Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

sábado, 28 de setembro de 2013

Chegado ao mercado - relógio Valbray Oculus V.02 Grand Dateur – Road 66


Valbray Oculus V.02 Grand Dateur, the Road 66. Uma homenagem a um dos símbolos americanos, a Estrada 66, que vai de costa a costa e evoca sentimentos de liberdade, desde que a Beat Generation e Jack Kerouac a sacralizaram.

A Valbray quis, neste modelo, desenvolver ainda mais o seu sistema de diafragma. Assim, num primeiro passo, a 30 graus, são revelados os pequenos segundos. A 60 graus, aparece a grande data. Finalmente, a 90 graus, aparece todo o mostrador.

A pulseira é de pele de borrego, micro-perfurada, com duplo pesponto, laranja, evocando os assentos dos carros vintage ou as luvas de velhas motos.

O Valbray Oculus V.02 Grand Dateur – Road 66 tem sistema progressivo de diafragma, caixa de 43 mm, de aço, coberto de PVD negro na luneta e calibre automático. É estanque até 50 metros. Limitado a 66 exemplares.


Há 110 anos - Linha de produção sistema Roskopf para venda


A alemã Haasenstein & Vogler, com escritório em La Chaux-de-Fonds, Suíça, vendia há 110 anos a linha de produção completa para o fabrico de ébauches sistema Roskopf. (Arquivo Fernando Correia de Oliveira). Em baixo, postal da empresa, expedido a partir de Munique.

Livro do dia - Planet Ocean, de Yann Arthus-Bertrand e Michael Pitiot


Planet Ocean, de Yann Arthus-Bertrand e Michael Pitiot, inauguração de exposição fotográfica, no Oceanário de Lisboa, Setembro de 2013

Iconografia do tempo - Hotel L'Orologio, Florença


Chinelos, papel, lápis, cartões e outro material do hotel L'Orologio, Florença. Evento Anonimo




Período de reflexão


A Paródia nº 42, de 29 de Outubro de 1903

Emmy para o "rei do arame", Nik Wallenda, embaixador JeanRichard


O embaixador JeanRichard, Nik Wallenda, acaba de obter um Emmy para o Melhor Momento de TV do ano com a sua travessia do Grand Canyon.

A 12 de Junho passado, Nik protagonizou um feito inédito e digno de figurar no Livro dos Recordes da Guinness, ao passar de um lado para o outro do desfiladeiro, caminhando por um arame, e sem qualquer tipo de protecção. Foi visto ao vivo por 13 milhões de pessoas, que sintonizavam então o Discovery Channel. Este Emmy é resultado de uma votação dos espectadores.

TAG Heuer festeja vitória da Oracle Team USA na America's Cup em vela


Estação Cronográfica continua a não perceber como se podem "torrar" centenas de milhões no patrocínio de uma prova com um impacto mediático reduzido, com regras que ninguém entende e que mudam todas as edições. Mas, pronto. As agências de marketing dizem que estamos perante a prova desportiva mais antiga do mundo, a America´s Cup e... A TAG Heuer está muito contente - a equipa por ela patrocinada - a Oracle Team USA, detentora do troféu na edição anteiror, voltou a ganhar esta 34ª edição, que se disputou por este dias na Baía de São Francisco.

Uma regata de vela do tipo das da America´s Cup tem a emoção de um filme de Manuel de Oliveira visto em camera lenta e ainda por cima com binóculos, mas parece que o "thrill" foi imenso desta vez - há uma semana, a equipa "challenger", a Emirates Team New Zeland, patrocinada pela Omega, estava a ganhar por 8 regatas a uma. A recuperação da Oracle, liderada pelo skipper Jimmy Spithill, foi, pois, inesperada.



Quando uma mosca se sente "velha" - o tempo e os ritmos metabólico e de fusão de imagens


Já ouviu falar em frequência crítica de fusão de imagens? O termo em inglês é "critical flicker-fusion frequency" ou CFF. Ela mede a rapidez com que os olhos de um animal podem refrescar uma imagem e, assim processar informação.

Um artigo na última edição do The Economist trata da CFF, que nos humanos é de 60 Hz (ou seja, 60 vezes por segundo). "É por isso que o ritmo de refrescamento de um ecrã de televisão é afinado para esse valor", diz o artigo. "Os cães têm uma CFF de 80 Hz, sendo provavelmente por isso que eles parecem não apreciar muito televisão. Para um cão, um programa de TV parece-se com uma mudança rápida de quadros parados".

