Est. June 12th 2009 / Desde 12 de Junho de 2009

A daily stopover, where Time is written. A blog of Todo o Tempo do Mundo © / All a World on Time © universe. Apeadeiro onde o Tempo se escreve, diariamente. Um blog do universo Todo o Tempo do Mundo © All a World on Time ©)

segunda-feira, 4 de junho de 2018

De visita à Girard-Perregaux, com relógios de três pontes de ouro e escapes de força constante


Estivemos por estes dias em La Chaux-de-Fonds, coração da indústria relojoeira suíça tradicional e, juntamente com a vizinha Le Locle, declaradas pela UNESCO Património Mundial da Humanidade, pela sua arquitectura, vocacionada desde o século XIX para as melhores condições de iluminação natural possíveis, atendendo ao fabrico de relógios.

Jean-François Bautte funda a sua empresa em Genebra, em 1791, produzindo relógios de bolso de alta qualidade. Nascido em La-Chaux-de-Fonds, Constant Girard funda a sua nessa localidade, em 1852. Dois anos mais tarde, casa-se com Marie Perregaux, natural do Locle. Nasce a Girard-Perregaux, que em 1906 adquire a manufactura fundada por Bautte. São assim 227 anos de actividade ininterrupta em termos de Alta Relojoaria.

Há precisamente 22 anos, a primeira manufactura relojoeira que visitámos foi a Girard-Perregaux, que então pertencia à família Macaluso. Nela fizemos o nosso primeiro curso de iniciação à relojoaria e, anos mais tarde, a Girard-Perregaux iria apoiar os dois primeiros livros que escrevemos sobre o Tempo. Durante estas duas décadas fomos revisitando a manufactura e acompanhando momentos importantes da sua vida, como aquando do lançamento em 2013 do também revolucionário Escape de Força Constante. (veja aqui ou aqui).

Hoje, a Girard-Perregaux pertence ao grupo de luxo Kering e, desde Janeiro de 2015 tem como CEO Antonio Calce, um quadro que antes tinha passado pela Piaget, pela Panerai e pela Corum. Na edição de Julho do Relógios & Canetas online teremos uma entrevista com ele e outros pormenores sobre mais esta visita que agora fizemos à manufactura.

Para já, um portefólio sobre os dias em La Chaux-de-Fonds, a convite da Girard-Perregaux,




O turbilhão, com as três pontes de ouro, uma arquitectura revolucionária que Constant Girard levou em forma de relógio de bolso à Feira Universal de Paris, de 1889, onde ganhou a medalha de ouro, é uma das grandes "assinaturas" da marca que, em 1981, lançou uma edição limitada a 20 exemplares, réplicas do original de 1889.


E, em 1991, por ocasião do bi-centenário, a Girard-Perregaux apresentou essa arquitectura do turbilhão, com as três pontes de ouro, mas agora em relógio de pulso, num calibre automático, com micro-rotor. Até hoje, essa arquitectura tem sido aplicada em várias declinações, algumas bem futuristas.




Em cima, outro exemplo da capacidade da manufactura - um repetição minutos, com turbilhão tri-axial










Stefano Macaluso, na qualidade de responsável de Desenvolvimento de Produto da Girard-Perregaux, fez a apresentação dos mais recentes modelos da marca. Arquitecto de formação, um dos filhos de Luigi "Gino" Macaluso, que já foi dono da manufactura, Stefano deverá abandonar proximamente a empresa, para criar a sua própria companhia de design de relógios e carros.


Lançado em 2017,  o Girard-Perregaux Tri-Axial Planetarium é o epítome do savoir-faire relojoeiro da manufactura - o calibre, de carga manual, com turbilhão tri-axial, tem um globo tridimensional que mostra as 24 horas no mundo, além de fases de lua






Uma declinação do Escape de Força Constante (ver também aquiaqui ou aqui)





O Laureato, lançado em 1975, relógio desportivo, continua a ser declinado, sendo hoje o modelo mais vendido da marca


















Um modelo Cat's Eye, a linha feminina da Girard-Perregaux


Um WWTC, um dos modelos mais populares da marca, com Horas do Mundo




Um calendário Perpétuo


A despedida... 


