Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

sábado, 26 de Julho de 2014

Meditações - enterrar o tempo

Se eu soubesse que enterrando
o meu relógio no chão
o tempo iria enganando,
tomava essa decisão!

João de Castro Nunes

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Chegado ao mercado - relógio de mesa Starfleet Machine, criação conjunta da L'Epée e da MB&F


Este relógio de mesa, baptizado de Starfleet Machine, é a última criação conjunta dos suíços L'Epée 1839 e MB&F

Com calibre concebido e trabalhado pelos primeiros, especialistas em relojoaria média topo de gama, e com design dos segundos, os "rebeldes" da relojoaria contemporânea e líderes da chamada escola conceptualista, o Starfleet Machine tem autonomia para 40 dias, com indicação por discos de horas, e minutos, duplos segundos retrógrados e indicador de reserva de corda através de um cone central.

Os dois ponteiros dos segundos, em forma de canhão de raios laser, começam paralelos em relação um ao outro e cruzam-se rapidamente para voltarem à posição inicial, com intervalos de 20 segundos.

Este objecto tem aspecto de nave espacial (tão do agrado de Maximiliam Büsser, o fundador da MB&F, que desenhou o objecto, em equipa com o finalista de design da ECAL, Xin Wang). Dispõe de cinco tambores de corda montados em série e o isocronismo conseguido é excepcional para um relógio mecânico - mais ou menos dois segundos no período de 40 dias. O calibre, de latão, tem tratamento de paládio. É totalmente manufacturado pela L'Epée, tem carga manual e 2,5 Hz de frequência.

O Starfleet Machine, com 27 cm de altura e 31,5 cm de diâmetro, é limitado a 175 exemplares, com versões "light" ou "dark", sendo esta última com acabamentos de ruténio.
 

Terão os poderosos.... mais tempo?


Alertados pelas leituras do Director do Observador, David Dinis, deixamos-lhe aqui uma sugestão de leitura, sobre a percepção do tempo. Segundo um estudo norte-americano, quanto mais poderoso se é, mais se tem a sensação de maior quantidade de tempo ao dispor.

Chegado ao mercado - relógio Richard Mille RM 030 Polo de Saint-Tropez


A manufactura relojoeira suíça Richard Mille apresentará o novo RM 030 Polo de Saint-Tropez no BMW Polo Masters Saint-Tropez Open de Gassin, que decorre este fim-de-semana.

Esta edição especial é limitada a 50 exemplares, disponíveis em exclusivo no Polo Club Saint-Tropez e nas boutiques Richard Mille Boutiques na Europa e Médio Oriente (Genebra, Paris, Londres, Abu Dhabi, Dubai).

O RM 030 Polo de Saint-Tropez tem uma estética inspirada nas cores do Polo Club Saint-Tropez e ostenta o logótipo do clube gravado no vidro de safira, no verso.

O  RM 030 Polo de Saint-Tropez tem calibre automático, esqueletizado, com rotor de inércia variável e de embraiagem on/off. Tem indicador de reserva de corda e de corda. Caixa de 50 x 42.70 x 13.95 mm de cerâmica ATZ e titânio. Mostrador de vidro de safira . Estanque até 50 metros.

Relógios Dior VIII Montaigne na Machado Joalheiro


A Machado Joalheiro já recebeu as últimas novidades em termos de relojoaria da Casa Dior: os VIII Montaigne. Esta renovada colecção Dior continua a evocar o número mágico de Christian Dior…o número 8. O número do dia em que Dior inaugurou a sua primeira boutique, 8 de outubro de 1946, precisamente na Avenida Montaigne, no 8º “arrondissement” de Paris e onde foi apresentada a sua primeira colecção, obviamente com o nome do seu número preferido, “En Huit”.

Os Dior VIII Montaigne têm caixas de 32 mm, de aço ou aço e ouro, com ou sem diamantes. Mostradores metálicos ou de madrepérola. Calibres de quartzo.


Relógios Seiko para os campeões de 49 e 49FX em Vela


Nos Campeonatos Europeus de Vela, classes Seiko 49 e 49 FX, que decorreram em Helsínquia, os campeões em título defenderam e confirmaram a sua superioridade.

