Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Meditações - a areia que rolou da ampulheta dos anos

Não sei se era visão, filha do Mêdo, Se verdadeira apparição nocturna; Mas da sombra profunda do arvoredo, Que o luar tornava muito mais soturna, Vinham surgindo mysteriosamente Phantasmas espectraes que eu distinguia Através do sudário transparente Como o primeiro alvorecer do dia... E por deante de mim todos passavam, E olhavam-me e choravam... De mágoa ou compaixão, não sei dizê-lo; Mas tudo o que aos meus olhos evocavam Parecia-me um longo pesadelo... Eram os Sonhos, as Chimeras mortas Na minha morta Phantasia, Que do vasto sepulcro abrindo as portas, Passavam nessa funebre theoria... Projectos, Intenções, Ideias, Planos, Illusões d'um passado esquecido e desfeito, Na areia que rolou da ampulheta dos annos E que um vento de morte espalhou no meu peito.

António Joaquim de Castro Feijó - Sol de Inverno: ultimos versos : 1915

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