segunda-feira, 5 de maio de 2014
Relógio Grieb & Benzinger Blue Merit, peça única, de homenagem ao A. Lange & Söhne Tourbillon Pour le Mérite
Mesmo a tempo de coincidir com o 20º aniversário do relançamento da A. Lange & Söhne, em 1994, os mestres relojoeiros da esqueletização, os alemães Grieb & Benzinger apresentam uma peça única, partindo da base de um A. Lange & Söhne Tourbillon Pour le Mérite, um dos modelos mais representativos do regresso da velha marca, depois das vicissitudes sofridas com a divisão da Alemanha, no final da II Guerra Mundial.
O Blue Merit é trabalho sobre um calibre A. Lange & Söhne original e demorou 12 meses a transformá-lo ao estilo Grieb & Benzinger. A platina base e as pontes foram esqueletizadas e guillochadas à mão, num trabalho minucioso que exigiu a atenção ao décimo de milímetro. Depois, foram rodiadas e plaqueadas a ouro rosa. A platina base foi plaqueada com platina azul.
Com caixa de 41 mm, de platina, o Blue Mertir custa 385 mil euros (530 mil dólares).
Aldo Magada (Breitling) novo CEO dos relógios Zenith
Aldo Magada, actualmente na Breitling, sucederá a Jean-Frédéric Dufour à frente da Zenith. Esta foi a escolha de Jean-Claude Biver, responsável pelo sector de Relojoaria no grupo LVMH (que detém ainda TAG Heuer, Hublot ou Bvlgari).
Aldo Magada, 55 anos, é actualmente director internacional de vendas da Breitling, mas trabalhou durante muitos anos com Biver. "Considero-o como um dos meus discípulos, como é também o caso de Jean-Frédéric Dufour", disse Biver. A 14 de Abril era anunciado que Dufour, CEO da Zenith, fora nomeado CEO da Rolex, substituindo Gian Riccardo Marini.
O comunicado oficial:
Paris, France, May 2nd, 2014 – LVMH announces the appointment of Aldo Magada as President and CEO of Zenith. He takes over from Jean-Frédéric Dufour who has recently been appointed General Manager outside the Group.
Jean-Claude Biver, President of the Watches Division of LVMH, is firmly convinced that Aldo’s significant experience in the watch-making industry, combined with his proven-track record in product development and strategy as well as his in-depth knowledge of manufactures will be instrumental to develop Zenith. Aldo Madaga will take up his new duties on July 1st, 2014.
A recognized player in the Watches industry
Aldo Magada, a Swiss citizen born in 1958, is married, and has two children. He grew up in Switzerland and graduated from the University of Lausanne in 1981 and from the University of La Jolla in San Diego, California in 1982. Aldo Magada started his career in sales at Vifor, a para-pharmaceutical company.
In 1984, Aldo joined the watches industry at Swatch and then held positions with increasing responsibilities for Piaget and Omega where he was Product Director and Marketing Director alongside Jean-Claude Biver between 1994 and 1998. In 2000, he became President of Gucci Time Pieces. Between 2002 and 2009, he led Technomarine, Reuge and Badollet, before founding a consulting firm, earning recognition and trust of numerous key players in the watches industry. Since 2010, he has been International Sales & Business Development Director at Breitling.
During his nearly 30 years of experience mainly in the watch-making industry, Aldo Magada has demonstrated his instrumental role in Brand development and repositioning. As Jean-Claude Biver highlights, Aldo will ensure a continuous success for Zenith over the coming years.
Esculturas cinéticas de Bob Potts na M.A.D.Gallery, em Genebra (relógios MB&F)
A M.A.D.Gallery, em Genebra (pertence ao universo dos relógios MB&F), expõe esculturas cinéticas de Bob Potts. Nascido em São francisco há 72 anos, tem um currículo que passa pela Marinha dos Estados Unidos, pela carpintaria - trabalhando sob encomenda de vários artistas, pela carreira de violinista profissional durante sete anos, pela construção de protótipos de corrida automóvel, e finalmente artista escultor.
As suas esculturas cinéticas são obras de arte mecânica: com um uso minimalista de engrenagens, motores e vários metais, cria movimentos inspirados pela natureza.
Nos últimos 20 anos 20, Potts produziu cerca de 20 esculturas, peças únicas, trabalhando sozinho, sem a ajuda de computadores ou quaisquer desenhos técnicos detalhados. Veja mais aqui.
