já não tenho mão com que escreva nem lâmpada,
pois se me fundiu a alma,
já nada em mim sabe quanto não sei
da noite atrás da luz: livros, frutas na mesa, o relógio
que mede
minha turva eternidade
e o tempo da terra monstruosa,
já nada tenho com que morrer depressa,
excepto
tanta hora somada a nada:
acautela a tua dor que se não torne académica
Herberto Helder
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Richemont Group, o maior do mundo em termos de relojoaria de luxo, reduz 350 postos de trabalho
O grupo Richemont, o maior do mundo em termos de relojoaria de luxo, tenciona cortar 350 postos de trabalho nas empresas que tem na Suíça. O grupo aponta para o franco forte e para a falta de turistas na Suíça como causas da decisão de reavaliar a capacidade de produção. O Grupo Richemont é o primjeiro dos grandes no sector relojoeiro helvético a anunciar despedimentos. Até agora, apenas os fornecedores da indústria tinham reduzido postos de trabalho, face a uma diminuição das exportações.
O grupo Richemont emprega 30 mil pessoas a nível mundial e 9 mil na Suíça. Tem no seu portefólio marcas como Cartier, Montblanc, Van Cleef & Arpels, Piaget, Vacheron Constantin, IWC, Jaeger-LeCoultre, Panerai ou Baume & Mercier.
Leia mais aqui.
Meditações - tempo e poder
Quanto mais poder se tem
mais o tempo se despreza
e tratando-o com desdém
nem sequer o senta à mesa!
João de Castro Nunes
mais o tempo se despreza
e tratando-o com desdém
nem sequer o senta à mesa!
João de Castro Nunes
domingo, 21 de fevereiro de 2016
Pré-Baselworld 2016 - relógio Raymond Weil Freelancer skeleton
A Raymond Weil celebra 40 anos em 2016. No âmbito das comemorações, lança na Baselworld 2016 um novo modelo na colecção Freelancer, iniciada em 2006 e a que hoje mais vende. O Freelancer skeleton tem caixa de 42,5 mm, de aço revestido a PVD preto. Calibre automático, esqueletizado, com acabamentos de ruténio. Mostrador galvânico preto, com abertura central, marcadores e ponteiros banhados a ouro rosa. Vidro de safira na frente e no verso. Pulseira de couro preto de novilho. Fecho RW dobrável, em aço, com revestimento PVD preto e sistema de segurança com botão de pressão duplo. Resistência à água até 10 ATM (100 metros).
Relógio Omega usado por Daniel Craig em Spectre rende 119 mil euros para fins solidários
O ‘Protótipo Um’ – o Omega Seamaster 300 utilizado por Daniel Craig em Spectre (o mais recente filme da saga 007) – foi vendido no leilão temático "Bond" em Londres, organizado pela Christies.
A peça foi licitada por 92,500 libras (cerca de 119 mil euros). Este relógio especial apresenta uma caixa em aço inoxidável e um mostrador preto polido. A luneta rotativa bi-direccional é também preta, desta vez criada a partir de cerâmica polida com uma escala de 12 horas em LiquidMetal®. Outras características únicas incluem o ponteiro central de segundos em "lollipop", bem como a bracelete NATO com cinco listras pretas e cinzentas. Tem calibre automático Omega Master Co-Axial 8400.
O valor angariado no leilão reverte integralmente a favor da Doctors Without Borders e de outras organizações sem fins lucrativos.
Meditações - Teus dedos num relógio como a picada duma abelha
Elegia dos Amantes Lúcidos
Na girândola das árvores (e não há quem as detenha)
Deixa de fora a tarde o vermelho que a tinge.
Se ao menos tu ficasses na pausa que desenha
O contorno lunar da noite que te finge!
Se ao menos eu gelasse uma corda do vento
para encontrar a forma exacta dum violino
Que fosse a sensibilidade deste pensamento
Com que a minha sombra vai pensando o meu destino
E não houvesse o sono dum telhado
Entre ter de haver eu e haver o tecto;
E a eternidade não estivesse ao lado
A colocar-nos nas costas as asas dum insecto
Meu amor, meu amor, teu gesto nasce
Para partir de ti e ser ao longe
A cor duma cidade que nos pasce
Como a ausência de deus pastando um monge
Ah, se uma súbita mão na hora a pique
Tangendo harpas geladas por segredos
Desprendesse uma aragem de repiques
Destes sinos parados pelo medo!