Na classe olímpica 49, participaram mais de 130 embarcações, tendo vencido a tripulação australiana,com Nathan Outteridge e Iain Jensen, que já eram campeões europeus. Para além do troféu, receberam relógios Seiko Velatura. A marca japonesa é, desde 2007, a patrocinadora mundial da classe.

Na classe 49FX, venceu o par dinamarquês composto por Ida Marie Nielsen e Marie Olsen, igualmente confirmando o estatuto de campeãs.

Conjuntura - Sector português de joalharia, ourivesaria e relojoaria vale mil milhões de euros


Um estudo encomendado pela Portojoia diz que o mercado português de joalharia, ourivesaria e relojoaria está avaliado em 1.000 milhões de euros. Do ponto de vista da produção, a joalharia e a ourivesaria estão em contracção, mas a relojoaria, com subcontratações em componentes como caixas, tem aumentado, em contraciclo.

O comércio de retalho especializado na ourivesaria e joalharia cresceu a partir de 2008 a uma média anual de 18,9% (27,3% na região Norte, 17,5% no Alentejo, 16,4% em Lisboa, 6,7% no Centro e 4% no Algarve), num contraste evidente com a generalidade da economia nacional, tendência essa que reflecte a subida do preço do ouro em tempos de crise e o comércio relativo ao ouro usado. Segundo dados de 2012 (INE), o volume de negócios terá atingido em 2012 os mil milhões de euros.

A região Norte agrega 44% do total das empresas da cadeia de valor, parcela que ascende a 80% quando em causa está apenas a componente industrial. Ao contrário do comércio, o fabrico de joalharia e ourivesaria registou uma contracção muito significativa no período 2004/2012, com uma queda de 43% no emprego e de 38% no VAB (com pequena recuperação entre 2009 e 2010).

Já o fabrico de relojoaria (incluindo componentes) afirma-se claramente como emergente em Portugal e revela um crescimento de 233% naquele período, associado a aumentos de 324% do VAB e de 176% do emprego. Essa dinâmica é atribuída, em grande medida, ao investimento directo estrangeiro por parte de multinacionais de origem suíça, francesa e alemã, ao aumento do nível de actividade de empresas existentes a produzir peças em regime de subcontratação e a trabalhar em processos de montagem de caixas de relógio e, ainda, a fenómenos recentes de empreendedorismo.

A análise das vendas ao exterior constata França, Espanha, EUA, Suíça, Angola e Itália como países responsáveis por 50% das exportações portuguesas do sector, que não foram além dos 150 milhões de euros em 2012 (112 milhões em relógios e componentes e 37 milhões em artefactos de joalharia, relojoaria e componentes). Há ainda uma forte e crescente procura do mercado de Hong Kong, o que lhe confere grande potencial para as exportações nacionais, num grupo onde pontificam também Chipre, Angola, Japão e França.

O estudo foi elaborado pela empresa consultora SIGMA.

Confiante na dinamização do sector, a organização da Portojoia já se encontra a trabalhar no sentido de desenvolver uma nova proposta de valor, que se traduz num novo posicionamento para a feira, indo ao encontro das expectativas do mercado.

A PortoJóia - Feira Internacional de Joalharia, Relojoaria e Ourivesaria tem a sua 25.ª edição em Setembro próximo, na Exponor.

Há 100 anos... pedras para relógios, da Swiss Jewel Co, S.A.


Anúncio de 1914 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Há 20 anos - publicidade relógios Piaget



Publicidade Piaget, Relógios e Jóias nº2 Jul.Set. 1994 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Canetas históricas Meisterstück em exposição na Boutique Montblanc da Avenida


Assinalando o 90º aniversário do modelo Meisterstück, a Montblanc mantém até dia 31 de Julho, na sua boutique da Avenida da Liberdade, em Lisboa, uma série de peças históricas, canetas e outro material da colecção particular de António Martins.







Meditações - a Suíça e o tempo

A Suíça exporta milhares de relógios Suíços. Importa saber onde compra tanto tempo.

Blog lina&nando

quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Tempo de remo - 44 anos depois... encontro de campeões


44 anos separam estas duas fotos. Em cima, a equipa de juvenis, vice-campeã nacional de yolle de 4 do Clube Naval de Lisboa. Em baixo, três dos elementos dessa equipa, esta noite, recordando a prática do remo e a vontade de a reiniciar, agora na categoria de veteranos.

