
Editorial do Cronos - Pilares do Tempo, suplemento de Relojoaria que acompanha a edição de hoje do PÚBLICO:
Indulgência
Pelo 12º ano, Cronos – Pilares do Tempo traz-lhe as novidades mostradas nas grandes feiras do sector ou em eventos em que estivemos presentes, um pouco por todo o mundo. O suplemento de Relojoaria com maior tiragem no país continua a “marcar a hora”.
Para José Luís Peixoto, “o relógio é a máquina que contribui de forma mais decisiva para o funcionamento da sociedade”. Alexandra Lucas Coelho lida mal com o tempo: “Está sempre a faltar-me o presente. Ainda vou no passado ou já vou no futuro”. Já para Rui Cardoso Martins perder tempo é fundamental para o seu trabalho. “Tenho o relógio dez minutos adiantado, e esse truque tem-me sido muito útil. Permite-me chegar mais vezes a horas”.
O tempo real e o tempo ficcional, bem como a relação destes criadores com o relógio, no seu dia-a-dia, são temas abordados nesta edição.
Entre a ficção e a realidade, Portugal registou em 2010 o recorde absoluto de importação de relógios suíços. Agora, com a crise, o primeiro trimestre veio dizer o que se esperaria – redução cada vez mais acentuada no consumo.
E, não tenhamos dúvidas – um relógio é um luxo. Estamos, hoje em dia, rodeados de muitos objectos que nos podem dizer as horas, para além do nosso relógio de pulso.
Mas é exactamente em época de crise e de depressão colectiva que certos luxos nos são mais necessários, para dar ânimo.
Uma palavra inglesa, “indulgence”, tem em português a correspondente “indulgência”. O étimo é comum (do Latim, indulgere, conceder), mas os significados não podiam ser mais distantes). Enquanto a indulgência lusa nos faz lembrar Igreja, compra do perdão dos pecados, revolta Protestante; a indulgence inglesa é sibarítica, hedonista.
Em tempos como estes, indulge yourself!
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