Relógios Jaeger-LeCoultre e UNESCO lançam novo filme sobre os oceanos e a sua importância
Desde 2008, a Manufatura Jaeger-LeCoultre é parceira da UNESCO no domínio da preservação dos fundos marinhos. Este ano, ambas as entidades escolheram uma data simbólica – 22 de Abril, Dia Mundial da Terra – para lançar um novo vídeo, "Oceans: The Heart of our Planet", que sublinha a importância dos oceanos para a vida humana.
Com o objectivo de sensibilizar a opinião pública mundial para a defesa e para a protecção de sítios marinhos excecionais e de apoiar esta causa ambiental, a Manufactura associou-se em 2008 ao Centro do Património Mundial da UNESCO.
Através do Programa Marinho do Património Mundial, a Jaeger-LeCoultre tem contribuído para a protecção de 46 zonas marinhas que gozam do mais elevado status e reconhecimento internacional em matéria de conservação: a sua inscrição na Lista de Património Mundial da UNESCO.
A Jaeger-LeCoultre também providencia apoio financeiro imediato à UNESCO para apoio às actividades quotidianas ligadas às ‘joias da coroa’ dos oceanos. Durante os últimos anos, a Jaeger-LeCoultre fez diversas doações a favor de sítios marinhos como o arquipélago Fernando de Noronha, no Brasil, o Parque Natural de Tubbataha nas Filipinas e o Santuário de fauna e de flora de Malpelo na Colômbia, que permitiram levar a cabo a vigilância regular com vista a avaliar o estado de conservação destas preciosidades marinhas excepcionais e de lutar contra as actividades de pesca ilegal.
O Programa Marinho do Património Mundial
Iniciado em 2005, a missão do Programa Marinho do Património Mundial é estabelecer uma conservação eficaz de zonas marinhas existentes ou potenciais que apresentam um valor universal excepcional, com o objectivo de assegurar que serão mantidas e desenvolvidas para as gerações futuras. Actualmente, das 6000 zonas marinhas designadas como protegidas, 46 usufruem do estatuto mais elevado reconhecido internacionalmente em matéria de conservação, a Lista do Património Mundial da UNESCO. Estes sítios representam as ‘joias da coroa’ dos oceanos, uma rede de sítios marinhos seleccionados que dispõem de um sistema de gestão eficaz que permite a protecção do seu valor universal excepcional com recurso a métodos modernos de gestão.
Resultados alcançados até à data
Entre 2009 e 2012, a parceria Tides of Time com a Jaeger-LeCoultre, a UNESCO e o International Herald Tribune, juntamente com o apoio do Governo da Flandres (Bélgica), permitiu ao Centro do Património da Humanidade estabelecer as bases de um futuro sólido e prometedor para o seu programa marinho. Desde o ano de 2009, o centro alcançou os seguintes objectivos:
- Duplicação da superfície marinha protegida mediante o Convénio do Património da Humanidade. A lista inclui hoje 20% de todas as zonas marinhas protegidas mais importantes do mundo.
- Estabelecimento de uma importante rede de administradores de sítios marinhos que têm em comum a sua experiência e os seus objectivos por meio de um fórum virtual em Internet e reuniões semestrais. Neles, os intervenientes partilham e comunicam os resultados concretos do seu trabalho.
- Desenvolvimento de conselhos científicos para ajudar os Estados membros a determinar potenciais sítios marinhos protegidos e para facilitar a implementação das mais recentes técnicas e ferramentas de administração. - Obtenção de um reconhecimento sem precedentes por parte das ONG e do grande público do potencial inexplorado do Convénio de 1972 para a conservação dos sítios marinhos.
- Estabelecimento de uma rota para aumentar as capacidades de gestão dos sítios marinhos inscritos no Património Mundial e prepará-los para fazer frente aos cada vez mais difíceis e complexos os desafios marinhos.
- Lançamento de novos projectos de associação entre os sítios marinhos com o fim de trabalharem em conjunto face aos desafios de conservação, em particular no Parque Nacional de Banc d’Arguin, no mar de Wadden, nas Ilhas Phoenix, Papahanaumokuakea, no Tubbataha e no Grande Recife de Coral.
Zac Efron com relógio Montblanc Star Classic
Na antestreia do filme “Neighbors”, que decorreu por estes dias em Los Angeles, o actor Zac Efron usou um relógio Montblanc. Tornado famoso pela sua participação em “High School Musical”, Efron escolheu o modelo Star Classic da Montblanc.
