Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

domingo, 2 de junho de 2013

No Museu dos relógios Patek Philippe, em Genebra

Estação Cronográfica tem andado por estes dias por Genebra, antes de seguir para outras paragens helvéticas. E aproveitou a ocasião para revisitar o Museu Patek Philippe, o quinto local mais visitado da cidade.

A Patek Philippe, fundada em 1839, é propriedade da família Stern há quatro gerações, desde 1932. Os Stern, que eram produtores de mostradores para a manufactura, acabaram por a adquirir. Família genebrina por excelência, os Stern começaram a coleccionar há cerca de meio século tudo o que diz respeito à cidade, tendo actualmente a maior colecção do mundo não apenas de relógios, mas também de quadros ou de livros relacionados com Genebra.

O museu, inaugurado em 2001, é o mais importante do seu género no mundo. O acervo inclui uma biblioteca com 8 mil obras relacionadas com a relojoaria e artes afins.



O museu é composto por quatro pisos. No rés-do-chão está um auditório e uma área dedicada aos métiers d'art usados na relojoaria. No primeiro andar, encontra-se a colecção de relógios Patek Philippe (1839-1989). No segundo andar, a chamada Colecção Antiga (1500-1850). E, no terceiro andar, estão os arquivos e a Biblioteca. No primeiro andar, uma oficina de relojoaria, com um relojoeiro "residente", que vai trabalhando ao vivo as peças que lhe chegam - antigas ou modernas.



Mas, desta vez, propomos-lhe uma visita mais pormenorizada ao segundo andar e alguns apontamentos sobre a Colecção Antiga.


Do relógio de torre, surgido no início do século XIII, até ao relógio portátil, decorreram 300 anos. O segundo andar do Museu Patek Philippe reúne cerca de 700 relógios dos mais significativos do património genebrino, suíço e europeu, que ilustram o desenvolvimento do relógio de parede, de mesa, de bolso e de pulso desde o seu aparecimento, cerca de 1500, até ao século XIX.

O quadro fica mais completo, se a isso juntarmos objectos com ou sem relógios: nécessaires de viagem, tabaqueiras, vinaigrettes, frascos de perfume, caixas com autómatos, de música e com pássaros cantores, cinzelados, gravados ou decorados a esmalte, bem como algumas pêndulas e uma magnífica colecção de uma centena de retratos em miniatura – pintados sobretudo sobre esmalte – pelos maiores mestres desta arte.






O  ourives francês Jean Toutin (1578-1644), originário de Châteaudun, perto de Blois, é tido como o primeiro pintor sobre esmalte. Baseando-se na milenar técnica de esmaltagem, o novo processo permite decorar objectos preciosos, como relógios, através de uma policromia delicada que entusiasma os amadores com posses através da Europa, a começar pelos influentes membros da família real de França, que residem então em Blois. Rapidamente adoptado em Paris, Londres, Viena, Nuremberga, Augsburgo e Estocolmo, o processo permite uma iconografia completamente nova, reflexo do barroco nascente.

No final do século XVII, o reino de França perde a maior parte dos seus talentosos miniaturistas sobre esmalte. Adeptos da Reforma na sua maior parte, são alvo de perseguições e procuram refúgio nas cidades protestantes. É assim que a dinastia do Huaud, depois as dos Mussard e dos André transformam Genebra, a cidade de Calvino, num centro de pintura sobre esmalte.

No século XVIII, os miniaturistas, viajantes cosmopolitas ou sedentários ligados à instituição genebrina da Fabrique, asseguram a Genebra uma reputação mundial.





Os mercadores alemães que frequentam as Feiras de Genebra tomam aí contacto com as ideias do reformador Martinho Lutero (1483 – 1546), às quais a tipografia recém-descoberta assegura uma larga difusão. Depois da adopção da Reforma (1536), Genebra apela a Jean Calvino (1509-1564) para que este lidere a obra reformadora e acolhe, em vagas sucessivas, refugiados religiosos, perseguidos nos seus respectivos países, a França e a Itália.

