quinta-feira, 5 de junho de 2025
Peças históricas da Cartier em exposição em Londres - veja no elógios & Canetas online
O grupo Anuário Relógios & Canetas é o maior produtor de conteúdos em língua portuguesa no seu segmento - Relojoaria, Joalharia, Instrumentos de Escrita e Objetos de Luxo em geral. Nos suportes em papel ou digitais, mantendo uma presença de líder nas várias plataformas. Com total independência editorial. Veja aqui, aqui, aqui, ou aqui.
Meditações - histórias que os relógios contam
A great watch doesn’t just tell time—it tells your story.
quarta-feira, 4 de junho de 2025
As jóias Rosekey no Relógios & Canetas online de Junho
O grupo Anuário Relógios & Canetas é o maior produtor de conteúdos em língua portuguesa no seu segmento - Relojoaria, Joalharia, Instrumentos de Escrita e Objetos de Luxo em geral. Nos suportes em papel ou digitais, mantendo uma presença de líder nas várias plataformas. Com total independência editorial. Veja aqui, aqui, aqui, ou aqui.
Meditações - todos os relógios parados
José Saramago, el hombre que paró todos sus relojes a la misma hora solo por amor. El escritor portugués sentía pasión por su compañera Pilar del Río
Esa noche, como todas, Pilar recorrió la casa recogiendo uno
a uno los relojes –de pared, de mesa– para llevarlos a la terraza y alejarlos
lo más posible de sus oídos. Necesitaba escaparse de ese tictac que la
martirizaba y no la dejaba dormir.
Así siempre.
Cada noche, todos los relojes.
Hasta que José le dijo:
–Ya no vas a tener que hacer más tu excursión nocturna. Voy
a dejar que los relojes se vayan parando. No voy a darles más cuerda.
Días después, la tomó de la mano y la llevó, reloj por
reloj.
–¿Ves? Ninguno hace ruido –le dijo él, feliz como un niño.
Todos marcaban la misma hora:
las cuatro.
–¿Por qué las cuatro? –le preguntó Pilar.
Él la miró:
–Porque es la hora en que nos conocimos.
(Do Facebook - La Biblioteca de Alejandría)
terça-feira, 3 de junho de 2025
Coisas do Ephemera - Os relógios Timex, Portugal e a luta dos trabalhadores, em 1974
A 12 de Junho de 1974, escasso mês e meio após o golpe militar que derrubou o regime de ditadura em Portugal, a Comissão de Trabalhadores da Timex (T.M.X.) lançava o primeiro número do seu jornal, “A Nossa Voz”, onde o último “O” era a imagem de um relógio de pulso. Um desses exemplares, que se anunciava quinzenal, acaba de chegar ao Núcleo do Tempo do Arquivo Ephemera, que coordenamos.
A luta por melhores salários, pelas 40 horas semanais e por
um mês de férias, liderada pelo Sindicato dos Ourives e Relojoeiros, dominado
pela extrema-esquerda, e contra o Partido Comunista Português (PCP), tinha
levado à greve, a saneamentos, e posterior ocupação da fábrica, num processo
que foi noticiado além-fronteiras, nomeadamente no jornal francês Liberation,
e deu azo a um livro. (Fazendo lembrar o Processo LIP, que ocorreu em França,
no contexto do Maio de 68).
O jornal Revolução, órgão do Partido Revolucionário do Proletariado – Brigadas Revolucionárias (PRP-BR) dava a primeira página da sua edição de 14 de Junho de 1974 ao depoimento de um ex-militante do PCP, onde este relatava o ambiente que se vivia na Timex.
A luta tinha-se iniciado em Fevereiro de 1974, ainda em ditadura, e levou a uma manifestação dos trabalhadores, maioritariamente mulheres, a 4 de Junho desse ano, junto ao Ministério do Trabalho.
A unidade de produção da multinacional norte-americana Timex
no Monte da Caparica, Almada, era na altura o 25º exportador do país.
