Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Janela para o passado - whisky Long John, 1981

Relógios & Canetas online - Anonimo


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Há 20 anos - relógios Cartier Pasha, 1997


(arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Reportagem em Santa Mónica, Califórnia, com os relógios Montblanc TimeWalker, na revista Turbilhão


Andámos por Santa Mónica, Califórnia e damos conta disso no último número da revista Turbilhão, falando dos relógios desportivos TimeWalker da Montblanc, que lá foram apresentados.

Com a Montblanc, na Califórnia

Pela estrada fora

Fernando Correia de Oliveira, em Santa Mónica

Estivemos em Santa Mónica, na costa ocidental dos Estados Unidos, onde a mítica Route 66 começa (ou acaba), a estrada transcontinental que inspirou a Beat Generation. A começar por Jacques Kerouac e o seu famoso romance On The Road. A Montblanc reuniu jornalistas de todo o mundo para lhes mostrar em primeira mão uma nova linha, desportiva, esteticamente ligada ao mundo automóvel e aos cronómetros usados nos tabliers dos carros.

A Montblanc lança em 2017 a sua primeira colecção de relógios desportivos - TimeWalker. Inspirada na estética dos marcadores de tempo empregues nas provas automobilísticas dos anos 1930 e assumindo uma herança na medição de tempos curtos que lhe advém de ser proprietária da histórica manufactura Minerva.

Fundada em 1858, em Villeret, no vale de Saint-Imier, Suíça, a Minerva foi sempre um especialista em relógios profissionais. A partir de 1908 produziu cronógrafos e, em 1911, já media 1/5 de segundo, passando rapidamente ao 1/10 de segundo. Em 1916, seria mesmo a primeira manufactura a produzir um calibre de alta frequência, capaz de medições de 1/100 de segundo. Em 1936, a marca atingia o auge da fama em cronómetros e cronógrafos desportivos, com a melhoria desse calibre e o fabrico de relógios para os tabliers de carros de corrida. A Montblanc, hoje proprietária da manufactura, foi aos arquivos de Villeret e inspirou-se para lançar os novos TimeWalker.

A colecção TimeWalker passa toda o Montblanc Laboratory Test 500 (500 horas de testes). Com um PVP de entrada de 2.990 euros, apresenta-se em quatro modelos – automático com data, cronógrafo automático, cronógrafo automático com GMT, todos com caixa de aço; e uma edição limitada de 100 exemplares de um cronógrafo mono-botão de carga manual, com caixa de titânio.

O Montblanc TimeWalker Date Automatic tem caixa de 41mm, com vidro de safira na frente e no verso, sendo estanque até 100 metros. Bracelete de borracha perfurada. Já o Montblanc TimeWalker Chronograph Automatic tem caixa de 43mm, mantendo as restantes características do três ponteiros com data.

O Montblanc TimeWalker Chronograph tem indicação de data e de três zonas horárias (calibre MB 25.03). O segundo fuso horário é indicado por ponteiro central, em escala de 24 horas marcada em luneta unidireccional, de cerâmica. A luneta serve para indicar a terceira zona horária. Tem caixa de 43mm, de aço revestido a DLC preto, vidro de safira na frente e no verso, e é igualmente estanque até 100 metros. Mantém a bracelete de borracha perfurada.

Finalmente, o Montblanc TimeWalker Chronograph Rally Timer Counter Limited Edition 100. Trata-se de um cronógrafo de carga manual, de roda de colunas e embraiagem horizontal, mono-botão (calibre da manufactura, MB M16.29), com 50 horas de autonomia. A platina e as pontes são de prata alemã, revestidas a ouro vermelho, decoradas à mão. Tem caixa de 50 mm de diâmetro e 15,2 mm de espessura, de titânio e titânio revestido a DLC preto. Para se adaptar de relógio de mesa ou de bolso a relógio de pulso, a caixa gira de 0 a 180 graus (ou das 3 para a 9 horas). Vidro de safira na frente e no verso. No verso, apoios de secretária embutidos. Estanque até 30 metros. Tem bracelete de pele. Edição limitada a 100 exemplares.

