quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Chegado ao mercado - Guess Candy Pop
Guess Candy Pop. Calibre de quartzo, indicação de dia, data e 24 horas. Caixa e pulseira em aço, luneta com cristais Swarovski. PVP: 239 €
Há 100 anos - Portugal entrava no sistema de fusos horários

Jornal de Notícias, de 31 de Dezembro de 1911, informando do que é preciso fazer para se adaptar à nova hora (clique na imagem para aumentar)
Há precisamente 100 anos, Portugal preparava-se para adoptar o sistema dos Fusos Horários.
Foi preciso cair a Monarquia, mudar o regime, para que o país adoptasse a Hora decretada pelo meridiano zero, o de Greenwich. Por Decreto, com força de lei, de 26 de Maio de 1911, assinado por Teófilo Braga, António José de Almeida, Bernardino Machado, José Relvas e Brito Camacho, entre outros, decidia-se que a partir de 1 de Janeiro de 1912, a chamada Hora Legal, em todo o território português, fica subordinada a esse meridiano, segundo o princípio adoptado na Convenção de Washington em 1884.
A decisão tinha sido baseada no parecer unânime de uma comissão nomeada em Maio de 1911, e de que fizeram parte o almirante José Nunes da Mata; o tenente-coronel João Maria de Almeida Lima, Director do Observatório Meteorológico de Lisboa; o capitão de engenharia Frederico Oom, astrónomo do Observatório Astronómico da Tapada da Ajuda; o capitão de engenharia Pedro José da Cunha, lente de Astronomia da Escola Politécnica; e o engenheiro civil e de minas Luís da Costa Amorim.
O preâmbulo do Decreto afirmava:
“Considerando que já todos os países cultos, com raras excepções, terem adoptado para base da contagem do tempo o meridiano de Greenwich, segundo o princípio aceito na Convenção de Washington em 1884;
Considerando que a adopção do mesmo princípio no território português oferece incontestáveis e numerosas vantagens, tanto no movimento internacional dos comboios, como nos serviços telegráficos, nas relações marítimas e no convívio científico do país com o estrangeiro;
Considerando que o persistirmos no obsoleto sistema vigente representaria da nossa parte um verdadeiro atraso perante os progressos da civilização e até uma incúria, dada a nossa situação geográfica e os deveres que ela nos impõe, tanto no continente europeu como nas ilhas adjacentes e colónias;
Considerando que tal adopção, tendo indubitáveis e largas vantagens, não oferece nenhum inconveniente prático e não importa a mínima despesa […]”
Determinava-se depois que os relógios nacionais fossem adiantados de 36 minutos e 44,68 segundos a partir das 00h00 de dia 1 de Janeiro de 1912.
“São regulados pela hora legal todos os serviços públicos e particulares da República, devendo todas as repartições, edifícios e estações conservar os seus relógios, tanto internos como externos, sempre certos por essa hora e conceder todas as facilidades ao seu alcance para a tornar exactamente conhecida do público em geral, cumprindo às repartições telegráficas dar a este serviço toda a preferência”.
Além disso, permitiu-se e tornou-se válido para todos os efeitos legais ou jurídicos, que se designassem pelos números 13 a 23 as horas compreendidas entre o meio-dia e a meia-noite, suprimindo-se assim, as designações “Tarde” e “Manhã” ou outras equivalentes, e que a meia-noite se designasse por zero. Pelo mesmo diploma, desapareceu a diferença existente de cinco minutos entre os relógios internos e externos das estações ferroviárias.
Para saber mais, leia O Relógio da República, de Fernando Correia de Oliveira, Âncora 2010
Baselworld 2012 espera 100 mil visitantes
Mais fotos dos preparativos para a Baselworld 2012, que decorre de 8 a 15 de Março próximo em Basileia, Suíça. A maior feira de Relojoaria e Joalharia do mundo prepara-se para receber cerca de 1.800 expositores e mais de 100 mil visitantes profissionais, entre eles, como habitualmente, Estação Cronográfica.
Os trabalhos de remodelação da feira, que inaugurará com novo rosto em 2013, serão interrompidos durante a Baselworld 2012.
Meditações - ano novo, erros velhos
Jamais haverá ano novo,
se continuar a copiar os erros dos anos velhos.
se continuar a copiar os erros dos anos velhos.
