Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Os relógios MB&F e L'Epée 1839 no Relógios & Canetas online


Estes e outros milhares de relógios mostrados e explicados aquiaqui ou aqui, no Relógios & Canetas online, a mais importante plataforma do seu género em língua portuguesa.

Janela para o passado - 1948, Westinghouse

O bridge, os calendários... e um caixote que acaba de chegar de Viana ao Núcleo do Tempo do Ephemera


Há todo um mundo, insuspeito para nós, admitimos, de calendários de secretária, anuais, dedicados aos meandros do Bridge (basta googlar). No Arquivo Ephemera, mais propriamente no seu Núcleo do Tempo, de que somos responsáveis, temos vários exemplares, onde se afiança que são o presente ideal para os amantes da modalidade. E prometem-se problemas desafiantes, todos os dias (365 ou 366, caso o ano seja bissexto...), elaborados por peritos mundiais .



Agendas, calendários e outros fixadores do Tempo são matéria que o Núcleo vem tratando. O Centro de Recolha do Ephemera em Viana do Castelo acaba de nos fazer chegar mais um caixote... Que surpresas nos trará?

Duarte Pinto Coelho, relógios usados, Outubro de 2004


Contribuição Renato Covas


Meditações - Toda a monotonia e a fatalidade do tempo...

O descalabro a ócio e estrelas...
Nada mais...
Farto...
Arre...
Todo o mistério do mundo entrou para a minha vida económica.
Basta!...
O que eu queria ser, e nunca serei, estraga-me as ruas.
Mas então isto não acaba?
É destino?
Sim, é o meu destino
Distribuido pelos meus conseguimentos no lixo
E os meus propósitos à beira da estrada —
Os meus conseguimentos rasgados por crianças,
Os meus propósitos mijados por mendigos,
E toda a minha alma uma toalha suja que escorregou para o chão.

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O horror do som do relógio à noite na sala de jantar de uma casa de província —
Toda a monotonia e a fatalidade do tempo...
O horror súbito do enterro que passa
E tira a máscara a todas as esperanças.
Ali...
Ali vai a conclusão.
Ali, fechado e selado,
Ali, debaixo do chumbo lacrado e com cal na cara
Vai, que pena como nós,
Vai o que sentiu como nós,
Vai o nós!
Ali, sob um pano cru acro é horroroso como uma abóbada de cárcere
Ali, ali, ali... E eu?

Álvaro de Campos

terça-feira, 2 de junho de 2020

Um relógio de sol... em Marte


Milhares de relógios mostrados e explicados aquiaqui ou aqui, no Relógios & Canetas online, a mais importante plataforma do seu género em língua portuguesa.



Os relógios Maurice Lacroix no Relógios & Canetas online


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Há 60 anos - A. Ferreira, Representações Estrangeiras, 1960


Espólio do relojoeiro Francisco Sobral Frade, de Beja (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Relógios IWC Schaffhausen solidarizam-se com movimento Black Lives Matter


A suíça IWC Shaffhausen, marca de Alta Relojoaria pertencente ao Richemont Group, acaba de publicar nas redes sociais um quadrado negro, com a frase Black Lives Matter e a hashtag #BlackoutTuesday, em referência aos protestos anti-raciais nos Estados Unidos. Os relógios Guess também aderiram ao movimento.

Janela para o passado - 1948, Vick VapoRub

Postal relógios Omega


Contribuição Renato Covas

Meditações - Como o bater cadente dum relógio

Dizem que tu és pura como um lírio
E mais fria e insensível que o granito,
E que eu que passo aí por favorito
Vivo louco de dor e de martírio.

Contam que tens um modo altivo e sério,
Que és muito desdenhosa e presumida,
E que o maior prazer da tua vida,
Seria acompanhar-me ao cemitério.

Chamam-te a bela imperatriz das fátuas,
A déspota, a fatal, o figurino,
E afirmam que és um molde alabastrino,
E não tens coração, como as estátuas.