Mas só porque vieste fez-se tarde,
Ou é a vida que nasce já tardia
Como uma estrela que se acende e arde
Porque não cabe na rapidez do dia?
Nem homem nem mulher. Só a moeda antiga:
Uma inflação de deuses que não pode parar
Como um pássaro cego à nora da intriga
Que é a morte no centro connosco a circular.
Será o mesmo tempo que nos cabe?
Talvez sejas a raça prematura
Duma gota de orvalho que se há-de
Negar à minha sede desértica e futura.
Como o brilho dum sol partido ao meio
Damos luz pela nostalgia da metade.
Partes para ser gaivota no meu seio.
Mas não trazes no bico uma cidade.
Aqui pousou um pássaro de lume
Que deixou um voo subterrâneo
Na repetida vibração do gume
Que cada hora traz à lâmina do crânio.
Teus dedos num relógio como a picada duma abelha
A fabricar o mel da estação perdida!
Que quanto a primavera um rouxinol na telha
É toda a melodia que traz na unha a vida.
O navio tem dois extremos ermos:
Os cabelos para Vénus e os pés para Marte.
Mas a viagem é o mar com a terra a ver-nos.
E com lenços à vista ninguém parte.
Ah, se ao menos eu pudesse agora erguer-me
Como uma pedra pelas minhas mãos futuras
E ficasse para sempre a aquecer-me
Ao sol que cega efémeras criaturas!
Se soltasses as aves da rotina
E de um jorro de deuses abrisses a comporta
E reclinada em tua espádua genuína
Eu entrasse num céu sem ter que achar a porta!
Se tu viesses cavaleiro branco
Orvalhado pela manhã do meu instinto.
E ficasses a chamar-me como um canto
No porvir do nosso último recinto!
Se ficássemos espuma de Maio cor-de-rosa
Nas praias donde Maio se retira,
Enrolados nos panos duma paisagem silenciosa
Que fosse a pura sonoridade da ausência duma lira!
Ah, as sementes que te exigem em declive
Entre abismos onde nunca te despenhas
E esfumados voos em que te embebes e revives
O que de ti já pousou no cume das montanhas!
Inútil decifrarmos este oráculo de ave absorta
Na incontinência do voo que a abrasa.
Se houver um palácio sem porta, talvez seja a porta.
Se houver uma casa sem tecto, talvez seja a casa.
Natália Correia
Na girândola das árvores (e não há quem as detenha)
Deixa de fora a tarde o vermelho que a tinge.
Se ao menos tu ficasses na pausa que desenha
O contorno lunar da noite que te finge!
Se ao menos eu gelasse uma corda do vento
para encontrar a forma exacta dum violino
Que fosse a sensibilidade deste pensamento
Com que a minha sombra vai pensando o meu destino
E não houvesse o sono dum telhado
Entre ter de haver eu e haver o tecto;
E a eternidade não estivesse ao lado
A colocar-nos nas costas as asas dum insecto
Meu amor, meu amor, teu gesto nasce
Para partir de ti e ser ao longe
A cor duma cidade que nos pasce
Como a ausência de deus pastando um monge
Ah, se uma súbita mão na hora a pique
Tangendo harpas geladas por segredos
Desprendesse uma aragem de repiques
Destes sinos parados pelo medo!
Mas só porque vieste fez-se tarde,
Ou é a vida que nasce já tardia
Como uma estrela que se acende e arde
Porque não cabe na rapidez do dia?
Nem homem nem mulher. Só a moeda antiga:
Uma inflação de deuses que não pode parar
Como um pássaro cego à nora da intriga
Que é a morte no centro connosco a circular.
Será o mesmo tempo que nos cabe?
Talvez sejas a raça prematura
Duma gota de orvalho que se há-de
Negar à minha sede desértica e futura.
Como o brilho dum sol partido ao meio
Damos luz pela nostalgia da metade.
Partes para ser gaivota no meu seio.
Mas não trazes no bico uma cidade.
Aqui pousou um pássaro de lume
Que deixou um voo subterrâneo
Na repetida vibração do gume
Que cada hora traz à lâmina do crânio.
Teus dedos num relógio como a picada duma abelha
A fabricar o mel da estação perdida!
Que quanto a primavera um rouxinol na telha
É toda a melodia que traz na unha a vida.