Em cima, de pé, Fernando Correia de Oliveira (voga), Fernando Nogueira e o timoneiro (já falecido). Em baixo, Palma e Raposo (proa). Este último, ausente.

Em baixo... é fácil - basta comparar...

Estes quatro viriam a ser depois campeões nacionais de yolle de 8, de júniores, também pelo Clube Naval de Lisboa.

Há 100 anos... fábrica de relógios A. Schlaefli


Anúncios de 1914 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Chegado ao mercado - relógio Girard-Perregaux 1966 Lady


Girard-Perregaux 1966 Lady. Caixa de 30 mm, de ouro rosa. Diamantes na luneta. Vidro de safira na frente e no verso, estanque até 30 metros. Calibre da manufactura (GP03200-0005), automático.


Montblanc apresenta caneta mais cara do mundo - Monte Celio custa 2,4 milhões de dólares


A Montblanc acaba de apresentar aquela que poderá ser considerada a caneta mais cara do mundo. Chama-se Monte Celio e custa 2,4 milhões de euros. O corpo tem no topo um diamante de quase 12 carates e e no resto do corpo 1.500 diamantes brancos e safiras cor-de-rosa. Exemplar único.

Relógios HYT em Portugal


Os relógios HYT, que usam uma tecnologia inédita hidromecânica, passam a estar disponíveis no mercado nacional, num ponto de venda, a Boutique dos Relógios Plus, no CC Amoreiras.

Chegado(s) ao mercado - relógios Ralph Lauren Black Safari


Os relógios Ralph Lauren lançam este ano a colecção Black Safari, com três modelos inspirados na paisagem africana e no espírito dos safaris.

Destaque para o Safari Flying Tourbillon. Caixa de 45 mm, de aço preto. Calibre automático, com micro-rotor revestido a ouro. Turbilhão volante. Mostrador galvanizado, com pormenores de madeira. Estanque até 50 metros.


Além disso, há um automático, cronómetro certificado COSC. Caixa de 45 mm, de aço preto. Estanque até 100 metros. Ou ainda a versão feminina, com caixa de 39 mm e as mesmas características técnicas.





O mundo dos relógios cronógrafos na revista Turbilhão, em artigo de Estação Cronográfica


Já está nas bancas o nº 6 da revista Turbilhão. Onde se trata especialmente do mundo dos cronógrafos. Num artigo da autoria de Estação Cronográfica.


A batalha pela medição dos tempos curtos

O mundo do cronógrafo

Fernando Correia de Oliveira*

O progresso realizado em astronomia, física, química, medicina, balística ou medição de provas desportivas tem sido companheiro perene dos progressos conseguidos em relojoaria, e vice-versa. A necessidade de medição de tempos curtos levou ao cronógrafo, a mais popular das “complicações”.

Os cronógrafos estão para os relógios simples como os carros para as carrinhas – estas últimas melhoram sempre o aspecto estético de um qualquer modelo. Desde há uns anos que, devido a esse apelo estético do cronógrafo, com botões e mostradores suplementares, as marcas de moda resolveram “vestir” relógios simples sob a capa de “cronógrafos”.

Tendo começado como uma verdadeira necessidade, no campo da ciência, da guerra ou do desporto, o cronógrafo passou a ser antes sinal de estatuto e complexidade da máquina que trazemos no pulso. Há quanto tempo não acciona a função de cronógrafo? Mas vamos por partes. Ou antes, comecemos pelo início…

Até há pouco tempo, pensava-se que tinha sido o francês Nicolas Mathieu Rieussec a inventar o cronógrafo, em 1821. Mas sabe-se hoje que terá sido o seu compatriota Louis Moinet a registar, em 1816, um “compteur de tierces” capaz de medir e registar tempos intermédios. De qualquer modo, atribui-se a Rieussec o termo “cronógrafo”, literalmente “escrever o tempo”, nome que deu a uma máquina que, munida de aparo e tinta, ia inscrevendo num disco com uma escala de 60, através do ponteiro dos segundos, os tempos feitos pelos vários cavalos numa prova no Champ-de-Mars, em Paris, para satisfação do Rei… É o primeiro caso de cronometragem desportiva que se conhece. Rieussec conseguiu a divisão até um quarto de segundo. Chega-se ao quinto de segundo apenas em 1862 – aquando dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna.