E narram o cruel martirológio
Dos que são teus, ó corpo sem defeito,
E julgam que é monótono o teu peito
Como o bater cadente dum relógio.

Porém eu sei que tu, que como um ópio
Me matas, me desvairas e adormeces,
És tão loura e dourada como as messes
E possuis muito amor... muito amor-próprio.

Cesário Verde, Vaidosa

segunda-feira, 1 de junho de 2020

O renascimento da Cauny no Relógios & Canetas online de Junho


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Os relógios Kudoke no Relógios & Canetas online


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Preparando exposição de relojoaria mecânica em Cascais, em 2021 - de um vulgar Cousinha a um desconhecido Henry-Lepaute


O exemplar Henry-Lepaute no Museu dos Condes de Castro Guimarães

aqui tínhamos falado de uma visita ao Museu do Relógio, em Serpa; de outra, aqui, à colecção de um privado, em Lisboa; e aqui de uma visita à Marinha Grande, onde estivemos na oficina de um especialista na manutenção, restauro e fabrico de relojoaria grossa.

Tudo isto no âmbito dos preparativos para uma exposição sobre Relojoaria Mecânica que irá ocorrer em Março de 2021, na Casa Sommer, da responsabilidade da Câmara de Cascais, e cuja preparação estamos a assessorar como especialistas em horologia.

Depois de há uns meses termos avaliado a situação do Marégrafo, passámos hoje a manhã em Cascais, em busca de outros testemunhos do seu Tempo público e privado, que irão figurar igualmente na exposição.


Há muito esquecido e desactivado, há um exemplar na Biblioteca-Museu dos Condes de Castro Guimarães, assinado Henry-Lepaute Paris 1901. Foi feito na oficina fundada por Augustin Michel Adam Henry-Lepaute (1800 - 1885) e continuada pelos seus filhos Édouard Léon e Paul Joseph. É o único exemplar Henry-Lepaute de que temos conhecimento em Portugal.


A Torre do Relógio do Museu dos Condes de Castro Guimarães

Mas o ex-libris de Cascais continua a ser o mostrador do relógio da fachada dos antigos Paços do Concelho, junto à baía. Com dois sinos acoplados, batia horas e quartos. Hoje, encontra-se electrificado. No seu interior, um vulgar Cousinha, de A Boa Construtora, de Almada, de meados do século XX. Interessante seria saber onde pára hoje o relógio oferecido a Cascais em 1876 por Sérgio Augusto de Barros, a que se faz menção no mostrador. A máquina era de Augusto César dos Santos, de Lisboa.



Janela para o passado - 1948, Vick Va-tro-nol

Postal relógios Omega


Contribuição Renato Covas

Junho no calendário inter-religioso Celebração do Tempo


Meditações - Junho

c

(arquivo Fernando Correia de Oliveira)


domingo, 31 de maio de 2020

Os relógios Hermès no Relógios & Canetas online


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Editorial Relógios & Canetas online Junho - Nada será como dantes


Nada será como dantes

Na última década, a riqueza mundial e a população considerada rica aumentaram mais de 50 por cento e o número de milionários duplicou entre 2005 e 2019, para mais de 25 milhões de indivíduos. Mas a crise de saúde pública colocou tudo em questão e até mesmo os hábitos de consumo desta franja não estão agora assegurados – menos viagens, menos viagens para sítios com muita gente, menos compras nos aeroportos…

Só a digitalização dos processos poderá salvar a cadeia de Luxo a nível global. E apenas os mais fortes estão minimamente preparados para se adaptarem ao online e para aí se movimentarem com sucesso, promovendo com estratégias inovadoras “marca” e “fiabilidade”.

Segundo os estudos mais recentes de auditoras internacionais (McKinsey), 10 por cento de aumento da penetração do comércio online causa 5 por cento de quebra na margem de lucro em loja. Se essa penetração do digital aumentar mais 10 pontos percentuais, isso significaria que muitos pontos de venda deixam de ser rentáveis.

O retalho do Luxo, nomeadamente em Portugal, vai sofrer uma revolução rápida e cruel para empresas familiares e independentes. Segundo dados do último inquérito da AORP – Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal - quando questionadas sobre as suas expectativas para os próximos meses, 39,7% das empresas inquiridas antecipa, nos próximos meses, uma descida entre 75 e 100% da sua receita, 29,5% um decréscimo de 50 a 75%, e 9% uma redução de entre 25 e 50%.

Quanto à possibilidade de encerrar definitivamente a sua actividade, 30,8% avalia como “risco elevado”, 29,5% “risco moderado” e 33,3% “risco baixo”.

Em relação à recuperação da sua actividade, 34,6% afirma esperar ser muito lenta (entre 12 a 24 meses), 29,5% estima entre 6 a 12 meses e 14,1% estão mais pessimistas, antecipando a retoma apenas depois de 2 anos.

Na Suíça, a situação começa a ser dramática: as exportações relojoeiras tiveram uma quebra brutal em Abril - menos 81,3 por cento em valor face a mesmo mês de 2019. Todos os 30 principais mercados de destino da relojoaria helvética quebraram neste mês, no pico dos efeitos da pandemia do novo coronavírus. Em quantidade exportada, a redução foi de 78,6 por cento. Pela primeira vez em décadas, Portugal desaparece em Abril dos 30 principais mercados clientes. No acumulado dos 4 primeiros meses do ano, também se regista uma quebra em todos os 30 mercados de destino, com Portugal na 25ª posição, e com uma quebra de 29 por cento, acima dos 26,3 por cento de contracção geral.

É todo um sector que tem que se reinventar. Ou morre.

Milhares de relógios mostrados e explicados aquiaqui ou aqui, no Relógios & Canetas online, a mais importante plataforma do seu género em língua portuguesa.

Junho


(arquivo Fernando Correia de Oliveira)


Janela para o passado - 1948, Vick VapoRub

Postal relógios Omega


Contribuição Renato Covas

Meditações - Se eu ouvisse algum relógio da vizinhança!

Quase nunca trabalhava à noite; às vezes, porém, quando me sucedia acordar fora de horas, sem vontade de continuar a dormir, ia para a mesa e esperava lendo ou escrevendo que amanhecesse.

Uma ocasião acordei assim, mas sem consciência de nada, como se viesse de um desses longos sonos de doente a decidir; desses profundos e silenciosos, em que não há sonhos, e dos quais, ou se desperta vitorioso para entrar em ampla convalescença, ou se sai apenas um instante para mergulhar logo nesse outro sono, ainda mais profundo, donde nunca mais se volta.

Olhei em torno de mim, admirado do longo espaço que me separava da vida e, logo que me senti mais senhor das minhas faculdades, estranhei não perceber o dia através das cortinas do quarto, c não ouvir, como de costume, pipilarem as cambachirras defronte das janelas por cima dos telhados.

- É que naturalmente ainda não amanheceu. Também não deve tardar muito... calculei, saltando da cama e enfiando o roupão de banho, disposto a esperar sua alteza o sol, assentado à varanda a fumar um cigarro.

Entretanto, cousa singular! parecia-me ter dormido em demasia; ter dormido muito mais da minha conta habitual. Sentia-me estranhamente farto de sono; tinha a impressão lassa de quem passou da sua hora de acordar e foi entrando, a dormir pelo dia e pela tarde, como só nos acontece depois de uma grande extenuação nervosa ou tendo anteriormente perdido muitas noites seguidas.

Ora, comigo não havia razão para semelhante cousa, porque, justamente naqueles últimos tempos, desde que estava noivo, recolhia-me sempre cedo e cedo me deitava. Ainda na véspera, lembro-me bem, depois do jantar saíra apenas a dar um pequeno passeio, fizera à família de Laura a minha visita de todos os dias, e às dez horas já estava de volta, estendido na cama, com um livro aberto sobre o peito, a bocejar. Não passariam de onze e meia quando peguei no sono.