O navio tem dois extremos ermos:
Os cabelos para Vénus e os pés para Marte.
Mas a viagem é o mar com a terra a ver-nos.
E com lenços à vista ninguém parte.
Ah, se ao menos eu pudesse agora erguer-me
Como uma pedra pelas minhas mãos futuras
E ficasse para sempre a aquecer-me
Ao sol que cega efémeras criaturas!
Se soltasses as aves da rotina
E de um jorro de deuses abrisses a comporta
E reclinada em tua espádua genuína
Eu entrasse num céu sem ter que achar a porta!
Se tu viesses cavaleiro branco
Orvalhado pela manhã do meu instinto.
E ficasses a chamar-me como um canto
No porvir do nosso último recinto!
Se ficássemos espuma de Maio cor-de-rosa
Nas praias donde Maio se retira,
Enrolados nos panos duma paisagem silenciosa
Que fosse a pura sonoridade da ausência duma lira!
Ah, as sementes que te exigem em declive
Entre abismos onde nunca te despenhas
E esfumados voos em que te embebes e revives
O que de ti já pousou no cume das montanhas!
Inútil decifrarmos este oráculo de ave absorta
Na incontinência do voo que a abrasa.
Se houver um palácio sem porta, talvez seja a porta.
Se houver uma casa sem tecto, talvez seja a casa.
Natália Correia
sábado, 20 de fevereiro de 2016
Tomar, os Templários e um relógio, na morte de Umberto Eco (1932 - 2016)
Esta obsessão por medir o tempo, esta ideia tão generalizada de calendarizar a existência são uma invenção moderna... Os povos da Antiguidade não tinham consciência do tempo.
Umberto Eco
“Se eu conseguia imaginar um castelo templário, assim era Tomar”, diz Umberto Eco no seu livro O Pêndulo de Foucault, cujo enredo gira à volta dos cavaleiros da Ordem do Templo e de um plano secreto à escala mundial que uns tantos iniciados têm feito por cumprir ao longo de seis séculos. O escritor recorda que Tomar era o Castelo em que os Templários portugueses se tinham entrincheirado “após a benevolência do rei e do papa os ter salvo do processo e da ruína”, transformando-os em Ordem dos Cavaleiros de Cristo.
“Sobe-se por uma estrada fortificada que bordeja os bastiões exteriores, de seteiras em forma de cruz, e respira-se uma atmosfera de cruzada desde o primeiro instante”.
Eco, que esteve em Tomar durante as investigações para escrever a obra, diz através de um dos seus personagens que se comoveu ao entrar na Charola, o templo octogonal que reproduz o do Santo Sepulcro, núcleo de todo o monumento e onde tudo começou. Depois, já em terreno ficcionado, fala de caixotes de volumes em hebraico, abandonados por ali, presumivelmente do século XVII. E conclui que o plano que dá corpo ao livro, seis encontros mágicos, terá tido início em Tomar, com o primeiro deles a ocorrer entre os cavaleiros e a comunidade judaica da localidade que, na verdade, foi muito importante. “Parti de Tomar e de Portugal com a mente em chamas”, diz a personagem.
A Ordem do Templo foi fundada em 1128. O seu objectivo era a reconquista do Templo de Jerusalém, entretanto caído nas mãos dos muçulmanos. Como corpo militar, ajudou na Reconquista ocorrida na Península Ibérica. Extinta em 1311, por pressão do rei de França, acusada de heresia e outras monstruosidades, diz-se que a verdadeira razão da perseguição foi o facto de o poder temporal europeu começar a temer o poder político e económico de uma ordem que não dava explicações a ninguém, nem sequer ao papa.
Em Portugal, D. Dinis conseguiu do papa João XXII uma bula muito conveniente: ela permitia a transformação da Ordem do Templo em Ordem de Cristo (1319). Na Alemanha, num processo idêntico, os templários transformaram-se em Cavaleiros Teutónicos. O estratega da Expansão portuguesa, o Infante D. Henrique, foi mestre da Ordem de Cristo desde 1417 e até à sua morte, tendo vivido provavelmente uma parte significativa da sua vida em Tomar (antes de se mudar para a zona de Sagres e, a partir daí, dirigir directamente as expedições marítimas do século XV português).
