Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

sábado, 5 de setembro de 2026

Meditações - o Tempo, esse antigo relojoeiro do cosmos, vira lentamente as páginas do Universo.

A Biblioteca das Constelações


Dizem

que há livros esquecidos

sobre a Terra.

Não é verdade.

Quando a última mão

fecha um poema,

uma estrela

abre-o no céu.

As constelações

não servem apenas

para orientar navegadores.

São estantes luminosas

onde repousam

os versos

que os homens deixaram de ler.

A Via Láctea

é uma biblioteca infinita.

Cada galáxia

guarda a respiração

de um poeta.

Cada cometa

transporta um manuscrito

à procura

de um novo leitor.

A Lua

lê em voz baixa

os poemas órfãos.

Saturno

protege-os

com os seus anéis,

como um velho bibliotecário

que nunca permite

que uma página

se perca.

As nebulosas

copiam versos

com tinta de estrelas.

Os buracos negros

não devoram a poesia.

Escondem-na

até que a humanidade

volte a merecê-la.

E o Tempo,

esse antigo relojoeiro do cosmos,

vira lentamente

as páginas

do Universo.

Foi então

que compreendi:

nenhum poeta

é esquecido.

Apenas muda

de planeta.

Apenas muda

de leitor.

Porque enquanto existir

uma estrela acesa,

haverá um verso

a iluminar

a eternidade.

✓Nota de Autor

Este poema nasce da convicção de que a poesia não desaparece com o esquecimento humano. O Universo é apresentado como a grande biblioteca da memória, onde cada poeta continua vivo através da luz, do tempo e das estrelas. Esquecer um poeta é apenas deixá-lo viajar para outra dimensão, onde a palavra permanece eterna.

— Jorge Moreira

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