Fizemos a visita integrados num grupo ibérico. Ao centro e em baixo, Antonio Calce, CEO da Girard-Perregaux. Antes de um jantar no Beau Rivage, em Neuchatel.







A viagem terminou num almoço na Ferme Droz-dit-Busset, uma das mais antigas da região. Antes, mais uma visita ao Museu Internacional de Relojoaria, de La Chaux-de-Fonds. Acompanhados de Willy Schweizer, historiador e curador da colecção da manufactura, que deverá inaugurar em 2019 o seu próprio museu.

Janela para o passado - Margarina Vaqueiro, 1967

Relógios & Canetas online Junho - Reportagem sobre o Portugal Air Summit 2018, em Ponte de Sor, com os relógios Fortis


Reportagem sobre o Portugal Air Summit 2018, em Ponte de Sor, com os relógios Fortis, cronometrista oficial do evento. Já está disponível aqui, aqui ou aqui a edição de Junho do Relógios & Canetas online. São 184 páginas dedicadas à Alta Relojoaria, Instrumentos de Escrita, Jóias e outros objectos de Luxo. Na maior plataforma do seu género em língua portuguesa.





Meditações - o sol e a luz

domingo, 3 de junho de 2018

Livro do dia - Le 30 février... de Olivier Marchon


(Biblioteca horológica Fernando Correia de Oliveira)

Memorabilia - canetas, pins, post-its, lápis - Portugal Air Summit 2018

Janela para o passado - campanha para o consumo de ovos, 1967

Os novos "relógios de bolso" - editorial do Relógios & Canetas online de Junho


Os novos “relógios de bolso”

Fernando Correia de Oliveira

Há uns 10 anos, em Hollywood, num jantar com personalidades da indústria cinematográfica, ficámos na mesma mesa que um casal norte-americano, a viver dessa mesma indústria. Ele, advogado, especializou-se em litígios de direitos de autor. Ela, era responsável de Product Placement nos filmes que se iam produzindo. Ele, tinha cada vez mais trabalho. Ela também – mas fez-nos notar, quando soube o que fazíamos – “São cada vez menos os pedidos da Produção em relação a relógios de pulso. Tenho cada vez mais dificuldade em conseguir inclui-los nos adereços”.

É que a realidade do quotidiano, sobretudo entre os mais jovens, passa-se sem qualquer relógio, seja ele de quartzo, mecânico ou conectado. E essa tendência nas sociedades mais avançadas, como o Japão, tem vindo a acentuar-se desde então.

O relógio, um objecto que vai passar à história?

Há dias, em La Chaux-de-Fonds, um velho quadro de uma das mais importantes manufacturas da zona, com 3 décadas de experiência, dizia-nos enquanto almoçávamos, entre o nostálgico e o irónico – “passámos a usar todos, de novo, relógios de bolso”. E tirou o telemóvel do casaco, acenando-o com resignação.

Os CEO’s das marcas e os seus departamentos de Marketing têm acesso a estudos sociológicos, desde há décadas, que permitem verificar essa tendência, cada vez mais reforçada. E não foram, até agora, os relógios conectados, que recuperaram o espaço do pulso para os medidores do tempo entre os que hoje têm 14 ou 15 anos. Eles, tal como os bisavós, voltaram aos “relógios de bolso”, que também fazem muitas outras coisas – e os ligam entre si e ao mundo. Nem bloggers, nem youtubers, nem influencers, nem embaixadores mais ou menos tatuados ou imberbes actores de efémera fama têm conseguido fazer passar a mensagem da relojoaria para essa classe etária. Como baratas tontas, os marketeers e relações públicas disparam em todas as direcções, mas não têm acertado…

O mundo está a mudar, mas ninguém sabe, para já, para onde. Se o relógio, como objecto de aspiração e de estatuto (que não medidor de horas e minutos), vai continuar na equação, é outra incógnita tão profunda como o próprio Tempo.


