Relógios Longines Flagship Heritage edição especial Sagres


A Longines associou-se às comemorações dos 80 anos do navio-escola Sagres e produziu um relógio limitado a 80 exemplares. Tem PVP de 1.937€

O lançamento do relógio ocorreu ontem apo fim da tarde, a bordo da Sagres, no Cais da Rocha Conde de Óbidos. O agora navio-escola Sagres já navegou com três bandeiras distintas – da Alemanha, do Brasil e de Portugal.

No verso desta Edição Especial Longines encontra-se gravada uma imagem do N.R.P. Sagres, assim como a respetiva numeração de série. Tendo por base o modelo Flagship Heritage, este relógio tem calibre automático e caixa de 38,5 mm, de aço. Correia de pele de crocodilo de cor castanha com fivela personalizada Longines.


A Sagres é o navio mais condecorado da Marinha Portuguesa e o único a ostentar condecorações estrangeiras no respetivo estandarte nacional. A história do atual N.R.P. Sagres remonta a 1937, quando foi construído nos estaleiros Blohm & Voss, em Hamburgo, na Alemanha, tendo recebido o nome de Albert Leo Schlageter. No final da II Guerra Mundial, na partilha dos despojos pelos vencedores, o Albert Leo Schlageter foi entregue aos Estados Unidos e ao fim de três anos foi cedido à Marinha do Brasil, passando a ostentar o nome de Guanabara. Nome que permaneceu até 1962, ano em que foi adquirido por Portugal, para substituir o antigo Sagres.


Nestes 55 anos ao serviço da Marinha Portuguesa este navio, com 90 metros de comprimento, percorreu mais de 600.000 milhas e realizou mais de 100.000 horas de navegação, tendo visitado 61 países e atracado em 171 portos estrangeiros.

Uma embaixada itinerante de Portugal, a principal missão do Navio-Escola Sagres é possibilitar o contacto com a vida no mar aos cadetes da Escola-Naval, os futuros oficiais da Marinha, através de viagens de instrução a bordo do navio.

Em simultâneo, tem a missão de representar a Marinha e o país em todo o mundo, apoiando algumas deslocações do Chefe de Estado e membros do Governo, por ocasião de cimeiras e de grandes eventos internacionais.












A Tempus Internacional (representante da Longines em Portugal) ofereceu à Sagres um cronómetro de marinha Longines produzido em 1937, adquirido num antiquário suíço. A peça foi revista pela Longines antes de ser entregue.


O exemplar nº 80 do Longines Sagres foi também oferecido ao navio-escola





Os 80 anos do navio-escola Sagres foram ainda assinalados por uma edição filatélica e por uma edição especial de vinho de Favaios.


O PVP de 1.937€ alude a 1937, o ano de construção da Sagres

Meditações - tempo e conhecimento

Knowledge is preeminently the work of time… In its labor of knowledge, the mind manifests itself as a series of discrete instants. It is in writing the history of knowledge that the psychologist, like every historian, artificially introduces the string of duration.

Gaston Bachelard

Meditações - relógio preciso

Trago um relógio comigo
de notável precisão:
é por ele que consigo
regular o coração!

João de Castro Nunes

domingo, 29 de outubro de 2017

Meditações - Sou um purista e ecologista da hora

A hora legal mudou no passado sábado. Para a do Inverno, agora harmonizada com a regra europeia de ser só em Outubro e não, como antes, em Setembro. A hora legal de Portugal continental coincide, agora, com o tempo universal coordenado.

Ao que presumo, a maioria das pessoas gosta mais da hora de Verão. Eu confesso gostar mais da hora que mais perto está da verdade. Ou seja, em que mais se aproximam o meio-dia que temos no relógio e o meio-dia solar ou verdadeiro (o momento da passagem do Sol pelo meridiano local). Exactamente o período do ano em que a natureza mais conforme está com a norma, porque a diferença entre o meio-dia solar só se afasta do meio-dia oficial cerca de 30 minutos. Talvez por isso, o tempo em que, em boa verdade, andamos mais a horas. E, assim, nos vamos aproximando do dia que marca o solstício do Inverno, em que a noite é rainha e o dia é filho bastardo.