Luís Vaz de Camões
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Há 15 anos... publicidade Yves Saint-Laurent
Chegado(s) ao mercado - Jaeger-LeCoultre Master Geographic
Jaeger-LeCoultre Master Geographic. Calibre de carga automática, da manufactura (JLC 939A). Indicação de horas, minutos e segundos centrais, data, reserva de corda, dia/noite, segundo fuso horário às seis horas, disco com 24 fusos horários e nomes de cidades, com indicação da hora de Verão. Caixa de 39 mm, em aço ou ouro rosa, frente e verso em vidro de safira, estanque até 50 metros. PVP: 9.150 € (aço) e 17.200 € (ouro rosa)
Anuário Relógios & Canetas - 15 anos ao serviço do Património Relojoeiro e dos Instrumentos de Escrita
Anuário Relógios & Canetas, edição comemorativa dos 15 anos do mais antigo título da especialidade em Portugal. E ainda pode ganhar uma caneta Montblanc Meisterstück 149. Para isso, registe-se aqui.
Chegado ao mercado - Rip Curl Kaos Silver
Rip Curl Kaos Silver. Cronógrafo de quartzo, multifunções - contagem decrescente, data, alarme, GMT. Caixa em aço, estanque até 100 metros. PVP: 169 €
Os países mais desejados do mundo - Canadá e Suíça lideram
Portugal desceu uma posição e o Brasil subiu dez no ranking dos países mais desejados do mundo, vistos por terceiros. Trata-se do sétimo estudo aual FutureBrand Country Brand Index (CBI), que avalia cada país como se de uma marca se tratasse. Na versão 2011-2012, Portugal está em 30º lugar e o Brasil em 31º, entre 113 países. Canadá e Suíça são as "marcas" mais desejadas por terceiros e a Espanha está na 14ª posição. Para descarregar o estudo completo, vá aqui. (clique nas imagens, para aumentar)
Christophe Claret faz parceria com o Casino de Monte Carlo e produz edição especial do relógio 21 Blackjack
A marca de Alta Relojoaria Christophe Claret apresentou recentemente no Mónaco uma série limitada e um exemplar único do seu modelo 21 Blackjack. Para o evento, realizado no Hôtel de Paris, foram convidados apenas 21 jornalistas especializados, a nível mundial.
Estação Cronográfica estava entre a lista de convidados mas não conseguiu sair de Lisboa, devido a uma greve da TAP que, ainda por cima, não chegou a realizar-se...
Do modelo 21 Blackjack e da associação entre a Christophe Claret e o Casino de Monte Carlo já falámos aqui, em primeira mão.
Publicamos hoje mais algumas imagens, não apenas do relógio série limitada (em baixo) mas também do exemplar único, com diamantes e rubis, com o logótipo do Casino de Monte Carlo na caixa (em cima), e que serviu de primeiro prémio no torneio anual de roleta que se realiza no Hôtel de Paris.
Da marca:
Fine watchmaker Christophe Claret is pleased to announce its partnership with the Casino de Monte-Carlo. This cooperative effort between the master watchmaker of Le Locle, Switzerland and the legendary casino in Monaco will be marked by a glittering celebration on December 9th and 10th 2011. A major roulette tournament event is being arranged by the famous gaming house, long a landmark as famous for its history and clientele – past and present –as for its Belle Epoque architecture.
The lucky winner at the roulette table will become the proud owner of a 21 Blackjack watch by Christophe Claret. This unique piece is set with baguette diamonds and rubies and stamped with the logo of the Casino de Monte-Carlo. Every aspect of this timepiece embodies the maker’s expertise in fine watchmaking.
It is an honour for Christophe Claret to be represented in this historic venue. In fact, this is the first time that the Casino de Monte-Carlo has decided to offer a watch for the tournament. This mark of trust shows just how exceptional the 21 Blackjack really is in the realm of games of chance, as re-envisioned by fine watchmaking.
In roulette, Lady Luck either smiles on the player, or not. In watchmaking the opposite is true: during the design, development and construction of a watch, nothing is left to chance. Everything is calculated, modelled on a computer, then checked and approved by the THF (acceptance testing) department. Tolerances are expressed in microns. Such are the exacting standards of Christophe Claret, which in twenty years has become one of the leading Swiss designers of highly complicated mechanical movements. The company develops calibres for about twenty of the sector’s most prestigious names. It is also its own brand that creates highly complicated watches under the Christophe Claret name, in an ultramodern facility with the latest advanced equipment and about a hundred highly qualified employees.
