Não, não é surpreendente
que um minuto dure horas.
E horas passem de repente.
A Sonotone Corporation tem as suas raízes em 1929, quando o
emigrante alemão Hugo Lieber, químico de formação, se interessou pelos
problemas de audição e a fundou, em Nova Iorque. Encerrou em 2005, mas o ramo
português continua.
Quanto à Casa Sonotone, foi fundada em 1935 por Raúl Augusto
dos Santos, a primeira casa a vender aparelhos auditivos em Portugal. Contactou
a empresa mãe nos Estados Unidos, e passou a representá-la em Lisboa. A empresa
continua nas mãos da família, na sua quarta geração.
O nome oficial do Campeonato é actualmente Primeira Liga. A
competição foi criada na época 1934–35 pela Federação Portuguesa de Futebol (fará
brevemente 90 anos), sendo organizada pela Liga Portuguesa de Futebol
Profissional desde a temporada 1995–96. Na presente versão, é disputada por dezoito clubes.
Há 60 anos, os clubes eram 14 – F. C. Porto, S. L. Benfica,
Sporting F. C., Belenenses, Leixões S. C., Varzim, Guimarães, Académica, Seixal,
Setúbal, Lusitano (de Évora), Olhanense, G. D. CUF e Barreirense (dois clubes
representando o Barreiro, cidade onde o Ephemera tem alguns dos seus armazéns).
Na época anterior, tal como na actualidade, o campeão foi o Benfica e o Porto
ficou em segundo. Já o Sporting, ganhou então a Taça de Portugal.
Quero todo o teu espaço
e todo o teu tempo.
Quero todas as tuas horas
e todos os teus beijos.
Quero toda a tua noite
e todo o teu silêncio.
O tempo é um dos grandes mistérios do mundo e, por isso, um tema cont8nuado da poesia. Na Segunda Lei da Termodinâmica, a única lei física que permite distinguir entre passado e futuro, aparece uma grandeza chamada entropia que cresce inexoravelmente nos sistemas isolados. Charles P. Snow disse, na sua famosa conferência de 1959 sobre «as duas culturas», que não conhecer Shakespeare era tão grave como não conhecer a Segunda Lei. A entropia é uma medida da desordem, isto é, o futuro distingue-se do passado por ser mais desordenado. O poeta do Porto joga com o tema universal da desordem quando refere a desordem dos «barcos na Cantareira», das árvores de fruta no pomar ou dos amigos sentados a uma mesa, em três dos poemas. A tensão entre ordem e desordem está, de resto, omnipresente.
Para os seres humanos, o grande problema do tempo é não serem eternos. O tema da morte é eloquentemente tratado no poema «Comentário sobre os velhos» (o poeta é irónico: «Alguém tem de/ ir à frente. a ir alguém/ que vão/ os velhos (…) ) ou no poema «Auto-retrato (ao cinquenta e cinco anos)» (“A/ cada noite que passa os pés/ensaiam no leito/ a sua/ posição final. A estátua definitiva (…)». A ironia aqui é o poeta dizer que acordamos, normalmente, com os pés em forma de V de vitória (ou em forma de W, se há dois corpos, acrescenta num parêntesis).
Um grande poeta a seguir com grande atenção. Ainda tem muito tempo pela frente…
Carlos Fiolhais sobre João Luís Barreto Guimarães, aqui
Tanto tempo que, na vida, perdemos.
Tantos gestos lindos que não fizemos.
Tanta boa dádiva que não demos.
Tanto que quisemos e não quisemos.
Tanta desatenção, tanto não ver.
Tanta luz que ficou por acender.
Tanto que morreu antes de nascer.
Tanto fogo que ficou por arder.
Tanta vida sempre tão mal vivida.
Tanta ardência, mas sempre mal ardida.
Tanta esperança tão mal cumprida.
Tanta coisa que tanto se sonhou.
Tanto que se perdeu e não achou
ou, antes de começar, acabou.
When the American financier J.P. Morgan hired the inventor of the lightbulb, Thomas Edison, to wire his mansion in New York, his father Junius Morgan warned him that electric light was only a passing craze. In 1903, Horace Rackham, the personal lawyer of automobile manufacturer Henry Ford, was told that cars would never replace horse-drawn carriages. And in his 1961 book The Wonderland of Tomorrow, Brendan Matthews announced that, soon, technology would allow us to eliminate aging and bad weather.
Predicting the future with any degree of accuracy is difficult, but certainly not impossible. As Czech writer Karel Čapek, whose 1920 play RUR is believed to have coined the term “robots,” once said, “Some of the future can always be read in the palms of the present.” The greater your understanding of science, society, and human nature, the more you can read. While some are more well-known than others, there is no shortage of books with shockingly accurate predictions of the future.
Time is one of the most precious assets that we have. Time gives us space to breathe, the opportunity to grow and the freedom to invent ourselves anew every day.
We cannot turn back time, but we have the power to change the present and the future. Every day and minute, we are writing a new chapter of our own story in this world.