Shinji Attori, Presidente dos relógios Seiko, condecorado pelo Governo japonês
(foto Estação Cronográfica)
O Presidente e CEO do Grupo Seiko Holdings Corporation e Presidente e CEO da Seiko Watch Corporation, Shinji Hattori, foi condecorado pelo Governo japonês com a Medalha com Fita Azul. A distinção é dada, segundo as palavras da nota que acompanha a condecoração, "aos que fizeram contribuições importantes em benefício do público ou realizaram esforços consideráveis ao serviço do público no domínio da educação, medicina, bem-estar social e indústria"
A condecoração reconhece a contribuição de Hattori no aumento da reputação e prestígio da indústria relojoeira nipónica e os seus longos serviços à indústria.
Do comunicado da Seiko:
The decoration acknowledges Hattori’s contribution to the increasingly prestigious reputation of Japanese watch making and his long service to the industry. The “Made in Japan” label is all the more appreciated in the world watch industry and Hattori’s unswerving dedication to the growth of this reputation is the primary reason for the award. Hattori has always placed high value upon the importance of continuous technological innovation as the key strength of Japanese watch making and, under his leadership, Seiko has increased its global fame as one of the world’s very finest vertically integrated producer of watches with high added value. Furthermore, through a single-minded implementation of a brand vision of “Innovation and Refinement,” he has enhanced the value of the Seiko brand in the luxury watch segment.
Com Shinji Attori, em 2010, em Tóquio
A reacção de Shinji Hattori: I would like to thank everybody who has supported me in my time so far as the President and Group CEO of Seiko, thereby making possible this award, of which I am very proud. Since its foundation in 1881, Seiko has continuously launched innovative products including the Japan’s first wristwatch “Laurel”, the world’s first quartz watch, the automatic generating quartz watch. Like my predecessors, we have followed the credo of the founder Kintaro Hattori who decreed that Seiko should be “Always one step ahead of the rest.” I will continue to follow the lead set by Kintaro, my great grandfather, and to further strengthen the image of Japan’s fine watchmaking.
A Medalha com Fita Azul: as condecorações atribuídas pelo Governo japonês, atribuídas a personalidades que se distinguiram na sua contribuição para a sociedade têm várias cores na fira, consoante o grau crescente - vermelho, verde, amarelo, roxo, azul e azul escuro. A cerimónia de entrega da medalha ocorrerá a 16 de Maio.
CV de Shinji Hattori:
January 1953 born in Tokyo
April 1975 joined Mitsubishi Corporation
July 1984 joined Seikosha Co., Ltd. (current Seiko Clock Inc. and Seiko Precision Inc.)
June 2001 President of Seiko Precision Inc.
June 2003 President and CEO of Seiko Watch Corporation to present
June 2007 Director of Seiko Corporation (current Seiko Holdings Corporation)
June 2009 Vice President of Seiko Holdings Corporation
April 2010 President and CEO
October 2012 Chairman and Group CEO till present
Meditações - a marcha dos ponteiros
Não se rege a minha vida
pela marcha dos ponteiros:
tenho os meus próprios roteiros
à minha justa medida!
João de Castro Nunes
pela marcha dos ponteiros:
tenho os meus próprios roteiros
à minha justa medida!
João de Castro Nunes
domingo, 4 de maio de 2014
Há 110 anos - relógios reguladores com despertador
Anúncio a relógios reguladores com despertador, Rua da Palma, Lisboa. A Paródia, Maio de 1904 (arquivo Fernando Correia de Oliveira).
Meditações - Dia da Mãe
Em se tratando de amor,
o dia da nossa mãe
devia ser o maior
de quantos o ano tem!
João de Castro Nunes
o dia da nossa mãe
devia ser o maior
de quantos o ano tem!
João de Castro Nunes
sábado, 3 de maio de 2014
Meditações - eternidade, sem idade
Não conhece a eternidade
os achaques da velhice
nem tão-pouco a alacridade
inerente à meninice!
João de Castro Nunes
os achaques da velhice
nem tão-pouco a alacridade
inerente à meninice!
João de Castro Nunes
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Há dez anos - "Leituras acidentais de um ocidental"
Leituras acidentais de um ocidental. Terceira crónica da série, publicada na revista Homem Magazine, em Maio de 2004.