Data de 1882 o cronógrafo “à rattrapante” (dois ponteiros dos segundos, co-axiais, podendo um ser parado para medir um primeiro tempo e reaccionado para se juntar (rattrapé) ao segundo que continua a andar).

Desporto, ciência e guerra são áreas onde os cronógrafos são necessários. Os “cronómetros desportivos”, com precisão até um décimo de segundo aparecem no final do século XIX. A artilharia pesada usa já por essa altura cronógrafos para o cálculo do tiro. Os observatórios astronómicos e laboratórios científicos passam a usar cronógrafos para os seus cálculos.

Só em 1927, com um modelo Patek Philippe, surge um cronógrafo de pulso. Trata-se de um exemplar mono-botão, accionado através da coroa.

Pela mesma época, a Breitling inventa o botão de cronógrafo independente, que acciona e para a função de cronógrafo e, em 1932, a mesma manufactura apresenta um segundo botão, que serve para colocar “a zeros” os vários ponteiros.

Só em 1969 surge o cronógrafo automático, com o Zenith El Primero a destacar-se, permitindo medir fracções de 1/10 de segundo.

Embora as tecnologias de concepção e produção dos cronógrafos sejam conhecidas do sector relojoeiro helvético desde o início do século XIX (e falamos aqui, obviamente, de relógios de bolso), a sua produção é extremamente limitada, até aos anos 1890. As exportações suíças de relógios complicados – que incluem na quase totalidade a função de cronógrafo – resumem-se a 78 exemplares em 1885. O seu número cresce rapidamente, atingindo as 7.327 unidades em 1900 e 42.342 em 1920.

Isto explica-se em grande parte pelas mudanças socio-económicas que sofriam então os países ocidentais. Medir tempos precisos tornara-se um aspecto importante no capítulo do desporto e nas fábricas, locais que se tinham tornado o centro da actividade social. De qualquer modo, os cronógrafos representavam em 1920 apenas 0,4 por cento do volume de relógios exportados pela Suíça.

O cronógrafo é, pois, um produto de nicho até essa data. Alguns fabricantes especializam-se neste tipo de relógio, como Edouard Heuer, que funda a sua empresa em 1860. Em 1916, a Heuer lança o Mikrograph, que consegue medir fracções de 1/100 de segundo. Quanto a Léon Breitling, funda a sua empresa em 1884 e especializa-se igualmente em cronógrafos.

Alfred Lugrin produz a partir de 1884 calibres cronógrafos para outras marcas e a Longines é a primeira a lançar a produção industrial de cronógrafos, em 1878, exactamente a partir de um calibre concebido por Lugrin.

É no período entre as duas Grandes Guerras que os cronógrafos (cada vez mais os de pulso, ganhando terreno aos de bolso) começam a ganhar importância, cada vez maior, até atingir o auge, em meados dos anos 1970. Os números de produção – 140 mil unidades em 1935; 1,4 milhões em 1950; 3,2 milhões em 1959…

Este crescimento tem por base uma consolidação industrial – em 1932, a Societé suisse pour l’industrie horlogère (SSIH) compra a Lemania-Lugrin, permitindo à Omega adquirir as competências em matéria de desenvolvimento de relógios de pulso cronógrafos e de se empenhar activamente na cronometragem desportiva a partir dos Jogos OIímpicos de Los Angeles, em 1932. Antes da II Guerra Mundial, também a Longines e a Heuer entram em força na cronometragem de competições desportivas.

Nos anos 1960 entra na corrida a japonesa Seiko, que tinha conseguido ser o cronometrista oficial dos Jogos Olímpicos de Tóquio, de 1964. Em resposta, a Omega e a Longines criam em 1972, com o apoio da Fédération de l’industrie horlogère suisse, a Société suisse de chronométrage sportif, que pouco depois muda o nome para Swiss Timing. A Heuer-Leónidas (fusão ocorrida em 1964) torna-se também pouco depois acionista da empresa.

Para além do crescimento na produção de cronógrafos a que se assiste desde os anos 1930, há paralelamente a passagem do relógio de bolso para o relógio de pulso. Não são os novos usos sociais que fazem aumentar a procura de cronógrafos mas sim o aparecimento de uma dimensão ostentatória que faz do relógio de pulso e das suas complicações um acessório de moda. Os cronógrafos não servem tanto para medir tempos intermédios, mas mais para dar corpo aos valores de precisão e de qualidade veiculados pela publicidade das respectivas marcas.

