Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

quarta-feira, 4 de março de 2020

Roubo de relógio na Praça da Figueira, 1842


in Diário do Governo, de 23 de Março de 1853 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

O projecto Ephemera e o seu Núcleo do Tempo na edição de Março do Relógios & Canetas online


Já se encontra disponível aqui, aqui ou aqui, para descarregamento grátis, a edição de Março do Relógios & Canetas online, a mais importante plataforma do seu género em língua portuguesa.




Meditações - every watch deserves a second, if not a third, life

The surge in the pre-owned market says it all. This eagerness to infiltrate the cogs and wheels of a bona fide mechanical timepiece signals a backlash against an imposed regimen of planned obsolescence – surely every watch deserves a second, if not a third, life? It also signifies that timepieces from this pre-digital age are associated with values we now tend to take lightly, such as the integrity of the product and that of the person selling it. Watches from the post-war years thus became sought-after objects, inspiring brands first to reproduce them, then to imitate their form. And so it was that watchmaking discovered vintage. What began as nostalgia grew into a fashion for neo-retro styles before expanding into a full-blown trend.

Gilles Lipovetsky

terça-feira, 3 de março de 2020

Um dia em Coimbra, para falar do Tempo


Estivemos hoje na Universidade de Coimbra, para uma palestra intitulada Todo o Tempo do Mundo, no primeiro de três dias das XXX Jornadas Transdisciplinares da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação.





Antes, almoço supimpa na Cervejaria Almedina, em amena confraternização com os Góis, pai e filho, da vizinha Ourivesaria Góis.



Excertos da palestra e da apresentação PowerPoint:

Coimbra 03.03.20

Todo o Tempo do Mundo

Obrigado pelo convite que me foi feito pelas 30ªs Jornadas Transdisciplinares do Núcleo de Estudantes de Psicologia, Ciências da Educação e Serviços Sociais da Associação Académica de Coimbra, através do João Pedro Caseiro.

No cartaz, quase que sou apresentado como “instigador”, pois é muito hoje esse o meu objectivo. Instigar…

Quando me apresento ou me apresentam como investigador na área do Tempo, invariavelmente me perguntam logo se vai chover amanhã ou se o Verão será soalheiro. Uma das dificuldades que enfrento no campo que estudo é alguma, sintomática, pobreza vocabular na língua portuguesa no que respeita ao Tempo. Não temos “time” e “weather”, como em inglês, ou “zeit” e “wetter”, como em alemão. E chamamos indiferenciadamente “relógio” a tudo, pois não temos os conceitos de “clock” e “watch” ou de “horloge” e “montre”.

Mas tentemos então um mergulho de cerca de 45 minutos naquilo que a organização baptizou de “Todo o Tempo do Mundo”. Guardamos os últimos 45 minutos desta “partida” para troca de impressões. Penso que não será necessário ir a prolongamento…

O Tempo mexe com tudo e todos, nada do que é Tempo nos é estranho. Ele passa pelos calhaus rolados, arredondando-os até os transformar em grãos de areia; ele assina a sua presença nos limos e outros organismos vivos que as marés vão depositando, ciclicamente, em camadas, nos rochedos da costa. Umas vezes somos mais rochas, a que o exterior se vai colando; outras, mais pedras rolantes, passamos antes pelo que nos é exterior e lá vamos deixando um pouco de nós. Há quem tenha mais de rocha encalhada, há quem seja mais seixo rolado. Mas, a tudo o que está imóvel ou a tudo o que se mexe, o Tempo trata por igual – tanto faz que seja ele a passar por nós ou nós a passarmos por ele.


Na palestra abordámos ainda:

Tempo local, regional, nacional, universal, global
Tempo religioso e laico
Tempo privado e colectivo
Tempo e Ciência – Física, Biologia, Micro-tecnologia
Tempo, Artes e Letras
Sociologia do Tempo – dos ciclos da Natureza ao Global Imediato


Time used to be governed by traditional or religious principles such as the town clock, birth, communion or marriage. It was a collective, synchronized time, when we took our holidays at the same time as everyone else. Now society is heading off in all directions, with a plurality of times that are no longer governed by institutions. Every person manages their time as they see fit. You can work from home or in the train, watch a series at three in the morning, buy online, take a holiday in the sun in December. We live in a digitally-driven, desynchronised society. This same phenomenon has created a culture of immediacy. "Everything" is done in one click. We've become an impatient society. We're no longer prepared to wait.

Isto é o pensamento de Gilles Lipovetsky (Millau, 24 de setembro de 1944), filósofo francês, teórico da Hipermodernidade, autor dos livros A Era do Vazio, O luxo eterno, O império do efémero, A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade do hiperconsumo.

Com a desmaterialização dos objectos ou a generalização dos objectos conectados, a comunicação global em rede, a desestruturação dos tempos, deixa de haver fronteiras entre trabalho e ócio, público e privado, local e internacional, num sincretismo de momentos que apagam passado, presente e futuro e eliminam distâncias. O tempo digital irá triunfar sobre o tempo analógico?


