segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Meditações - horas louras

Saudade dada

Em horas inda louras, lindas
Clorindas e Belindas, brandas,
Brincam no tempo das berlindas,
As vindas vendo das varandas.
De onde ouvem vir a rir as vindas
Fitam a fio as frias bandas.

Mas em torno à tarde se entorna
A atordoar o ar que arde
Que a eterna tarde já não torna!
E em tom de atoarda todo o alarde
Do adornado ardor transtorna
No ar de torpor da tarda tarde.

E há nevoentos desencantos
Dos encantos dos pensamentos
Nos santos lentos dos recantos
Dos bentos cantos dos conventos...
Prantos de intentos, lentos, tantos
Que encantam os atentos ventos.

Fernando Pessoa

2 comentários:

  1. As horas mudam de cor
    em função da nossa idade:
    quanto mais velho se for,
    menor a tonalidade!

    JCN

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  2. Mal o tempo nos alcança
    já dele temos saudade
    que aumenta de intensidade
    à medida que ele avança!

    JCN

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