É neste contexto que a Omega surge com o cronógrafo Speedmaster (1957) e que a Zenith lança o El Primero em 1969. Um gigante, a Ebauches SA, desenvolve nesse período calibres cronógrafos que irão equipar centenas de milhares de relógios de pulso e que se tornarão famosos entre os entendidos, como é caso do Vajoux 7750 (saído em 1973).

A revolução do quartzo tem um impacto enorme na indústria suíça, incluindo o segmento de cronógrafos. Por um lado, esta complicação perde a sua razão de ser de símbolo da precisão e da excelência técnica do relógio suíço, ultrapassado pelo rival japonês. Por outro lado, a função cronógrafo torna-se acessível a preços extremamente reduzidos, com o lançamento de relógios digitais de quartzo, durante a década de 1980.

Centenas de pequenas marcas suíças desaparecem e a base industrial é atingida quase mortalmente, tendo dificuldade em transitar do mecânico para o quartzo. Em 1990, a Suíça exporta menos de um milhão de cronógrafos (3,3 por cento do volume total). Mas as coisas vão, inesperadamente, mudar.

O cronógrafo surge como uma alegoria quase perfeita sobre o renascimento da indústria relojoeira helvética e do seu reposicionamento face ao luxo. Os números das exportações ilustram bem esse formidável regresso, com menos de um milhão de cronógrafos em 1990 para 4,2 milhões em 2000 e 5,3 milhões em 2010, ao mesmo tempo que o volume global baixa. De 3,3 por cento do volume em 1990, os cronógrafos ultrapassam os 20 por cento em 2010.

Mais uma vez, não são as necessidades utilitárias a explicar o fenómeno, mas antes a emergência de novos produtos de moda. A Swatch lança em 1990 a sua primeira linha de cronógrafos. Mas é sobretudo a transformação dos relógios de pulso em produtos de tradição e em acessórios de moda de luxo que sustenta esta nova sede pelos cronógrafos.

Esta complicação, como outras menos acessíveis para o consumidor médio, torna-se no símbolo de um savoir-faire suíço tradicional e fonte de uma mais-valia financeira. Além disso, as empresas relojoeiras investem maciçamente no cronógrafo, tanto em termos de produção como em publicidade. Para a produção, destaque para o Swatch Group, que adquire em 1999 a Breguet e, com ela, a Nouvelle Lémania, produtora tradicional de cronógrafos. Ainda no universo Swatch Group, a ETA, fruto da fusão, durante a crise do quartzo, de várias unidades industriais, torna-se no fornecedor da quase totalidade dos calibres cronógrafos usados pela indústria suíça, incluindo marcas directamente concorrentes.

A estratégia de comunicação, muito apoiada nos grandes eventos desportivos e na sua cronometragem, passa também por atletas que são embaixadores das várias marcas. O cronógrafo e o relógio desportivo em geral tornam-se, a partir dos anos 1990, no ícone central da batalha que os grandes grupos relojoeiros travam à escala global.

*Jornalista e investigador

Caixa

A evolução da medida de tempos intermédios

1695 – O inglês Samuel Watson inventa um relógio de pulso especificamente criado para ajudar à medição de tempos em experiências científicas – o calibre já permite a paragem do ponteiro dos segundos, através de uma alavanca. É o primeiro “stop watch”, termo inglês que tem em português a tradução de cronómetro, o que ajuda à confusão de termos.

1720 – O inglês George Graham constrói uma pêndula com ponteiro dos segundos a quatro saltos (medindo assim quartos de segundo)

1776 – Invenção do relógio de segundos mortos independentes, pelo genebrino Jean-Moïse Pouzait. Trata-se do precursor do cronógrafo.

1816 – O francês Louis Moinet apresenta um “compteur de tierces”, relógio de bolso capaz de medir e registar tempos intermédios. É o primeiro cronoscópio, o nome correcto do cronógrafo. O relógio é usado nas observações astronómicas.