Na Genebra calvinista, hostil a todas as formas de ostentação, os Ordenações Sumptuárias das autoridades vão privar a ourivesaria tradicional das suas bases económicas e obrigam-na a virar-se para o fabrico de objectos mais utilitários, nomeadamente o fabrico de relógios. Os artesãos genebrinos beneficiam então das competências dos huguenotes, adeptos da Reforma que fugiram de França, e graças aos quais a cidade lemânica conhece um progresso considerável nos domínios aparentados da relojoaria, ourivesaria e pintura em miniatura sobre esmalte.

Com a suavização das Ordenações Sumptuárias, a relojoaria genebrina orienta-se para a exportação e começa a produzir relógios destinados tanto às regiões católicas como muçulmanas.


A indicação das marés nos principais portos das Províncias Unidas (Holanda)




Resumindo de forma magistral os trabalhos dos seus predecessores, Isaac Newuton (1642-1727) elabora em Inglaterra um sistema em matéria de mecânica teórica que acaba por se impor aos adeptos dos métodos de inspiração alquímica. Em 1687, ele publica  os seus Philosophiae naturalis principa mathematica, uma súmula imbuída de espírito científico, que procura promover as Luzes.

Este movimento filosófico opõe a experiência e a razão ao obscurantismo e propõe uma abordagem científica do mundo. Lutando contra a superstição, o filósofo e escritor francês François Marie Arouet (1694-1778), dito Voltaire, prega a tolerância, enquanto Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), seu homólogo genebrino, opõe ao culto da razão o direito da alma sensível e a felicidade natural.

Esta nova sensibilidade influencia a relojoaria. Os artesãos genebrinos – muitos deles agora instalados em Paris ou Londres – distinguem-se pela quantidade de invenções e aperfeiçoamentos surpreendentes (autómatos de musica, pássaros cantores, etc.) bem como pelas técnicas novas (esmaltes flinqués, ouros paillonnés), que conferem a Genebra uma reputação inigualável.















Não haverá, porém, melhor maneira de terminar este vol de oiseau pelo Museu Patek Philippe do que descer de novo ao primeiro andar e apreciar mais uma vez o Calibre 89, o relógio portátil mais complicado do mundo, feito em 1989, para comemorar os 150 anos da manufactura. Saiba mais aqui.





Meditações - um relógio parou...

A Clock stopped
Not the Mantel's
Geneva's farthest skill
Can't put the puppet bowing
That just now dangled still

An awe came on the Trinket!
The Figures hunched, with pain
Then quivered out of Decimals
Into Degreeless Noon

It will not stir for Doctors
This Pendulum of snow
This Shopman importunes it
While cool — concernless No

Nods from the Gilded pointers
Nods from the Seconds slim
Decades of Arrogance between
The Dial life
And Him

Emily Dickinson

sábado, 1 de junho de 2013

GQ Guia de Relógios 2013 - Editorial


Pelo quarto ano consecutivo, fomos Editor Convidado do suplemento anual de Relojoaria da GQ Brasil. Eis o Editorial:

Todo o tempo do mundo

Paris, Parc de Bagatelle, Novembro de 1906. A máquina voadora motorizada manteve-se no ar durante 21 segundos, levitando entre 4 a 6 metros do chão e percorrendo 220 metros, antes de cair na relva do parque.

A multidão que assistia à proeza passou da excitação barulhenta ao silêncio expectante e ao aplauso triunfal. Alberto Santos Dumont (1873-1932) tinha conquistado mais uma etapa na conquista dos céus. Aos comandos da sua estranha máquina, tinha levantado do chão e a duração do seu voo valeu-lhe o primeiro recorde mundial da história da aviação.

Será que Louis Cartier (1875-1942) estava entre a assistência? Provavelmente. Os dois homens conheciam-se e, dois anos antes, o brasileiro tinha feito um pedido específico ao joalheiro – que lhe arranjasse um relógio mais prático, pois era impossível puxar de um relógio do bolso da jaqueta quando estava aos comandos da sua aeronave e queria saber tempos.

Louis Cartier adaptou um conceito que começava a ganhar popularidade por aqueles anos – o relógio de pulso, com pulseira de cabedal. Naquele caso, com caixa rectangular. Tinha nascido o Santos, que a Cartier viria a comercializar mais tarde e se tornaria num dos seus modelos icónicos.

Este foi um dos primeiros relógios de pulso para homem. Um século antes, tinha-se começado a fazer relógios de pulso de senhora, relógios-jóia, com bracelete de tecido.