Fernando Correia de Oliveira
Europeu e laico, por um bom combate
Era 13 de Maio de 2000, faz portanto agora exactamente quatro anos. O papa acabara de fazer anunciar, urbi et orbi, a sua interpretação da terceira parte do Segredo de Fátima, baseado no que os videntes Jacinto, Francisca e Lúcia tinham antecipado em 1917 e que a única sobrevivente passou a papel em 1944, para ser visto apenas por muito poucos.
Tanto se tinha especulado sobre esse texto... Afinal, segundo João Paulo II, ele apenas previra o atentado de que o papa foi alvo, num outro 13 de Maio, de 1981, em Roma.
Num dos refeitórios de um dos seminários do Santuário o ambiente era agora mais distendido, com padres e leigos convivendo, almoçando já tarde. O tema era a Irmã Lúcia, que saíra mais uma vez da clausura do Carmelo de Coimbra para estar com João Paulo II na cerimónia de beatificação dos seus primos.
Uma alta fonte da Igreja, com acesso directo e relativamente frequente a Lúcia, instado a pronunciar-se sobre o dia-a-dia da religiosa, adianta alguns pormenores, em voz baixa, que desde logo chamam a atenção dos restantes comensais. Para já, a única sobrevivente do grupo continua a ter visões quase diariamente, embora a Igreja não queira falar muito disso. Continuará assim, segundo parece, a ser um canal directo de comunicação com Deus. Depois, recebe cartas de todas as partes do mundo, com pedidos de cura, de conselhos, de agradecimento por uma graça concedida. A todas o Carmelo responde. (Lúcia, até pela idade, seria impossível fazê-lo).
O silêncio na mesa já era grande, mas todos inclinaram instintivamente ainda mais as cabeças para a cabeceira, quando essa fonte da Igreja, que por motivos óbvios não queremos identificar, lançou esta frase: “Agora que o Segredo está totalmente revelado, talvez a Irmã Lúcia tenha um pouco mais de descanso. É que ainda há um mês esteve no Carmelo uma delegação de bispos italianos, para falar com ela. Eu estive nessa sessão e, mais uma vez a pergunta foi – será que o Segredo é a reislamização da Europa?”.
Não admira que os bispos italianos estivessem (estejam) preocupados. A laicização do continente, mesmo no seu flanco sul, tem feito com que as presenças nas missas sejam cada vez mais raras, que os casamentos católicos sejam cada vez menos, que os baptismos sejam apenas formais, não levando a uma prática religiosa quotidiana.
Laicização? Enquanto as igrejas de Milão e Turim, mas também de Paris e Grenoble, ou de Bruxelas, Sevilha, Granada e, porque não, Lisboa, estão a maior parte do tempo vazias, as mesquitas (cada vez em maior número) estão cheias, não conseguem fazer caber no seu interior os fiéis, que se ajoelham no meio das ruas e praças da Velha Europa, orando em direcção a Meca, nos bairros onde habitam, ilhas de islamismo no coração do Ocidente, praticantes da segunda maior religião, já com 13 milhões de crentes.
Segundo a maioria dos sábios da escola shafi (uma das quatro escolas de jurisprudência do Islão sunita), os territórios que estiveram um dia sob o domínio do Islão, como o Al Andalus (onde se pode incluir obviamente Portugal), são considerados ainda terras do Islão, e estão sob a sua tutela. Há mais de 600 mil seguidores de Maomé em Espanha, uma comunidade exactamente de maioria sunita, e que cresce todos os dias, alimentada pela vaga maciça de imigração ilegal vinda do norte de África.
Em França, dez por cento da população é de origem magrebina e a tentativa do Governo de integrar a nação muçulmana no main stream, através de eleições democráticas, deu uma repetição do que se passou há anos na Argélia – ganharam os fundamentalistas, que agora dominam a representação dessa comunidade, como parceiro social, para desespero dos políticos.
Em Itália, onde apenas 5 por cento da crescente comunidade islâmica frequente a mesquita, assistiu-se mesmo assim a uma explosão de construção de templos – 214 na actualidade, por influência de correntes radicais.
A Alemanha tem 3,2 milhões de muçulmanos, dos quais 2,5 milhões são turcos ou originários da Turquia, na sua maioria sunitas ligados à doutrina halafi, a mais liberal das escolas jurídicas islâmicas. O islamismo turco é o que menos preocupa as autoridades, mas há imãs radicais, pregando a jihad, e o atentado de 11 de Setembro nos Estados Unidos foi preparado pela chamada célula de Hamburgo.