1821 – O francês Nicolas Mathieu Rieussec obtém patente para um “garde temps ou compteur de chemin parcorou”, a que chama “chronograph à secondes”. Está istalado numa estutura de madeira do tamanho de uma caixa de sapatos.

1822 – Frédérique Louis Fatton, a pedido de Abraham Louis Breguet, transforma o conceito de Rieussec para relógio de bolso.

1831 – O austríaco Joseph Thaddäus Winnerl avança com a solução para um ponteiro de segundos que pode ser parado independentemente do resto do calibre. É o precursor da função rattrapante (split-seconds em inglês, duplo cronógrafo, em português).

1844 – Adolphe Nicole, relojoeiro suíço estabelecido em Londres, regista patente para função de retorno a zeros do ponteiro de segundos (trotteuse) do cronógrafo.

1878 – Criação do primeiro instituto suíço para o controlo oficial da marcha de relógios, em Bienne, precursor do COSC actual.

1909 / 1910 – Primeiros modelos de cronógrafos de pulso patenteados em Berna.

1916 – A Heuer patenteia o MIcrograph, que mede centésimos de segundo e o Semi-Micrograph, que mede meios segundos.

1924 – Primeira patente suíça para um relógio de pulso com massa oscilante central, o automático (John Harwood)

1933 – A Breitling patenteia cronógrafos com dois botões (poussoirs) além da coroa.

1937 – Sistema dito “de cames e sem bloqueador” apresentado pela Dubois-Dépraz e destinado a suprimir a roda de colunas dos cronógrafos.

1969 – Omegas Speedmaster são usados por Neil Armstrong e Buzz Aldrin na missão Apolo XI, que marca a chegada do Homem à Lua. Nesse mesmo ano surgem os primeiros cronógrafos automáticos – o consórcio Heuer, Breitling e Buren, por um lado; o El Primero da Zenith, por outro. Surge o primeiro relógio de pulso de quartzo com indicação numérica (digital) através de díodos electroluminescentes (LED – Light Emitting Diodes).

1985 – É lançado o primeiro cronógrafo calendário perpétuo – o IWC da Vinci, da autoria do mestre relojoeiro Kurt Klaus.

Caixa

Cronómetros, cronógrafos, rattrapante, flyback…

Acumulador – O mesmo que contador ou totalizador. Os cronógrafos têm sistemas de amostragem de acumulação dos tempos medidos. Há mostradores de acumulação de minutos, de horas.

Astmómetro – Cronógrafo que permite medir a cadência respiratória através de uma escala no mostrador.

Complicação – Todas as indicações de um relógio que não sejam as de assinalar as horas, minutos e segundos são consideradas “complicações” – data, dia da semana, mês, cronógrafo, sonnerie, repetição minutos, despertador, calendário perpétuo, fases de lua, etc.

Cronógrafo à rattrapante – Recuperador em português, split-seconds em inglês ou doppelchronograph em alemão. Cronógrafo com dois botões e dois ponteiros dos segundos – o primeiro é o habitual do cronógrafo, o segundo é o rattrapante. Permite a cronometragem de vários fenómenos que comecem simultaneamente mas cuja duração seja diferente. Terminado o primeiro fenómeno, pára-se o rattrapante, permitindo ler a sua duração; depois, faz-se o rattrapante voltar a ficar em cima do outro ponteiro dos segundos, com o qual se sincroniza; terminado o segundo fenómeno, pára-se de novo o rattrapante, permitindo a leitura da sua duração, e assim sucessivamente. Terminado o último fenómeno, pode-se imobilizar os dois ponteiros dos segundos e voltar a repor a zeros. Um dos botões acciona apenas o rattrapante, o outro o ponteiro normal dos segundos do cronógrafo. Não confundir com fly-back. O cronógrafo rattrapante é útil, por exemplo, numa corrida de atletismo, para registar os tempos de chegada do primeiro, do segundo, do terceiro corredor. Há uma confusão recorrente da função rattrapante com a função fly-back ou retour en vol. A maneira mais fácil de as distinguir é saber que a primeira usa dois ponteiros dos segundos ao centro e a segunda apenas um.