We are the authors of all the stories that are about to
come.
We are writing time.
Nicolas Baretzki, CEO Montblanc
A man is the sum of his misfortunes. One day you'd think misfortune would get tired but then time is your misfortune.
William Faulkner, The Sound and the Fury
Sobre "Blade Runner, O Caçador de Androides", de
1982.
Momentos antes de morrer, o replicante Roy Batty disse a
Deckard enquanto chovia:
"I've seen things you people wouldn't believe. Attack
ships on fire off the shoulder of Orion.
I watched c-beams glitter in the dark near the Tannhäuser
Gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain.
Time to die."
"Eu vi coisas que vocês não imaginariam. Naves de
ataque em chamas ao largo de Órion. Eu vi raios-c brilharem na escuridão
próximos ao Portal de Tannhäuser. Todos esses momentos se perderão no tempo,
como lágrimas na chuva. Hora de morrer.”
A forma final do solilóquio foi escrita por Rutger Hauer,
que eliminou algumas linhas do script original e colocou all those moments will
be lost in time, like tears in rain, pois as do original parecia que não se encaixavam bem com o tom
do filme.
Vale lembrar que o estranho monólogo do androide não consta
no livro do escritor de ficção científica norte americano, Philip K. Dick.
O livro que inspirou o filme, cujo título original era
"Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?" Não apresenta referência às
Guerras de Orion, um tema da mitologia clássica e que às vezes surge na
ufologia mística. O que poderia apontar para a completa falta de conhecimento
da realidade em que estavam inseridos os habitantes da Terra, incluindo o
próprio caçador de androides.
Outra referência que aparece neste monólogo é ao "Portal de Tannhäuser" referência provável ao tema básico do poema "Os Portais de Vênus" (http://library.flawlesslogic.com/venus.htm), atribuído a um poeta medieval do Século XIII, com o mesmo nome. O poema refere a existência de um pórtico em algum lugar da atual Alemanha, a um mundo místico, dominado por seres que vivem eternamente, ao modo das fadas, chamado Hürselloch. Pessoas que encontrassem a passagem para não envelheceriam nunca mais, o que condiz com o tema da busca da imortalidade.
O preço a pagar pela imortalidade, segundo Tannhäuser, seria
ficar à mercê do poder da rainha das fadas e condenado a uma existência um
tanto monótona, razão pela qual o poeta atribui sua própria presumida fuga. O
que também condiz com o final da fala do andróide que refere o fato de que
"todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva",
o que também parece conter uma referência a Mnemósine, segundo a mitologia
grega, uma titânide, filha da conjunção de Urano e de Gaia.
O próprio tema "Lágrimas na chuva" parece referir
à fonte de água da caverna de Trofônio, que promovia o esquecimento aos
mortais. Um tema também ligado à titânide Mnemósine, por tantas vezes invocada
pelos poetas da antiga Grécia.
O HOMEM QUE QUERIA VIVER MAIS TEMPO.
Atrasava o relógio todos os dias uma hora mas começou a achar que não era o suficiente, passou para duas horas, três, quatro, cinco…
Não era o tempo suficiente queria mais e mais.
Virou e revirou o calendário semanas, meses, anos.
Deitou o calendário fora e foi buscar outros de outros séculos.
Ainda não era o tempo suficiente.
Encontrou-se no tempo em que o tempo não tinha calendários.
E tão atrás era que a Terra se incandesceu como uma bola de fogo que saiu da sua órbita e foi vaguear no espaço ao encontro de outros planetas eles também bolas de fogo que se uniram num só.
As galáxias enlaçaram-se, o Universo encolheu-se até ser apenas um pequeno ponto branco suspenso no espaço.
E o ponto ali estava, suspenso sem qualquer movimento, intransponível.
Quando acordou nessa manhã lembrou-se do ponto branco e da luta que o seu espírito durante toda a noite se tinha debatido numa viagem através do tempo.
O porquê desse ponto, seria aquilo a que chamam “Deus”, o inexplicável?
Porquê que no sonho não conseguiu ir para além do ponto branco, o que estava oculto por detrás dele, isto é, se oculto algum havia.
Era como se batesse numa porta que não abria ou que do outro lado estivesse uma parede a barrar a entrada.
Durante o resto da manhã não pensou mais nisso, se durante o seu sonho o espírito liberto não tinha conseguido ultrapassar essa barreira, agora com o peso envolvente do dia a dia em que era “bombardeado” com todo o tipo de solicitações, informações e outras coisas a que estava sujeito mas que não tinha pedido, nem queria fazer parte delas, não conseguia ter o discernimento para tentar deslindar o inultrapassável.
Quando ia a sair de casa olhou para o relógio para ver as horas, voltou a puxar o punho da camisa para voltar a ver as horas no relógio, com a outra mão puxou a carrapeta do relógio e atrasou-o.