In this context, the 21 Blackjack watch is a truly fitting example of the creative, exclusive, playful and unconventional timepieces dreamed up in the Le Locle workshops. It can be summed up in a few words by noting that its precious white gold and titanium case houses a true miniature casino. To the traditional functions (hours and minutes), this amazing timepiece adds some very original complications: blackjack, roulette and dice, all with sensory effects.
For example the two dice, which measure 1.5 mm on a side, are housed in a cage at 4 o’clock that is visible through a small window in the case middle.
The roulette game is on the back of the watch. The winding rotor, which can be seen through a glareproofed sapphire crystal, serves as the roulette wheel.
As for the blackjack cards, they appear as if by magic on the dial. The player’s cards are displayed on the lower part of the face in four tiny rhodium-plated windows, while the bank’s cards are on the top. The game is started by pressing a pushpiece at 9 o’clock. The button arms a spring that simultaneously turns all seven of the gold discs on which the cards are transferred. After a few moments, the discs are stopped by catches, randomly but very accurately so that the cards are lined up with the windows. And best of all, a chime rings each time a player’s or banker’s card is revealed. The chime mechanism is also visible through an opening at 2 o’clock.
The 21 Blackjack watch that the lucky roulette tournament winner will take home is a technical and aesthetic masterpiece all wrapped up in a single package, a small tour de force of mechanical watchmaking at the forefront of innovation. It is an exceptional piece for an exceptional event, to equal the prestige of the famous Casino de Monte-Carlo.
In connection with this tournament, Christophe Claret will be introducing another version of the 21 Blackjack, very similar to the unique prize watch because other than the precious stones, it includes the same technical features. It is also stamped with the Casino de Monte-Carlo logo. Boasting an extraordinary self-winding movement, 501 components and exceptional finishes, it too belongs to the highly exclusive circle of fine timepieces. The first pieces in this limited series of 21 will be available in December 2012.
Technical Information:
Unique Piece
Movement:
Mechanical self-winding Calibre BLJ08, double barrel, 501 components, 40 jewels and 7 ceramic double ball bearings, 28,800 vibrations per hour, 4 Hz, power reserve approx. 72 hours
Functions:
Hour, minute, three games (blackjack with chime, roulette, and dice)
Case:
- Case in white gold and white grade 5 titanium
- Crown in white gold and white grade 5 titanium
- Ruby cabochon on crown
- Two side windows, one revealing the dice and the other the chime mechanism
- White gold bezel set with diamonds (3.6 carats for the diamonds alone) and rubies with ruby hour-markers (0.8 carats)
- Black rhodium-plated and ruby hands
- Diameter: 45 mm
- Water resistance: 3 ATM (30 m)
Front:
- Sapphire dial with rhodium-plated lozenges, revealing 7 gold discs on which the cards are transferred
- Engraved, lacquered and black rhodium-plated Casino de Monte-Carlo logo
- Black rhodium-plated Christophe Claret logo
- Three rhodium-plated windows for the bank, two of which are activated by a pushpiece with chime at 10 o’clock
- For rhodium-plated windows for the player, three of which are activated by a pushpiece with chime at 8 o’clock
Back: 3-D roulette wheel that rotates with the watch’s movement
Strap:
- Red alligator leather strap with white stitching
- Folding buckle with white-gold clasp
Series Piece
Movement:
Mechanical self-winding Calibre BLJ08, double barrel, 501 components, 40 jewels and 7 ceramic double ball bearings, 28,800 vibrations per hour, 4 Hz, power reserve approx. 72 hours
Functions:
Hour, minute, three games (blackjack with chime, roulette, and dice)
Case:
- Case in white gold and black PVD-coated grade 5 titanium
- Crown in black PVD-coated grade 5 titanium and grade 5 titanium
- Ruby cabochon on crown
- Two side windows, one revealing the dice and the other the chime mechanism
- White gold bezel with black-lacquered hour-markers
- Black PVD-coated and ruby hands
- Diameter: 45 mm
- Water resistance: 3 ATM (30 m)
Front:
- Sapphire dial with rhodium-plated lozenges that reveal the 7 gold discs on which the cards are transferred
- Engraved, lacquered and black PVD-coated Casino de Monte-Carlo logo
- Black PVD-coated Christophe Claret logo
- Three rhodium-plated windows for the bank, two of which are activated by a pushpiece with chime at 10 o’clock
- Four rhodium-plated windows for the player, three of which are activated by a pushpiece with chime at 8 o’clock
Back: 3-D roulette wheel that rotates with the watch’s movement
Strap:
- Black alligator strap with red stitching
- Folding buckle with white-gold clasp
Retail price: Limited edition of 21 pieces each valued at CHF 188,000
Design relojoeiro - GP, uma ideia com base nos circuitos de F1
Visto no Tokyoflash:
Design Submitted by Peter from the UK.