Conjuntura - exportações relojoeiras suíças recuperam pelo terceiro mês consecutivo


Nos primeiros sete meses do ano, Portugal gastou mais 12,3 por cento na importação de relógios suíços, sendo o 20º mercado mundial de destino destas exportações helvéticas. Só em Julho, o valor foi 18,7 por cento superior face ao ano passado.

Em Julho, as exportações relojoeiras suíças registaram o terceiro mês consecutivo de crescimento (mais 3,6 por cento face a período homólogo de 2016). No acumulado geral, e depois de quase dois anos de recessão, 2017 está em ligeira recuperação (mais 0,7 por cento) face a 2016, mas ainda com menos 10,4 por cento face a 2015.

Meditações - adiamentos...


Do Facebook

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Janela para o passado - Ovomaltine, 1980

Relógios & Canetas online - Alpina


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Chegado(s) ao mercado - relógios Tous


Tous Watches. Calibres de quartzo, braceletes extensíveis, de aço. PVP  125€ (155€ a versão rosa)

Chegado(s) ao mercado - relógios WatxandCo Tropic

WatxandCo,  nova linha, inspirada em ritmos e sabores exóticos, Tropic. Calibres de quartzo, caixas de plástico, braceletes de silicone. PVP: Mostradores – 36,90€; Braceletes – 13€


Há 20 anos - canetas Sheaffer, 1997


(arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Relógios Rolex Official Timekeeper do Portugal Masters em Golfe


O Portugal Masters 2017, a mais importante prova de golfe no país, e que decorre de 21 a 24 de Setembro no Dom Pedro Victoria Clube de Golfe, em Vilamoura, Algarve, é apoiado pelo segundo ano consecutivo pela Rolex, que será Official Timekeeper do evento.

A relação da Rolex com o Golfe celebra 50 anos e há mais de 30 que a marca tem o privilégio de ser parceira e Relógio Oficial do The Open, o mais antigo torneio de golfe do mundo, que se disputa deste 1860 em Carnoustie, Escócia. Durante as últimas cinco décadas, a marca tem apoiado activamente as maiores competições e instituições, bem como os jogadores mais prestigiados do mundo do golfe.


Recorda a manufactura helvética de relógios:

"Além do torneio nacional, a marca de relojoaria suíça é, ainda, parceira dos principais circuitos de golfe e torneios profissionais, nomeadamente os três Majors masculinos que os melhores jogadores sonham vencer todos os anos: Masters do Augusta National Golf Club (E.U.A.), o U.S. Open e o The Open (Reino Unido); e os cinco Majors do golfe feminino: The Evian Championship (França), o ANA Inspiration (E.U.A.), o U.S. Women's Open (E.U.A.), o Ricoh Women’s British Open (Reino Unido) e o KPMG Women's PGA Championship (E.U.A.).




A Rolex está igualmente associada aos jogadores mais prestigiados deste desporto, alguns dos quais reforçaram a sua relação com a marca enquanto Embaixadores, como Jordan Spieth, Jason Day e Rickie Fowler, os campeões Tiger Woods e Phil Mickelson, que venceram os Majors repetidamente, a lendária Annika Sörenstam, bem como Lydia Ko, Rolex Player of the Year no golfe feminino, em 2015. Esta relação segue uma tradição nascida com três grandiosos representantes do golfe moderno: Arnold Palmer, Jack Nicklaus e Gary Player, que formam o trio conhecido pelo nome de ‘The Big Three’.







Os laços entre a Rolex, o desporto e a superação dos limites remontam às próprias origens da marca, criada por Hans Wilsdorf em 1905. Depois de se revelar pioneira na precisão do relógio de pulso, a Rolex inventou, em 1926, o Rolex Oyster, o primeiro relógio de pulso impermeável do mundo, graças à caixa equipada por um engenhoso sistema patenteado com luneta, fundo e coroa rosqueados. No ano seguinte, para testar a sua criação, Hans Wilsdorf confiou um Oyster a Mercedes Gleitze, uma jovem nadadora inglesa que se preparava para atravessar o Canal da Mancha; após mais de dez horas de imersão, o relógio continuou a funcionar perfeitamente. Foi assim que Mercedes Gleitze, ao comprovar o desempenho excecional do Oyster, se tornou na primeira Embaixadora Rolex. A Rolex continua a avaliar o Oyster em condições reais utilizando o mundo como verdadeira plataforma de testes, demonstrando em diversas ocasiões a sua fiabilidade e desempenho nas condições mais extremas. Este compromisso com o desempenho excecional manifesta-se igualmente na excelência desportiva, domínio no qual a Rolex, parceira valiosa, investe ativamente."