As moscas, faz notar o artigo, têm uma CFF de 250 Hz, e é por isso que são tão difíceis de apanhar.

O artigo relata um estudo que cruza a CFF com o ritmo metabólico. E chega à conclusão de que eles estão claramente relacionados - os rápidos coincidem com os rápidos, e os lentos com os lentos. Para uma mosca, que tem uma vida curta e um ritmo metabólico elevado, a que corresponde uma CFF também elevada, a vida afinal - o tempo - não parecerá assim tão curta.

Meditações - velhice sonhadora

Quantas vezes na velhice
há mais razões de sonhar
que durante a meninice
que só dá para brincar!

João de Castro Nunes

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Memorabilia - echarpe Margutti para Anonimo


Écharpe Margutti, evento Anonimo, Florença 2013

Há 110 anos - G.-L. Gentil, fabricante de calibres e ferramentas


Atelier mecânico técnico de G.-L. Gentil, em Morat (Murten), Suíça. Fabricante de calibres e ferramentas. Anúncio de 1903. (Arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Já há pouco ouro, pouca prata, na Rua do Ouro e na Rua da Prata


Horácio Zagalo, da Ourivesaria Granada, na Rua Augusta, 155 - um histórico do sector, obrigado a fechar portas

(Primeiro de três artigos com contribuições para a história do Comércio na zona Baixa / Chiado. Veja também aqui e aqui)

A Ourivesaria, Joalharia e Relojoaria Granada vai fechar portas. Fundada em 1975 por Artur Cunha, que vinha de Luanda, passava em 1987, por morte do proprietário, para Horácio Zagalo, que agora está a proceder à liquidação total das existências.


"Na realidade, somos obrigados a fechar por causa de uma lei que este Governo aprovou e que dá a possibilidade ao senhorio de rescindir o contrato, pagando apenas um ano de rendas como indemnização", explica-nos Horácio Zagalo. "Quer dizer - da defesa total do inquilino, passou-se para a defesa totalitária do senhorio".

Tem-se assistido, nos últimos cinco anos, ao encerramento de muito do pequeno comércio tradicional na Baixa, com especial incidência para as lojas de ourivesaria, joalharia e relojoaria. Não é por acaso que há uma Rua do Ouro ou uma Rua da Prata, bebendo das raízes medievais e renascentistas da urbe, quando estes misteres ali assentavam tradicionalmente arraiais. Hoje, a prata e o ouro estão a fugir da Baixa. E os relógios, esses, vão atrás.

"Não estou contra o aumento de rendas, o que é absolutamente legitimo, o que não devia acontecer por lei era o aumento desmesurado que existe e que está a levar ao encerramento de muitas lojas", diz Horácio Zagalo. "Por outro lado, esta nova lei do arrendamento permite ao senhorio a rescisão do contrato de arrendamento, no caso de obras profundas a executar no prédio e, só na Rua dos Fanqueiros, é um quarteirão inteiro de lojistas que foram intimados a sair, e abandonar o seu local de trabalho de longos anos".


"A minha actividade comercial tem sido muito diversa", recorda Horácio Zagalo. "Comecei a trabalhar com 12 anos de idade, num armazém de tecidos na Rua da Prata. Dois anos depois passei para uma casa de câmbios na Rua Augusta, e daqui para outra na Rua do Ouro, onde me mantive até à nacionalização e extinção deste tipo de comercio em 1975, tendo atingido nesta actividade o topo da carreira.

"Fui integrado por decreto-lei, num banco, mas a minha carreira profissional foi anulada pelo mesmo decreto-lei, e tive que começar de novo. Paralelamente a esta actividade, formei uma sociedade de máquinas de diversão, uma empresa de importação e exportação, dedicada a produtos alimentares, fui consultor de uma empresa de venda de propriedades, tomei as quotas de dois restaurantes, e fundei uma empresa de comércio de ouro, prata e antiguidades na Baixa de Lisboa. Em 1987 tomei a actual Ourivesaria Granada Ldª. e, entretanto, fundei uma nova casa de câmbios", diz o comerciante.


