Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Meditações - Monólogo do relógio

Monólogo do relógio

 

Não há no meu tic tac

Vislumbres, hipocrisia

Cada tic traz um tac

Cada tac uma agonia


Tudo a tempo se renova

Nos movimentos que exerço.

Cada tic abre uma cova

Cada tac traz um berço.

 

Num tic nasce uma mágoa

Num tac morre um prazer.

Cada tic é gota de água

Sobre uma face a correr.

 

Por cada tic agitado

Por cada tac abatido

Há sempre mais um pecado

a nascer e a ser vivido.

 

Tic tac é a minha lida

Tic tac é a minha sorte.

Num tic mete-se a vida

Num tac se encontra a morte.

 

Com tão cruel tic tac

Com tão funesta medida

Vou roubando ao almanaque

Todos os anos da vida.

 

Vou medindo em horas cheias

O tempo que não tem fim.

Tenho o coração e as veias

Do tempo dentro de mim.

 

E nesta pressa ruim

De mágoas e de agonias

Chegam sempre ao triste fim

Vidas, minutos e dias.

 

João Teixeira de Medeiros

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