Só com a I Guerra Mundial e o desembarque de tropas americanas em teatro europeu trouxe uma maior popularização ao relógio de pulso masculino – os oficiais estavam munidos de exemplares, mais práticos de consulta em pleno teatro de guerra do que os de bolso. Serviam para coordenar acções em combate.

Mesmo assim, até à década de 30, o relógio de bolso era o objecto de excelência para definir o estatuto do homem bem sucedido, do pater famílias, da autoridade por detrás da bengala, do chapéu de coco, do terno de três peças e… do relógio com corrente.

Só na II Guerra Mundial e depois dela a produção de relógios de pulso masculinos passa a superar a dos relógios de bolso, que praticamente desapareceram. Embora haja hoje algum revivalismo e algumas manufacturas recomecem a produzi-los.

De objecto necessário ao regular do quotidiano, acertado diariamente pelo relógio da estação de caminhos-de-ferro ou telegráfica, o relógio de pulso mecânico sofre na década de 70 a concorrência do relógio de quartzo, vindo do Japão. Mais barato, muito mais certo, muito mais fácil de manter.

Há 30 anos, a indústria relojoeira mecânica estava moribunda. Mas, a pouco e pouco, o gosto pelo relógio mecânico foi recuperando terreno. Actualmente, ninguém precisa de um relógio certo ao segundo. Para isso, tem o celular que, se tiver GPS, tem ao seu serviço, a triangulação de 3 ou mais relógios atómicos. Mais certo que isso, é impossível.

Então, porquê o gosto, a febre mesmo, pelo relógio mecânico? Ele é o seu prazer pessoal, a sua jóia com alma e animação, o seu sinal a si e aos outros de uma maneira de viver, de um estatuto adquirido, de uma etapa vencida com sucesso. É um objecto com história, que pode deixar à próxima geração. Mas a paixão não se explica, vive-se. Com todo o tempo do mundo. Nas páginas seguintes, damos-lhe mais 100 argumentos.

Fernando Correia de Oliveira

Jovem tenista alemão vence Longines Rising Tennis Stars


No âmbito do Open de ténis de França, o alemão Rudolph Molleker sagrou-se hoje campeão do Longines Rising Tennis Stars, derrotando na final o espanhol Sanchez Jover. O torneio para promessas do ténis foi organizado pela Longines, cronometrista oficial de Roland Garros.

Buben & Zörweg expõe em Dresden, com carros de luxo


A Buben & Zörweg e o stand Thomas Exclusive Car em Dresden realizaram recentemente uma exposição conjunta de mobiliário relojoeiro e carros de luxo - Ferrari, Maserati, Rolls Royce e Aston Martin.




Black Belt oferece um relógio por cada outro comprado


Durante o mês de Junho, e para celebrar o 100.000º relógio vendido das colecções Black Belt, a marca oferece um exemplar Krav ou Tora Bora (no valor de 120 francos suíços) por cada encomenda de um relógio das séries BB. Saiba mais aqui.

Scuderia Ferrari Orologi - nova marca no mercado


Scuderia Ferrari Orologi (SFO) é uma nova marca no mercado nacional. Inspirada, como o nome indica,  no mundo motorizado da marca italiana. Três ponteiros e cronógrafos. Calibres de quartzo e automáticos, caixas de aço, pulseiras de silicone. Colecções Pit Crew, Lap Time, Race Day, Paddock, Scuderia e Heritage. PVP: a partir de 95 €





Chegado(s) ao mercado - Montegrappa Chaos, criados por Stallone


Numa colaboração inédita entre o fabricante italiano de instrumentos de escrita Montegrappa e o actor norte-americano de ascendência italiana Sylvester Stallone, nasce a Chaos Pen, num estilo “heavy metal”, num conjunto que se completa com um relógio automático (ETA 2824) e botões de punho.

Todos os objectos foram desenhado por Stallone, inspirado "num mundo místico e mágico das pinturas de Bosch ou de uma gárgula de Notre Dame". Caveiras e serpentes abundam. Há versões de prata e de ouro. Algumas com pormenores de esmalte. A caixa do relógio tem 54x43mm de diâmetro e é estanque até 100 metros.