Sim! não havia dúvida que era bem singular não ter amanhecido!... pensei, indo abrir uma das janelas da varanda.

Qual não foi, porém, a minha decepção quando, interrogando o nascente, dei com ele ainda completamente fechado e negro, e, abaixando o olhar, vi a cidade afogada em trevas e sucumbida no mais profundo silêncio!

- Oh! Era singular, muito singular!

No céu as estrelas pareciam amortecidas, de um bruxulear difuso e pálido; nas ruas os 1ampiões mal se acusavam por longas reticências de uma luz deslavada e triste. Nenhum operário passava para o trabalho; não se ouvia o cantarolar de um ébrio, o rodar de um carro, nem o ladrar de um cão.

Singular! muito singular!

Acendi a veia e corri ao meu relógio de algibeira. Marcava meia-noite. Levei-o ao ouvido, com avidez de quem consulta o coração de um moribundo; já não pulsava: tinha esgotado toda a corda. Fi-lo começar a trabalhar de novo, mas as suas pulsações eram tão fracas, que só com extrema dificuldade conseguia eu distingui-las.

- É singular! muito singular! repetia, calculando que, se o relógio esgotara toda a corda, era porque eu então havia dormido muito mais ainda do que supunha! eu então atravessara um dia inteiro sem acordar e entrara do mesmo modo pela noite seguinte.

Mas, afinal que horas seriam?...

Tornei à varanda, para consultar de novo aquela estranha noite, em que as estrelas desmaiavam antes de chegar a aurora. E a noite nada me respondeu, fechada no seu egoísmo surdo e tenebroso.

Que horas seriam?... Se eu ouvisse algum relógio da vizinhança!... Ouvir?... Mas se em torno de mim tudo parecia entorpecido e morto?...

E veio-me a dúvida de que eu tivesse perdido a faculdade de ouvir durante aquele maldito sono de tantas horas; fulminado por esta idéia, precipitei-me sobre o tímpano da mesa e vibrei-o com toda a força.

O som fez-se, porém, abafado e lento, como se lutasse com grande resistência para vencer o peso do ar.

E só então notei que a luz da vela, à semelhança do som do tímpano, também não era intensa e clara como de ordinário e parecia oprimida por uma atmosfera de catacumba.

Que significaria isto?... que estranho cataclismo abalaria o mundo?... que teria acontecido de tão transcendente durante aquela minha ausência da vida, para que eu, à volta, viesse encontrar o som e a luz, as duas expressões mais impressionadoras do mundo físico, assim trôpegas e assim vacilantes, nem que toda a natureza envelhecesse maravilhosamente enquanto eu tinha os olhos fechados e o cérebro em repouso?!...

- Ilusão minha, com certeza! que louca és tu, minha pobre fantasia! Daqui a nada estará amanhecendo, e todos estes teus caprichos, teus ou da noite, essa outra doida, desaparecerão aos primeiros raios do sol. O melhor é trabalharmos! Sinto-me até bem disposto para escrever! trabalhemos, que daqui a pouco tudo reviverá como nos outros dias! de novo os vales e as montanhas se farão esmeraldinas e alegres; e o céu transbordará da sua refulgente concha de turquesa a opulência das cores e das luzes; e de novo ondulará no espaço a música dos ventos; e as aves acordarão as rosas dos campos com os seus melodiosos duetos de amor! Trabalhemos! Trabalhemos!

Acendi mais duas velas, porque só com a primeira quase que me era impossível enxergar; arranjei-me ao lavatório; fiz uma xícara de café bem forte, tomei-a, e fui para a mesa de trabalho.

Aluísio Azevedo in Demónios

sábado, 30 de maio de 2020

Relógios & Canetas online - edição de Junho já disponível


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Os relógios Corum no Relógios & Canetas online


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Janela para o passado - 1948, velas Champion