Santos 100 turbilhão voador. Caixa em ouro branco, estanque até 30 metros. Calibre de carga manual, autonomia para 50 horas, turbilhão voador, selo de qualidade Punção de Genebra. À venda nas Boutiques dos Relógios Plus.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Chegado ao mercado
Santos 100 turbilhão voador. Caixa em ouro branco, estanque até 30 metros. Calibre de carga manual, autonomia para 50 horas, turbilhão voador, selo de qualidade Punção de Genebra. À venda nas Boutiques dos Relógios Plus.
Cronómetro de bolso Patek Philippe vendido por 310 mil francos suíços
Cerca de 180 relógios renderam um total de 6,3 milhões de francos suíços, num leilão realizado este fim-de-semana em Genebra. Entre os lotes principais, destaque para um Patek Philipe, relógio de bolso cronómetro, em ouro amarelo, que foi licitado por 310.000 francos suíços (cerca de 206 mil euros) - anunciou a leiloeira, Patrizzi & Co.Expedição Pangaea/Panerai: aberta a candidatos portugueses
Tawau, Bornéu: Oito novos jovens exploradores chegaram hoje a bordo do iate Pangaea, dando assim oficialmente início à etapa do Bornéu da Mike Horn Pangaea Expedition.Os jovens, com idades entre os 14 e os 20 anos, transformaram o barco numas Nações Unidas flutuantes, representando a França, a Suíça, a Coreia do Sul, os Estados Unidos, a África do Sul, a Alemanha, o Brasil e a República Checa.
Durante as próximas três semanas, navegarão em redor do extremo nordeste da ilha de Bornéu e explorarão os seus vários eco-sistemas, tanto em terra como no mar, e que estão sob grande ameaça.
A aventura faz parte do Young Explorer Programme (YEP) da expedição Pangaea, cujo lema é Explorar, Aprender, Agir. "A ideia é - se conseguirmos demonstrar à juventude quão bela é a Terra, ela crescerá transformada no seu guardião", diz Mike Horn, o explorador e líder da expedição.
Mike Horn é uma figura lendária: percorreu o globo de uma ponta à outra pela latitude zero, a pé ou à vela; atravessou a calote polar a pé, até ao Polo Norte. Grande parte das suas aventuras, incluindo este projecto Pangaea, têm sido patrocinadas pela manufactura relojoeira Officina Panerai.
A Mike Horn Pangaea Expedition é uma viagem de quatro anos, pelos seis continentes, e que começou há um ano em Ushuai. Desde então, o iate Pangaea já percorreu mais de 50 000 milhas náuticas, desde o Ártico à Áfdrica do Sul, passando pela Nova Zelândia, Austrália, Ilhas salomão, Japão, Singapura e agora Malásia.
Pelo caminho, já entraram e foram rendidas três equipagem de jovens. A expedição está aberta a candidatos de todo o mundo. O quarto grupo tem até 13 de Dezembro para se candidatar. Poderá fazê-lo em www.mikehorn.com.
Alain Silberstein cria caixa para MB&F, ao estilo Bauhaus
O MB&F Simply black é o resultado da colaboração do designer e criador relojoeiro francês Alain Silberstein, com uma nova caixa para o Horological Machine N°2.Para Maximilian Büsser, fundador da MB&F, e quem lançou o desafio a Silberstein, o “black box” surge num puro estilo Bauhaus, de linhas sóbrias. Silberstein diz que as novas formas do HM Nº2 lhe fazem lembrar máquinas fotográficas miniatura dos anos 40.
Formalmente, o novo relógio chama-se Horological Machine N°2.2. Para saber mais:
http://www.mbandf.com/horological-machines/hm2-2/index.php
http://www.mbandf.com/horological-machines/hm2-2/index.php
Chegado ao mercado
Meditações - era vulgar
A era vulgar teve origem num povo ignorante e crédulo, no meio das perturbações precursoras da queda próxima do Império Romano. Durante dezoito séculos ela serviu para fixar no tempo os progressos do fanatismo, o aviltamento das nações, o triunfo escandaloso do orgulho, do vício e da estupidez, as perseguições e os desgostos que a virtude, o talento e a filosofia tiveram de sofrer sob déspotas cruéis ou que toletravam que isso se fizesse em seu nome... A era vulgar foi a era da crueldade, da mentira, da perfídia e da escravidão; ela morreu com a monarquia, fonte de todos os nossos males.
Gilbert Romme (1750–1795), político e matemático, pai do Calendário Republicano saído da Revolução Francesa. O novo calendário durou apenas 12 anos, dois meses e vinte e sete dias. E a França regressou ao Calendário da Era de Cristo (com início a de 25 de Dezembro do ano de 753 a contar da fundação de Roma), pelo qual o mundo hoje se governa.
Gilbert Romme (1750–1795), político e matemático, pai do Calendário Republicano saído da Revolução Francesa. O novo calendário durou apenas 12 anos, dois meses e vinte e sete dias. E a França regressou ao Calendário da Era de Cristo (com início a de 25 de Dezembro do ano de 753 a contar da fundação de Roma), pelo qual o mundo hoje se governa.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Em primeira mão - Bel Canto, da Confrérie Horlogère
La Confrérie Horlogère, Bel Canto. Relógio concebido por Ranieri Illicher. Turbilhão volante, Repetição Minutos, timbre Catedral (o dobro da duração do timbre habitual), bate horas, quartos e minutos a pedido, através de alavanca às 8 horas. Limitado a dez unidades. Calibre de carga manual, decorado à mão, autonomia para cinco dias. Caixa em titânio, de 43 mm, estanque até 30 metros. Como todos os relógios da Confrérie Horlogère, tem garantia perpétua e os seus componentes são totalmente "Suisse made".
Chegado ao mercado
Memória - o que mudou na Relojoaria nos últimos 20 anos?*
O que mudou nos últimos 20 anos na Relojoaria? Tudo. A entrada no mercado de grandes grupos de investimento ligados ao sector do luxo, comprando manufacturas históricas; a ofensiva das marcas de moda, com a sua linguagem comunicacional, fazendo cada vez relógios mais “relojoeiros”; a resposta das manufacturas relojoeiras, fazendo cada vez mais relógios respondendo à moda; o desenvolvimento de novos materiais; a impregnação de estilos de joalharia em peças mecânicas, o equipar de jóias com movimentos mecânicos sofisticados; o renascimento do relógio mecânico, mas também a sobrevivência maciça do quartzo; a fusão disto tudo, aliado a um público consumidor cada vez mais informado; e a batalha pelo público feminino, cada vez mais forte e independente do ponto de vista económico, cada vez mais influente na compra de relógios para si ou para “eles”.
Carlos Rosillo, Presidente da Bell & Ross, é um observador privilegiado destas mudanças. Em Paris, perto da Place Vandôme, epítome do luxo mundial, almoçámos recentemente com o responsável por uma marca jovem, com apenas 16 anos, mas que cedo ganhou forte identidade num meio onde isso é muito difícil de conseguir.
“O que é mágico e formidável no sector relojoeiro é que ele não é demasiado grande, mas tem uma força enorme, uma visibilidade colossal”, diz. “Isso não se passa em mais nenhum sector com as mesmas dimensões em termos económicos”.
Para o consumidor, cada vez mais “marca” é o grande factor de decisão na hora da compra. Enquanto em sectores como o da informática ou da alimentação o conceito de “produto branco” ganha terreno (até pela crise económica que se atravessa), no sector de luxo já não se compra “um relógio de ouro” ou apenas “um anel”. A marca é tudo. “ Há tantas escolhas possíveis, hoje em dia, que se não se escolher bem a estratégia a seguir, não se é uma marca, morre-se”, diz Rosillo, que tem como aliado poderoso nos mares super-competitivos do luxo um nome de peso como é a Chanel, que tem participação no capital da Bell & Ross.
A relojoaria é uma indústria muito marcada pelo passado, pela tradição, mas desde há cerca de duas décadas que surgiu a chamada relojoaria moderna. “Como na pintura, no início do século XX, houve uma ruptura”, faz notar Rosillo. “Veja o exemplo da gastronomia, outro sector muito tradicional, que começou a mexer mais ou menos pela mesma altura”.
Tal como na gastronomia, partiu-se da tradição, como base, que se domina bem, mas integrando elementos da modernidade que não estão directamente ligados à relojoaria. Isso passou-se com os materiais, com a concepção, com as funcionalidades. Um relógio, hoje em dia, não tem forçosamente que ser redondo, com três ponteiros e em aço ou ouro. “Houve uma explosão de criatividade, que num sector tão tradicional como a relojoaria se traduziu numa espécie de revolução”, explica Rosillo.
Um relógio continua a transmitir a sensação de domínio do tempo, de reconhecimento social, de concentração de valor, continua a ser um objecto muito cultural. Mas hoje, com o potencial que há de inovação, o sector está muito fragmentado. Sem falar das marcas puramente de moda, o verdadeiro desafio para as marcas relojoeiras é prosseguir o seu caminho, sem desbaratar o ADN histórico, muitas vezes secular.
Segundo Rosillo, “ prolongar esse caminho num ambiente globalizado, mas com gostos muito diferentes, é muito difícil, pois há países onde o luxo é acima de tudo não ostentatório e outros onde se passa exactamente o contrário”. Em termos de ergonomia e de tamanho, o mercado também é muito vasto. E, depois, há ainda o paradoxo tradição-modernidade, uma linha de tensão que se nota cada vez mais sobretudo nas velhas manufacturas, obrigadas a mudar sem descaracterizar.
No meio do palco global, uma marca pode ser pequena, se ainda por cima aspira a um nicho, mas não pode permitir-se não ser internacional. Tem que estar nas grandes meças do consumo, na rede dos melhores pontos de venda mundiais.
O paradigma da globalização é, claro a Swatch. Um fenómeno estudado nas faculdades de Economia e Gestão de todo o mundo e que é considerado “o pontapé de saída” da tal revolução no sector relojoeiro. Tudo se pode contar de uma maneira simples: a ofensiva do quartzo, em relógios baratos e fiáveis, vindos do Japão, estava a tornar moribunda a indústria europeia ( suíça, sobretudo). Pelo preço, a batalha estaria perdida. Os bancos helvéticos, donos inesperados de manufacturas históricas devido a créditos mal parados, desafiaram um investidor, Nicolas Hayek, a tomar conta do problema. E, há um quarto de século, nascia o conceito Swatch – a primeira aliança entre relojoaria e moda, entre design moderno e ritmos de consumo urbanos e globais. Com o capital conseguido através da Swatch, Hayek foi modernizando as velhas fábricas, comprando marcas atrás de marcas, tornando-se em apenas década e meia no dono do maior grupo relojoeiro do mundo, com um portfolio que vai da Alta Relojoaria aos relógios para crianças.
O problema, no sector, hoje em dia, parece ser o de conquistar a juventude para o objecto relógio, cada vez menos usado como medidor de tempo, dada a parafernália de gadgets – telemóvel, computador, leitor de música… – que dão adicionalmente essa função.
Falámos recente com Nicolas Hayek, em Lugano, na Suíça italiana, onde ele organizou mais um evento Swatch. O relógio desapareceu como simples medidor de tempo? “ Mas isso foi uma das coisas que eu previ!”, responde esta figura incontornável da relojoaria mundial, que acaba de fazer 80 anos. “ Quando lancei o Swatch tinha claro que não ia fornecer ao mercado um instrumento de medição do tempo, mas antes um adereço puro de moda, um sinal de estilo de vida. Já em Alta Relojoaria, não estou a vender um relógio nem um adereço, estou a acenar com uma jóia, em ouro ou platina, cravejada de diamantes, que tem no interior um mecanismo que é outra preciosidade. Trata-se de um investimento, como se estivesse a comprar um quadro.”
Jerôme Lambert, quando chegou à Jaeger-Le Coultre, no final dos anos 90 do século passado, tornava-se no mais novo Presidente de uma manufactura relojoeira suíça. E que manufactura. A “Grande Maison”, nome como é tradicionalmente conhecida na região do Valée de Joux, comemora em 2008 os seus 175 anos. Com grande pujança. A marca, que faz parte do universo Richemond, o maior grupo de Alta Relojoaria do Mundo, fabrica apenas relógios com os seus próprios calibres, coisa rara numa indústria onde a maior parte dos “motores” é adquirida à mesma fonte, o Swatch Group. Hoje com 39 anos, Lambert reconhece que a marca tem ainda muito que avançar no mercado feminino, onde as potencialidades são enormes. “A Jaeger-LeCoultre é vista como uma das grandes marcas relojoeiras puras, com calibres do melhor que se fabrica, mas com caixas quase exclusivamente masculinas”, diz-nos ele em Miami, onde acaba de lançar novos modelos da mítica linha Reverso. “Mas as coisas estão a mudar, investimos muito nos últimos anos nos modelos femininos, e a nossa designer principal até é uma mulher, Magali Metrailer, coisa única na indústria”.
Philippe-Leopold Metzeger, Presidente da Piaget, uma das manufacturas mais tradicionais, e talvez aquela que melhor consegue fazer a aliança entre relógio e jóia, fala-nos em Genebra, onde acaba de inaugurar o Museu da marca, em plena Rue du Rhone, o coração do luxo genebrino. “O desafio, hoje em dia, para uma casa como a Piaget é sermos criativos sem deixar de ser clássicos; contemporâneos sem descaracterizar uma personalidade muito própria, desde sempre ligada aos segmentos mais exclusivos do luxo”, diz. A Piaget, fundada em 1874 e adquirida em 1988 pelo Grupo Richemond, faz hoje também parte do portfolio do maior grupo de Alta Relojoaria do mundo. “Fazer sempre mais do que o necessário”, mote do fundador, Georges Edouard Piaget, continua a ser o segredo dos mestres das “jóias animadas”.
O relógio-jóia é, especialmente nos mercados ocidentais, um segmento puramente feminino, que tem ganho importância crescente nas duas últimas décadas. Mas não é apenas neste segmento elevado que as coisas estão a mexer. Nestes mercados consolidados, conquistado e explorado o segmento masculino, é no feminino que ainda há muita coisa a fazer e todas as marcas, sejam elas joalheiras, relojoeiras, tradicionais ou de moda, estão a investir muito nisso.
A Audemars-Piguet, por exemplo, uma das poucas grandes manufacturas que permanece independente (a par da Rolex ou da Patek Philippe), e que se orgulha de ainda estar nas mãos das famílias fundadoras, conseguiu na última década lançar modelos femininos com design moderno, aliando o aspecto exterior “jóia” ao miolo puramente relojoeiro e com calibres altamente complicados. Nos corredores do último Salão Internacional de Alta Relojoaria, o clube privado do luxo relojoeiro, que concentra anualmente em Genebra muito do que de melhor e mais exclusivo se faz, o Presidente da Audemars-Piguet, Georges-Henri Meyland, afiança-nos que a manufactura quer elevar de 20 para 30 por cento, nos próximos cinco anos, as vendas em relógios femininos.
Já Fawaz Gruosi, fundador há apenas 15 anos da marca de Grisogono, fez tremer as grandes marcas joalheiras, primeiro, relojoeiras depois, mercê da sua audácia estética e comunicacional. Casado com Caroline Gruosi-Scheufele (a família Scheufele é dona da Chopard, que por sua vez detém 49 por cento da de Gruosi), Fawaz tem usado como estratégia privilegiada de comunicação festas mundanas que já se tornaram célebres, sejam elas no Mónaco, em Hong Kong ou Palm Beach. Os concorrentes passaram a imitá-lo, mas o ambiente de Grisogono continua a ser o reino do barroco e de uma certa beautiful people que não se encontra em mais lado nenhum. Fawaz abriu em 1993 a sua boutique joalheira na Rue du Rohne, um dos espaços mais belos desta Meca do luxo. Lançou em 1996 a moda do diamante negro, apresentou em 2000 a sua primeira colecção de relógios. Que marcaram desde logo pela aliança entre o arrojo estético e a inovação mecânica ao mais alto nível. Estivemos na gala dos 15 anos da de Gruosi, em Genebra, três dias de permanente festa e onde o castelo de Fawaz, à beira do lago Le Mans, serviu de base para mais de 200 convidados internacionais. “A mulher é tudo, é o desafio supremo, e os relógios e jóias que desenho para ela são hinos à sua beleza, à alegria de viver, ao prazer puro”, diz-nos este mago do barroco contemporâneo.
A Raymond Weil orgulha-se de ser uma marca independente, familiar, com o fundador ainda vivo e com a gestão a transitar da primeira para a terceira geração. Oliver Bernheim, actual Presidente da empresa, é genro do sr. Raymond, e os seus dois filhos já têm cargos de responsabilidade numa marca com um prestígio forte em Portugal, um dos primeiros mercados onde se lançou. “Em meados dos anos 90, vendíamos 35 mil relógios por ano em Portugal, criámos um mercado de relojoaria de luxo que não existia no país”, diz Olivier Bernheim, para quem o mercado português continua a ser “histórico”. E onde, como observador privilegiado, tem assistido a “uma violenta polarização da rede de pontos de venda, especialmente nos últimos cinco anos, onde há uns poucos muito bons, ao nível do melhor que se encontra no mundo, e uma maioria que terá que se modernizar, sob pena se perecer, especialmente num momento de crise como o que se está a atravessar”.
Falámos com Olivier numa das suas frequentes passagens por Lisboa. O que mudou nos últimos 20 anos? “Tudo, absolutamente tudo”, atira, sem hesitar. “Há 20 anos, quando o meu sogro fundou a Raymond Weil, havia como concorrentes apenas a Rolex, Cartier, Omega, Fabre-Leuba, Longines, Ebel. Todas as outras marcas estavam adormecidas ou não existiam”.
Para ele, “todo o dinamismo que se vê hoje na relojoaria surgiu nos últimos 20 anos. Até então, os relógios eram apresentados pela sua beleza e, subsidiariamente, tinham uma marca. Hoje, temos as marcas, que declinam modelos, é uma filosofia completamente diferente. Havia poucas empresas que fabricavam relógios, havia muitos relógios belos que, por acaso, até tinham marca”.
Para ele, “todo o dinamismo que se vê hoje na relojoaria surgiu nos últimos 20 anos. Até então, os relógios eram apresentados pela sua beleza e, subsidiariamente, tinham uma marca. Hoje, temos as marcas, que declinam modelos, é uma filosofia completamente diferente. Havia poucas empresas que fabricavam relógios, havia muitos relógios belos que, por acaso, até tinham marca”.
Há 20 anos não havia a bipolarização que há hoje em dia entre relógio de moda e relógios “relojoeiros”, mas antes entre peças de gama alta, média e baixa. Era o preço, e não o estilo, que dividia o sector. “O relógio feminino dominava o mercado, pelo seu lado joalharia, bijou; o relógio de homem era apenas de quartzo, havia muito poucos mecânicos”, recorda.
Depois, o mercado feminino de relojoaria diminuiu ao longo dos anos devido ao surgimento de uma enorme quantidade de acessórios para senhora, que entraram em directa concorrência com o objecto relógio. Isso enquanto o relógio de homem cresceu no mecânico, tornou-se naquilo que era o automóvel, símbolo, estatuto. “E com o andar da carruagem, com velocidades limitadas, combustível cada vez mais caro, questões ecológicas, o relógio tenderá a ganhar cada vez mais ao carro em termos de objecto de culto…”, atira Olivier Bernheim, que vê também problemas futuros no sector relojoeiro-joalheiro, devido ao aumento do preço das matérias-primas como o ouro. Quanto à Raymond Weil, reconhece: “Investimos, como a maioria das casas relojoeiras tradicionais, muito nos últimos anos no relógio de homem, vamos investir fortemente no relógio de senhora, onde está agora o mercado mais apetecido”.
No capítulo do relógio desportivo, a TAG-Heuer é líder mundial. Inserida no universo LVMH, o maior grupo de luxo do mundo, tem conseguido manter essa liderança, aliando uma estratégia de comunicação muito própria a um desenvolvimento tecnológico de ponta, seja ele nos movimentos mecânicos ou nos de quartzo. A política de “embaixadores” é a trave mestra comunicacional da marca, e as mulheres (desportistas) ganham cada vez mais peso na imagem TAG-Heuer.
“Independentemente de o relógio ser mecânico ou de quartzo, o cliente tem que ser bem tratado, ter um serviço pós-venda impecável, saber da fiabilidade do produto que acabou de adquirir”, diz-nos o seu Presidente, Jean-Christophe Babin. Anfitrião recente do novo Museu da marca, em La Chaux-de-Fonds, no coração relojoeiro suíço, Babin veste bem o espírito da casa: ostenta uns óculos TAG (as iniciais significam Tecnologia de Avant-Gard), produto lançado há pouco mais de um ano com grande êxito, explorando a imagem forte da marca, que agora se aventura também no mundo dos telemóveis topo de gama.
Mesmo para gente pouco atenta ao mundo da relojoaria, o nome de Franck Muller não passa despercebido. Este aluno brilhante de relojoaria, mestre relojoeiro revolucionário, criador da sua própria marca (hoje pertencente a um grupo de um investidor arménio), foi dos primeiros a fazer despertar para a relojoaria uma nova vaga de consumidores, ávidos de adquirir estatuto e símbolo de sucesso. Mercê de linhas arrojadas para a época, facilmente identificáveis, esteticamente perfeitas, com movimentos mecânicos ultra-complicados, os relógios Franck Muller têm já um lugar de referência na história da relojoaria contemporânea.
Franck passou recentemente por Lisboa, onde lançou mais um modelo exclusivo para o mercado português, ávido de edições especiais. Almoçámos com ele num dos pátios interiores da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, em cujas oficinas foi feito o estojo de madeira da edição limitada dos relógios Proud of Portugal.
“Nos últimos 20 anos, acima de tudo, mudou a tecnologia”, diz aquele que se projecta como Mestre de Complicações. “Quando estudei e depois me lancei como fabricante, ainda era tudo feito à mão, hoje em dia o processo micro-mecânico avançou muito, podendo fazer-se com linhas de produção totalmente robotizadas coisas inimagináveis em tamanho, fiabilidade, precisão”.
“Como somos uma marca nova, desde logo começámos a pensar os relógios femininos de forma separada, não seguindo a tendência geral que era fazer relógios masculinos apenas mais pequenos, a que se acrescentavam diamantes…”, diz Franck Muller. “E a mulher manda, manda sempre, seja nas compras para ela ou para ele. Qual é o homem que se atreve a comprar, mesmo para ele, sem saber se isso é também do gosto da companheira?”, pergunta com ironia.
“Como somos uma marca nova, desde logo começámos a pensar os relógios femininos de forma separada, não seguindo a tendência geral que era fazer relógios masculinos apenas mais pequenos, a que se acrescentavam diamantes…”, diz Franck Muller. “E a mulher manda, manda sempre, seja nas compras para ela ou para ele. Qual é o homem que se atreve a comprar, mesmo para ele, sem saber se isso é também do gosto da companheira?”, pergunta com ironia.
Quanto ao futuro, onde o grande inimigo é as novas gerações preferirem o telemóvel último modelo ao relógio, Franck Muller tem uma visão: a fusão suprema, em que no pulso, deles ou delas, haverá um instrumento que seja ao mesmo tempo relógio (que também diga as horas, falando), telefone, máquina fotográfica, scanner, medidor de tensão arterial… “A tecnologia já existe toda, falta conseguir criar um modelo que fuja do gadget barato e seja assumidamente um objecto de desejo e de luxo”.
Futuro da “guerra” Estética versus Técnica
Futuro da “guerra” Estética versus Técnica
Falámos também com quem acompanha mais directamente o mercado português – importadores, retalhistas, históricos há dezenas de anos no sector, mas também representantes de uma nova geração, num negócio que continua a ser muito de família e onde a tradição e a relação pessoal com o cliente pesa cada vez mais. Num futuro onde a dicotomia Estética versus Técnica poderá estar a esbater-se. Ou não…
Nas últimas duas décadas, o conceito de relógio feminino (pequeno, versão reduzida e adaptada do modelo masculino) mudou bastante, mas como será o futuro?
António Luís Moura, que vem de uma família dominante na importação de relógios no século XX português, e que está no sector há quase 40 anos, diz que se vivem “tempos de exclusividade, em que cada pessoa quer uma peça adaptada à sua própria personalidade”, e onde o relógio feminino “é um campo com enorme potencial de crescimento, à medida que os fabricantes forem sendo capazes de ir pensando ‘out of the box’ e criando novos designs, novos conceitos para uma nova mulher consumidora, independente”.
Simoneta Gómez-Acebo, Directora de Relações Públicas e Imprensa da Cartier Ibéria, baseada em Madrid, é mais concisa: “o relógio feminino continuará a evoluir na medida em que o mundo também vai evoluindo”.
Já Marta Torres, sexta geração de uma dinastia que começou a sua actividade no ramo em 1910, a partir de Torres Vedras, e que acaba de tomar responsabilidades de direcção na empresa familiar, a Torres Distribuição, líder nacional na importação de Alta Relojoaria, diz-nos que “o segmento que mais tem evoluído mundialmente é precisamente o do relógio feminino, pois as marcas procuram responder ao gosto específico da mulher, desenvolvendo linhas inteiramente dedicadas a ela” e que “a utilização de novos materiais, como peles de cobra piton ou de raia, o denim, a cerâmica, permitem adaptar o relógio ao gosto contemporâneo, preservando-o como objecto de desejo”. Marta Torres salienta uma tendência recente: a entrada do relógio mecânico no sector feminino, com os calibres à vista, incluindo turbilhões.
Cristina Kolinski, da importadora Tempus Internacional e da cadeia de retalho Boutiques dos Relógios (líderes nos respectivos segmentos de mercado), acha que os últimos anos têm visto “os relógios femininos a serem desenhados e desenvolvidos de raiz, a pensar nos gostos e nas características femininas, deixando de ser modelos adaptados apenas das versões masculinas”.
Paulo Santos, outro caso de sucesso de uma nova geração com raízes familiares no sector (da cadeia de lojas Manuel dos Santos), pensa que os pulsos femininos “democratizaram-se”, pois as mulheres passaram a usar o relógio como um “acessório” de moda, conjugando-o com a roupa, estilo ou até com a disposição do momento. “Em vez do tradicional relógio para sempre, normalmente em tamanho reduzido ou mini, é possível encontrar uma forma muito diferente de ‘vestir’ o pulso, variando entre o extra-large mais desportivo e o tradicional mini, mais festivo, com todas as marcas a fazerem um esforço de criatividade dedicado em exclusivo à mulher”.
O relógio-jóia continua a ser mais valorizado pelas pedras e metais preciosos empregues do que pelo mecanismo que tenha no seu interior, e isso passa-se particularmente no relógio feminino. Poderá haver uma "cultura relojoeira" feminina?
António Luís Moura acha que isso depende mais dos fabricantes do da mulher consumidora. “Compete a estes definirem conceitos e estratégias que sejam atraentes para a mulher”, diz. “À medida que as mulheres forem investindo mais dinheiro na compra de bons relógios, irão começar a exigir a intemporalidade das peças, e isso quer dizer, na maioria dos casos, não estarem dependentes de uma pilha”.
Simoneta Gómez-Acebo acha que o relógio-jóia continuará a ser rei como peça aspiracional no universo feminino, mas reconhece que, nos últimos tempos, as mulheres começam a interessar-se igualmente por aquilo que está dentro, pelo funcionamento do relógio e pelas suas particularidades técnicas (mecânicas).
Marta Torres admite que o relógio-jóia continua a ser uma peça de eleição, muitas vezes exemplar único, feito por encomenda, factor de comunicação de imagem de luxo e exclusividade de algumas marcas, mas sublinha que grandes manufacturas, com calibres mecânicos complexos, como a Jaeger-LeCoultre, conseguem introduzi-los em jóias, dando assim o melhor de dois mundos em peças de eleição. “Existe sem dúvida uma cultura relojoeira feminina, que não está necessariamente desligada do sentido técnico de manufactura relojoeira”, defende.
Posição idêntica tem Cristina Kolinski, pois “apesar de ainda serem em menor número, há já muitas mulheres que não escolhem somente os relógios pela marca ou design, mas sim pelas suas características tecnológicas, procurando saber se o relógio é ou não automático, se tem função cronógrafo, etc.” Paulo Santos acha que a mulher estará sempre mais focada no aspecto estético e o homem mais no aspecto técnico, isto à semelhança do que acontece em outros sectores, como o automóvel. “Elas demonstram mais curiosidade técnica quando estão a comprar para oferecer ao homem, mas quando compram para si ou para oferecer a outra mulher, a preocupação é mais com a estética”. E remata com alguma ironia: “Diria que podemos vender um relógio menos feliz esteticamente a um homem, porque ele está fascinado pelo movimento, e isso (a meu ver bem) é quase impossível ocorrer com uma mulher”.
As estratégias de moda invadiram a linguagem comunicacional do sector relojoeiro, e as grandes marcas de moda fazem todas relógios sob o seu nome. A mulher tem procurado mais, na decisão final de compra, o estatuto dado pela marca do que o dado pela tradição relojoeira?
Simoneta Gómez-Acebo acha que o sector tem estado atento e, ao aperceber-se de que a mulher se interessa cada vez mais pelos aspectos técnicos, dirige parte da sua comunicação nesse sentido. “A mulher tem cada vez mais exigências na hora da escolha – não se fica só pela aparência, quer saber como funciona”, diz a representante da Cartier.
António Luís Moura acha que a questão não é de sexos: “A marca é, hoje em dia, um factor fundamental na escolha de um relógio, seja pela mulher ou pelo homem e, por regra, as grandes casas relojoeiras do passado são actualmente também grandes marcas”.
Cristina Kolinski reconhece que “o mercado feminino continua a preferir ter mais relógios em quantidade a um preço razoável do que uma peça de Alta Relojoaria” e que, muitas vezes, “a marca sobrepõe-se à qualidade intrínseca de um relógio”, mas “essa tendência está, a pouco e pouco, a mudar”.
Marta Torres dá uma visão mais alargada da questão: “Existe hoje em dia uma tendência de diversificação de produto nas grandes casas de moda internacionais, pois, para além do vestuário, têm vindo a desenvolver uma vasta oferta de acessórios (perfumes, cosméticos, óculos, jóias, relógios, etc.), obedecendo todos a standards máximos de qualidade (no caso dos relógios, os casos Versace ou Chanel, por exemplo, procuram a legitimidade relojoeira suíça)”.
Paulo Santos diz que há já uma minoria de clientes da Manuel dos Santos “que procura o estatuto da marca, conjugado com a tradição relojoeira, mas o público feminino compra sobretudo marcas de moda, depois marcas joalheiras, e no final da lista aparecem as marcas com tradição relojoeira”.
Haverá ainda um "relógio feminino" hoje em dia, quando se sabe a tendência de aumento dos tamanhos das caixas e do êxito que têm tido relógios masculinos comprados de e para mulheres?
Marta Torres recorda Yves-Saint Laurent, recentemente falecido. “Ele foi mestre na arte de tornar feminino até o mais emblemático ícone do vestuário masculino, o smoking, e isso não tornou as mulheres menos femininas”, diz, para lembrar que “os gostos femininos evoluíram, dos relógios pequenos e discretos (os diamantes apenas eram usados em ocasiões especiais) para tamanhos de caixas maiores, com materiais, formas e cores mais ousados, aproximando-se dos gostos masculinos”. Esse gosto pelos relógios cada vez maiores levou a que a mulher tivesse adoptado alguns modelos criados inicialmente para homem, “mas continua sem dúvida a haver uma cultura muito feminina na relojoaria contemporânea”.
Marta Torres recorda Yves-Saint Laurent, recentemente falecido. “Ele foi mestre na arte de tornar feminino até o mais emblemático ícone do vestuário masculino, o smoking, e isso não tornou as mulheres menos femininas”, diz, para lembrar que “os gostos femininos evoluíram, dos relógios pequenos e discretos (os diamantes apenas eram usados em ocasiões especiais) para tamanhos de caixas maiores, com materiais, formas e cores mais ousados, aproximando-se dos gostos masculinos”. Esse gosto pelos relógios cada vez maiores levou a que a mulher tivesse adoptado alguns modelos criados inicialmente para homem, “mas continua sem dúvida a haver uma cultura muito feminina na relojoaria contemporânea”.
António Luís Moura vai mais longe: “Haverá cada vez mais ‘um relógio feminino’, e isso não está dependente do tamanho da caixa, mas antes do design e da comunicação da marca”.
Simoneta Gómez-Acebo recorda que a incorporação da mulher no mundo laboral, originalmente masculino, fez com que ela adoptasse códigos identificados com o homem. “Dantes, tinha-se apenas um relógio ‘bom’ e hoje são cada vez mais as mulheres que têm varas peças, que lhes permitem variar em estilo, jogando com formas e tamanhos”.
Cristina Kolinski acha que “o tamanho da caixa não é relevante para que um relógio seja feminino ou não, apesar da tendência ser o aumento do tamanho, pois o que faz a diferença são os pequenos detalhes: material do mostrador, indexes, braceletes, mistura de materiais…”.
Paulo Santos pensa que, apesar das tendências comuns, “continua a existir o relógio feminino puro”.
A compra por impulso, muito própria do universo feminino, tem atingido principalmente o relógio barato, que se compra numa dada estação, por ter a cor da moda, e é encarado como mais um adereço. Como aumentar a apetência pelo relógio mais caro, visto como investimento, satisfação pessoal, estatuto, valor seguro?
Cristina Kolinski defende: “No mercado feminino, é preciso comunicar intensivamente que o relógio não é só um acessório, devendo ser considerado antes como uma jóia, competindo com colares, anéis, bricos, etc.… Um investimento que, tal como se vê no mercado masculino, deve ser encarado como valor material e sentimental, que mais tarde se deixará de herança aos filhos, passando a ser o relógio também uma jóia de família”.
António Luís Moura diz que “a compra por impulso ocorre tanto nos relógios baratos como nos Topo de Gama” e que “a apetência por relógios mais valiosos tem aumentado, tanto por parte de homens como de mulheres, bastando comparar o que se passa hoje com o que existia há 10 ou 15 anos com marcas como Chanel, Chaumet, Cartier, Audemars Piguet, Patek Philippe e outras”.
Marta Torres faz-se porta-voz de uma geração: “Desde pequenas que gostamos de acessórios, usamos pulseiras e brincos de fantasia, mais tarde são os relógios de plástico de marcas mais ou menos conhecidas, começamos a desenvolver o nosso próprio sentido estético. Os gostos evoluem, o conhecimento aumenta e valores como luxo, tradição, inovação, exclusividade e excelência ganham sentido pleno, com os relógios das grandes manufacturas a serem objecto dos nossos sonhos”.
Paulo Santos faz o contraponto: “A realidade económica também está presente no consumo… sendo que, naturalmente, o universo feminino é mais sensível à moda – e isso torna mais previsível que, em termos de relojoaria, as compras se situem mais na gama baixa ou média”. Para se aumentar a apetência por um determinado produto, “é necessário fazer chegar ao consumidor certos conhecimentos e informação, com a imprensa, sobretudo a escrita, a ter um papel importante na defesa e pedagogia da história, do conceito, da tradição ou da exclusividade”.
Simoneta Gómez-Acebo tem a última palavra: “Ao fim e ao cabo, os valores seguros dão confiança e segurança à pessoa que os usa”.
*Publicado no final de 2008, no número comemorativo dos 20 anos da Elle portuguesa
*Publicado no final de 2008, no número comemorativo dos 20 anos da Elle portuguesa
Demitiu-se o director do COSC
À frente do Contrôle officiel des chronomètres (COSC) desde há 12 anos como director, Pierre-Yves Soguel demitiu-se e ainda não há nome para o substituir. A informação, que corria pelos bastidores relojoeiros helvéticos, foi agora confirmada ao site Worltempus pelo Presidente da organização, Germain Rebetez.O COSC emite os mais conhecidos e prestigiados certificados de cronometria da indústria relojoeira mundial. Nos últimos anos viu os seus serviços aumentarem consideravelmente: de 600 mil certificados de "cronómetro" emitidos em 1990, passou para 1,6 milhões em 2008.
O "pai "do relógio de quartzo
O casal Pierre e Marie Curie já tinha descoberto, na década de 80 do séc. XIX, as propriedades piezoeléctricas de um cristal de quartzo: sujeito a uma corrente eléctrica, vibra a uma frequência constante. Desde essa altura se pensou em utilizar essa característica na medição do tempo. Na verdade, relógios usando quartzo no órgão oscilatório foram construídos na década de 40 do séc. passado, mas eram enormes, faltava resolver o problema da miniaturização e da alimentação.
Em 1963, Tsumeya Nakamura torna-se director da fábrica da Seiko em Suwa, na perfeitura de Nagano. Sob a sua direcção, o Projecto Quartzo tornou-se numa obsessão e foi nas suas instalações de Pesquisa e Desenvolvimento que muitos dos avanços determinantes foram feitos. A forma em diapasão do cristal de quartzo, por exemplo, que depois se tornaria comum para toda a indústria.
Na preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, a Seiko decidiu dar um passo gigantesco com a criação do QC-951, o primeiro instrumento portátil de medição do tempo usando o cristal de quartzo como oscilador. O então Presidente da Seiko, Shoji Hattori, perdeu a paciência. Em 1968, ele emitiu uma agora famosa ordem: “Um relógio de pulso Seiko, de quartzo, deve estar no mercado dentro de um ano”. Foi reunida uma nova equipa de engenheiros e, sob a direcção de Nakamura, o prazo foi cumprido. O lendário Quartz Astron foi lançado no mercado no dia de Natal de 1969.
(A controvérsia continua hoje sobre quem inventou o primeiro relógio de pulso de quartzo. É que, em 1967, o Centre Electronique Horloger (CEH), em Neuchâtel, Suíça, desenvolveu um protótipo, o famoso Beta 21. Ele era, na verdade, o primeiro relógio de pulso de quartzo, mas tardou em passar à fase de comercialização e os suíços pagaram caro por isso, como se sabe. Polémicas à parte, a Seiko ganhou a corrida para colocar no pulso do homem comum relógios muito mais exactos que os mecânicos e a um preço cada vez mais barato).
Nakamura é hoje Conselheiro Executivo Honorário da Seiko e estivemos com ele na singela celebração dos 40 anos do Astron. Aproveitámos a ocasião para fazer uma pergunta ao “pai” do relógio de pulso de quartzo: qual a leitura de tempo que prefere, a digital ou a analógica? É que os relógios de quartzo tinham massificado a leitura digital, nos primeiros anos de vida.
“A leitura digital é mais precisa, mas continuo a preferir a leitura analógica, pois o Tempo joga aqui com o Espaço, e isso é mais natural para o nosso cérebro”, respondeu. E, na verdade, embora ainda muita gente fale de “relógio digital” para referir um de quartzo, tanto estes como os mecânicos são hoje na sua esmagadora maioria apresentados com mostradores de leitura analógica (com ponteiros). É diferente ler, por exemplo, 13h45 ou “um quarto para as duas”. O quarto de hora que falta para a hora ganha vida analógica, “morre” na versão digital.
adaptado de Fora de Série Relógios de 17 de Outubro de 2009, suplemento do Económico
Meditações - tempo e infância
Ordenar os acontecimentos segundo a sua sucessão temporal, estabelecer a igualdade de duas durações síncronas, acrescentar uma duração a outra e a sua soma a uma terceira, dividir a duração em unidades de tempo susceptíveis de serem repetidas e aplicadas a qualquer intervalo temporal: tudo isto constitui o objecto de uma aprendizagem que ocupa todo o período da infância.
Krzysztof Pomian, in Tempo/Temporalidade, Enciclopédia Einaudi, 1993
Krzysztof Pomian, in Tempo/Temporalidade, Enciclopédia Einaudi, 1993
domingo, 25 de outubro de 2009
Em primeira mão - La Clef du Temps, da Confrérie Horlogère
Confrérie Horlogère Mentors Les Masters La Clef du Temps Tourbillon. Calibre de carga manual, com autonomia para três dias. Limitado a 24 exemplares, cada um correspondendo a um fuso horário, A Chave do Tempo foi concebido por Mathias Buttet, fundador da Confrérie Horlogère. O relógio permite "a modulação" da velocidade do Tempo: a coroa às 3 horas tem três posições, que alteram a velocidade dos ponteiros dos minutos (que aparecem às 2 horas).
Com a coroa na posição 1: a velocidade do tempo reduz para metade (assim, uma hora normal é mostrada como meia hora no mostrador)
Com a coroa na posição 2: a velocidade do tempo é igual à real
Com a coroa na posição 3: a velocidade do tempo duplica (meia hora torna-se numa hora no mostrador)
Com a coroa na posição 2: a velocidade do tempo é igual à real
Com a coroa na posição 3: a velocidade do tempo duplica (meia hora torna-se numa hora no mostrador)
"Deste modo, os momentos agradáveis podem durar duas vezes mais, enquanto os desagradáveis são encurtados para metade, podendo sempre o utilizador optar pela opção de tempo real, basta rodar a coroa, e os ponteiros voltam ao normal", diz Mathias Buttet.
A Chave do Tempo tem um turbilhão vertical, segundos retrógrados às 4 horas e indicador de reserva de corda, às 8 horas.
Todo o calibre é desenhado para se assemelhar a um cérebro humano. Caixa em titânio, pulseira em borracha.
Como todos os relógios da Confrérie Horlogère, o relógio tem uma garantia perpétua. Todos os seus componentes são "Swiss-made".
Chegado ao mercado
Chegado ao mercado
Meditações - tempo local
O "tempo" de um acontecimento é a indicação contemporânea ao acontecimento de um relógio em repouso, que se encontra no local do acontecimento, o qual é síncrono com um determinado relógio em repouso e precisamente para todas as determinações de tempo, com o mesmo relógio.
Albert Einstein (1879 - 1955)
Albert Einstein (1879 - 1955)
sábado, 24 de outubro de 2009
Spera - alguém saberá mais sobre esta marca?
Chegou-nos agora a imagem deste Spera. Além de Horas e Minutos centrais e de Segundos às 6 horas, tem Fases de Lua, indicação analógica dos Dias do Mês e em janela do Dia da Semana e do Mês, com correctores directos para essas três últimas funções às 2, às 4 e às 10 horas.Da Spera S. A., empresa suíça, activa nos anos 60 e 70 do séc. XX, Estação Cronográfica sabe que comercializou também as marcas Le Mieux, Dauphine e Hamel.
Alguém sabe mais sobre a Spera?
Relojoaria - Conjuntura e contrafacção
Pela primeira vez, a indústria do luxo viu-se afectada pela crise financeira e económica, quando em situações anteriores tinha conseguido escapar. Não é difícil perceber porquê: o luxo massificou-se, passando assim a ter o bom (mais vendas) e o mau (flutuações acentuadas na procura) do resto da economia.A Relojoaria também está a sofrer, e a Alta Relojoaria não é excepção. Apenas mercados emergentes como a China e a Índia, e que estão a recuperar mais rapidamente do que o previsto, permitem antever um 2009 com alguma recuperação e um 2010 melhor.
A crise atingiu de forma brutal e inesperada a indústria relojoeira nos meses de Novembro e Dezembro de 2008. Mesmo grandes marcas, estabelecidas há mais de um século, com CEOs há décadas nos seus postos, foram surpreendidas pela queda a pique das encomendas, o seu quase congelamento. “Se a situação se mantiver no primeiro semestre de 2009, dizia-nos então um presidente de uma dessas manufacturas, a questão não será de cortes de pessoal, mas de fecho, puro e simples”.
De Janeiro a Setembro, a Suíça exportou em valor menos 26 por cento (o mercado português está melhor do que a média, com redução de apenas 15 por cento). Em número de peças, a Suíça exportou menos 5,1 milhões de relógios nos primeiros nove meses do ano, comparado com 2008. A redução de pessoal tem sido a nota dominante, especialmente nas empresas subcontratadas, que fazem caixas, pulseiras, ponteiros, mostradores para as grandes marcas. E há marcas que deverão mesmo desaparecer.
As estratégias de comunicação, que também reduziram drasticamente, têm os seus orçamentos apontados agora para Novembro e Dezembro. Vários indicadores de confiança referem que há já uma retoma no consumo na Europa, embora Japão e Estados Unidos continuem apáticos. Mas foi o imenso mercado chinês, que voltou a arrancar a partir de Março, que fez respirar de alívio muitas fábricas suíças.
A seguir à Maquinaria e às Indústrias Químicas, a Relojoaria é o terceiro sector exportador helvético. A Suíça exporta 95 por cento dos relógios que produz, representa 55 por cento do valor global dos relógios vendidos em todo o mundo, apesar de ter apenas 5 por cento do número produzido (o maior fabricante é a China). Compreende-se assim a atenção com que a Suíça acompanha a actual crise no consumo. Segundo alguns observadores, a prova de fogo da indústria será o comportamento das próximas encomendas nas duas principais feiras que ocorrem anualmente.
Logo em Janeiro, em Genebra, há o Salão Internacional de Alta Relojoaria. Ele é feito basicamente com as marcas do Richemont Group (Cartier, Vacheron Constantin, Jaeger-Lecoultre, Piaget, A. Lange & Sohne, IWC, Panerai, Van Cleef & Arpels, Baume & Mercier, Roger Dubuis) e alguns independentes (Audemars Piguet, Girard-Perregaux, Parmigiani e, pela primeira vez este ano, Greubel Forsey e Richard Mille). A edição de 2009 sofreu ligeira redução no número de visitantes, em relação a 2008, e quanto a encomendas, embora os números não sejam públicos, admitiu-se a estagnação. Em 2010, os sinais de crise estão aí: nesta espécie de reunião de clube privado, onde os jornalistas só acedem por convite, as despesas de viagem a alimentação não são, pela primeira vez, pagas pela organização, que se encarrega apenas do alojamento.
O Richemont Group é o maior em termos de Alta Relojoaria. Nos últimos meses substituiu dois CEOs, devido à crise.
Depois, em Março, haverá a maior feira do sector, em Basileia. A Baselworld, que tinha anunciado em 2008 uma gigantesca remodelação, com aumento do espaço de exposição, anunciava em 2009 que os planos ficavam adiados por dois anos, embora não fossem reduzidos. É na Baselworld que estão os pesos-pesados independentes, como Rolex ou Patek Philippe. Mas também o maior grupo de relojoaria do mundo, o Swatch Group (Breguet, Blancpain, Jaquet Droz, Omega, Longines, Tissot, Rado, Hamilton, Certina, Swatch, entre outros). A organização da feira, que até há um ano lutava com falta de espaço, apressa-se a emitir agora comunicados a dizer que as principais marcas já reservaram presença no certame e que a indústria “está a seleccionar mais a participação noutros eventos, para poder estar presente na Baselworld”.
Ir ou não ir?
Mesmo antes da crise, já havia quem se interrogasse sobre se a Baselworld e o Salão de Genebra continuavam a ter razão de existir. Por um lado, as estratégias de comunicação levaram a que, na última década, passasse a haver também feiras regionais nos Estados Unidos, na Ásia, em algumas capitais europeias. Esses mini-salões estavam, segundo muitos, a matar as feiras principais, onde antes se faziam as encomendas para um ano, depois de conhecidas as novidades.
Ora, as novidades passaram a ser divulgadas ao longo de praticamente todo o ano, numa espécie de estratégia semelhante à da moda. E as encomendas estão a passar mais pelos salões regionais.
Com as novas tecnologias, as marcas sentiram-se tentadas a usar plataformas on-line, onde podem apresentar essas novidades de forma sofisticada e rápida, não apenas ao retalhista mas aos media e ao consumidor final.
Ir ou não ir?
Mesmo antes da crise, já havia quem se interrogasse sobre se a Baselworld e o Salão de Genebra continuavam a ter razão de existir. Por um lado, as estratégias de comunicação levaram a que, na última década, passasse a haver também feiras regionais nos Estados Unidos, na Ásia, em algumas capitais europeias. Esses mini-salões estavam, segundo muitos, a matar as feiras principais, onde antes se faziam as encomendas para um ano, depois de conhecidas as novidades.
Ora, as novidades passaram a ser divulgadas ao longo de praticamente todo o ano, numa espécie de estratégia semelhante à da moda. E as encomendas estão a passar mais pelos salões regionais.
Com as novas tecnologias, as marcas sentiram-se tentadas a usar plataformas on-line, onde podem apresentar essas novidades de forma sofisticada e rápida, não apenas ao retalhista mas aos media e ao consumidor final.
Inserida claramente no sector do luxo, a indústria relojoeira hesita agora em dar o novo passo: a venda na Internet. Para já, vem desenvolvendo sites de marca cada vez mais sofisticados, está presente nas principais redes cibernéticas como o Facebook e até já entrou num centro comercial virtual como é o Watch Avenue (onde Blancapain, Longines, Tissot, Vacheron Constantin, Audemars Piguet, Chanel, Piaget, TAG-Heuer, Hublot, Raymond Weil e Corum criaram as suas próprias boutiques, e onde não faltam “empregados” para nos atender…)
Com tudo isto, surge a crise. E as empresas começam a diminuir as viagens, os contactos directos com os clientes. Para a sociedade em geral, a imagem conta, e o esbanjamento é apontado como algo de imoral.
O simbolismo está a asfixiar a chamada hospitalidade empresarial e as respectivas viagens. As empresas não podem dar-se ao luxo de enviar os seus quadros para dias seguidos fora do escritório, para sessões de apresentação ou de formação, devido a esse simbolismo.
Isto apesar de os responsáveis das empresas continuarem a considerar, a partir de experiência empírica, que os contactos directos com os clientes são melhores para os negócios.
Esta nova filosofia espartana está a pôr em perigo algumas das maiores companhias aéreas e muitos dos melhores hotéis e os milhões de postos de trabalho que dependem deles, directamente ou através de empresas subsidiárias.
Esta nova filosofia espartana está a pôr em perigo algumas das maiores companhias aéreas e muitos dos melhores hotéis e os milhões de postos de trabalho que dependem deles, directamente ou através de empresas subsidiárias.
Já havia ameaças às viagens executivas, mesmo antes da crise: o lobby ambiental, a melhoria das teleconferências, as análises custo-benefício cada vez com malha mais apertada, exigindo saber o retorno do investimento de cada viagem.
Os serviços de análise da Harvard Business Review acabam de realizar uma sondagem global a 2.211 executivos. A maior parte dos participantes (70 por cento) pertencem a empresas que operam em múltiplos países; mais de dois terços (68 por cento) afirmam ser eles a tomar as decisões sobre se viajam ou não.
O objectivo era determinar quão valioso é realizar negócios cara a cara em comparação com a crescente panóplia de alternativas tecnológicas. A sondagem revela que 79 por cento vê o “encontro pessoal” como a forma mais efectiva de conhecer novos clientes. Para 87 por cento, esse tipo de encontro presencial é essencial para selar acordos e praticamente todos (95 por cento) concordam que esses encontros são determinantes para o sucesso na construção de relacionamentos a longo prazo.
Mais de dois terços (69 por cento) afirmaram ter reduzido as suas viagens. Mais de metade (52 por cento) diz que as restrições nas viagens estão a afectar os seus negócios.
Uma outra sondagem, efectuada pela Hilton Hotels Corporation a 600 executivos da França, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos, dá respostas semelhantes: cerca de metade admite que, nos últimos 12 meses, a sua empresa reduziu as viagens de negócios. Cerca de um terço fala de um maior uso da tecnologia para substituir as viagens. E, quando são feitas, as viagens em classe executiva são agora mais controladas.
No grupo de 600, mais de metade (53 por cento) dá conta de um declínio no moral do pessoal e 30 por cento acredita que a performance do negócio sofreu com isso. Uma esmagadora maioria (81 por cento) diz que os encontros cara a cara aumentam a produtividade do negócio, enquanto quase dois terços diz que uma tónica exagerada na tecnologia pode reduzir essa performance – quase 50 por cento acredita que as videoconferências e os encontros realizados através da Internet não são substitutos para as reuniões cara a cara.
Estarão condenadas as feiras de Basileia e Genebra, tal como as conhecemos? Terrorismo ou uma pandemia são factores adicionais que poderão ditar adaptações.

A questão das falsificações
Outra das ameaças ao sector de luxo, nomeadamente o da Relojoaria, tem sido o das falsificações.
Com uma produção de falsificações praticamente representando o dobro dos relógios verdadeiros, as marcas de relojoaria enfrentam uma ameaça de envergadura.
A questão das falsificações
Outra das ameaças ao sector de luxo, nomeadamente o da Relojoaria, tem sido o das falsificações.
Com uma produção de falsificações praticamente representando o dobro dos relógios verdadeiros, as marcas de relojoaria enfrentam uma ameaça de envergadura.
Do conjunto anualmente analisado pela Federação Relojoeira suíça (FH), 90 por cento das falsificações são provenientes da Ásia, especialmente da China. As apreensões feitas a nível mundial também são maioritariamente de origem chinesa, cerca de metade do total, mas países como a Rússia, Ucrânia, Chile e Turquia estão a aparecer cada vez mais como fonte do problema.
Milhões de relógios falsos são apreendidos todos os anos, mas a batalha parece perdida, dada a escassez de meios e a rapidez com que o crime organizado se adapta a vagas de repressão.
A produção anual de relógios falsos é estimada em 40 milhões de unidades, segundo os números da FH. Esta produção paralela gera lucros avaliados em 500 milhões de euros. Em comparação, os relógios de marca verdadeiros representam 25 milhões de peças anuais.
A indústria da contrafacção representa em geral entre 5 e 7 por cento do comércio mundial, gerando um volume de negócio calculado entre 250 e 350 mil milhões de euros, segundo dados da Câmara de Comércio Internacional.
As marcas procuram defender-se como podem. Há quem empregue as técnicas de gravação a laser usadas em notas de banco para autenticar as suas peças (Vacheron Constantin) ou faça acompanhar o relógio de um cartão em princípio inviolável, com chip, e onde se garante a autenticidade da peça (Hublot).
A indústria relojoeira suíça lançou este ano uma campanha dirigida ao consumidor da contrafacção. Sem procura, na verdade, deixa de haver oferta. Há países que vão mais longe, e na sua legislação já prevêem sanções contra os consumidores de falsificações. Estão neste caso a França e a Itália – chegar a um desses países com um “Lolex” falso pode equivaler a uma multa ou mesmo à prisão.
Versão de artigo publicado no Fora de Série Relógios de 17 de Outubro de 2009, suplemento do Económico.
A crise está a fazer aumentar o negócio da contrafacção
Do último número do Magazine de la Haute Horlogerie, orgão da Fondation de la Haute Horlogerie (FHH), reproduzimos aqui um artigo de Fabrice Guérroux:Le manque de sensibilisation quant au fléau de la contrefaçon fait que beaucoup d’internautes se jettent sur des produits faciles à acheter et très attirants par leur rapport qualité-prix. Il n’en reste pas moins que ces mêmes consommateurs alimentent le nouvel eldorado du crime organisé.
Sans aucun doute, l’année 2009 aura marqué une évolution sans précédent en ce qui concerne le marché de la contrefaçon horlogère. En temps de crise, il n’est pas si paradoxal d’enregistrer une baisse du chiffre d’affaires des grandes marques d’un côté, et de l’autre une hausse de celui du marché de la contrefaçon. La demande pour des produits originaux est certes toujours bien présente mais les moyens pour les acquérir, eux, le sont nettement moins. En outre, on peut noter que les principaux produits touchés par la crise sont les montres haut de gamme dont les prix s’étendent de € 6.000 à plus de € 50.000. Les plus chères d’entre elles sont principalement destinées à des collectionneurs qui, bien que passionnés par la Haute Horlogerie, n’en sont pas moins des investisseurs avertis. Pour ce qui est du marché du faux, les prix ne sont en aucun cas sujets à de tels écarts et leurs variations sont davantage liées à la qualité de fabrication des matériaux. Tout au plus, pour une montre contrefaite de « qualité », le « consommateur » devra dépenser entre € 600 et € 700.
Notons ici un autre point important concernant les produits contrefaits : l’importance des mouvements. Si ces derniers étaient totalement négligés il y a à peine deux ans par les contrefacteurs (faux mouvements ETA de mauvaise qualité), il semble bien qu’aujourd’hui, ils soient devenus une priorité. De plus en plus de marques ont effectivement « ouvert le capot » de leurs nouveaux modèles avec pour objectif de permettre au consommateur d’apprécier la qualité du moteur. Les fabricants de contrefaçons ont de leur côté bien noté cette évolution et ont très vite compris que le consommateur appréciait ce type de détail. C’est ainsi qu’aujourd’hui, on commence à voir des fausses montres équipées de mouvements dont la qualité s’améliore de façon alarmante. (Lire le premier encadré)
Des actions sans réel impact
De plus, le manque de sensibilisation quant au fléau de la contrefaçon a fait que beaucoup d’internautes se sont jetés sur ces produits faciles à acheter et des plus attirants par leur rapport qualité/prix. Il n’en reste pas moins que malgré les apparences, ces mêmes consommateurs ne font qu’alimenter le nouvel eldorado du crime organisé : le délit quasi sans risque. C’est précisément ce que l’on entend par manque de sensibilisation. Il est très facile pour un consommateur de justifier son acte par un manque de connaissance du sujet, tout en prétendant que son achat isolé ne contribuera en aucun cas au manque à gagner annoncé par les protagonistes de la véritable horlogerie suisse. Jusqu’ici, le combat anti contrefaçon a été appréhendé sur différents fronts : investigations, saisies, arrestations, fermetures de réseaux clandestins, etc. Sur ce plan, un travail assez considérable a été réalisé ces dernières années. Des campagnes d’intimidation sur les risques juridiques encourus par le consommateur lui-même ont ensuite pris le relai, suivies par des campagnes de sensibilisation aux préjudices causés à l’économie, aux marques et au marché du travail. Mais si l’on en croit les statistiques, l’ensemble de ces actions ne semble pas réellement pousser le consommateur à se retirer d’un marché en pleine expansion. Quels sont ces chiffres ? En 1982, la contrefaçon rapportait $ 5 milliards de chiffre d’affaires tous produits contrefaits confondus. Aujourd’hui, ce sont près de $ 250 milliards qui sont générés par un marché qui représente bien peu de risques en matière pénale pour les contrefacteurs comparé au trafic de drogues ou à d’autres activités criminelles connexes.
Crime et contrefaçon
Si, par le passé, cette activité frauduleuse n’attirait que des bandes organisées isolées, il en va tout autrement aujourd’hui. Sur les 17 organisations criminelles les plus importantes du globe, 14 d’entre-elles sont impliquées dans le trafic de contrefaçon (DVD, médicaments, horlogerie, vêtements, etc.). Cet argument n’est-il pas suffisant pour sensibiliser le public au type de marché qu’il entretient lorsqu’il achète du faux ? Précisons alors que 6 organisations sur les 17 sont également impliquées dans l’exploitation humaine, le blanchiment d’argent, les transferts de fond illégaux, la prostitution, le trafic de drogues et d’armes. Dans ce contexte, Internet est une façade très efficace lorsqu’il s’agit de détourner l’attention du consommateur. Il est effectivement peu probable que ce dernier s’inquiète de quoi que ce soit en surfant sur un site au design professionnel, présentant des produits contrefaits criants de vérité (sur les photos uniquement) et à des prix défiant toute « concurrence ». Le consommateur doit donc aujourd’hui prendre conscience des conséquences de ses actes d’achat avec un point de vue nettement plus large qu’une simple vue plongeant sur son tour de poignet. D’autant que les risques et les répercutions encourus, notamment d’un point de vue pénal, sont non négligeables aujourd’hui pour l’acheteur de faux, sans parler du danger consistant à devenir bien malgré lui la cible d’autres activités tout aussi répréhensibles.
Des mouvements de "qualité"Si, auparavant, identifier une montre après ouverture du boîtier était chose facile, il en va tout autrement aujourd’hui. Les contrefaçons de mouvement ETA en nickel ont maintenant laissé la place à l’acier, au titane ou encore à la céramique. Non seulement ces mouvements contrefaits sont désormais montés à partir de matériaux solides et de qualité suffisante pour bluffer le consommateur, mais ils sont aussi assemblés de façon professionnelle et bénéficient d’un traitement machine digne des meilleurs fabricants. C’est ainsi qu’un détail, hier encore preuve évidente d’une contrefaçon, n’est plus discernable aujourd’hui, de sorte qu’il n’est pas rare pour certains modèles qu’une étude de l’acier en laboratoire professionnel soit nécessaire pour permettre l’identification d’une fausse montre. Ceci représente un véritable problème non seulement pour le consommateur et pour les marques mais aussi pour les revendeurs de montres de seconde main, de plus en plus nombreux sur un marché qui ne semble pas réellement souffrir de la crise. Les frais occasionnés par une véritable expertise en atelier par une marque de Haute Horlogerie peuvent en effet parfois dépasser la marge du revendeur, sans compter que les Maisons sont peu enclines à rendre service aux boutiques spécialisées dans les montres d’occasion. De quoi inquiéter plus d’un expert… F.G.
Les risques personnels
Ces trois dernières années, la phobie de l’escroquerie à la carte bancaire a grandement diminué. Les sites commerciaux ont effectivement mis en place des systèmes sécurisés efficaces et la pratique du paiement en ligne s’est largement démocratisée. Mais ces adresses Internet sont des sites de confiance. Ce qui ne veut pas dire qu’il faille se fier à n’importe quelle vitrine en ligne. Le crime organisé a d’ailleurs très rapidement découvert qu’il pouvait facilement jouer sur le facteur confiance. Une nouvelle opportunité qui recouvre une nouvelle activité frauduleuse, à savoir la collecte de coordonnées bancaires. Mettre l’internaute en confiance n’est plus chose compliquée. Le simple fait de mettre en ligne une boutique très bien présentée, arborant les logos des plus grandes marques ainsi que les pictogrammes bancaires d’usage montrant que le site est « sécurisé », suffit généralement pour apaiser les doutes. Ces boutiques de façade masquent en fait une véritable activité criminelle très bien organisée et dont le but premier est la collecte d’informations bancaires. Et pour rendre la démarche d’autant plus crédible, ces sites commercialisent de véritables produits, commandés, expédiés, livrés et, pour couronner le tout, de qualité. De nombreux consommateurs en ont déjà fait les frais.
Un système bien huilé
Trois étapes suffisent pour mettre en route un système huilé à la perfection, système qui va permettre d’alimenter le crime organisé aux quatre coins du globe. Après avoir consulté les nombreuses pages d’un site de montres contrefaites, l’internaute passe sa commande. Celle-ci est validée, l’argent encaissé, le produit préparé et expédié. Dans les six jours, le consommateur reçoit donc son produit pour autant qu’il passe les mailles du filet douanier. Le client est satisfait : pour lui, la transaction est close. Or il n’en est rien. Il vient en fait de donner ses coordonnées bancaires à une organisation qui va les redistribuer à des tiers. Pour mieux noyer le poisson, ces informations ne seront utilisées que plus tard, lors d’une même journée, dans le cadre d’achats à des sociétés implantées dans différents pays et dont les propriétaires sont les responsables d’organisations criminelles importantes. Achats financés par des ponctions effectuées sur les comptes dont les coordonnées ont été collectées, évidemment sans le consentement de leur détenteur.
A ce moment, il déjà trop tard : le temps a joué en défaveur du consommateur. Vu le nombre de transactions passées en une seule journée, la possibilité d’en retracer l’origine est minime d’autant qu’elles s’effectuent dans une multitude de pays différents et que les montants sont généralement peu importants. Pourchasser ces organisations est la tâche de la police et des services d’investigation internationaux. Ils y travaillent d’ailleurs d’arrache-pied comme le démontrent les résultats obtenus ces deux dernières années. Le rôle du consommateur, quant à lui, est simplement de ne pas se laisser tenter par ces produits frauduleux et de boycotter le faux. F.G.
Hora de Inverno
A hora legal em Portugal continental e Região Autónoma da Madeira será atrasada de 60 minutos às 2 horas do dia 25 de Outubro. Na Região Autónoma dos Açores, será atrasada de 60 minutos à 1 hora do mesmo dia.
Chegado ao mercado
Pista da semana - os relógios do Museu das Comunicações
O Museu das Comunicações, em Lisboa, tem em armazém grande parte do seu património relojoeiro, o que é uma pena. São dezenas de relógios de parede, de marcas como as portuguesas “A Boa Reguladora”, “A. V. Fonseca”, “J. Maury”, ou importadas como “National”, “E. Vinay”, “Favag-Hertig”, “Ericsson”, “Memor Electronic” ou “Waterbury Clock Company”.
Mas, para os que se interessam pelos medidores de tempo, a visita vale mesmo assim a pena: é que estão expostos dois relógios de hora universal de Veríssimo Alves Pereira, excelentes exemplares de relógios de ponto, algumas centrais de “PBX” com relógios “Zenith” cuja corda era dada pelo rodar do mostrador, e um marco miliário com relógio de sol, usado no percurso da Mala Posta, do tempo de D. Maria I.
Meditações - o tempo e o espírito
O tempo é uma forma pré-existente no nosso espírito.
Jules Henri Poincaré (1854 — 1912), matemático e filósofo francês
Jules Henri Poincaré (1854 — 1912), matemático e filósofo francês
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Chegado ao mercado
O mundo "faz" hoje 6013 anos
Agora que Saramago provocou um interesse renovado e generalizado no que diz a Bíblia, Tribo de Jacob chama-nos a atenção para uma estranha Era:"James Ussher (Dublin, 1581-1656), arcebispo de Armagh (de confissão anglicana), na Irlanda do Norte, estudou a Bíblia ao pé da letra e elaborou uma cronologia que estabelece que o mundo começou no dia 23 de Outubro de 4004 a.C., às 9 de manhã. Era domingo. Estava sol. Faz hoje 6013 anos".
Meditações - o tempo absoluto não existe
Um movimento só pode ser uniforme em relação a outro. O problema de saber se um movimento é uniforme em si é destituído de significado. De igual modo, não se pode falar de "tempo absoluto" (independente de toda a mudança). Com efeito, este tempo absoluto não pode ser medido por nenhum movimento, e por isso não tem valor nem prático nem científico. Ninguém pode pretender saber alguma coisa a seu respeito. É, pois, um inútil conceito "metafísico".
Ernst Mach (1838 - 1916), físico e filósofo austríaco
Ernst Mach (1838 - 1916), físico e filósofo austríaco
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Relógios A Boa Reguladora - uma escola de micro-precisão

Aspecto da fábrica de A Boa Reguladora, no final do séc. XIX (arquivo Fernando Correia de Oliveira)
O De Rerum Natura publica um artigo de João Boavida, onde se faz notar o papel da mão-de-obra especializada da defunta A Boa Reguladora, de Calendário, Vila Nova de Famalicão, na vizinha Leica, fábrica alemã de instrumentos de precisão que, depois de alguns momentos de crise, está agora sólida.
Os responsáveis da Leica reconhecem que a sua força de trabalho, formada na grande escola que foi A Boa Raguladora, é a base de um êxito actual da empresa.
A Boa Reguladora, fundada em 1892, viria a desaparecer no final do séc. XX. Um conjunto de ex-quadros da empresa fundou então a Regularfama, que numa primeira fase se tem dedicado à reparação e restauro das dezenas de milhares de relógios Reguladora que se mantêm no mercado, indo tentar numa segunda fase o relançamento da marca em termos de produção.
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