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sábado, 29 de maio de 2010

Pista da semana - Os relógios do Museu Dimas de Melo Pimenta, em Brasília

Portugal pode vangloriar-se de, pelos circuitos comerciais públicos e privados, mas sobretudo através do Padroado do Oriente, ter introduzido na Índia, no Vietname, na China ou no Japão a relojoaria mecânica.

Foi aliás essa novidade tecnológica que permitiu aos chamados Padres Matemáticos jesuítas impressionar e subornar eunucos e mandarins, abrir as portas até ao imperador chinês. Ou fundar a primeira escola de relojoaria no Japão, em Nagasaki, e de que hoje ainda existe uma família de relojoeiros.



Mas, já no século XX, foi também um português o responsável pela introdução da relojoaria moderna no Brasil. Dimas de Melo Pimenta nasceu no Luso, em 1918, e ainda criança acompanhou os pais, emigrantes, que ali se radicaram. Aos 18 anos Dimas emprega-se no Departamento de Relógios e Telefones do Brasil, onde lhe nasce a paixão pela relojoaria e, autodidacta, transforma-se no maior relojoeiro fabricante da história da relojoaria brasileira.

Hoje, a marca DIMEP é conhecida em todo o mundo. Detém mais de 100 patentes. Pertence-lhe o Instituto Brasileiro de Relojoaria, uma das mais prestigiadas escolas profissionais do país. Em 1956, o Instituto chegou mesmo a funcionar durante alguns anos no Luso, ministrando cursos de relojoaria da autoria de Dimas de Melo Pimenta.

Dimas faleceu em 1996 mas, além da empresa, deixou um Museu do Relógio, em São Paulo, o mais importante do género na América Latina e um dos maiores do mundo, com um acervo de mais de 800 exemplares.

O próprio museu apresenta-se assim:

"As peças apresentadas no Museu do Relógio fizeram, até alguns anos atrás, parte de uma coleção particular - coleção esta formada graças a apreciação que o Professor Dimas de Melo Pimenta sempre nutriu por marcadores de tempo. A coleção compreende, no momento cerca de 800 relógios dos mais inusitados. Certamente foi bastante difícil agrupar um número de relógios tão interessantes e curiosos.

A coleção teve início em 1950, desde então, relógios originais são procurados por todos os lugares, em especial nos mercados de antiguidades que se realizam nas mais diversas cidades do mundo. O relógio mais antigo apresentado no Museu foi fabricado em 1535 na Alemanha. É um relógio todo de prata lavrada, em caixa cilíndrica, possuindo apenas o ponteiro de horas (o ponteiro de minutos só foi incorporado aos relógios a partir de 1670).

Soma-se cerca de 800 peças escolhidas e garimpadas em diversas feiras, leilões e mercados de "pulgas" dos cinco continentes, que reunidas oferecem um acervo digno das melhores coleções de relógios e peças do mundo, tudo feito com muita paixão, paciência e, principalmente, tempo. O museu atende à expectativa de colecionadores que não tinham, no Brasil, um lugar para apreciar esse tipo de obra de arte, diferentemente do que ocorre na Europa e nos EUA. A cada dia fica mais difícil reunir em um museu esse tipo de memória uma vez que as peças antigas, produzidas ao longo dos últimos séculos, desaparecem do mercado.

Na exposição, o apreciador encontra, por exemplo, o relógio comemorativo da Independência do Brasil exposto em uma belíssima caixa em alto-relevo com decoração alusiva à data e que reproduz o famoso quadro de Pedro Américo. A peça possui ainda uma segunda tampa com o desenho do rosto de José Bonifácio de Andrada e Silva.

Há também o relógio comemorativo da descoberta dos portugueses dos caminho marítimo para a Ìndia, com a inscrição no mostrador de 1898, tendo na tampa a efígie de Vasco da Gama, e em toda a caixa um trabalho de cunhagem com motivos manuelinos.

O visitante também encontra um magnífico exemplar de relógio de sol de bolso, todo em prata, com bússola e que em seu verso apresenta uma relação das principais cidades européias e suas latitudes. Outra peça é um dos primeiros relógios de corda, que por meio de eletricidade, acionava uma campainha para despertar e permitia acender uma lamparina, fabricado em Paris, por volta de 1620.

Há também uns dos primeiros relógios fabricados na França no século XIX, o relógio falante. Trata-se de uma peça pouco comum, fabricada por volta de 1910 e que falava as horas, graças a um pequeno gramofone que trazia acoplado ao seu mecanismo, mas, por falta de qualidade, a invenção levou seus fabricantes à falência.