O Tempo Português

Do coimbrão Eugénio de Castro (1869 – 1944), um poema:

Mumúrio d'agua na clepsydra gotejante.
Lentas gotas de som no relógio da torre,
Fio d'areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante,
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre…
Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida,
Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a Belleza, que a vida
E' um punhado infantil de areia ressequida.
Um som d’água ou de bronze e uma sombra que passa.

Eugéno de Castro, A Sombra do quadrante Coimbra, 1906


Ainda do mesmo Eugénio de Castro, recomendámos a leitura de Cartas de Torna Viagem, 1925, onde num capítulo ele fala de uma Coimbra regulada pela Voz do Tempo, que mais não é do que o som dos sinos.






Os relógios TAG Heuer no Relógios & Canetas online


Estes e outros milhares de relógios mostrados e explicados aquiaqui ou aqui, no Relógios & Canetas online, a mais importante plataforma do seu género em língua portuguesa.

Janela para o passado - Coca Cola, 1948

Compre o Anuário Relógios & Canetas 2020 e pode ganhar um anel NOL, de ouro rosa, com diamantes

Contra os relógios de sol nos marcos da légua...


José da Silva Mendes Leal, discurso como deputado, na sessão de 14 de Março de 1867, publicado no Diário de Lisboa (Folha Oficial do Governo Português) de 26 do mesmo mês. Refere os marcos miliares ou "da légua" mandados construir ao longo do percurso da Mala Posta, entre Lisboa e Coimbra, ao tempo de D. Maria II, e que assinalavam distâncias. Tinham relógio de sol no seu topo, para que os viajantes pudessem acertar os seus relógios mecânicos. Sobre este tema, ver aqui. (arquivo Fernando Correia de Oliveira)



Marco miliar ou "da légua", com relógio de sol no topo (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Os relógios Linde Werdelin no Relógios & Canetas online de Março


Já se encontra disponível aqui, aqui ou aqui, para descarregamento grátis, a edição de Março do Relógios & Canetas online, a mais importante plataforma do seu género em língua portuguesa.




Meditações - an irrepressible craze for vintage

History, tradition, storytelling and iconic designs: these cardinal points of haute horlogerie have sparked an irrepressible craze for vintage. Heritage is revisited from a modern perspective, age-old expertise gives rise to new worlds, and the golden age of aviation returns to keep adrenaline levels high.

Gilles Lipovetsky

segunda-feira, 2 de março de 2020

Os relógios Scuderia no Relógios & Canetas online


Estes e outros milhares de relógios mostrados e explicados aquiaqui ou aqui, no Relógios & Canetas online, a mais importante plataforma do seu género em língua portuguesa.

Janela para o passado - Coca Cola, 1948

Não se fiem no relógio das Chagas...


Júlio de Castilho in Lisboa Antiga, referindo-se ao relógio da Igreja das Chagas, em Lisboa. Este relógio, o das Chagas, é um dos sujeitos de Os Relógios Falantes, de D. Francisco Manuel de Melo, que tinha o seu palácio nas redondezas, na hoje Calçada do Combro. (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Acabámos de ultrapassar os 4,5 milhões de visualizações


São 31.771 mensagens publicadas no Estação Cronográfica desde 12 de Junho de 2009. E ultrapassámos hoje os 4,5 milhões de vizualizações.


Aceda grátis a 7 anos de Relógios & Canetas online


Já se encontra disponível aqui, aqui ou aqui, para descarregamento grátis, a edição de Março do Relógios & Canetas online, a mais importante plataforma do seu género em língua portuguesa. Tenha também acesso a todas as anteriores edições.

Online Março - Editorial - Cronovírus


Editorial

Cronovírus

A UNESCO deverá apreciar em Novembro a candidatura da Relojoaria suíça e francesa a Património Cultural Imaterial da Humanidade. Não deixa de ser uma ironia que isso ocorra em 2020, talvez o ano mais dramático para o sector, após a crise do quartzo, dos anos 1980.

Nunca o tecido empresarial suíço esteve tão dividido. Num sector tradicionalmente conservador, fechado, mas que sempre se entendeu a nível patronal quanto a uma estratégia global de médio e longo prazo, os grandes grupos com interesses na relojoaria helvética andam há vários anos a digladiarem-se sem sentido.

Primeiro foi a guerra que o Swatch Group moveu aos concorrentes, ameaçando deixar de lhes fornecer calibres e acusando-os de gastarem mais em marketing do que em investimento verdadeiramente industrial. Com a estagnação dos últimos anos, há calibres a mais e é o próprio Swatch Group que quer agora continuar a vender à concorrência. Entretanto, muitos grupos como o Richemont ou o Kering, investiram fortemente no fabrico de calibres de raiz, uma decisão que não será paga tão cedo.

