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segunda-feira, 23 de março de 2026

Há 25 anos - quando os CEO's das manufaturas relojoeiras eram (quase) eternos

Capa do Tribune des Arts de Março de 2001, suplemento do jornal Tribune de Genève (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Exatamente há 25 anos, a 21 de Março de 2001, tinha início mais uma Feira Internacional de Relojoaria, em Basileia, a maior do mundo na altura. Viria a chamar-se Baselworld e foi com esse nome que a centenária iniciativa, começada em 1917, acabou, em 2019.

Nesses tempos, Baselworld procurava e conseguia um entendimento com a concorrente de Genebra, o Salão Internacional de Alta Relojoaria (SIHH, no acrónimo em francês, e que hoje se chama Watches and Wonders). Iniciado em 1991, o salão tinha surgido por iniciativa da Cartier e de outras marcas, que já na altura pensavam que o certame de Basileia não tinha condições para receber clientes e media.

Numa entente mais ou menos cordial, os eventos de Basileia e Genebra conciliavam datas e um seguia o outro. Ou seja, eram duas semanas de trabalho intenso das marcas expositoras, dos importadores e pontos de venda, dos jornalistas especializados.

Com o fim da Baseworld, o salão de Genebra ganhou cada vez mais importância. Começou com cinco marcas fundadoras e, hoje, está com 66. Como sempre, desde há 30 anos, estamos presentes neste evento, onde só se podia aceder por convite (em Basileia, cobríamos a feira à nossa custa, o que sempre nos agradou mais...)

Aproveitando a boleia da Watches and Wonders, cada vez mais marcas realizam também as suas apresentações nos dias do evento, que decorre no Palexpo, em Genebra, e que tem alguns dias abertos ao público. Vamos estar em Genebra 4 dias, a partir de 14 de Abril. E, como nos anos anteriores, vamos ignorar, por princípios éticos, as centenas de iniciativas que decorrem fora daquele espaço. E, mesmo assim, não conseguiremos cobrir na totalidade as 66 marcas do salão.

Confessamos: temos saudades da Baselworld, onde se respirava o verdadeiro espírito do setor relojoeiro mundial - além dos expositores suíços, havia representações de França, Itália, Alemanha, Hong Kong, entre outros.

Para os nostálgicos como nós, lembramos, com a ajuda do Tribune des Arts, alguns dos responsáveis pelas marcas, há um quarto de século: Nicolas Hayek (já falecido, à frente do Swatch Group, mas sobretudo da Swatch e, depois, da Breguet); Franck Muller (hoje afastado da manufatura que fundou); Raymond Weil (já falecido, fundador da marca com o seu nome); Arlette Emch Ducommun (Calvin Klein e, depois Swartch); Jean Claude Biver (Blancpain, depois Hublot, hoje com marca própria); Phililippe Stern (Patek Philippe, hoje aposentado); Walter von Kaenel (Longines, hoje reformado); Steeve Urquhart (Omega, reformado); Séverin Wundermann (Corum, já falecido); Günter Blümlein (IWC e, depois A. Lange & Söhne, já falecido); Caroline Gruosi-Scheufele e o irmão, Karl-Friedrich Scheufele (Chopard, ainda a dirigirem a empresa familiar); Guillaume de Seynes (Hermès, ainda em actividade); Henri-John Belmont (Jaeger-LeCoultre, reformado); François-Paul Journe (ainda à frente da marca com o seu nome); Luigi Macaluso (Girard-Perregaux, já falecido); Claude Proellochs (Vacheron Constantin, já falecido); Léopol Metzger (Piaget, já falecido); Franco Cologni (Panerai e, depois, líder da Fundação de Alta Relojaria, aposentado); Carlos Dias (o português fundador da Roger Dubuis, hoje afastado do setor); Georges-Henri Meylan (Audemars Piguet e, depois, marca própria, ainda em atividade); Michel Parmigiani (Parmigiani Fleurier, ainda em atividade), François Thiébaud (Tissot e Presidente dos expositores suíços na Baselworld, reformado).

Era numa altura em que os responsáveis ficavam largos anos, muitos deles décadas, à frente das respetivas marcas, numa simbiose de imagem entre uns e outros. Tivemos o privilégio de conhecer estas personagens, a quem a indústria relojoeira helvética muito deve.

Hoje, a rotatividade de CEOs é alucinante e a imagem das marcas passa por influencers e por relógios emprestados nos pulsos de personagens de jet set tão efémeros quanto os primeiros, em galas de duvidoso gosto.



O SIHH começaria a 27 de Março, permitindo que quem estivera em Basileia, como nós, rumasse depois para sul. (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

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