Na Tese de Mestrado, defendida na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, sobre “A introdução do relógio mecânico emPortugal”, escrevemos:
A multinacional Timex instala-se em 1970 no Monte de Caparica, Almada, com uma sofisticada linha de produção de relógios mecânicos de pulso. O pessoal é maioritariamente feminino. A importância da unidade industrial para o país reside nas empresas que se formam à sua volta, e que fornecem, entre outros, instrumentos de precisão como nunca antes se tinham fabricado em Portugal. A micromecânica relojoeira tinha, finalmente, chegado. Mas a agitação laboral, iniciada mesmo antes do 25 de Abril de 1974, atinge níveis de autogestão e saneamento dos quadros nos meses seguintes a essa data. E a Timex deixa de fabricar relógios no final dos anos 1970.
[...]
Será preciso esperar por 1970 para que o país tenha a sua grande experiência fabril relojoeira. A multinacional norte-americana Timex instala-se então no Monte de Caparica, dando emprego a milhares de operários(as). As peças vinham todas do exterior, ali apenas se montavam os relógios de pulso, de movimento mecânico ou de quartzo, que eram exportados, na sua quase totalidade.
Dá-se o 25 de Abril de 1974 e a Timex tem de enfrentar um
aguerrido Sindicato de Ourivesaria, Relojoaria e Correlativos do Sul, que
estava politicamente nas mãos da extrema-esquerda maoista. Os cerca de cinco
mil associados deste sindicato coordenam uma luta interna dos trabalhadores da
multinacional, dando origem ao chamado “Caso Timex”, que até deu direito à
publicação de um livro [13]. A fábrica, tal como era, deixou de produzir
relógios em 1977. Passou a montar computadores, da pioneira Sinclair, mas também
isso viria a ser abandonado. A Timex mantém hoje em Portugal apenas actividade
comercial e representa várias outras marcas.
Pedro Esteves, que foi director industrial na Timex
Portugal, nos anos 80, já na fase dos computadores, recorda que, nos anos 70,
“todas as empresas que produziam em massa instalaram-se em países onde a
mão-de-obra era barata e onde havia uma certa estabilidade político-económica.
“Havia mais fábricas da Timex instaladas na Europa,
nomeadamente na Escócia, na França e suponho que na Alemanha. Portugal era um
dos locais onde existia uma fábrica de relógios mecânicos da Timex porque tinha
uma mão-de-obra barata. Já na altura Portugal beneficiou da importação de
tecnologias do exterior. Não esqueçamos que o grande benefício da vinda de
empresas para Portugal, para além da mão-de-obra, era trazer novas tecnologias,
que nalguns casos acabavam por desenvolver alguma actividade industrial de raiz
portuguesa. Esse aspecto verificou-se também quando começámos a produzir os
computadores”, refere este quadro nacional, em testemunho recolhido em 2003.
[14]
“A Timex trouxe grandes benefícios em termos tecnológicos,
do ponto de vista da execução de ferramentas e de máquinas de precisão, em
termos daquilo a que se chama cunhos e cortantes. A Timex teve então uma das
maiores oficinas da Europa em termos de produção de ferramentas de precisão.
Essas ferramentas eram feitas cá e enviadas para as restantes fábricas da
Europa para a produção de peças de precisão dos relógios mecânicos”, recorda.
“Actualmente as grandes empresas de cunhos que foram
fundadas ainda estão na posse dos funcionários que na altura com o
desmantelamento dessa actividade transitaram da Timex. Alguns fundaram as suas
próprias empresas. Uma das empresas mais conhecidas em que isso sucedeu é a
Rigorosa, em que o dono ou fundador da altura veio desse chamado tool room da
Timex.
“As instalações que foram feitas para a produção de relógios
eram tecnologicamente muito avançadas para a época e em Portugal talvez não
houvesse nada semelhante. Os ambientes eram controlados, não eram clean rooms
como temos actualmente na produção de semicondutores, mas tinham
características muito parecidas. Estamos a falar de relógios mecânicos em que
um grão de poeira era um factor perturbador do seu funcionamento e, como alguém
dizia na altura, o grau de limpeza, de reciclagem e de purificação do ar era de
tal forma que as pessoas podiam comer no chão. Ninguém entrava para a área
fabril sem uma bata vestida na antecâmara e havia um conjunto de regras.
Fazia-se o controlo do número de poeiras por polegada quadrada. Inicialmente o
relógio era feito de raiz, mais tarde a incorporação era apenas ao nível de
montagem final e comercialização.