Na hora de Inverno, o dia, embora do mesmo tempo, torna-se mais exíguo, porque mais comprimido no tempo da nossa vida. A noite, essa alarga-se na penumbra do nosso repouso. Os noctívagos vivem na ilusão de mais tempo e os que trabalham de sol a sol continuam a fazê-lo tal qual antes, apenas com a ilusão formal de se levantarem uma hora mais cedo no seu relógio.

Na década de 90 do século passado, uma ideia peregrina tomou assento no Diário da República. Chegámos, durante quatro anos, a ter uma hora oficial igual a Bruxelas, Paris, Berlim. Uns poucos anos mais tarde, tão rapidamente quanto entrou nos nossos hábitos, tão solícita foi a sair dos nossos mostradores.

Foi um crono-disparate, contra-natura. O que significava? No pico do Verão era como se, geograficamente, Portugal estivesse num meridiano imaginário entre São Petersburgo, Kiev e Istambul, que é como quem diz, cerca de duas horas e quarenta minutos desviado para leste. Resultado: no Verão as crianças iam para a cama de dia, mesmo que às vinte e duas horas, e no dia em que o Inverno começava, o sol nascia às nove horas, e as pessoas iam para o trabalho e as crianças para a escola ainda com a noite cerrada.

Por essa altura, só a Irlanda e o sempre renitente Reino Unido não foram em cantigas de zelo europeu e não aderiram ao TUB (Tempo Único de Bruxelas). E por que razão haveria o Cabo da Roca, ponto mais ocidental da Europa Continental, de aderir ao TUB? Disse-se na altura que ter a mesma hora de Bruxelas facilitava os contactos com as instituições europeias e com os escritórios de advocacia lá implantados. Foi uma tentativa de um euro, não monetário, mas horário. Fracassou, mesmo sem um “Schauble da astronomia / meteorologia”.

Tenho lido com interesse a análise de especialistas na área da saúde sobre eventuais efeitos desta mudança para a agora hora oficial. Fala-se em dores de cabeça, designadamente a cefaleia em salvas (quer dizer, de um só lado da cabeça), presumo que em lados opostos em função da mudança em Outubro e em Março, de alterações do ritmo cardíaco, etc. Este pseudo jet lag de uma hora, sem andar de jacto, tem também originado interessantes discussões quanto à questão da segurança nas ruas, risco de acidentes rodoviários, poupança ou não de energia eléctrica, etc..

Cá por mim, prefiro o primado da hora verdadeira do que o abastardamento desta por via administrativa. Ou seja, quanto mais perto a hora que temos no pulso estiver da hora que é, tanto melhor. Sou um purista e ecologista da hora.

Mas, como gostos não se discutem, lá teremos para uns, (h)ora bolas, para outros, andar às horas.

António Bagão Félix, artigo publicado em 2016

sábado, 28 de outubro de 2017

Com os relojoeiros reparadores espanhóis e a sua associação, no Observatório de San Fernando, Cádiz


Estivemos por estes dias na Andaluzia, onde assistimos à V Assembleia Geral da A.N.P.R.E. - Associação de Relojoeiros Reparadores de Espanha. Grande parte do evento decorreu ontem, sábado, nas instalações do Real Instituto e Observatório Real da Armada, na ilha de San Fernando, na Baía de Cádiz. Esta instituição da Marinha de Guerra de Espanha está muito ligada ao tempo - é ela que emite a Hora Legal no país vizinho e quem homologa o Segundo Padrão. Em cima, foto de grupo dos associados da A.N.P.R.E., à porta do Observatório, com o Director e Sub-Director do Observatório. Hoje, o grupo esteve em Jerez de la Frontera, onde está sediada uma importante colecção de relojoaria, no Palácio do Tempo, como já tivemos oportunidade de divulgar, aqui.


