quarta-feira, 27 de maio de 2026

Uma amizade da popa à proa - José António Rita Raposo (1954 - 2026)

Durante quatro anos, o Raposo e eu fizemos juntos, a pé, o caminho de e para a Escola Primária Nossa Senhora da Conceição, pertencente à Paróquia dos Mártires, ao Chiado. Ele morava na Vítor Cordon e eu na Serpa Pinto. Na foto, além de nós, o Pepe e o "Cenoura". Quatro companheiros da vida airada, nos tempos em que ainda era possível brincar aos índios e cowboys e jogar à bola no Ferragial. Aquilo era tudo nosso. Mantivemos até hoje uma amizade que se materalizava em almoços ou jantares. 


A meio da Primária, apareceu o Hernani e o Vítor. Que se juntaram ao grupo


O José António Rita Raposo sempre foi o mais bem disposto de todos nós, com um repertório inesgotável de anedotas. O irmão, António José Rita Raposo, aparecia algumas vezes.


Muitos dos encontros foram no Tabernáculo, do Hernani Miguel, figura lendária da noite lisboeta, responsável pelo início da "movida" no Bairro Alto.


O Raposo foi responsável pela minha entrada no Clube Naval de Lisboa. O irmão António José já andava por lá e aliciou-nos a aparecer.


Assim, eu e o Raposo fizemos parte de mais um grupo, o do Remo, com o Palma e o Nogueira. Fomos vice-campeões nacionais juvenis de yolle e campeões nacionais júniores, na mesma classe (embora eu tenha participado apenas na primeira regata da época, em rotura com a Direção do CNL, mas isso são outras histórias).

Além do timoneiro, no barco havia o Voga, eu, que marcava a cadência da remada; o Palma, que era o primeiro Sota; depois, vinha o Nogueira, segundo voga; e, por fim, lá estava o Raposo, à proa, segundo Sota.


Amigos do Raposo, da Primária e do Remo estiveram a despedir-se dele hoje. Recordando o caçador, criador de cães, amante do tiro aos pratos e de um bom prato. Mas, sobretudo, um companheiro cuja presença era garantia de boa disposição. Um abraço à Ana. Até sempre, caro amigo. Da voga à sota, da popa à proa, estamos contigo.

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