“O perfil típico dos trabalhadores era o de operariado sem
treino, composto maioritariamente por pessoal feminino. A mão-de-obra estava
dividida entre os técnicos responsáveis pela manutenção de todo o processo
produtivo e havia o tool room, que era constituído por pessoal masculino”.
O investimento Timex foi o primeiro, único e último no sector da indústria relojoeira mecânica fina em Portugal, tendo deixado de produzir relógios de pulso em 1977. E os pólos de produção de relojoaria grossa ou média não sobreviveram ao século XXI.
[13] O Caso Timex - Crise do sistema capitalista internacional? Consequência do processo político português? Edição do Sindicato das Indústrias de Ourivesaria, Relojoaria e Correlativos do Sul sobre a luta dos trabalhadores portugueses da multinacional Timex entre Dezembro de 1975 e Agosto de 1976, primeiro por aumentos salariais, depois pela manutenção dos postos de trabalho. “Este conflito laboral é aqui apresentado como exemplar da política expansionista das grandes multinacionais e do modo como exploram a força de trabalho dos que nelas se empregam, aproveitando-se do desequilíbrio económico das nações hospedeiras e implantando-se em regiões do globo que melhor a sirvam.” O Correio da Manhã de 6 de Abril de 2017 inclui uma reportagem sobre a Timex no Monte de Caparica. Algum do espólio dessa fábrica de componentes para relojoaria fina encontra-se hoje no Museu da Cidade, em Almada.
Relógio de bolso grátis, 1924
Anúncio na revista norte-americana de agricultura La Hacienda, de Setembro de 1924. Por cada 5 assinaturas conseguidas, o leitor recebia um relógio de bolso grátis. (contribuição de José Paulo Leitão)
Trumpalhada…
Trumpalhada…
A guerra das tarifas desencadeada pela administração Trump
provocou uma natural reação nas importações de relógios suíços por parte dos
Estados Unidos.
Em Abril, Washington impôs uma tarifa de 10 por cento sobre
os relógios suíços, podendo as taxas subirem até aos 31 por cento, se não for
conseguido um acordo comercial nos três meses seguintes.
Temendo o que aí vem, marcas com boutiques suas ou a rede de
retalho multimarca reforçaram os stocks, fazendo com que as exportações
relojoeiras helvéticas tivessem tido, no comparado com mês homólogo de 2024, um
aumento de 18,2 por cento em valor em Abril, puxado pelo aumento de 149,2 por
cento só daquele mercado.
No acumulado, a Suíça aumentou em 4 por cento o valor de
relógios exportados nos primeiros quatro meses do ano. Sem os Estados Unidos, o
resultado seria mesmo negativo em Abril - menos 6,4 por cento, penalizado pela
continuada retração na China e Hong Kong. E, excluindo o efeito excecional de
exportação para os Estados Unidos, o número de relógios saídos da Suíça quebrou
5,7 por cento.
Portugal, 28º mercado de destino em Abril, com mais 44,1 por
cento comparado com mesmo mês de 2024, está em 27º lugar no acumulado,
registando aumento de 20,8 por cento.
Também aqui o aumento poderá estar relacionado com a ameaça de tarifas proibitivas para entrar no mercado norte-americano. Países vizinhos, como o México, ou cidades europeias com turismo elevado vindo do outro lado do Atlântico – casos de Londres, Paris, Madrid ou mesmo Lisboa – começam a sentir o aumento da procura em bens de luxo, nomeadamente relógios, e reforçam os seus stocks. Nesta “trumpalhada” caótica desferida pelo Presidente dos Estados Unidos contra o resto do mundo, há prejudicados, mas também beneficiados. Como em tudo na vida.
Meditações - I like New York in June, how about you?
When a girl meets boy,
Life can be
a joy,
But the
note they end on,
Will depend
on little pleasures they will share,
So let us compare.
I like New York in June, how about you?
I like a
Gershwin tune, how about you?
I love a
fireside when a storm is due.
I like
potato chips, moonlight and motor trips,
How about
you?
I'm mad
about good books, can't get my fill,
And
Franklin Roosevelt's looks give me a thrill.
Holding
hands at the movie show,
When all
the lights are low
May not be
new, but I like it,
How about
you?
I like Jack
Benny's jokes,
(To a
degree.)
I love the
common folks,
(That
includes me.)