Em Inglaterra, os muçulmanos representam 3 por cento da população, vindos quase sempre do antigo império e dos mais integrados, pois começaram a emigrar logo a seguir à II Guerra Mundial. Há 600 mesquitas no Reino Unido, a maioria do ramo sunita. Mesmo assim, segundo sondagens oficiais, 13 por cento dos muçulmanos na Grã-Bretanha apoiam as acções da Al-Qaeda...
No seu todo, a Europa tem hoje 30 milhões de muçulmanos, para 300 milhões de habitantes. “Dez por cento não é uma identidade, é um acréscimo e eu espero, em todo o caso, que esses muçulmanos, um dia, se tornem europeus de pleno direito, plenamente integrados”, afirma Antoine Basbous, Director do Observatório dos Países Árabes em França (1). Mas este politólogo acrescenta: “O islamismo tem por vocação fazer aderir os muçulmanos aos seus próprios valores, de transformar o muçulmano num islamista, mobilizá-lo para a causa. Na sua doutrina e literatura, pede-se aos muçulmanos que vivem na Europa que preservem o seu apego à religião, que não convivam com os europeus. A política dos islamistas é transformar a comunidade muçulmana no Ocidente numa espécie de soldados, desligando-os da sociedade em que vivem”. Basbous vê, claramente, um fenómeno de reislamização na Europa.
A questão principal, por muito que custe aos adeptos do “politicamente correcto”, está na vontade expressa dos muçulmanos em não quererem integrar-se nas sociedades de acolhimento, e não na incapacidade destas em fomentarem essa integração. A realidade é que o Estado laico não se quer meter com a religião, mas o Islão quer meter-se com o Estado laico, que a tanto custo foi conquistado pelo Ocidente.
No rescaldo da jihad às portas de Portugal, no Al Andalus madrileno, Fouad Ajami, Professor na Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, dizia (2): “A geografia do islão – e da imaginação islâmica – mudou nos últimos anos. A fé tornou-se portátil, os muçulmanos que deixaram os seus países trouxeram o Islão com eles. Os homens vieram para as terras dos infiéis, mas uma nova geração de islamitas radicalizou ali a fé, no meio dos kafir (os infiéis)”. Este académico vaticina: “Seja qual for a arquitectura política que a Europa procura, terá de ser construída em proximidade com o outro mundo, frente ao estreito de Gibraltar e numa fase de crise terminal. Não há perspectiva de os governantes de terras árabes oferecerem ao seu povo um contrato social decente, ou as oportunidades de liberdade. É um triste facto que os povos árabes já não fazem reivindicações aos seus chefes. Em vez disso, terroristas como os de Madrid agora procuram satisfação quase só em terra estrangeira”.
Robert Kagan, do Carnegie Endowment for International Peace, faz a seguinte leitura (3): “A Al-Qaeda tenta dividir a Europa e os Estados Unidos não só no Iraque, mas na sua luta global. Tenta convencer os europeus não só de que o uso da força no Iraque foi errado, mas que o uso da força contra o terrorismo em geral é fútil”.
Já Paolo Flores d’Arcais, filósofo italiano, um dos “pensadores de serviço” para a Europa, fala do seguinte modo do terramoto político espanhol, na sequência do 11 de Março (4): “A esperança que vem de Espanha é uma esperança para todo o Ocidente. A esperança de que a derrota, depois de Aznar, toque também a Blair e a Berlusconi nas próximas eleições europeias. E a Bush em Novembro”.
No meio de um anti-americanismo crescente e nunca visto em todo o mundo (4) – nem nos tempos mais ácidos da Guerra do Vietname o sentimento negativo face ao poder do Tio Sam foi tão elevado – há muito boa gente que se sente hoje “entalada” entre um misto de cristianismo messiânico e capitalismo pouco ético vindo dos que rodeiam George Bush, por um lado, e um esquerdismo nostálgico, anti-democrático, anti-globalizante, por outro. O terrorismo islâmico parece querer empurrar-nos, à pressa, para um dos lados, numa chantagem insuportável.
1 – Actual, Expresso, 20 de Março de 2004
2 – The Wall Street Journal, 22 de Março de 2004
3 – Público, 18 de Março de 2004
4 – As sondagens mais recentes podem ser vistas em www.people-press.org
Memorabilia - medalhão comemorativo dos 300 anos do Orrery, relógios Graham - Baselworld 2014
Meditações - Maio em flor
Era o antigo Alentejo
O das grandes descobertas
da minha infância
o Maio em flor
em mil papoulas nos trigais
saramagas e grisandas
enredadas
na terra crua.