Segundo a lenda, a charola de Tomar terá sido construída no final do século XII pelo mestre da Ordem dos Templários, Gualdim Pais. Ao corpo principal foram sendo acrescentados outros edifícios. D. Manuel I foi durante 37 anos Mestre da Ordem de Cristo, residiu em Tomar durante vários períodos, celebrou lá o Capítulo de 1503, importante para a reforma da ordem. A chamada “Janela do Capítulo”, um dos mais célebres monumentos portugueses, é nesse peculiar estilo manuelino. D. João III foi o último Mestre particular da ordem, visitou o convento em 1523, mandou fazer obras de grande vulto, acrescentou mais espaço construído ao conjunto, decretou a reforma de 1529. Filipe II de Espanha, primeiro de Portugal, faz-se reconhecer rei em Tomar, em Cortes celebradas em 1581, manda construir o célebre aqueduto. Filipe III de Espanha, segundo de Portugal, reúne o capítulo geral da Ordem de Cristo em 1619.
Há, no conjunto primitivo de Tomar, a partir da Charola, duas torres, que se apoiam uma à outra. Não se sabe ao certo quando terão sido construídas. Ambas são torres sineiras. Uma, pelo menos, terá sido também até há bem pouco tempo, torre relojoeira. No tempo da regente D. Catarina, viúva de D. João III, há uma autorização real para que “a torre dos sinos” seja reparada, já que existia o perigo de derrocada (Setembro de 1562). Mas não há referência a qualquer relógio.
Hoje, num canto da antiga farmácia do convento, que já sofreu intervenção museológica e tem uma exposição permanente de instrumentos, vasos e outro material usado pelos monges de Tomar para o tratamento das suas maleitas, jaz despido e triste o que resta de um mecanismo de relógio de torre, tirado nos anos 40 do século XX da torre onde tinha estado primitivamente. Nessa operação da então Direcção Geral dos Monumentos Nacionais também viria a ser picado e totalmente apagado da frontaria da torre o mostrador do dito relógio.
À primeira vista, o mecanismo teve várias intervenções. Feito essencialmente em ferro, tem peças comparativamente novas, em bronze e latão. Falta-lhe o oscilador tipo “folliot”, que terá sido substituído, a dada altura, por um escape tipo “âncora”. O pêndulo partiu-se, tendo também desaparecido.
Tomar teve durante alguns anos, no início do séc. XXI, Jorge Custódio, um especialista em arqueologia industrial que, como vimos, fez um trabalho exemplar na recuperação da relojoaria do ferro em Santarém. Ao ver o mecanismo de Tomar, sentiu a emoção típica de quem foi “mordido” pelo bichinho relojoeiro. Quis recuperar a máquina, dando-lhe um tratamento museológico adequado. Em 2004, percorremos, como ele, pela primeira vez, as torres sineiras do Convento de Cristo. Vimos onde o relógio esteve durante séculos, espreitámos pelos buracos de onde partiam as cordas do mecanismo, partilhámos com ele e com José Mota Tavares, outro entusiasta da relojoaria de torre, a alegria da “descoberta” dos pesos que terão servido para movimentar o conjunto. Soubemos da existência de “uns ponteiros” abandonados na arrecadação do convento.
Quem mandou construir o relógio templário de Tomar? Quem o construiu? Quem se encarregou da sua manutenção ao longo dos anos? E como fazer a recuperação da máquina? Poderá ela voltar à torre de onde saiu há 60 anos?
Alexandre Herculano, n’O Monge de Cister, fala a dada altura de um relógio de parede, referido à época de D. João I (séculos XIV-XV), salientando que essa invenção tinha apenas então começado a generalizar-se. Numa visão muito típica da escola romântica, Herculano afirma que esse relógio fora um presente do duque de Lencastre ao rei de Portugal, embora não haja quaisquer provas documentais para que isso se possa dizer.
Mas o caso não deixaria de ter a sua lógica, já que a relojoaria mecânica dá alguns dos seus primeiros passos em Inglaterra e o casamento de D. João I com Filipa de Lencastre, uma filha do duque João de Gant, inicia não só a dinastia de Avis como o processo de diálogo sistemático de Portugal com as fontes de conhecimento científico originárias do Centro e Norte da Europa. A relojoaria incluía-se nesse saber e, a partir de então, Portugal terá importado, por presente ou encomenda real, muitas máquinas da chamada “escola inglesa”.
