Tibetana.
Fomos o primeiro jornalista português a entrevista-lo para o
PÚBLICO, em Barcelona, nos anos 1980. Prémio Nobel da Paz em 1989, o Dalai Lama
viria a Portugal, em 2001, para participar num encontro inter-religioso, em
Fátima. Mas tratava-se de uma visita particular e não de Estado, por receio de
Lisboa em criar um incidente com a República Popular da China.
Na entrevista em Barcelona, encontrámos um homem de voz
grave e forte, falando um inglês perfeito e decidido, cumprimentando com um
aperto de mão forte. Algo inesperado para quem é um “oceano de sabedoria” (é
essa a tradução de Dalai Lama) e vive mais o tempo espiritual que o terreno.
Aquando do encontro em Barcelona, oferecemos ao Dalai Lama uma edição francesa das cartas que jesuítas portugueses escreveram quando chegaram ao Tibete - Les Portugais Au Tibet ; Les Premières Relations Jésuites (1624-1635). Em 1624, dois padres jesuítas portugueses, António de Andrade e Manuel Marques, foram os primeiros ocidentais a chegar ao Tibete, quando no poder estava o 5º Dalai Lama.
Recentemente, Tenzin Gyatso disse que, quando morrer, reencarnará no próximo Dalai Lama, segundo a teoria budista tibetana, e que o escolhido aparecerá fora da China.
Duas citações do Dalai Lama de que gostamos particularmente:
Só existem dois dias no ano em que você não pode fazer nada
pela sua vida: Ontem e Amanhã.
Os homens. Perdem a saúde para acumular dinheiro, depois
perdem o dinheiro para encontrar a saúde. Pensando ansiosamente no futuro,
esquecem de tal maneira o presente que acabam por não viver nem o presente nem
o futuro. Vivem como se jamais fossem morrer... E morrem como se nunca tivessem
vivido.
Meditações - o ontem, o hoje e a fotografia
"Com a invenção da fotografia digital, o ontem e o hoje começaram a coexistir com uma intensidade inédita: é como se o tubo de despejo do lixo num prédio deixasse de funcionar e todos os resíduos do dia-a-dia ficassem em casa para sempre. Não é preciso poupar a película, é só carregar no botão, e mesmo o que se apaga é passível de ser guardado na memória remota do computador. Para o esquecimento (este símio da não existência) surgiu um irmão gémeo - a memória morta do 'hard disk'. Se folhearmos o álbum da família com amor, há nele pouca coisa: apenas 'o que se conservou'. Mas o que se com o álbum onde foi guardado tudo sem exclusão, todo o volume incomensurável do passado? Na meta que a fotografia pretende alcançar, o volume da vida fixada equivale à sua extensão real; não existe fim para a escrita, só não há quem a leia."
Maria Stepánova, Memória da memória, Relógio D'Água, (2022) p.63.
sexta-feira, 4 de julho de 2025
Os relógios Pilo & Co. no Relógios & Canetas online
Fernão Gonçalves, relojoeiro e trombeta, Braga, 1595
Data de 16 de Março de 1595 a Provisão de trombeta na Sé Primaz de Braga, a favor de Domingos Goncalves, genro de Fernão Goncalves, relojoeiro e trombeta.
(Arquivo Distrital de Braga)
Sobre o cargo de Trombeta, ver aqui.
https://guerradarestauracao.wordpress.com/2008/05/12/o-trombeta/
Descontos na rede Solares de Portugal
Meditações - O tempo passado e o tempo futuro
O tempo presente e o tempo passado
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro
E o tempo futuro contido no tempo passado
Se todo o tempo é eternamente presente
Todo o tempo é irredimível
O que podia ter sido é uma abstração
Permanecendo possibilidade perpétua
Apenas num mundo de especulação
O que podia ter sido e o que não foi
Tendem para um só fim, que é sempre presente
Ecoam passos na memória
Ao longo do corredor que não seguimos
Em direcção à porta que nunca abrimos
Para o roseiral.
As minhas palavras ecoam
Assim, no teu espírito...
Mas para quê
Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa?
Não sei.
Vai, vai, vai, disse a ave;
O género humano não pode suportar muita realidade.