I like to
window shop on 5th Avenue,
(I like
banana splits, late supper at the Ritz,
How about
you?)
I love to
dream of fame, maybe I'll shine,
(I'd love
to see your name right beside mine.)
I can see
we're in harmony,
(Looks like
we both agree)
On what to
do,
And I like
it, how about you?
Música de Burton Lane, letra de Ralph Freed
segunda-feira, 2 de junho de 2025
Madame Maria Anna Burnay , vendedora de relógios, Lisboa, anos 1820
Mathias Ferrari, veiu estabelecer-se na rua Nova do Almada, na loja onde estivera a modista Madame Olivier Botto, tão notável confeiçoadora de toilletes como Madame Justine, na mesma rua ; Madame Sardin, "primeira e única modista da infanta regente D. Izabel Maria", com atelier na rua da Horta Secca ; Madame Maria Anna Burnay (avó do actual conde de Burnay), "modista da Sereníssima Infanta D. Maria d'Assumpção", cujo estabelecimento era na rua do Alecrim, 10, mas que também vendia relógios d'alabastro, de bronze, com chafarizes fingindo agua, painéis com relógio e musica, lamparinas com e sem relógio, vasos neveiros, louças, e os jornaes francezes Petit Courrier de Dames e o Journal de Modes; e Madame Hermann, que chegara em 1825, e se estabeleceu na rua de S. Francisco da Cidade, n.° 1, (loja e primeiro andar) á esquina do Chiado, onde, de 1827 em deante, esteve a Levaillant; e a Duprat, na rua da Prata.
Pinto de Carvalho (Tinop), em "Lisboa d'outros tempos", de 1898
Relógios & Canetas online Junho
O grupo Anuário Relógios & Canetas é o maior produtor de conteúdos em língua portuguesa no seu segmento - Relojoaria, Joalharia, Instrumentos de Escrita e Objetos de Luxo em geral. Nos suportes em papel ou digitais, mantendo uma presença de líder nas várias plataformas. Com total independência editorial. Veja aqui, aqui, aqui, ou aqui.
Meditações - o tempo dos sinos medido, não pelo relógio, mas pela reza de orações
domingo, 1 de junho de 2025
Meditações - les fleurs du printemps tombent l’une après l’une... Il y a une horloge qui ne montre que le blanc de l’œil
L’attente
On attend le moment de gagner la victoire
On espère l’amour, on espère la gloire
On cueille des lilas
Derniers lilas pareils à des baisers très las
On attends des baisers plus doux que cette lune
Et les fleurs du printemps tombent l’une après l’une
La couille de Japonais rôtie et remplie de chiures de mouche
Le puceron du rosier
C’est une perspective mieux que celle de Nevsky
Une couleuvre avec un archevêque
Le pape est généralissime
On a joué la Brabançonne et les nerpruns fermaient l’horizon
On portait des poteaux télégraphiques de rechange
Les alluvions les plus récentes
Ô tranchée blanche ouverte comme un œuf à la coque
Les grenouilles immobiles la tête hors de l’étang
Tes cheveux aussi doux que des morceaux de sucre
Il y a une horloge qui ne montre que le blanc de l’œil
Tes nichons rempliraient un quart de cavalerie
Escalier en spirale plus beau roman des temps modernes
Elle a des poils en fils de fer barbelés
Narines chevaux de frise
Mais où est le sycophante pour que je revoie
Au moins la figue
Cette petite fille avait le grade de commandant
Toutes tatouée des seins exactement comme des bananes
Il y a ici un ancien marin qui a sodomisé un Hindou
Le veau d’or a tiré son coup
La boulangère est avec le Sénégalais
Les cages dorées où sont les Japonaises
Nuit et nuit et les lilas qui meurent
Il faut tourner rapidement en suivant une courbe du second
degré
Pour revenir aux jours les plus charmants des jours passés
qui pleurent
Un servant
fait comme Diogène faisait et se branle devant l’Armée
il y a aussi quelqu’un
Qui se fait pomper le cyclope avec une pompe à bicyclette
Courmelois, fin mai / début juin 1915
Guillaume Apollinaire, Poèmes à Lou

















