Depois, houve a guerra dos salões. Há 30 anos, o então Grupo Vendôme, hoje Richemont (dono da Cartier, entre muitas outras marcas) decidiu sair de Basileia, onde há mais de cem anos se realiza a maior feira do sector, para fazer o seu evento em Genebra.

Pelo meio, surge um inimigo de tipo novo – o smart watch e a entrada em cena das gigantes electrónicas. Em 2019, só a Apple, vendeu mais relógios que toda a indústria relojoeira suíça.

Baselworld teve a segunda grande machadada quando o Swatch Group anunciou que já não estaria na edição de 2019. Alegou preços demasiado elevados. E lançou o seu próprio salão – Time to Move. Muitas outras marcas foram deixando Baselworld, que se remodelou totalmente e preparava uma edição 2020 com nova roupagem.

O principal mercado de destino dos relógios suíços, Hong Kong, está em ebulição há mais de um ano e as quebras no consumo de luxo são acentuadas. Entra em cena o novo coronovírus. E a situação de crise no consumo do luxo faz-se imediatamente sentir em mercados tão importantes como China continental ou Japão.

Por razões de saúde pública, as edições 2020 de Time to Move, salão de Genebra e Baselworld foram canceladas. O coronovírus é assim um cronovírus ameaçador.

Não seria tempo da indústria relojoeira suíça voltar aos princípios que a guiaram desde há séculos, tocar a reunir, e apresentar ao mundo respostas conjuntas e capazes de responder à sobrevivência de um sector que poderá vir a ser declarado Património Cultural Imaterial da Humanidade, mas que também corre o risco de passar definitivamente à História?


Já se encontra disponível aqui, aqui ou aqui, para descarregamento grátis, a edição de Maio do Relógios & Canetas online, a mais importante plataforma do seu género em língua portuguesa.

Amanhã, terça-feira, 3 de Março, falamos na Universidade de Coimbra


Amanhã, terça-feira, 3 de Março, pelas 14h00, falamos sobre o Tempo na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.

Temas a abordar na intervenção de dia 3 de Março

Tempo local, regional, nacional, universal, global
Tempo religioso e laico
Tempo privado e colectivo
Tempo e Ciência – Física, Biologia, Micro-tecnologia
Tempo, Artes e Letras
Sociologia do Tempo – dos ciclos da Natureza ao Global Imediato
O Tempo Português

Meditações - o que é o luxo?

Luxury is about status. It symbolizes an elite. It is precious too, because of the history it contains (that of a great manufacturer or, on a more personal level, a family). Luxury is expertise, a secret, the intelligence of heart, hand and mind combined.

Gilles Lipovetsky

domingo, 1 de março de 2020

Os relógios Omega no Relógios & Canetas online


Estes e outros milhares de relógios mostrados e explicados aquiaqui ou aqui, no Relógios & Canetas online, a mais importante plataforma do seu género em língua portuguesa.

Janela para o passado - cheques de viagem do National City Bank, 1948

Relógios & Canetas online Março já disponível


Já se encontra disponível aqui, aqui ou aqui, para descarregamento grátis, a edição de Março do Relógios & Canetas online, a mais importante plataforma do seu género em língua portuguesa.

Relojoeiro ao Camões, em Lisboa, no final do século XIX

Aquelas varandas aristocráticas, onde assomavam no século XVII as empoadas senhoras da família dos Meneses, como grandes retratos de Rubens, para assitirem à passagem de alguma procissão, ou de algum cortejo político, habitava-as um relojoeiro; lembro-me bem; viam-se relógios de vários feitios pendurados por dentro nos banzos da vidraça.

Júlio de Castilho, in Lisboa Antiga, referindo-se no final do século XIX ao Palácio dos Marialvas, em Lisboa, na zona do actual Largo do Camões / Calhariz, e aos edifícios envolventes (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Março no calendário inter-religioso Celebração do Tempo


Meditações - In search of a lost time, finding time for time

In a context of rampant globalisation and ever greater uniformity, Connoisseurs take time to reconnect with a more noble past. Cultivated collectors, they seek out the exceptional, interest themselves in every country’s history and culture, reinstate rituals and traditions. As they carry on or found their own dynasty, they cherish objects that will continue long into the future, passing from one generation to the next. They take pleasure in excellence and the details that a less discerning eye doesn’t see. Conscious that traditional crafts are at risk of disappearing, they are the voice of the artisan, and feel invested with a mission to preserve every cultural heritage and savoir-faire. Objects are a means for them to assert their status. They are the “new nostalgic”, ready to embrace technology whenever it brings them the ultimate in comfort, precision or design. In search of a lost time, finding time for time, they believe mind and body are equally important and, while nothing about their appearance is left to chance, work to achieve a level of well-being that can be felt both inside and out.

Gilles Lipovetsky