Já está disponível aqui, aqui ou aqui a edição de Junho do Relógios & Canetas online. São 184 páginas dedicadas à Alta Relojoaria, Instrumentos de Escrita, Jóias e outros objectos de Luxo. Na maior plataforma do seu género em língua portuguesa.

Meditações - fazer andar o relógio para trás

Sometimes we have to
turn back the clock
to face our fears.
Search back through our memories
to find out how and when they began.
Look deep within our soul
for the answers that we seek.
Locate the source of our torment
to eradicate it complete.
Our fears began somewhere
and the only way to find out where and when
is to turn back the clock.

David Harris

sábado, 2 de junho de 2018

Livro do dia - Le Renoveau Horloger, Laurence Marti


(Biblioteca horológica Fernando Correia de Oliveira)

Relógios & Canetas online Junho já disponível


Já está disponível aqui, aqui ou aqui a edição de Junho do Relógios & Canetas online. São 184 páginas dedicadas à Alta Relojoaria, Instrumentos de Escrita, Jóias e outros objectos de Luxo. Na maior plataforma do seu género em língua portuguesa.

Janela para o passado - água Castello, 1952

Memorabilia - Livre-trânsito Media / VIP, Portugal Air Summit 2018 relógios Fortis


Livre-trânsito Media / VIP, Portugal Air Summit 2018

Meditações - parem todos os relógios

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.

Wystan Hugh Auden

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Iconografia do tempo - atum Bom Petisco. 2018


(arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Janela para o passado - livraria Portugália, 1952

Memorabilia - relógio Swatch Skin Irony

Há 150 anos... Junho


Almanach de Lembranças Luso-Brazileiro para o Anno de 1868 (arquivo Fernando Correia de Oliveira)

Meditações - o relógio do avô

My grand-father's clock was too large for the shelf,
So it stood ninety years on the floor;
It was taller by half than the old man himself,
Though it weighed not a penny weight more.
It was bought on the morn of the day that he was born,
And was always his treasure and pride;
But it stopp'd short never to go again
When the old man died.

Ninety years, without slumbering (tick, tick, tick, tick)
His life seconds numbering (tick, tick, tick, tick)
It stopp'd short never to go again
When the old man died.

In watching its pendulum swing to and fro,
Many hours had he spent while a boy;
And in childhood and manhood the clock seemed to know
And to share both his grief and his joy.
For it struck twenty-four when he entered at the door,
With a blooming and beautiful bride;
But it stopp'd short never to go again
When the old man died.

Ninety years, without slumbering (tick, tick, tick, tick)
His life seconds numbering (tick, tick, tick, tick)
It stopp'd short never to go again
When the old man died.

My grandfather said that of those he could hire,
Not a servant so faithful he found;
For it wasted no time, and had but one desire --
At the close of each week to be wound.
And it kept in its place -- not a frown upon its face,
And its hands never hung by its side;
But it stopp'd short never to go again
When the old man died.

Ninety years, without slumbering (tick, tick, tick, tick)
His life seconds numbering (tick, tick, tick, tick)
It stopp'd short never to go again
When the old man died.

It rang an alarm in the dead of the night --
An alarm that for years had been dumb;
And we knew that his spirit was pluming for flight --
That his hour of departure had come.
Still the clock kept the time, with a soft and muffled chime,
As we silently stood by his side;
But it stopp'd short never to go again
When the old man died.

Ninety years, without slumbering (tick, tick, tick, tick)
His life seconds numbering (tick, tick, tick, tick)
It stopp'd short never to go again
When the old man died.

Henry Clay Work

Junho (calendário Celebração do Tempo)