Ergue-se o meio dia
ardente
sobre o mundo
e uma luz de cristal transparente
fere os corpos e as pedras
mas deixa alegria branca.
Cantam naquele silêncio
ranchos de trabalhadores
rurais que sonham
um amanhã
de igualdade
nos corações das casas
de terra e pasto
e a flor da paz
sorri-lhes
como só ela
sabe sorrir na epifania
na apoteose da luz só.
Urbano Tavares Rodrigues
O das grandes descobertas
da minha infância
o Maio em flor
em mil papoulas nos trigais
saramagas e grisandas
enredadas
na terra crua.
Ergue-se o meio dia
ardente
sobre o mundo
e uma luz de cristal transparente
fere os corpos e as pedras
mas deixa alegria branca.
Cantam naquele silêncio
ranchos de trabalhadores
rurais que sonham
um amanhã
de igualdade
nos corações das casas
de terra e pasto
e a flor da paz
sorri-lhes
como só ela
sabe sorrir na epifania
na apoteose da luz só.
Urbano Tavares Rodrigues
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Thierry Stern anuncia-nos por carta início oficial das comemorações dos 175 anos dos relógios Patek Philippe
À conversa com Thierry Stern, numa sua passagem por Lisboa
O Presidente da Patek Philippe, Thierry Stern, quarta geração dos Stern à frente da companhia genebrina, escreve-nos hoje uma missiva, anunciando oficialmente a abertura das comemorações do 175º aniversário da manufactura que, segundo muitos, faz os melhores relógios do mundo.
Dear Fernando Correia de Oliveira,
Dear Fernando Correia de Oliveira,
Today, May 1, 2014, I am happy to announce the 175th anniversary of Patek Philippe, and the imminent launch of a special timeline at patek.com to showcase our history - the longest uninterrupted history of any watch brand. The timeline will be continuously enriched throughout the year, with fascinating stories from our past and present.
We believe that one of the secrets of our success has been our independence (we are the last family-owned watch manufacture in Geneva). Over the years, this freedom has allowed us to be truly creative, innovative, and pioneering - as demonstrated in our impressive repertoire of patents, our unique designs, and our dedication to rare handcrafts.
My great grandfather, Charles Stern, and his brother Jean, took the reins of Patek Philippe in 1932. It was Charles' son - my grandfather, Henri Stern - and my father, Philippe, who inspired my passion to stay true to the vision of the company's founders, and to keep creating and producing the best watches in the world.
I feel proud to be at the company's helm during this most important historical milestone. And I look forward to maintaining the long-standing spirit of creativity and innovation for which the company is known.
May I take this opportunity to thank you for sharing our passion for Patek Philippe.
Yours sincerely
Thierry Stern
President
Philippe e Thierry Stern
Relógios Hublot leva campanha "Hublot Loves Football" ao México
A campanha itinerante mundial “Hublot Loves Football” parou por estes dias na Cidade do México, com a presença do CEO da Hublot, Ricardo Guadalupe, e o Embaixador da marca, Pelé.
O evento no novo corner Hublot, na Via Santa Fé, em colaboração com o parceiro local, Berger Joyeros Boutique. O México teve a apresentação do Relógio Oficial Hublot para o Campeonato do Mundo de Futebol, que decorrerá em Junho no Brasil - o Big Bang Unico Bi-Retrograde Chronograph ou "Soccer Bang", disponível nas versões de ouro rosa com fibra de carbono na luneta (limitada a 100 exemplares) ou de cerâmica negra, também com luneta de fibra de carbono (limitada a 200 exemplares).
Na ocasião foi também apresentado o relógio que a Hublot fez em homenagem ao Rei Pelé, um Classic Fusion Chrono Aero Pelé, um cronógrafo automático limitado a 500 exemplares. Há ainda uma versão King Power Pelé Tourbillon, um cronógrafo mono-botão.
A actriz mexicana, Jacky Bracamontes, também Embaixadora da Hublot, marcou presença no evento, que terminou ao ritmo do samba.
Meditações - a espuma do tempo
Não há máquina nenhuma
capaz de fotografar
o tempo sempre a mudar
como se fosse de espuma!
João de Castro Nunes
capaz de fotografar
o tempo sempre a mudar
como se fosse de espuma!
João de Castro Nunes
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