Amanhã, domingo, 30 de Março, os relógios adiantam 60 minutos. Em 1916, Portugal institui pela primeira vez a chamada Hora de Verão. Em pleno conflito mundial, e imitando outros países da Europa, Portugal introduz o conceito de adiantar uma hora ao tempo solar médio, para aproveitar ao máximo a luz solar e poupar combustíveis. Ver aqui.
Do ponto de vista estrutural, o tempo português sofreu, até hoje, além desta, as seguintes modificações:
A 22 de Agosto de 1142, no reinado de D. João I, é publicada a lei que altera em Portugal a era hispânica, de César, ou de Augusto, iniciada em 38 a.C., para a era de Cristo (de 1460 passou-se para 1422, Anno Domini). Na datação de documentos anteriores a essa reforma, devem assim deduzir-se sempre 38 anos.
Em 1582, sob domínio filipino, o pais abandona o calendário juliano e adere ao calendário gregoriano. Assim, ao 5 de Outubro desse ano, uma quinta-feira, seguiu-se sexta-feira, 15 de Outubro.
Em 1 de Janeiro de 1912, por iniciativa do novo regime republicano, Portugal adere ao sistema de fusos horários, deixando de ter a hora oficial marcada pelo meridiano de Lisboa (mais propriamente, do Observatório Astronómico da Ajuda). Ver aqui e aqui
Em 2023, depois de século e meio a ser o único depositário da hora legal, numa tradição mundialmente seguida de relação umbilical entre astronomia, medição e emissão do tempo, o Observatório Astronómico de Lisboa, entretanto feito espaço museológico, por decisão governamental, deixa de ter esse papel. Que passa para o Instituto Português da Qualidade, até agora apenas o depositário do segundo padrão. Ver aqui e aqui.
Foi, entretanto, criada uma comissão interministerial para
estudar a transição, que até à data ainda não ocorreu.
Criou-se assim um vacatio legis que, mais uma vez, demonstra a dificuldade endémica, perene, do país em lidar com o Tempo. Em 2025, não há nenhuma entidade ou relógio
público que emita a hora legal em Portugal.
Para saber mais, vá aqui.
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