A cronemia (chronemics, em inglês), estuda como o
tempo é utilizado e percebido na comunicação, incluindo a pontualidade.
As sociedades podem dividir-se em monocrónicas (um sistema
de tempo onde as coisas são feitas uma de cada vez e onde o tempo é segmentado
em unidades pequenas e precisas. Neste sistema o tempo é programado, arranjado
e gerido); e policrónicas (um sistema de tempo onde várias coisas são feitas ao
mesmo tempo, e onde há uma abordagem mais fluída do tempo programado.
Na Europa, os países de cultura Protestante são
monocrómicos. Os Estados Unidos, o Japão, também. O sul da Europa, a América
Latina, África e o Islão são sociedades policrónicas.
Para os primeiros, há “tempo gasto”, “tempo é dinheiro”,
“tempo perdido”, numa visão tangível do tempo como mercadoria.
Para os segundos, o tempo é percebido num contexto de
tradição e de relações pessoais, onde os ciclos sazonais, o substrato rural, a
vida comunitária, os calendários religiosos parecem indicar que se dispõe de
“todo o tempo do mundo”. E, chegar tarde, não é visto como um problema.
Importante é, quando se chegar, conviver…
Tradicional campeão do improviso, Portugal é obvia, atávica
e perenemente uma sociedade policrónica, onde tudo é feito ao mesmo tempo e…
nada é feito como deve ser.
A difícil modernização de mentalidades, fracassada ao longo
de sucessivas gerações, será algum dia conseguida? Nada faz parar o Tempo. Como
diriam os ingleses, “time and tide wait for no man” (o tempo e as marés
não esperam por ninguém).


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