Recebemos por estes dias um e-mail de Matthias Lambert, de Düsseldorf, Alemanha. Tinha herdado um Longines de bolso, com caixa de ouro (na foto em cima). Pediu à Longines elementos sobre a peça e a resposta foi que o relógio seguiu a 1 de Setembro de 1900 para Jules Mange, na altura representante da marca em Portugal.
Matthias Lambert foi à procura de mais elementos e encontrou referências a Mange no blogue Estação Cronográfica. Tínhamos falado dele aquando de uma comunicação que fizemos em Faro sobre o modelo Portugieser da IWC. E, depois, mais profundamente, aquando das investigações que resultaram no livro O Relógio da República.
O genebrino Jules Louis Mange (1845 - 1928) foi Cônsul da Confederação Helvética em Lisboa, de 1897 a 1922. Fundou, entretanto, o Depósito Suíço, na Baixa pombalina. E, além da Longines, representou a IWC, a Moeris (activa entre 1883 e 1970) e a Lusitanos (talvez marca própria, com calibres suíços). Além disso, o Depósito Suíço tinha tipografia e especializou-se na edição de postais turísticos. Mange foi ainda um dos fundadores da Igreja Presbiteriana em Portugal.
Em O Relógio da República referimos o relógio de Mendes Cabeçadas, um dos atores do 5 de Outubro de 1910. A peça, igualmente com caixa de ouro, importada por Mange e comprada pelo pai de Cabeçadas em 1906 no Depósito Suíço foi-lhe oferecida quando se formou Cadete da Marinha. Por isso, dizemos que este Longines, que foi restaurado pela manufatura, por nossa iniciativa, e que hoje se encontra no Museu da Presidência, viveu, tal como o seu dono, em três regimes - Monarquia, República e Estado Novo.






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