“Hoje é o aniversário da morte de Ernst Jünger, uma das minha referências maiores, e decidi recordá-lo com uma fotografia extraordinária de Stefan Moses, tirada em 1996, que capta o escritor alemão, já centenário, mostrando a sua colecção de ampulhetas. De tal forma esta imagem me cativou, que comprei o respectivo postal quando visitei a sua casa em Wilflingen, há uns quantos anos.
A propósito, aproveitei para reler algumas passagens de 𝐷𝑎𝑠
𝑆𝑎𝑛𝑑𝑢ℎ𝑟𝑏𝑢𝑐ℎ,
publicado em 1957, onde escreveu que «entre todos os relógios, a ampulheta foi
escolhida para simbolizar a soberania da morte e do tempo». Para Jünger, «todas
as formas de medir o tempo são necessariamente séries que conduzem ao nada e à
sombra, são de natureza devoradora. Todos os relógios param, todos os ponteiros
caem, todos os sinos são reduzidos ao silêncio. Mas é sobretudo quando medimos
o tempo com areia que a sua passagem adquire uma força simbólica particular,
enquanto a substância terrestre escorre e se desgasta o invólucro temporal de
que somos feitos. O pó volta ao pó, areia, terra, cinza que atiramos à
sepultura, para uma última saudação. Quando vemos escorrer o punhado de areia
vermelha no seu frágil invólucro, descobrimos as delícias da fugacidade e a
fugacidade de nossas delícias. E os nossos pensamentos não podem deixar de
despertar e partir em busca do imperecível».
Duarte Branquinho, citando Ernst Jünger, no Facebook

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