A casa real portuguesa, em meados do século XVI, acarinhava como verdadeiros tesouros os relógios que ia encomendado ou lhe iam oferecendo. Por essa altura, mais precisamente em 1534, um tal Pêro de França, relojoeiro, residente em Figueiró, foi a Tomar, “para avaliar o relógio do convento, que ajudou a fazer Diogo Henriques, serralheiro”.
Este registo, citado por Sousa Viterbo no seu estudo Artes e Indústria Metálicas em Portugal, é um tanto enigmático, já que não garante que a máquina primitiva e que ainda hoje se encontra no Convento de Cristo seja a que os dois homens tenham feito. Eles poderiam estar a trabalhar sobre uma mais antiga, da chamada “escola inglesa” primitiva. À primeira vista, a máquina de Tomar parece-se com uma, datada de 1382, que se encontra na Catedral de Salisbúria. Também esta sofreu, a dada altura, a substituição do “folliot” pelo escape de âncora. Restaurada há alguns anos, foi-lhe devolvido o sistema primitivo. José Mota Tavares, que tem investigado a relojoaria férrea em Portugal, inclina-se para essa possibilidade.
Jorge Custódio, à altura da nossa visita director do Convento de Cristo, pensa que a máquina, tal como chegou até hoje, terá sido encomendada no tempo de ou pelo próprio D. João III que, aliás, foi grande benfeitor do conjunto arquitectónico tomarense.
Seguindo o levantamento feito por Sousa Viterbo, regista-se em 1570 um tal Simão Rodrigues, reposteiro na casa real, e que tinha a seu cargo o concertar o relógio da vila de Tomar, pelo que foi autorizada a respectiva Câmara a pagar-lhe anualmente, por essa tarefa, quatro alqueires de azeite.
No tempo de Filipe II, Manuel Pedro, relojoeiro em Tomar, recebe pelo trabalho de temperar o relógio o salário anual de três cruzados e quatro alqueires de azeite. Em 1653, um tal Martim Rodrigues aparece nos registos como sendo “relojoeiro da vila de Tomar há 24 anos”. É-lhe concedida autorização de, por morte, passar a licença do mister para um filho. Tal veio a ocorrer em 1656, com Francisco de Azevedo a substituir-se ao pai como “relojoeiro do convento”.
Em 1711, Maria do Espírito Santo, viúva de Francisco Nunes de Azevedo, apresentava ao rei D. João V uma petição — achava-se com seis filhos, não tinha mais para os sustentar que o ordenado de relojoeiro de Tomar, cargo que o marido exercera durante 11 ou 12 anos, tendo servido antes dele seu pai, Tomé Nunes. Pedia “a propriedade do ofício”. O rei acedeu, até que o filho mais velho atingisse a idade de ele próprio poder ser relojoeiro.
Pelo atrás exposto se depreende que os levantamentos até agora feitos pouco ou nada descobriram sobre a máquina propriamente dita do relógio do Convento de Cristo de Tomar. Ela está hoje, como já foi dito, arrumada a um canto da Farmácia do convento.
Jorge Custódio, aproveitando o tema emblemático do Pêndulo de Foucault, tratado na obra homónima de Humberto Eco, pretendia lançar um projecto — “O Eco e o Pêndulo do Tempo”. Com isso, visava estruturar uma unidade de investigação, inventário, salvaguarda e conservação do património relojoeiro do Estado, tendo como ponto de partida a “máquina de relógio” do Convento de Cristo.
Por outras palavras, estudar e recuperar o exemplo de relojoaria férrea de Tomar para, sistematizando processos em bases científicas, aplicá-los depois um pouco por todo o país. Onde o abandono desse património é gritante.
Jorge Custódio já não é o director do Convento de Cristo, pensamos que o seu projecto de recuperação do relógio ali guardado nunca chegou a ter consequências. De qualquer forma, a pista da semana é o Convento de Cristo, mais o seu acervo, incluindo o relógio que ali jaz.
Para saber mais: História do Tempo em Portugal - Elementos para uma História do Tempo, da Relojoaria e das Mentalidades em Portugal (Diamantouro, 2003)
Meditações - tempo suíço
Na Suíça não se esbanja
um só minuto que seja
desde as fábricas à granja
onde o cidadão moureja!
João de Castro Nunes
um só minuto que seja
desde as fábricas à granja
onde o cidadão moureja!
