segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Anuário Relógios & Canetas 2023 - Editorial


 Editorial

Uma questão de marca

Ao longo de duas décadas e meia, a marca Anuário tem-se consolidado. Começou por chamar-se “de relógios, canetas e isqueiros”, deixou pouco depois os isqueiros, objectos que dominaram grande parte do século XX e que permitiram mesmo que um conceito moderno de luxo se tivesse baseado de início neles.

As campanhas antitabágicas, a consciencialização generalizada dos malefícios do hábito de fumar, a redução a praticamente zero do espaço público onde é hoje possível puxar de um cigarro e acendê-lo, fizeram do isqueiro, de objecto irradiando glamour a utensílio banal, visto com olhos condenatórios ou… raramente visto.

E, no entanto, uma certa onda revivalista parece estar a formar-se, com algumas marcas de luxo, ligadas aos acessórios, a apostar em reedições de isqueiros, modelos de produção limitada, apelando a um estatuto de exclusividade.

O Anuário tem mantido, com uma certa teimosia idealista, confessamos, espaço para os instrumentos de escrita, apesar de eles também serem cada vez menos usados, de haver cada vez menos marcas no mercado nacional, de o investimento de comunicação se resumir praticamente a uma única marca, que daqui saudamos.

Os mais cínicos e irónicos dirão que, um dia, as gerações mais velhas usarão a escrita à mão como um código secreto. Nós, enquanto Anuário, garantimos que vamos continuar a reservar espaço para um objecto que, não apenas representa utilidade, como traduz forma de estar na vida.

Mas, sem dúvida, o Anuário vai para além de relógios, canetas e isqueiros. De jóias, carros, perfumes e outros objectos de luxo. Tornou-se numa marca. Forte, independente, dinâmica. Que dá importância à História, ao Património, à Ciência e à Cultura. E que serve de plataforma de contacto e iniciativa entre todos os que o procuram. Por ser o Anuário. Simplesmente.

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