Os encontros eram sempre como se nos tivéssemos encontrado na véspera [quando o encontrávamos depois de uma viagem o Ruben ligava à conversa anterior; tudo aquilo tinha uma continuidade num tempo que não era o tempo do relógio nem do calendário] com graças ainda frescas de terem sido inventadas por nós, com chalaças que já vinham de há anos [havia uma espécie de leitmotiv wagneriano quando os dois amigos se encontravam, para reencontrarem palavras de passe, chamemos-lhes assim, do início da sua amizade], com um receber mutuamente sem limites, embora nos conhecêssemos perfeitamente nos nossos defeitos e qualidades. Em Montedor [a casa junto a Viana do Castelo] estava Ruben com amigos, com amigos de sempre.
Raul Rosado Fernandes, In Memoriam Ruben Andresen Leitão, vol. I, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1981, p. 165, sobre o último encontro que teve com o escritor
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