21.Fevereiro.2023
Editorial
I know not what tomorrow will bring*
No editorial de Julho pedimos ao Chat GPT que falasse da Inteligência Artificial e da sua influência no sector do Luxo. O texto que então publicámos foi a resposta ipsis verbis que esse programa nos deu. Acima de tudo, o luxo será cada vez mais personalizado, vaticina a IA.
Não foi coisa que nós próprios já não tivéssemos dito – no
editorial de Junho. Adivinhar o futuro, com a ajuda da IA, será mais fácil?
Dias antes da queda do Muro de Berlim e da implosão do
Império Soviético poucos ou mesmo nenhum dos grandes especialistas na Guerra
Fria ousaria vaticinar tal coisa.
Aquando do movimento de contestação na China que desembocou
nos trágicos acontecimentos do 4 de Junho de 1989, centrados na Praça da Paz
Celestial, em Beijing, os especialistas vaticinaram, na generalidade, que o
Império do Meio iria fechar-se mais uma vez ao mundo exterior e que o mais
populoso país do mundo estaria perdido por décadas para o convívio entre as
nações. O que aconteceu foi exactamente o contrário – a China abriu-se como
nunca ao relacionamento económico com o estrangeiro, mesmo que politicamente a
ditadura do Partido Comunista permaneça e se tenha mesmo fortalecido.
Tudo isto para recordar que, há uns 20 anos, os grandes
especialistas do marketing no sector do luxo garantiam que as vendas online e
as abordagens digitais iriam funcionar para as marcas de consumo maciço, mas
nunca para a topo de gama, para o luxo. Ainda recordamos as hesitações de
manufacturas de Alta Relojoaria em ter ou não sites próprios, onde nem sequer
vendessem, mas explicassem pelo menos quem eram e quais as novidades em termos
de produto. Hoje, quem não está no digital não existe. Tenha acabado de
aparecer no mercado, ou seja orgulhoso depositário de uma história com séculos.
A IA veio para ficar. Tem memória infalível e sabe todos os
gostos e hábitos de cada consumidor, mediante o rasto que ele vai deixando no
mundo virtual – a que dia da semana ou mesmo hora costuma comprar mais, se
prefere relógios clássicos ou desportivos face aos filmes que tem visto ultimamente.
O “conhece-te a ti próprio” deixará de fazer sentido, face ao assistente
pessoal que a IA colocará à disposição de cada um de nós. E que nos conhece
muito melhor do que nós próprios. I know not what tomorrow will bring* But AI
knows…
*”Não sei o que o amanhã trará” - Último escrito de Fernando Pessoa, a 30 de Novembro de 1935, antes de morrer no Hospital de São Luís dos Franceses, em Lisboa, de uma crise hepática.
É muito cedo pra dizer
é muito estranho, mas eu sei que eu to melhor
E o mundo gira sem querer
e a gente anda sem saber pra onde vai
éé
Nessa janela eu posso ver a sua casa
nesse caderno eu vejo um resto de você
Depois das seis o meu ponteiro se atrasa, se atrasa
Mas lá fora o tempo dança
Lá fora o tempo passa e você não.
Mais sólido que a solidão
Mais sólido que a solidão
É muito estranho, mas eu sei
Não tenho mais aquele medo de errar
E o mundo gira sem pedir
E agora eu quero descobrir pra onde vai
Nessa janela eu posso ver a sua casa
nesse caderno eu vejo um resto de você
Depois das seis o meu ponteiro se atrasa, se atrasa
Mas lá fora o tempo dança
Lá fora o tempo passa e você não.
Mais sólido que a solidão
Mais sólido que a solidão
As vinte e cinco máquinas de escrever da grande sala dos escritórios da Companhia Inglêsa faziam lembrar vinte e cinco pianos na hora apoteótica de um grande concerto musical. Todas as dactilógrafas interpretavam a ópera do trabalho de correspondência, fazendo bailar incessantemente os dedos nervosos sôbre os teclados das letras. E o matraquear dessas cinquenta mãos, embora afogado numa estranha confusão de ruídos, marcava um ritmo que transpirava actividade e desejo de viver. [...]
Quando o velho relógio marcou a hora solene do meio-dia, o
peito de todas as raparigas sentiu-se descomprimido de uma pesada inquietação.
Chegava, finalmente, o instante da sua libertação, que não duraria mais do que
duas horas, mas que a-pesar-de tudo, lhes chegaria de sobra para correrem a
casa, debicar o almôço, e, logo a seguir, aparecerem num jardim ou numa praça
onde as esperava o noivo, para adormecerem num rápido sonho de felicidade!...
[...]
Maria Fernanda, a dactilógrafa negra, a única figura negra
naquela grande população de empregados brancos, desceu no último elevador e, ao
chegar à porta da rua, ficou surpreendida de não ver o Humberto, o noivo, à sua
espera."
Guedes de Amorim - A BAILARINA NEGRA (novela). Lisboa,
Empreza Nacional de Publicidade, 1931.