Royal Pop
ou Royal poop?
As críticas ao Royal Pop — a mediática colaboração de
relógios de bolso biocerâmicos entre a Swatch e a Audemars Piguet — dividem-se
entre a fúria dos puristas da alta relojoaria, o entusiasmo dos fãs de cultura
pop e a indignação com a logística caótica do seu lançamento.
Os prós
Design disruptivo e divertido: a imprensa de life style
elogiou a coragem em trazer cores vibrantes e uma abordagem lúdica a um mercado
habitualmente cinzento, formal e excessivamente sério.
Mecanismo novo: o relógio utiliza o SISTEM50, uma versão
modificada de corda manual do calibre SISTEM51 automático. O facto de incluir
vidro de safira na frente e no verso (permitindo ver o mecanismo colorido) e
uma autonomia de 90 horas foi o que chamou mais a atenção da imprensa
especializada.
Democratização emocional: para muitos analistas, o Royal Pop
funciona como uma porta de entrada brilhante para introduzir a história da alta
relojoaria e marcas de luxo tradicionais a gerações mais jovens, que nunca
consideraram colecionar relógios.
Os contras
Caos e falta de organização: a Swatch foi duramente
criticada por não conter as multidões no lançamento. Registaram-se tumultos,
agressões e o uso de gás lacrimogéneo pela polícia em cidades como Paris, Milão
e Nova Iorque. O encerramento forçado de várias lojas gerou frustração generalizada.
Domínio de revendedores (flippers): muitos entusiastas, que
esperaram dias em filas, saíram de mãos vazias. Em muitos casos, a maioria das
filas era composta por revendedores focados no lucro imediato.
Especulação absurda de preços: com o preço de venda original
fixado por volta dos 350€ a 420$, os relógios esgotaram instantaneamente e
passaram a ser listados em plataformas de revenda por milhares de euros. Como
não se trata de uma edição limitada, daqui a uns tempos haverá quem pagou 4 ou
5 vezes mais, para nada.
"Desvalorização" da Audemars Piguet: os mais
puristas argumentam que transformar o icónico e luxuoso formato octogonal do
Royal Oak num "brinquedo de plástico" colorido prejudica a perceção
de exclusividade da marca de alta relojoaria.
Formato pouco prático: Por ser um relógio de bolso/pescoço e
não um relógio de pulso tradicional, alguns críticos consideram-no um acessório
de moda pouco funcional e feito apenas para "gerar fotos no
Instagram".
O Calibre SISTEM50 não tem manutenção. Dentro da garantia, o
relógio é substituído por outro. Depois disso, quando avariar, relógio não
será. Acessório de moda, pouco provável. Memória de um grande êxito de
marketing? Seguramente. Mais do que isso?
A Swatch fez anteriormente edições conjuntas com duas marcas do grupo – o MoonSwatch, com a Omega, em 2022; o Swatch Scuba Fifty Fathoms, com a Blancpain, em 2023. Vendeu 2 milhões de unidades do primeiro e 1 milhão no segundo. A Omega terá duplicado no primeiro ano a venda do seu modelo Speedmaster igual ao que esteve na Lua. O impacto do Scuba teve muito menor impacto em qualquer das marcas envolvidas. Mesmo que o Royal Pop seja um êxito para a Swatch, duvidamos que o Royal Oak da Audemars Piguet venha a beneficiar da parceria. Apesar da notoriedade que atingiu. Até pelos piores motivos.
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