Data de 6 de Agosto de 1756 o Requerimento de João Pires, mestre relojoeiro, para lhe ser passada nova carta de Familiar com ressalva, informação e despacho.
(Arquivo Nacional da Torre do Tombo)
A familiatura tinha uma dupla função na sociedade portuguesa
de Antigo Regime: além do controle social e religioso exercido por este corpo
de oficiais inquisitoriais, a obtenção da carta de familiar também nobilitava
os indivíduos que a obtinham.
Da Wikipedia:
As principais funções dos Familiares eram ligadas à máquina
policial do Santo Ofício, cabendo-lhes executar as prisões de suspeitos de
heresia, sequestrar os bens dos condenados, nos crimes em que coubesse
confisco, e efetuar diligências a mando dos inquisidores. Havia ainda
Familiares médicos, que examinavam os presos e avaliavam sua resistência à
tortura. Exerciam, também, função precípua nos célebres Autos-de-fé, trajados
com pompa, ladeando os penitentes em procissão e os condenados até o cadafalso.
No Arquivo Nacional da Torre do Tombo encontram-se os
processos de habilitação dos Familiares do Santo Ofício português, incluindo os
do Brasil. Esses processos incluíam diligências exaustivas sobre o sangue e a
conduta do postulante, de sua esposa (caso a tivesse) e dos seus parentes até
os avós. Um simples rumor apurado nessas diligências poderia prejudicar a
habilitação, havendo casos de indeferimento por "sintoma de mulatice"
em algum parente, ou por "nódoa de sangue judaico" na família. Os que
passavam pela prova obtinham, além da familiatura, privilégios consideráveis,
como a isenção de certos impostos, além do prestígio social - expresso na
ostentação da medalha de Familiar - de ser alguém de confiança da Inquisição.
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