quarta-feira, 8 de abril de 2026
Meditações - Primavera
Entre Março e Abril
Que cheiro doce e fresco,
por entre a chuva
me traz o sol,
me traz o rosto,
entre março e abril
o rosto que foi meu,
o único
que foi afago e festa e primavera?
Oh cheiro puro e só da terra!
não das mimosas,
que já tinham florido
no meio dos pinheiros;
não dos lilases,
pois era cedo ainda
para mostrarem
o coração às rosas;
mas das tímidas, doces flores
de cor difícil,
entre limão e vinho,
entre marfim e mel
abertas no canteiro junto ao tanque
Frésias,
ó pura memória
de ter cantado –
pálidas, fragrantes,
entre chuva e sol
e chuva
- que mãos vos colhem,
agora que estão mortas
as mãos que foram minhas?
Eugénio de Andrade
terça-feira, 7 de abril de 2026
Meditações - a Lua servia para medir o tempo...
Há 6500 anos, na língua que veio a dar origem ao português, LUA dizia-se de duas maneiras diferentes…
A primeira, mais comum, era *mḗh₁n̥s, que derivava do verbo que significava «medir». A Lua servia para medir o tempo… Foi essa raiz que nos deu a palavra MÊS. Foi também a origem da palavra inglesa «moon».
A segunda palavra, usada em discursos mais poéticos, era *lówksneh₂, derivada de *lewk-, que significava «brilhar». Foi dessa raiz que veio LUA, mas também LUZ.
No caminho entre *lówksneh₂, do proto-indo-europeu, e LUA tivemos a palavra latina «luna», que deu origem a às várias palavras das línguas latinas: a «lună» romena, a «luna» italiana, a «lune» francesa, a «lluna» catalã, a «luna» castelhana e mais umas quantas...
No caso do galego e do português, ficámos sem o N no meio da palavra. Os falantes que transformaram o latim na nossa língua deixaram cair muitos sons [n] e [l] entre vogais e, por isso, a palavra LUA tem uma cicatriz antiga, típica do galego e do português.
(Conto o resto da história no livro AS RAÍZES DA LÍNGUA, que
sai este mês.)
segunda-feira, 6 de abril de 2026
Iconografia do tempo
Há 45 anos... um barco chamado Quimera Alfa...
Meditações - Para um algoritmo do Big Tech Data não temos passado nem futuro
[...] estamos mergulhados num oceano de informação e comunicação onde só os algoritmos têm a capacidade analítica bastante para processar e tratar tantos dados irrelevantes de natureza infra pessoal. Digamos que o Big Tech Data constrói uma linguagem comum e abre a porta a uma nova teoria do equilíbrio geral, uma teoria dos meta-dados que relega para plano secundário a nossa intersubjetividade e institui uma personalização sem sujeito ou, então, várias personalizações e trajetórias onde alguns de nós podem escolher a narrativa mais consentânea com as suas próprias convicções. O racional do Big Tech Data visa encontrar a norma-padrão e, assim, prevenir contra a incerteza e o desvio da nossa imperfeita racionalidade biológica e orgânica. Para um algoritmo do Big Tech Data não temos passado nem futuro, somos um presente em atualização, uma otimização operada pela racionalização algorítmica.
António Covas
domingo, 5 de abril de 2026
Meditações - O tempo é um rio que me arrebata
O tempo é a substância da qual sou feito. O tempo é um rio que me arrebata; mas eu sou o rio. Tempo é o tigre que me destrói; mas eu sou o tigre. Tempo é o fogo que me consome; mas eu sou o fogo.
Jorge Luís Borges
sábado, 4 de abril de 2026
Relógios Minerva - as novidades para 2026 - The Unveiled Secret
Boutique Vacheron Constantin da Avenida trás novo relógio Overseas Tourbillon a Lisboa
Relógios Minerva - as novidades para 2026 - The Unveiled Crownless
Minerva The
Unveiled Crownless. Calibre de carga manual, decorado à mão, com 80
horas de autonomia. Platina e pontes de prata alemã rodiada. Caixa de 41,5 mm,
de aço, com luneta de ouro rosa. Sem coroa. A corda e o acerto dos ponteiros
são feitos através da luneta. Certificado
pelo Minerva Laboratory Test 500H



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