"Quanto à actividade comercial de ourivesaria, sendo um tipo de comércio especial e não necessário, há diversos factores que vão levar ao encerramento de muitas centenas de lojas no país", vaticina Horácio Zagalo. "Isso é devido a vários factores, como o valor muito alto da matéria prima; dificuldades económicas levam a fracas vendas; a apetência da juventude para outros bens; a falta de capacidade financeira dos compradores da terceira idade; o elevado custo das rendas de casa".



Estação Cronográfica conheceu Horácio Zagalo há uns 13 anos, quando estava a investigar o sector da Relojoaria, Ourivesaria e Relojoaria para o livro História do Tempo em Portugal. Ele ajudou-nos nas pesquisas que efectuámos nos arquivos da Associação dos Comerciantes de Ourivesaria e Relojoaria do Sul.

Recorda ele: "A minha actividade no campo do Associativismo começou cedo, num pequeno clube desportivo de Lisboa. Depois fui Presidente da Associação Portuguesa de Diversões e Vice Presidente da União de Associações de Diversão e Espectáculos. Quando tinha a casa de câmbios fui Presidente e Vice Presidente da Direcção da respectiva associação e representante das casas de câmbios no GAFI ( grupo estudo branqueamento de capitais).

"Na Associação dos Comerciantes de Ourivesaria e Relojoaria do Sul, exerci diversos cargos desde presidente da Assembleia Geral até Presidente da Direcção, entre outros cargos. Fui ao mesmo tempo durante 18 anos o representante da Associação no Conselho Técnico de Ourivesaria. Paralelamente ainda, fui director da União das Associações do Comércio e Serviços. Também fui fundador da Associação de Proprietários Viver Tróia, onde exerci diversos cargos, e actualmente sou Presidente da Direcção".









Como vê Horácio Zagalo o actual estado do comércio na Baixa de Lisboa?

"Com muita tristeza, dada a degradação e transformação que está a acontecer, com a substituição sistemática das tradicionais lojas de renome, por lojas de comerciantes indianos e chineses.

"Por outro lado, o abandono que grandes empresas privadas e organismos públicos têm protagonizado nos últimos anos nesta zona agrava a situação. Eles estão a ser substituídos por "hostels", cujo custo por noite é baixo, o que origina a frequência de turistas de fraco poder de compra. Isso em nada contribui para a revitalização da zona.

"Só poderia haver aqui uma inversão se, em vez da avalanche de abertura de "hostels", fossem criadas condições para habitação permanente, pois uma cidade sem habitantes é um deserto, e é isso que se verifica a partir da 20h00.

"Foi realizado um bom trabalho na Praça do Comércio, e quem a visita à noite pode verificar que fervilha de vida, mas as redondezas estão mortas. Seria bom que alguém estudasse o fenómeno da vida que se verifica no Chiado e na Avenida da Liberdade, e porque é que o que se assiste nas ruas centrais - já para não falar das secundárias - da baixa pombalina, é tão diferente.


O aviso na fachada do prédio da Rua Augusta. Além da Granada, outros estabelecimentos receberam ordem de despejo


Estação Cronográfica andou esta manhã pelas principais ruas da Baixa - Ouro, Prata, Augusta, Rossio, Praça da Figueira... e tomou nota de dezenas de lojas fechadas ou prestes a fechar. A nova lei do arrendamento irá apressar um processo de decadência. E, também, de renovação? Os optimistas dizem que sim. Que haverá gente jovem, com ideias inovadoras, a estabelecer-se na zona, com pequenos negócios urbanos, de qualidade. Os pessimistas dizem que, com os preços das novas rendas, os jovens não poderão aí chegar. E que o único comércio que continua a florescer é o da restauração, dos hotéis low-cost e... das lojas "típicas", com artigos de fancaria fabricados na Ásia, sejam eles galos de Barcelos ou camisolas do Ronaldo. Veja também aqui.













aqui falámos da histórica Maury, que também fecha portas. O eixo do luxo está agora na Avenida da Liberdade, e a quadrícula da Baixa alastra-se em esplanadas com comida internacional, sem pontos de venda de qualidade

































Um comércio tradicional envelhecido, parado no tempo. Nostalgia do agrado dos turistas, que vêm muitas vezes Lisboa e os lisboetas como "reserva índia", mas decadência difícil de disfarçar