Cronógrafo com fly-back – Retour en vol, em francês. Trata-se de um mecanismo de contagem de tempos que se pode fazer parar e regressar a zero com apenas uma pressão de botão. Quando este se solta, o ponteiro retoma a sua marcha. Este dispositivo permite a um avião ou a um navio mudar de rumo segundo um programa preparado. Logo que uma sequência termina, a pressão sobre o botão leva o ponteiro a zeros e põe em marcha a sequência seguinte, permitindo ganhar assim alguns segundos na manipulação do cronógrafo.

Cronómetro – Etimologicamente, designa qualquer instrumento destinado à medição do tempo, mas o uso consagrou-o como significando relógio de alta precisão. O público em geral confunde cronómetro com cronógrafo, mas a maioria dos cronógrafos não são cronómetros e muitos destes não são cronógrafos. Segundo a definição aceite nos meios relojoeiros, “um cronómetro é um relógio de alta precisão, capaz de marcar segundos, e cujo movimento é testado durante vários dias, em diferentes posições e a várias temperaturas e choques, por um organismo oficial independente”. Os mecanismos que satisfaçam os critérios de precisão previstos na norma ISSO 3159 recebem um certificado oficial de cronometria. O mais célebre é emitido na Suíça pelo COSC (Contrôle Officiel Suisse des Chronomètres). Quando vai para o consumidor final, um relógio com certificado COSC não deve na sua marcha diária variar mais do que 6 e menos que 4 segundos. Esses parâmetros são difíceis de conseguir para relógios mecânicos, mas facilmente atingíveis para relógios de quartzo, pelo que o COSC é mais exigente com estes últimos. A inclusão de um sistema electrónico que compensa a variação de frequência do quartzo em função da temperatura (movimentos termocompensados) é uma das exigências. Apenas 3 por cento da produção suíça se submete ao controlo de qualidade COSC, pelo que um relógio que ostente o seu certificado tem um bom argumento junto do consumidor final.

Cronómetro (stop watch) – Para aumentar a confusão, os relógios que apenas indicam tempos curtos e não as horas – stop watch em inglês – são traduzidos em português como “cronómetros”. As funções de medição são controladas geralmente por dois botões – um inicia e pára a contagem de tempo; outro repõe os ponteiros a zeros. Neste caso não há ponteiros das horas ou dos minutos.

Cronoscópio – Designação correcta do que geralmente se designa por cronógrafo. O cronoscópio indica os intervalos de tempo enquanto o cronógrafo, de início, os registava por escrito.

Pulsómetro – Dispositivo que permite medir rapidamente as pulsações por minuto. Um cronógrafo com escala pulsométrica baseia-se geralmente em 15 ou 30 pulsações contadas. Iniciada e parada a marcha do ponteiro dos segundos do cronógrafo depois dessa contagem, basta ler a escala.

Repor a zeros – Diz-se da operação, geralmente nos cronógrafos, de recolocar os ponteiros no início da escala ou do mostrador acumulador.

Taquímetro – Dispositivo que mede velocidade desde que se saiba a distância percorrida. Mil metros percorridos em 45 segundos correspondem, por exemplo, a uma velocidade de 80 km/h. Há relógios, cronógrafos, que têm escala taquimétrica. O taquímetro pode ser também um aparelho que serve para medir o número de rotações por minuto de um motor e, assim, a velocidade de máquinas ou veículos. Neste caso, usa-se também “tacómetro”. Um tacógrafo é um taquímetro que regista (dantes num disco de papel, hoje em memória de um chip) essas indicações. Os taquímetros e tacógrafos usam-se, por exemplo, para fiscalizar motoristas profissionais, ficando a saber-se se estão a cumprir limites de velocidade e períodos obrigatórios de descanso.

Telémetro – Dispositivo que indica a distância baseando-se na velocidade do som (333 1/3 metros por segundo), ou seja, um km em cada 3 segundos. Qualquer relógio pode ser usado como telémetro, mas um cronógrafo é o ideal, se tiver escala telemétrica. Põe-se em marcha o ponteiro dos segundos do cronógrafo quando, por exemplo, se vê um raio, pára-se quando se ouvi o ruído do trovão. A escala indica a distância a que caiu o raio (tempo x 333 1/3 metros).






Chegado(s) ao mercado - relógios Watx&Colors, colecção Skeleton


Watx&Colors, colecção Skeleton, disponível em 10 cores. Calibres de quartzo, caixas de 40 ou 44 mm, de aço e plástico. PVP: 59.90 €