A história dos cronómetros de marinha na revista Turbilhão


Já está nas bancas mais um número da revista Turbilhão. Um dos artigos que lá publicamos diz respeito aos

Cronómetros de marinha

Harrison, Newton, Galileu, Huyghens, Breguet… O problema do achamento da longitude no mar

Fernando Correia de Oliveira*

A questão das longitudes terá sido, segundo muitos historiadores da ciência, o problema tecnológico mais importante de todos os tempos, não somente pelo seu impacto económico como, também, pelos séculos que resistiu à solução. A solução estava na Relojoaria.

Qualquer local na Terra pode ser claramente identificado por duas coordenadas, que se cruzam: a latitude e a longitude. Desde cedo o problema da latitude foi resolvido, tanto em terra como no mar, ou pela medição da altura do Sol, ou pela medição da altura de outras estrelas ou planetas, à noite. No entanto, a questão da Longitude, mesmo em terra, demorou mais tempo a ser resolvida, devido à dificuldade de parâmetros fixos para a sua medição. Quanto ao achamento da Longitude no mar, a bordo de um qualquer navio, a questão revestiu-se de crucial importância a partir do momento em que a navegação deixou de se fazer com a costa à vista, por início do período da Expansão portuguesa, no início do século XV.

Duas aproximações, desde sempre, foram tentadas para a resolução deste problema da determinação da longitude no mar: a solução puramente astronómica, a solução astronómica com o auxílio da mecânica, mais propriamente recorrendo-se à arte de medir o tempo, a relojoaria.

O problema das longitudes ocupou durante séculos os saberes e as imaginações, sendo estudado intensamente como um problema exclusivamente astronómico entre 1600 e 1800. Os esforços que mobilizou levaram ao enorme desenvolvimento da Matemática no século XVIII e lançaram os fundamentos da ciência moderna. Neste sentido, a questão das longitudes terá sido, segundo muitos historiadores da ciência, o problema tecnológico mais importante de todos os tempos, não somente pelo seu impacto económico como, também, pelo tempo que resistiu à solução.

Na verdade, a questão da determinação da longitude no mar ganhou ao longo dos tempos uma tal aura de impossibilidade que se comparou este problema se apresentava tradicionalmente a par de outras questões míticas, como sendo a quadratura do círculo ou o moto continuo.

Com a urgência cada vez maior em se conseguir uma solução para o problema – a falta de uma medição exacta da longitude levava os navios a navegarem quase às cegas, julgando-se muitas vezes a milhas da costa quando estavam prestes a chocar com ela, como acontecia frequentemente – os monarcas europeus aceitavam nas suas cortes gente vinda de todas as paragens, sábios, astrónomos, matemáticos, mas também lunáticos, aventureiros, que se dispunham a resolver a questão.

Um exemplo: em Portugal, sabemos de um tal Felipe Guillén, boticário de Sevilha, que chegou a Lisboa em 1525 e se apresentou a D. João III, que o recebeu com grande expectativa. Dizia ele que resolveria a questão da determinação da longitude no mar através da variação da agulha na bússola. Descrito como “muito entendido e engenhoso, grande jogador de xadrez”, o espanhol chegou a receber dinheiro do monarca. Mas foi rapidamente desmascarado como charlatão, e preso, quando se preparava para fugir. O escândalo foi tal, na época, que até Gil Vicente dedicou umas trovas ao atrevido, onde o pai do teatro português goza com a figura de quem prometia “tomar o sol pelo rabo em qualquer hora do dia”, mas que não fora mais do que boticário “hasta ver esta ciudad” (Lisboa).