O museu foi montado em grande parte com peças da coleção particular do professor e empreendedor do tempo Dimas de Melo Pimenta (1918-1996). O fundador da DIMEP, considerado um revolucionário no ramo, desde 1936, e que esboçou os primeiros projetos após fazer diversas pesquisas em literatura técnica e análises práticas de relógios oriundos da Alemanha, país considerado o berço dos relógios. Os conhecimentos do brasileiro foram muito bem aproveitados. De sua oficina saiu uma encomenda: um relógio de 3 metros de diâmetro, fabricado em 1938, para a fachada do jornal A Noite.

Grandes, pequenos, funcionando ou parados, há diversos relógios em exposição, que estão ali graças ao trabalho do professor Dimas de Melo Pimenta. Ele viajou o Brasil e o mundo para reunir os objetos: de cada lugar que conhecia, trazia uma nova peça para sua coleção. Tantas que, em 1975, fundou o Museu do Relógio. Mas, em 2001, o lugar teve de fechar suas portas, para passar por obras e mudanças. E em 2005, reabriu, com mais de 800 relógios!

A (re)abertura do museu foi feita por Dimas de Melo Pimenta II, herdeiro da Dimep. Hoje, o executivo comanda uma empresa que ocupa uma posição privilegiada no mercado mundial de relógios comerciais e industriais.O Museu do Relógio demonstra a enorme preocupação que norteou toda a vida do Professor Dimas de Melo Pimenta: reconstruir a evolução tecnológica destes marcadores de tempo através dos séculos.
A pista da semana é o Museu do Relógio, de São Paulo. A melhor homenagem que se poderá fazer a Dimas de Melo Pimenta é visitar o museu que ele fundou.

Museu do Relógio
Localizado na fábrica de relógios Dimep, o museu fica
na Avenida Mofarrej 840, Vila Leopoldina, São Paulo/SP.
De segunda a sexta, das 9h às 11h e das 14h às 17h.
Tel.: (11) 3646-4000. Entrada grátis

2 comentários:

Anónimo disse...

Prezados senhores gostaria de saber se no séc.XIX já havia fabricação de relógios no Brasil? Se sim de que tipo? se não de onde vinham?
Atenciosamente,
fátima bevilaqua
bevilaqua.6sr@iphan.gov.br

Anónimo disse...

relógio
*luizcarloslemefranco*


Relógio que bate forte, bastante,
Relógio que anda em frente,
leve meu tempo embora,
traze meu futuro agora,
faz a vida ir adiante.

Relógio, não pares a hora,
caminhes sem cessar,
deixa a tristeza dormente
no passado que lhe pertence.

Relógio, o futuro chegou,
O mundo se movimentou,
a discórdia já passou,
a razão, por fim, acordou.


Relógio, estamos noutros tempos,
tempos, da amizade, da alegria,
Relógio, desperta, traga logo
a paz esperada do dia a dia.
Relógio que circula sem parar
e avança para a eternidade,
não deixa o tempo passar
traze para cá a felicidade.

Deixa o mal bem para trás,
prende a enganosa realidade,
que o bem ocupará o espaço
e teremos tranqüilidade.

Relógio, não me deixa mentir
se digo que um novo mundo esta a vir.
caminha sem sair do lugar,
mas chega logo ao bem-estar.


Relógio, não me enganas,
não me deixe , também, enganar
que o tempo que chega é melhor
e vem para sempre agradar.

Relógio, o tempo não para,
o tempo nunca demora,
o tempo sempre passa,
o mundo sempre melhora.



A tristeza sairá embora,
as questões serão resolvidas,
a doença do corpo sai fora
e as pessoas ficam benvividas.

Relógio,
não me transforma em um triste,
não me abandona nos pensamentos.
Relógio, anda comigo no meu caminhar,
Carrega-me quando eu quiser parar.

Dá-me ânimo com teu rodar constante,
incuta-me esperança a cada volta de seus marcadores,
abastece-me, sempre, do bastante
traz os segundos à frente mais animadores.

Relógio de sol, de pulso, de bolso, de paredes,
de qualquer tipo, indicai o que de bom percebes,
mostrai a todo instante o que de bom vedes
no seus momentos sempre seguintes.

Relógios, de todas as marcas,
Bendizeis suas horas que sempre vão,
indicai todos os segundos bons que abarcas,
trazei amanhãs melhores do que os que estão.




Não me castiga por antever coisas boas á frente.
Porque é uma ânsia antiga do meu ser
pensar agora em boa melhora de tempos,
aquele infinito grande amor ter.
.
Vamos a paz de espírito buscar.
Relógio, adota-me como seu amigo,
seu ininterrupto circular vai nos ajudar,
não desanime,ande sempre comigo.

Ajuda, relógio, ajuda trazer
dias, p’ra sempre, de benquerer.
Relógio, não pares nem sem querer:

Transfira tua imortalidade ao meu ser.

Ah, se pudesses.