Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Meditações - o Universo com seu Tempo e seu Espaço

Em Mim

Paro à beira de mim e me debruço...
Abismo... E nesse abismo o Universo
Com seu Tempo e seu Espaço é um astro e nesse
Abismo há outros universos, outras
Formas de Ser com outros Tempos, Espaços
E outras vidas diversas desta vida...
O espírito é antes estrela... O Deus pensado
É um sol... E há mais Deuses, mais espíritos
Doutras maneiras de Realidade...
E eu precipito-me no abismo, e fico
Em mim... E nunca desço... E fecho os olhos
E sonho — e acordo para a Natureza...
Assim eu volto a Mim e à Vida...

Inclino o meu ouvido para mim
E escuto... Um Deus Real e Verdadeiro
Criou nosso universo em sua dupla
Unidade divina de corpo e alma... E esse
Deus, com seu Universo real e eterno,
É um átomo num mundo de universos.
Inextricavelmente
Há outras realidades.

É saber isto que me faz alheio
À vida e pálido entre a humanidade...

Deus a si próprio não se compreende.
Sua origem é mais divina que ele,
E ele não tem origem que as palavras
Possam fazer pensar...

Fecha as portas da Alma! Faze ruído!
Agita, grito, o teu externo Ser,
Encobre-me a Presença do Mistério!

Pode ser que mundo possuamos
Um paraíso eterno, e vida divina
Seja (ó relâmpago do pensamento!)
A realidade! A ilusão talvez
Dure pra sempre... Quem criou um átomo
Ainda por criar
Pode criar uma ilusão eterna...
Altitude! Altitude! Não respiro!
Passei além da Realidade, ergui-me
Acima da Verdade... Deus... O Ser
O abstracto ser em sua abstracta ideia
Esse próprio, o mesmo sonho divino (?(
Apagou-se e eu fiquei na noite eterna
Eu e o Mistério face a face...

Fernando Pessoa

domingo, 16 de dezembro de 2018

Janela para o passado - há 20 anos, Susuki Grand Vitara, 1998

Memorabilia - Suporte de acrílico, Museu do Relógio


Suporte de acrílico, Museu do Relógio. Por ocasião da Exposição Omega 170, em Évora

Meditações - os desassossegos de todos os tempos

Durei horas incógnitas, momentos sucessivos sem relação, no passeio em que fui, de noite, à beira sozinha do mar. Todos os pensamentos, que têm feito viver homens, todas as emoções, que os homens têm deixado de viver, passaram por minha mente, como um resumo escuro da história, nessa minha meditação andada à beira-mar.

Sofri em mim, comigo, as aspirações de todas as eras, e comigo passearam, à beira ouvida do mar, os desassossegos de todos os tempos. O que os homens quiseram e não fizeram, o que mataram fazendo-o, o que as almas foram e ninguém disse — de tudo isto se formou a alma sensível com que passeei de noite à beira-mar. E o que os amantes estranharam no outro amante, o que a mulher ocultou sempre ao marido de quem é, o que a mãe pensa do filho que não teve, o que teve forma só num sorriso ou numa oportunidade, num tempo que não foi esse ou numa emoção que falta — tudo isso, no meu passeio à beira-mar, foi comigo e voltou comigo, e as ondas estorciam magnamente o acompanhamento que me fazia dormi-lo.

Somos quem não somos, e a vida é pronta e triste. O som das ondas à noite é um som da noite; e quantos o ouviram na própria alma, como a esperança constante que se desfaz no escuro com um som surdo de espuma funda! Que lágrimas choraram os que obtiveram, que lágrimas perderam os que conseguiram! E tudo isto, no passeio à beira-mar, se me tornou o segredo da noite e da confidência do abismo. Quantos somos! Quantos nos enganamos! Que mares soam em nós, na noite de sermos, pelas praias que nos sentimos nos alagamentos da emoção!

Aquilo que se perdeu, aquilo que se deveria ter querido, aquilo que se obteve e satisfez por erro, o que amámos e perdemos e, depois de perder, vimos, amando por tê-lo perdido, que o não havíamos amado; o que julgávamos que pensávamos quando sentíamos; o que era uma memória e críamos que era uma emoção; e o mar todo, vindo lá, rumoroso e fresco, do grande fundo de toda a noite, a estuar fino na praia, no decurso nocturno do meu passeio à beira-mar...

Quem sabe sequer o que pensa ou ,o que deseja? Quem sabe o que é para si-mesmo? Quantas coisas a música sugere e nos sabe bem que não possam ser! Quantas a noite recorda e choramos e não foram nunca!