O tempo passado e o tempo futuro
O que podia ter sido e o que foi
Tendem para um fim, que é sempre presente.
T.S. Eliot
quinta-feira, 3 de julho de 2025
Os relógios Piaget no Relógios & Canetas online
Orfãos de Fernão Gonçalves, relojoeiro de Braga, 1597
Data de 6 de Setembro de 1597 a Carta de Emancipação a favor de Francisco, órfão de Fernão Goncalves, relojoeiro, que foi morador na cidade de Braga, e de Isabel Lopes.
Data de 6 de Setembro de 1597 a Carta de Emancipação a favor
de Maria, órfã de Fernão Goncalves, relojoeiro, que foi morador em Braga.
(Arquivo Municipal de Braga)
O maior produtor de conteúdos em língua portuguesa do sector
Meditações - amarrar o tempo
O POETA QUE QUERIA AGARRAR O TEMPO
Tinha imensos, imensos livros de poesia que queria escrever.
Sentia, no entanto, que não tinha tempo para.
O tempo corria, corria e ele incapaz de o acompanhar na ânsia de escrever os poemas.
Cada vez estava mais desesperado a ver o tempo a passar e os poemas não escritos
Um dia lembrou-se de agarrar o tempo.
Foi a uma cordoaria, comprou uma corda enorme, deu uma laçada e atirou-a ao tempo.
E o tempo ficou preso na corda, na laçada.
Apanhado de surpresa o tempo parou.
E o poeta esfregou as mãos de contente.
“Agora vou poder escrever os meus poemas com tempo”.
Só que ele não sabia que o tempo tinha de correr para se manter jovem.
O tempo parado, enlaçado, começou a envelhecer e tudo o que vivia do tempo parou, mirrou e envelheceu.
Os poemas já não eram poemas eram apenas manuscritos ilegíveis
amarelecidos pelo tempo parado.
Então o poeta percebeu que não se podia amarrar o tempo, o tempo tinha o seu ritmo e se ele parasse tudo parava à sua volta.
Desamarrou o tempo e deixou-o ir na sua correria louca.
Nunca conseguiu escrever todos os poemas que queria.
O tempo ultrapassou-o.
quarta-feira, 2 de julho de 2025
Os relógios Perrelet no Relógios & Canetas online
Memorabilia - etiquetas de mala, relógios Breitling
Relógios - O Campeonato dos Pequenos
O Campeonato dos Pequenos
Estão na categoria dos “pequenos independentes”, fabricam na
sua maio menos de mil relógios por ano. E alguns, nem sequer chegam à centena.
Mas estão cada vez mais presentes nas escolhas do consumidor esclarecido, face
ao atrevimento, imaginação e criatividade nas peças que produzam. Fruto da
dedicação de mestres relojoeiros, uns mais jovens, outros já veteranos, cada
uma das peças tem “assinatura”, é facilmente reconhecível o seu autor.
O mundo das pequenas marcas independentes sempre existiu,
mas desde 2020 que a procura tem sido superior à registada no sector relojoeiro
no seu conjunto. Acaba de sair o primeiro relatório alguma vez feito a este
subsector, abrangendo 81 marcas (47 por cento com sede na Suíça), estando
representados 13 países.
O Independent Watchmaking Report 2025, produzido pela
newsletter Fourth Wheel, revela que a disposição no seio dos pequenos
independentes é muito optimistas, mais do que é o sentimento generalizado na
indústria, mergulhadas nas incertezas das guerras militares e comerciais.
Assim, 64% dos inquiridos venderam mais relógios em 2024 do
que em 2023. E 90% espera manter ou aumentar os resultados em 2025. Tal a
procura, 66% sofreram atrasos no fornecimento de peças. E 55% falam do aumento
dos custos. Mas a principal preocupação é mesmo o vendaval de incerteza
provocado por Donald Trump.
Outros números: 36% estão abertos ou mesmo à procura de
investimento de terceiros e 29% já opera ou tenciona operar no mercado de
relógios usados.
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Meditações - instante
Às vezes podemos passar anos sem realmente viver, e de repente toda a nossa vida se concentra em um só instante













































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