João de Castro Nunes
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Relógios Breguet adquirem em leilão cronógrafo feito em exclusivo para a Bugatti
O Museu Breguet e o Presidente e CEO da marca, Marc A. Hayek, adquiriram um cronógrafo de tablier de automóvel criado para a Bugatti e que acaba de ir a leilão na Artcurial, em Paris. O Breguet No. 2023 foi originalmente vendido à Bugatti em 1932 e pertence a uma série de nove relógios concebidos pela Breguet para equipar os carros da marca italiana.
Com caixa de metal cromado, de 67 mm, de diâmetro, este cronógrafo de tablier tem escala taquimétrica. No mostrador creme, a frase “Spécial pour Bugatti”, além dos famosos ponteiros azulados desenhados em 1783. Numa abertura às 6 horas, está o contador de minutos do cronógrafo. O calibre de carga manual tem autonomia para oito dias. Coroa às 6 horas. Era vendido numa caixa original.
Da marca:
The dashboard chronograph No. 2023 was produced during the interwar years and demonstrates the highly diverse range of activities carried out by the watch Manufacture. In addition to creating pieces for the navy and the aeronautic industry, Breguet also supplied automotive brands throughout its history.
Brilliant car manufacturer Ettore Bugatti, who was a faithful friend of the Maison, placed his order at the beginning of the 1930s. He wanted to fit his luxurious “Royale” cars with a chronograph featuring a tachymeter function, intended to be placed in the middle of the steering wheel.
The Manufacture responded to his request by offering a range of timepieces that incorporated all the expertise acquired by the Maison since its foundation in 1775.
Relógios Porsche Design apresentam novidades em Lisboa e voltam à Baselworld
Os relógios Porsche Design vão voltar à Baselworld, depois de vários anos de ausência. Gerhard Novak, General Manager da Porsche Design Timepieces esteve por estes dias em Lisboa e apresentou na boutique Porsche Design da Avenida da Liberdade as novidades que estarão na maior feira de relojoaria do mundo, que decorre de 17 a 24 de Março, em Basileia.
Sobre a Porsche Design, já falámos abundantemente aqui ou aqui. Por duas vezes estivemos nos estúdios Porsche Design, em Zell am See, na Áustria, fundados por Ferdinand Alexander Porsche (o criador do Porsche 911 e pai dos primeiros relógios da marca).
Desde que capitais chineses compraram em 2011 a Eterna (veja aqui), que fornecia calibres para os relógios Porsche Design, esta marca entrou num limbo de indefinição. A família Porsche decidiu romper a aliança com a Eterna e fazer de raiz uma manufactura, a Porsche Design Timepieces AG, em Solothurn, Suíça. A ideia inicial era desenvolver um calibre próprio. Depois de mais de dois anos à volta deste projecto, aparentemente ele foi abandonado.
Os preços dos relógios Porsche Design começam nos 2.950 euros e vão até aos 6.950. Têm todos calibres mecânicos e conservam o ADN da marca - predomina a cor negra, as caixas são de titânio e o design é muito depurado, evocativo da escola Bauhaus.
Os relógios Porsche Design são representados em Portugal pela Torres Distribuição (com oito pontos de venda). Mas tanto na boutique da Avenida (franchisada) como em outros dois pontos mono-marca no Aeroporto os relógios são fornecidos directamente pela Porsche Design Timepieces AG.
As duas novas linhas que a Porsche Design apresentará na Baselworld 2016. Em cima, exemplo da colecção 1919. Em baixo, exemplo da colecção Chronotimer.
A colecção 1919 evoca o ano de fundação da escola de design Bauhaus. O 1919 Datetime Series 1 três ponteiros é lançado em quatro modelos. O 1919 Globetimer Series 1 tem função GMT, com escala de 24 horas e os 24 fusos horários gravados no verso, e tem também quatro versões.
Com caixa de 42 mm, de titânio, tanto a versão três ponteiros como a GMT são equipadas com calibres automáticos Sellita, com rotor personalizado Porsche Design. Estanques até 100 metros.
Tal como com a Chronotimer, as peças desta nova colecção foram desenvolvidas pela Porsche Design Timepieces AG em Solothurn, em parceria com o Porsche Design Studio, em Zell am See.
Os relógios Porsche Design da colecção Chronotimer Series 1 são cronógrafos automáticos, com caixas de 42 mm, de titânio. Estão equipados com o calibre Valjoux 7750, também com o rotor personalizado.
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