Peter says: I was trying to think of a motor sport themed watch which showed time in recognisable but new way. I decided that I wanted to use the silhouette of GP circuits as my clock face. The facia is removable and can be swapped with a range of facias with different circuits on them. (this principle would work for other shapes too) The watch would be programmed to work with a range of these facias.
The Red LED “car” = hours, the Blue LED “car” = Minutes, and the green LED “car” = Seconds. The silhouette of the circuit forms essentially a analogue face, the LED “cars” travel around the circuit clockwise to tell the time. The red car takes 12 hours to do a lap, the Blue 60 mins and the green 60 seconds. This format would lend itself to some interesting animations.
I would like to think this watch would appeal to motor sport and non-motor sport fans alike.
I think using the silhouette of GP circuits as a means of telling the time sets it apart from other designs. Also the modular interchangeable facias adds an interesting dynamic. I think this concept would also be easy to implement.
Pista dada por Ralf Wokan
Meditações - o ano acaba
Por este anoitecer
Por este anoitecer, o ano acaba.
Cinzento e azul no céu por entre as árvores,
acaba o calendário. Muitos crimes dele
serão futuras efemérides nos outros
que, folha a folha, acabarão também.
Como anoitece igual este ano às noites
com que, dia por dia, o ano foi passando
gregorianamente. O mundo ocidental,
cesáreo, atlântico, ex-mediterrânico,
conta do Cristo. Mas os outros mundos
também contarão dele, quando este ocidente
deixar de fingir dele — os deuses morrem —
para funções de calendário laico.
O tempo passa, os calendários mudam,
na vida e morte as horas se sepultam.
E, no entanto, o tempo vai connosco;
é desta terra só, e só por haver outros
que de outros astros são por haver este
diverso tanto a cada movimento.
Por este anoitecer, o ano acaba.
Jorge de Sena
Por este anoitecer, o ano acaba.
Cinzento e azul no céu por entre as árvores,
acaba o calendário. Muitos crimes dele
serão futuras efemérides nos outros
que, folha a folha, acabarão também.
Como anoitece igual este ano às noites
com que, dia por dia, o ano foi passando
gregorianamente. O mundo ocidental,
cesáreo, atlântico, ex-mediterrânico,
conta do Cristo. Mas os outros mundos
também contarão dele, quando este ocidente
deixar de fingir dele — os deuses morrem —
para funções de calendário laico.
O tempo passa, os calendários mudam,
na vida e morte as horas se sepultam.
E, no entanto, o tempo vai connosco;
é desta terra só, e só por haver outros
que de outros astros são por haver este
diverso tanto a cada movimento.
Por este anoitecer, o ano acaba.
Jorge de Sena
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Patrizzi Pocket Expert ww.tc da Girard-Perregaux
Novo volume da colecção Patrizzi Pocket Expert. Depois do Turbilhão com Pontes em Ouro, Osvaldo
Patrizzi e a sua equipa dedicam-se a mais uma peça Girard-Perregaux, o ww.tc (world-wide time control), uma referência no capítulo dos modelos com horas do mundo.
O Patrizzi Pocket Expert ww.tc está disponível em inglês ou francês e pode ser encomendado aqui.
TAG Heuer abre boutique em Wuhan
A TAG Heuer continua a expandir a sua rede de boutiques e inaugurou há dias mais uma, em Wuhan, China.
Situada no luxuoso International Mall daquela cidade, a nova boutique TYAG Heuer term 81 m2 de área e uma fachada em bronze, de 9,5 m de altura.
Trata-se da 15ª boutique da marca na China e da 128ª no mundo.
Chegado ao mercado - Relógio Sector Expander Street Digital Black & Red Canvas
Sector Expander Street Digital Black & Red Canvas. Cronógrafo de quartzo, multifunções, com mostrador retro-iluminado. Caixa em aço, estanque até 100 metros. PVP: 79 €
Meditações - Ano Novo
Receita de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987), poeta brasileiro. Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987), poeta brasileiro. Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.
domingo, 25 de dezembro de 2011
Há 15 anos... publicidade Zenith
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