Hublot Red’n’Black Skeleton Tourbillon para Only Watch 2013


Para a iniciativa de beneficência Only Watch 2013, a Hublot faz uma estreia mundial e apresenta um relógio com cerâmica vermelha brihante - o Red’n’Black Skeleton Tourbillon.

É a primeira vez que uma cerâmica desta cor é produzida. Ela presta tributo ao vermelho, a cor nacional do Mónaco, onde ocorre o leilão Only Watch 2013. O material tem as mesmas qualidade da cerâmica negra ou branca e aguarda patente internacional.


A 5ª edição do leilão Only Watch ocorre a 28 de Setembro, no principado. O Red’n’Black Skeleton Tourbillon é um exemplar único. Caixa "Classic Fusion", de 45 mm, de cerãmica negra, com liuneta em cerãmica vermelha. Vidro de safira na frente e no verso. Estanque até 30 metros. Calibre de carga manual, esqueletizado, da manufactura (MHUB6010.H1.1), turbilhão, com cinco dias de autonomia.

Agenda: Antwerp Diamond Trade Fair em Janeiro


A quinta edição da Antwerp Diamond Trade Fair (ADTF) realiza-se de 26 a 28 de Janeiro próximo, em Antuérpia.

Da organização:

"The ADTF is the only by invitation diamond fair where only polished diamonds are traded, making it a unique global fair," said Thierry Polakiewicz, a senior member of the ADTF organizing committee. "ADTF has developed over the five past years to become an exclusive event, well-established on the international gem and jewellery industries' exhibitions' calendar." "The choice of the 2014 dates reflects our strategy to continue to attract buyers from all over the world who will be able to fit ADTF 2014 into their travel schedule," Polakiewicz added.

Chegado ao mercado - relógio Junkers Dessau 1926 Flatline 6360-4


Junkers Dessau 1926 Flatline 6360-4. Um “Made in Germany” com garantia vitalícia. A série Dessau 1926 Flatline é reminiscente da colaboração entre Hugo Junkers, fundador da marca alemã, e artistas da escola Bauhaus como Marcel Breuer. Calibre automático (82S5), caixa de 40 mm, de aço, extra-plana (12 mm de espessura). Vidro mineral na frente e no verso. Janela para exibição do balanço do movimento às 7H00. PVP: 288 €



Chegado(s) ao mercado - Rip Curl Candy e Cosmic


Rip Curl Candy (em cima) ou Cosmic (em baixo). Calibres de quartzo, caixas de plástico, braceletes de silicone. PVP: respectivamente 69 e 79 €


Relógios suíços pagarão menos taxas na China


A China reduzirá num período de dez anos as taxas de importação de relógios suíços em 60 por cento, no âmbito  de um acordo de livre comércio que será assinado em Julho.

Segundo o acordo, a Suíça praticará tarifa zero em 99,7 por cento do valor das mercadorias provenientes da China, enquanto a china permitirá que 84 por cento das exportações suíças sejam livres.

A Suíça será o primeiro país europeu a assinar um acordo de comércio livre com a China.

Swatch oferece relógio


A Swatch oferece um relógio Swatch, às primeiras 20 pessoas que se apresentem com uma “bóia de praia” ou “braçadeiras de praia”, hoje, 1 de Junho,  nas Lojas Swatch do NorteShopping (Matosinhos), GaiaShopping (Gaia), CascaiShopping (Cascais) e Centro Vasco da Gama (Lisboa). As lojas abrem às 10h00...

Junho


Calendário inter-religioso Celebração do Tempo

Meditações - Chegámos a Junho

When June is come, then all the day
I sit with my love in the scented hay:
And watch the sunshot palaces high,
That the white clouds build in the breezy sky.

She singeth, and I do make her a song,
And read sweet poems the whole day long:
Unseen as we lie in our haybuilt home.
O life is delight when June is come.

The pinks along my garden walks
Have all shot forth their summer stalks,
Thronging their buds 'mong tulips hot,
- And blue forget-me-not.

Their dazzling snows forth-bursting soon
Will lade the idle breath of June :
And waken thro' the fragrant night
To steal the pale moonlight.

The nightmgale at end of May
Lingers each year for their display ;
Till when he sees their blossoms blown.
He knows the spring is flown.

June's birth they greet, and when their bloom
Dislustres, withering on his tomb.
Then simimer hath a shortening day;
And steps slow to decay.

Robert Bridges