Desde muito cedo se sabia que uma hora de diferença de tempo solar corresponde a 15º de diferença de longitude, Leste ou Oeste segundo o lugar que tem a hora mais tardia. Assim, a diferença horária entre dois lugares é exactamente traduzível na diferença de longitudes. Se o tempo medido a bordo de um navio tivesse como termo de comparação o tempo nesse dado momento no ponto de partida, com cálculos simples se saberia a que longitude se encontrava a embarcação. Esta aproximação, tendo o tempo como instrumento, não tinha até então sido viável, porque os relógios mecânicos eram pouco exactos em terra, quanto mais no mar, sujeitos a balanços, humidade, variações drásticas de temperatura. Até muito tarde o tempo a bordo foi medido com o recurso a ampulhetas. Mas um pequeno atraso, uma desatenção na contagem das voltas por parte do marinheiro encarregado da ampulheta, e o tempo a bordo deixava de ser exacto, acumulando desvios de horas… que, traduzidos em graus de longitude, davam centenas de milhas de diferença.

Quem primeiro teorizou sobre a possibilidade de se trazer a bordo, “congelado”, o tempo do ponto de partida, em terra, foi Gemma Frisius, em 1530, mas a teoria ficou adormecida durante dois séculos, dado que não havia relógios mecânicos suficientemente exactos para serem úteis a bordo – para serem instrumentos aceitáveis, teriam que obedecer a parâmetros de exactidão de mais ou menos três segundos por dia, quando as máquinas mais exactas excediam, em terra, largamente nos séculos XV e XVI margens de erro de mais ou menos três minutos diários.

Só a partir do italiano Galileu, por volta de 1595, se ficam a conhecer as leis isócronas do pêndulo. E é apenas com o holandês Christian Huyghens (1629-95) que, em 1629, o pêndulo passa a ser aplicado aos mecanismos de relojoaria. O primeiro relógio feito especificamente com o propósito de se achar a longitude no mar foi construído em 1660. Esta máquina, que não chegou aos nossos dias, mas cujos esquemas estão completos, foi inventada por Huyghens. O relógio, equipado com uma corda em espiral, escape e pêndulo, conseguia manter-se em equilíbrio, apesar de quaisquer balanços do navio. Huyghens fez vários exemplares e chegou a testá-los, de 29 de Abril a 4 de Setembro de 1663, numa viagem feita de Londres a Lisboa. Este capítulo quase ignorado, indirectamente relacionado com uma História do Tempo em Portugal, está registado no Museu Britânico. Os exemplares maiores trabalharam de forma mais ou menos regular, mas os mais pequenos pararam frequentemente e tiveram que ser desmontados, limpos e oleados durante a viagem. De qualquer modo, os relógios marinhos de Huyghens não provaram a sua exequibilidade e foram sendo abandonados. Em 1707, mais de 2000 homens morreram quando quatro navios britânicos se afundaram ao largo das ilhas Scilly, a sul de Inglaterra. O caso chocou a opinião pública inglesa e o Parlamento de Londres promulga em 1714 uma lei oferecendo um prémio de 10 mil libras esterlinas “por qualquer instrumento idóneo para determinar a longitude com o limite de um grau; de 15 mil com o limite de 40 minutos; de 20 mil com o limite de 30 minutos”.

Astrónomos ilustres, como Newton, lançaram-se na corrida. Na acta da primeira reunião da Comissão de Longitudes, que iria supervisionar os candidatos, o próprio Newton, seu membro, afirma que “para a determinação da longitude no mar, tem havido vários projectos, verdadeiros em teoria, mas difíceis de executar”. E acrescenta: “Um deles, é o de utilizar um relógio, mantendo o tempo exacto. Mas devido à movimentação do navio, à variação do calor e do frio, à secura e à humidade, e à diferença de gravidade em diferentes latitudes, tal relógio ainda não foi fabricado”.