Como uma voz solta da paz deitada ao comprido, a enrolação da onda estoira e esfria e há um salivar audível pela praia invisível fora.

Quanto morro se sinto por tudo! Quanto sinto se assim vagueio, incorpóreo e humano, com o coração parado como uma praia, e todo o mar de tudo, na noite em que vivemos, batendo alto, chasco, e esfria-se, no meu eterno passeio nocturno à beira-mar!

Bernardo Soares

sábado, 15 de dezembro de 2018

Janela para o passado - há 20 anos, Vinho Verde, 1998

Há 60 anos - relógios ESKA para o Natal de 1958


(arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Leilão de cédulas, notas, moedas, medalhas e... whisky


A Numismática Leilões realiza na próxima terça-feira, 18 de Dezembro, um leilão de cédulas, notas, moedas, medalhas e... whisky. Pode licitar online.

As Boas Festas do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra

Anuário Relógios & Canetas 2019 - nas bancas e, pela primeira vez, online


Já é possível comprar a versão digital integral do Anuário Relógios & Canetas 2019 em papel. Esta edição está disponível via Issuu, a plataforma usada para as edições digitais mensais gratuitas. Clique em https://bit.ly/AReC_2019 para adquirir.

Meditações - diferença de relógios

[Carta a Ophélia Queiroz - 15 Ago. 1920]

Domingo

15.8.1920

Víbora:

Recebi a tua carta má, e, na verdade, não percebo como foi que nos não encontrámos nem ontem nem antes de ontem. Diferença de relógios? Não creio, porque não notei, quer num dia quer noutro, ao chegar à Baixa, que o meu relógio estivesse tão errado.

Escrevo-te só estas linhas para te dizer que estarei amanhã ao meio-dia em ponto no fim da Av. das Cortes. Vais ao escritório da R. da Vitória à 1. Isto deve dar-te tempo. O pior é se vais acompanhada. Em todo o caso esperar-te-ei até às 12 1/4.

Oxalá estejas melhor; mas isso não é desgosto, é viboridade, ou seja maldade.

Sempre e muito teu

Fernando

Estou escrevendo do Café Arcada ao meio-dia e 3 quartos. Por isso escrevo pouco (contra o meu costume) para ver se passo na tua rua não muito longe da uma hora.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Janela para o passado - há 20 anos, Toyota RAV4, 1998

As Boas Festas do Projecto "SOS Azulejo"

As Boas Festas dos relógios Casio

SIHH - Relógios MB&F convidam

As Boas Festas dos relógios deLaCour (PHilippe Gillaumet)

As Boas Festas do fotógrafo Jorge Correia Santos

Em primeira mão - Abre para a semana a primeira Boutique Omega em Portugal (Avenida da Liberdade)


Aspecto da fachada ainda coberta da Boutique Omega, na Avenida da Liberdade, em Lisboa (do lado direito de quem sobe, adjacente à Boutique dos Relógios Plus Arte). A inauguração deverá ocorrer segunda ou terça-feira da próxima semana, soubemos junto de fontes ligadas ao projecto. Trata-se da primeira boutique monomarca Omega em Portugal.

As Boas Festas da Montblanc Portugal (Nuno Miguel Teixeira e Pedro da Cunha Morgado)




Museu do Relógio expõe em Évora 170 exemplares Omega - evento patente até 30 de Dezembro


É hoje lançado no Pólo de Évora do Museu do Relógio o catálogo da exposição "Omega 170", que assinala os 170 anos da manufactura relojoeira suíça. A exposição decorre até 30 de Dezembro e reúne 170 exemplares, cedidos por Amigos do Museu, fundado em 1995, em Serpa, pelo coleccionador António Tavares da Almeida.

O filho, Eugénio, tomou conta do projecto quando o fundador faleceu. Ainda com este vivo, foi inaugurado o pólo de Évora, em 2011.

Todos os que cederam peças suas para a exposição - relógios de bolso, de mesa, de parede, de pulso - verão os relógios no catálogo, que é de série limitada e tem imagens de Jerómimo Heitor Coelho. E terão certificados contando pormenores dos seus relógios, como ano de fabrico.

Estivemos por estes dias em Évora, a ver a exposição.




Coincidimos no dia em que alunos da Casa Pia, nomeadamente do seu curso de Relojoaria, também foram ver a exposição




















Eugénio Tavares da Almeida fala aos alunos da Casa Pia. Em baixo, os docentes que acompanharam a visita, com o Director do Museu do Relógio






Ao meio, o Engenheiro Paulo Anastácio, respponsável pelo curso de Relojoaria da Casa Pia





Filipa e Fernando Correia de Oliveira, com os irmãos Tavares de Almeida