O velho relógio
O relógio está parado sobre a mesa.
É um relógio muito antigo, A. Rosskopf & Cie. Patent,
foi do meu avô, e antes foi do pai dele, meu bisavô.
Eu o usei por uns tempos, uns meses.
Ele tem na traseira o mecanismo dourado à mostra.
Era protegido por um vidro, que foi quebrado numa limpeza
por um relojoeiro descuidado.
Desde então eu não o usei mais.
Descansa às vezes entre os meus livros
como se os guardasse, com cuidado amoroso.
É como se a poesia dormisse com o seu mecanismo.
O tempo parou para o meu velho relógio.
O tempo nem existe mais.
É como se o velho relógio sorrisse para o tempo vencido.
José C. Brandão – junho/2022
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