Seria, no entanto, um carpinteiro autodidacta, John Harrison (1693-1776) quem, desafiando o “establishment” e a inveja dos poderosos, conseguiu construir um relógio com pêndulo “giratório”, que consistia em nove pesos de vários metais, que eliminava assim os efeitos das mudanças de temperatura. O H1 tinha apenas corda para um dia. As partes móveis estavam contrabalançadas e, pela primeira vez, o relógio era independente do efeito da gravidade. Este aparelho de grandes dimensões pesava 33 quilos. Em 1735, Harrison levou o H1 até Londres e mostrou-o à comunidade científica, que se dividiu entre o cepticismo e a inveja. Um ano mais tarde, e é por isso que esta epopeia da longitude terá que se incluir sempre numa História do Tempo em Portugal, o H1 parte para Lisboa, a bordo do navio Centurion. Esta e a viagem de regresso fizeram-se sem incidentes, tendo o H1 provado. Tanto que a comissão do prémio decidiu adiantar a Harrison 500 libras para que ele pudesse prosseguir os seus estudos e experiências. Durante os 18 anos seguintes, Harrison realizou os H2 e H3, relógios que nunca foram experimentados em mar. Mas, em 1759, nasce a obra-prima, o H4, destinado a ser um ponto de referência na história da relojoaria. Tinha apenas 13 centímetros de diâmetro e estava colocado numa caixa de madeira. O relógio seguiu viagem a bordo do Deptford, com o filho de Harrison, William, que em 1761 zarpou para a Jamaica.

E, se Lisboa tinha sido escala na estreia do H1, a ilha da Madeira viria a ser desta vez escala nesta viagem do H4, que se demonstrou triunfal. À sua chegada à Jamaica, depois de 5 meses de viagem, o relógio, tendo em conta as correcções estabelecidas por Harrison, tinha acumulado um atraso de apenas 5 segundos, equivalente a um cinquentésimo de grau. Mas o genial carpinteiro teve que esperar mais dez anos para receber o prémio entretanto reclamado. Apesar do sucesso inicial, a entrada do cronómetro a bordo dos navios foi lenta, devido ao seu custo elevado e à prudência que ditava a necessidade de haver até três dessas novas máquinas a bordo, para se conseguir um erro menor, mediante médias ponderadas.

Em 1858 passava a funcionar em Lisboa o chamado Balão do Arsenal, que indicava, a partir de um sinal emitido pelo Observatório Astronómico da Ajuda, a hora de Lisboa, que servia para que os navios ancorados no Tejo acertassem os seus cronómetros.

Segundo relatos coevos, logo que ocorria a queda do balão, ao meio-dia médio, disparava também uma pequena peça de artilharia e faziam-se ouvir os apitos das embarcações ancoradas no Tejo, “manifestação que correspondia a um grito de festa, com que, por momentos, a cidade se animava”.

O Balão do Arsenal deu o seu derradeiro sinal à uma hora do dia 31 de Dezembro de 1915.

O problema da longitude no mar só foi verdadeiramente resolvido, na prática, quando, no início do século XX, o sinal horário começou a ser recebido a bordo, pela TSF. Assim, podia determinar-se diariamente o chamado ‘estado do cronómetro’, que corresponde ao número de horas, minutos e segundos que se deve acrescentar ou diminuir à hora dada pelo cronómetro, para termos a hora de Greenwich.

Quanto ao posicionamento no mar, com as localizações via satélite, vulgo GPS (Global Positioning System), todo o romantismo que rodeou a “batalha da longitude” foi mais ou menos esquecido, mas grandes manufacturas relojoeiras continuam a fabricar hoje luxuosos e caros cronómetros de marinha, em metais raros e dentro de caixas de madeira preciosa, num hino a um dos mais belos instrumentos de medição do tempo que alguma vez a mente humana idealizou.

Caixa

Abraham-Louis Breguet e os cronómetros de marinha

Ao longo da sua carreira o suíço Abraham-Louis Breguet liderou praticamente todos os capítulos da medição do tempo, sendo por muitos considerado como o maior relojoeiro de sempre. Ele exerceu a quase totalidade da sua actividade em França, tendo ganho a admiração do rei Luís XVIII, que em 1814 o nomeia membro do Bureau das Longitudes, em Paris. Desde cedo Breguet se torna numa autoridade no campo do cálculo da longitude no mar. Consequentemente, em 1815, o rei nomeia-o Fornecedor Oficial de Cronómetros para a Marinha Real francesa.

Indo beber na tradição do seu fundador, a casa Breguet lança um relógio de pulso evocativo desses tempos, o Marine Équation Marchante 5887. Esta “Grande Complicação” inclui a Equação do Tempo (indica, ao longo do ano, a diferença – de -16 a +14 minutos – entre a hora solar verdadeira e a hora civil).

Com caixa de 43,9mm, de platina (também disponível em ouro rosa), o 5887 é um Calendário Perpétuo com Turbilhão e 80 horas de autonomia. Tem roda de escape, escape e espiral de silício.

*Jornalista e investigador




Meditações - oração da manhã


in The Royal Readers, de T. Nelson and Sons, Ltd. (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

domingo, 20 de agosto de 2017

Janela para o passado - Reglex, 1980

Caneta Richard Mille no Relógios & Canetas online


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Memorabilia - lupa, relógios Jaeger-LeCoultre


Acervo do futuro Núcleo do Tempo

Há 20 anos - David Rosas Lda, jóias, relógios / Patek Philippe / Bvlgari


(arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Mestre Fortes, relojoeiro há 60 anos, resiste na Baixa de Lisboa


Não eram precisos vidros duplos na janela pombalina até que... chegaram os tuk-tuks, com estação de recolha ali mesmo ao lado. Sérgio Caires Fortes, à beira de completar 73 anos, sorri e mostra-se, apesar de tudo, condescendente com esta intromissão no seu quotidiano de sossego e concentração: "É malta nova, simpática, deu nova vida à zona".

Num terceiro andar da Rua dos Douradores, mestre Sérgio, como é conhecido, passa as horas a consertar, manter e restaurar relógios de todos os tipos. À hora de almoço, num ritual sem excepções, vai a uma pequena tasca em frente - cinco, seis mesas acanhadas - onde um casal do Norte lhe serve cozido à portuguesa, bacalhau com todos e demais vitualhas clássicas do redctângulo luso. Sem que - até agora, valha-nos o santo patrono das tabernas - tenha o local aparecido em qualquer roteiro "in".

Mestre Sérgio, nascido em Angola, pertence à quarta geração de uma família de relojoeiros. Os Fortes tiveram no Luso (actual Luena), as principais ourivesarias e relojoarias da região - a Star e a Confiança, sendo então representantes de marcas como Omega, Longines, Tissot, Breitling, Certina, Universal Genève ou Enicar.

Com a descolonização, ficaram sem nada. "Saquearam as lojas, toda a existência desapareceu", diz-nos, sem querer adiantar muito mais memórias desses tempos. Como centenas de milhares de outros, veio para Portugal. Instalou-se com oficina em Gouveia, região de origem dos Fortes. Mudou-se depois para a Moita. E, em 1984, instala-se na Baixa Pombalina da capital.

Com o antigo 5º ano do liceu como habilitações, aprendeu desde muito novo o mister de relojoeiro com o avô e o pai. Começou a trabalhar nas oficinas da família em 1957. Há 60 anos, pois, que lhe passam pelas mãos relógios de pulso, de bolso, de mesa, de parede, de caixa alta...

"Ainda há duas semanas limpei o calibre e a caixa de um Patek Philippe, cronógrafo, que foi depois a leilão, lá fora", indica, sem dar muitos pormenores. O mercado dos relógios vintage sobreaqueceu na última década, os relojoeiros reparadores experientes são cada vez mais solicitados para das assistência a máquinas com 50 ou 60 anos, mas há toda uma zona cinzenta em torno de peças, referências, ferramentas que lhes vão prolongando a vida...

A Baixa de Lisboa, com as suas ruas dos ourives do ouro e da prata, assim denominadas desde a Idade Média, sempre foi uma zona de instalação de relojoarias, ourivesarias, joalharias, de furnituras (as casas que fornecem as peças para os relógios). Tudo isso tem vindo a desaparecer e, mesmo hoje, com o reviver do bairro recriado a régua e esquadro pelo iluminismo de Pombal, fecham os pequenos comércios de cambistas, gravadores, relojoeiros... para dar lugar a lojas de paquistaneses e bangladeshis a vender galos de barcelos e camisolas do Ronaldo... enquanto os andares de cima, fechados há décadas, reabrem para hostels e regimes de Airbnb. (ver aqui)

Sérgio Caires Fortes, e mais alguns outros, de que iremos falando, para resgatar a Memória de uma certa Baixa, vão resistindo à vaga turística, em autênticas "cápsulas do tempo". Um portefólio do estaminé de mestre Fortes, para memória futura.