Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

terça-feira, 2 de junho de 2026

A polémica colaboração entre a Swatch e a Audemars Piguet

Royal Pop ou Royal poop?

As críticas ao Royal Pop — a mediática colaboração de relógios de bolso biocerâmicos entre a Swatch e a Audemars Piguet — dividem-se entre a fúria dos puristas da alta relojoaria, o entusiasmo dos fãs de cultura pop e a indignação com a logística caótica do seu lançamento.

Os prós

Design disruptivo e divertido: a imprensa de life style elogiou a coragem em trazer cores vibrantes e uma abordagem lúdica a um mercado habitualmente cinzento, formal e excessivamente sério.

Mecanismo novo: o relógio utiliza o SISTEM50, uma versão modificada de corda manual do calibre SISTEM51 automático. O facto de incluir vidro de safira na frente e no verso (permitindo ver o mecanismo colorido) e uma autonomia de 90 horas foi o que chamou mais a atenção da imprensa especializada.

Democratização emocional: para muitos analistas, o Royal Pop funciona como uma porta de entrada brilhante para introduzir a história da alta relojoaria e marcas de luxo tradicionais a gerações mais jovens, que nunca consideraram colecionar relógios.

Os contras

Caos e falta de organização: a Swatch foi duramente criticada por não conter as multidões no lançamento. Registaram-se tumultos, agressões e o uso de gás lacrimogéneo pela polícia em cidades como Paris, Milão e Nova Iorque. O encerramento forçado de várias lojas gerou frustração generalizada.

Domínio de revendedores (flippers): muitos entusiastas, que esperaram dias em filas, saíram de mãos vazias. Em muitos casos, a maioria das filas era composta por revendedores focados no lucro imediato.

Especulação absurda de preços: com o preço de venda original fixado por volta dos 350€ a 420$, os relógios esgotaram instantaneamente e passaram a ser listados em plataformas de revenda por milhares de euros. Como não se trata de uma edição limitada, daqui a uns tempos haverá quem pagou 4 ou 5 vezes mais, para nada.

"Desvalorização" da Audemars Piguet: os mais puristas argumentam que transformar o icónico e luxuoso formato octogonal do Royal Oak num "brinquedo de plástico" colorido prejudica a perceção de exclusividade da marca de alta relojoaria.

Formato pouco prático: Por ser um relógio de bolso/pescoço e não um relógio de pulso tradicional, alguns críticos consideram-no um acessório de moda pouco funcional e feito apenas para "gerar fotos no Instagram".

O Calibre SISTEM50 não tem manutenção. Dentro da garantia, o relógio é substituído por outro. Depois disso, quando avariar, relógio não será. Acessório de moda, pouco provável. Memória de um grande êxito de marketing? Seguramente. Mais do que isso?

A Swatch fez anteriormente edições conjuntas com duas marcas do grupo – o MoonSwatch, com a Omega, em 2022; o Swatch Scuba Fifty Fathoms, com a Blancpain, em 2023. Vendeu 2 milhões de unidades do primeiro e 1 milhão no segundo. A Omega terá duplicado no primeiro ano a venda do seu modelo Speedmaster igual ao que esteve na Lua. O impacto do Scuba teve muito menor impacto em qualquer das marcas envolvidas. Mesmo que o Royal Pop seja um êxito para a Swatch, duvidamos que o Royal Oak da Audemars Piguet venha a beneficiar da parceria. Apesar da notoriedade que atingiu. Até pelos piores motivos.

Leia as edições mensais online no Site, no Facebook, ou no fliphtml. Siga o Anuário Relógios & Canetas no Instagram

Sem comentários: