segunda-feira, 27 de abril de 2026

Meditações - mortas horas antigas

Eu pronuncio teu nome

nas noites escuras, 

quando vêm os astros

beber na lua

e dormem nas ramagens

das frondes ocultas.

 

E eu me sinto oco

de paixão e de música.

 

Louco relógio que canta

mortas horas antigas.

 

Eu pronuncio teu nome,

nesta noite escura,

e teu nome me soa

mais distante que nunca.

 

Mais distante que todas as estrelas

e mais dolente que a mansa chuva.

 

Amar-te-ei como então

alguma vez? Que culpa

tem meu coração?

 

Se a névoa se esfuma,

que outra paixão me espera?

Será tranquila e pura?

Se meus dedos pudessem

desfolhar a lua!!


Frederico Garcia Lorca

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