À porta do complexo do Observatório de Marinha de Espanha. O relógio marcava as 10h00 exactas.



Convidados oficiais da A.N.P.R.E., tínhamos autorização prévia de entrada nas instalações militares.


As primeiras explicações aos relojoeiros, antes da entrada no Observatório.








O dia começou com uma exposição a cargo do Oficial de Marinha Francisco J. Galindo, onde foi contextualizado o papel do Obervatório de San Fernando no Tempo de Espanha e não só. Os relógios atómicos da instituição estão ligados en rede - 470 no total, espalhados por 75 laboratórios - para a elaboração do Tempo Coordenado Universal (TCU ou UTC, segundo o acrónimo inglês).



O domo do Mapa do Céu, que o astrógrafo Ferdinand Paul Gautier adquiriu em 1887 para o projecto internacional da Carta do Céu.


Relógios atómicos desactivados, do espólio do Observatório



Francisco J. Galindo explicando a rede de relógios atómicos




Na cave de um edifício contíguo ao Observatório, recentemente inaugurado, está uma bateria de relógios atómicos de última geração, em sala climatizada, sob pressão constante e com dispositivos individuais anti-sísmicos para cada um dos aparelhos.



O Observatório foi transferido para o edifício actual em 1793, mas foi fundado em 1753 (o de Lisboa data de 1867)


O Observatório tem um repositório rico de instrumentros científicos.







Em cima, o primeiro transmissor da Hora Legal para Espanha. O Observatório tem uma colecção admirável de pêndulas reguladoras. Cada uma, a seu tempo, foi sendo o relógio padrão do país, servindo uma rede de relógios-escravos.







A Biblioteca da instituição é das mais ricas em obras científicas em Espanha. Conta com primeiras edições das grandes obras de Astronomia, Física, Geografia do século XVIII.

O seu catálogo, diz-nos Francisco José González, Director Técnico da Biblioteca, Arquivo e Colecção Museográfica do Real Observatório da Armada, pode ser consultado no Catálogo Colectivo de la Red de Bibliotecas de Defensa (www.bibliodef.es). Os seus fundos antigos (séculos XV-XVIII) estão digitalizados e podem ser consultados na Biblioteca Virtual del Patrimonio Bibliográfico Español (www.bvpb.mcu.es)




















O almoço de sábado decorreu no Clube de Oficiais da Armada, adstrito ao Observatório. Cada mesa evocava um grande relojoeiro ou cientista ligado ao Tempo, como John Ellicott...


Christiann Huygens...


Abraham Louis Breguet...


John Harrison...


José Rodriguéz Losada...


Ferdinand Berthoud...


ou George Graham.



A seguir ao almoço, foi exactamente sobre a figura de Losada, ou mais propriamente sobre um cronómetro de marinha de sua autoria, do acervo do Observatório, que houve uma comunicação. Ela esteve a cargo do mestre relojoeiro José Maria Galisteo, membro da ANPRE e estabelecido em Jerez de la Frontera. Galisteo procedeu à recuperação e restauro da peça, num trabalho documentado por ele, apresentado aos seus pares e, logo ali, considerado como exemplo a seguir em casos semelhantes de recuperação de relojoaria antiga.



Acervo de cronómetros de marinha do Observatório de San Fernando


O cronómetro de marinha de Losada, recuperado por Galisteo



De luvas, o mestre relojoeiro José Maria Galisteo explica as dificuldades que teve na recuperação da peça. "Seguimos os critérios de restauro estabelecidos pela Guilda de Relojoeiros de Londres, a mais antiga do mundo", explicou.

   



Manel Alabart, Presidente cessante da ANPRE. A V Assembleia Geral elegeu Manuel Díaz Muñoz como novo Presidente.


No final do dia, troca de presentes entre as duas instituições - ANPRE e Observatório



Eram exactamente 19h43 quando saímos do complexo do Observatório. Um dia bem passado, onde o tempo voou... Saudações relojoeiras aos membros da ANPRE e... até para o ano.