Sempre achei que tinha o tempo todo. Que desperdiçando-o ou não ele jamais me faltaria. Estava numa reunião em que as pessoas se repetiam para se ouvirem… E, depois? Nada a opor; eu tinha o tempo todo. Afinal, o encontro das dez será, só, entre as onze e o meio dia?… Nada a opor. Encontrarei uma forma de matar o tempo. Ou, quando muito, um passatempo. Porque eu tinha o tempo todo. E isso não dá lugar ao desperdício.
No entretanto, há alturas em que se ganha tempo. E isso regista-se. E faz diferença, até. Mas são maiores as perdas de tempo do que o tempo que ganhamos ao tempo. Aquelas com que, de desperdício em desperdício, o desbaratamos, o tentamos iludir ou que ele nos foge, simplesmente. Aceitar o tempo talvez seja aquilo que faz com que se comece a viver. Acabamos a perceber o tempo depois de o termos perdido muitas vezes.
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